Aílton Medeiros
"Não consigo tomar partido por um sujeito, por um partido, por uma classe, por um país, por um filósofo, ou mesmo por uma filosofia, por um poeta, por uma escola literária, por um regime político. Tenho horror ao um..." (Alceu Amoroso Lima)

É GUERRA

Enviado em 14/03/10 às 19h56min por Ailton Medeiros

No dia 7 deste mês escrevi o seguinte post:

Há poucos dias houve uma discreta reunião entre três editores, dois colunistas e um manda-chuva de “O Globo” num restaurante do Rio. O recado aos subordinados foi curto e grosso: o jornal deve abrir mais espaço aos candidatos Aécio Neves e Marina Silva. E não poupar a ministra Dilma Rousseff. Quem viver, verá.

Que a grande imprensa está metida até a última gota de sangue na campanha dos tucanos ninguém duvida mais, certo?

O que o leitor comum certamente desconhece é a estratégia da mídia para atingir seu alvo. Não importa os custos. Os fins justificam os meios. O jornalista Mauro Carrara explica no artigo abaixo os detalhes da operação. Leiam:

“Tempestade no Cerrado”: é o apelido que ganhou nas redações a operação de bombardeio midiático sobre o governo Lula, deflagrada nesta primeira quinzena de Março, após o convescote promovido pelo Instituto Millenium.

A expressão é inspirada na operação “Tempestade no Deserto”, realizada em fevereiro de 1991, durante a Guerra do Golfo.

Liderada pelo general norte-americano Norman Schwarzkopf, a ação militar destruiu parcela significativa das forças iraquianas. Estima-se que 70 mil pessoas morreram em decorrência da ofensiva.

A ordem nas redações da Editora Abril, de O Globo, do Estadão e da Folha de S. Paulo é disparar sem piedade, dia e noite, sem pausas, contra o presidente, contra Dilma Roussef e contra o Partido dos Trabalhadores.

A meta é produzir uma onda de fogo tão intensa que seja impossível ao governo responder pontualmente às denúncias e provocações.

As conversas tensas nos “aquários” do editores terminam com o repasse verbal da cartilha de ataque.

1)    Manter permanentemente uma denúncia (qualquer que seja) contra o governo Lula nos portais informativos na Internet.

2)     Produzir manchetes impactantes nas versões impressas. Utilizar fotos que ridicularizem o presidente e sua candidata.

3)     Ressuscitar o caso “Mensalão”, de 2005, e explorá-lo ao máximo. Associar Lula a supostas arbitrariedades cometidas em Cuba, na Venezuela e no Irã.

4)     Elevar o tom de voz nos editoriais.

5)     Provocar o governo, de forma que qualquer reação possa ser qualificada como tentativa de “censura”.

6)     Selecionar dados supostamente negativos na Economia e isolá-los do contexto.

7)     Trabalhar os ataques de maneira coordenada com a militância paga dos partidos de direita e com a banda alugada das promotorias.

8)     Utilizar ao máximo o poder de fogo dos articulistas.
 
Quem está por trás
 
Parte da estratégia tucano-midiática foi traçada por Drew Westen, norte-americano que se diz neurocientista e costuma prestar serviços de cunho eleitoral.

É autor do livro The Political Brain, que andou pela escrivaninha de José Serra no primeiro semestre do ano passado.

A tropicalização do projeto golpista vem sendo desenvolvida pelo “cientista político” Alberto Carlos Almeida, contratado a peso de ouro para formular diariamente a tática de combate ao governo.

Almeida escreveu Por que Lula? e A cabeça do brasileiro, livros que o governador de São Paulo afirma ter lido em suas madrugadas insones.
 
O conteúdo
As manchetes dos últimos dias, revelam a carga dos explosivos lançados sobre o território da esquerda.

Acusam Lula, por exemplo, de inaugurar uma obra inacabada e “vetada” pelo TCU.

Produzem alarde sobre a retração do PIB brasileiro em 2009.

Criam deturpações numéricas.

A Folha de S. Paulo, por exemplo, num espetacular malabarismo de ideias, tenta passar a impressão de que o projeto “Minha Casa, Minha Vida” está fadado ao fracasso.

Durante horas, seu portal na Internet afirmou que somente 0,6% das moradias previstas na meta tinham sido concluídas.

O jornal embaralha as informações para forjar a ideia de que havia alguma data definida para a entrega dos imóveis.

Na verdade, estipulou-se um número de moradias a serem financiadas, mas não um prazo para conclusão das obras. Vale lembrar que o governo é apenas parceiro num sistema tocado pela iniciativa privada.

A mesma Folha utilizou seu portal para afirmar que o preço dos alimentos tinha dobrado em um ano, ou seja, calculou uma inflação de 100% em 12 meses.

A leitura da matéria, porém, mostra algo totalmente diferente. Dobrou foi a taxa de inflação nos dois períodos pinçados pelo repórter, de 1,02% para 2,10%.

Além dos deturpadores de números, a Folha recorre aos colunistas do apocalipse e aos ratos da pena.

É o caso do repórter Kennedy Alencar. Esse, por incrível que pareça, chegou a fazer parte da assessoria de imprensa de Lula, nos anos 90.

Hoje, se utiliza da relação com petistas ingênuos e ex-petistas para obter informações privilegiadas. Obviamente, o material  é sempre moldado e amplificado de forma a constituir uma nova denúncia.

É o caso da “bomba” requentada neste março. Segundo Alencar, Lula vai “admitir” (em tom de confissão, logicamente) que foi avisado por Roberto Jefferson da existência do Mensalão.

Crimes anônimos na Internet

Todo o trabalho midiático diário é ecoado pelos hoaxes distribuídos no território virtual pelos exércitos contratados pelos dois partidos conservadores.

Três deles merecem destaque…

1)     O “Bolsa Bandido”. Refere-se a uma lei aprovada na Constituição de 1988 e regulamentada pela última vez durante o governo de FHC. Esses fatos são, evidentemente, omitidos. O auxílio aos familiares de apenados é atribuído a Lula. Para completar, distorce-se a regra para a concessão do benefício.

2)     Dilma “terrorista”. Segundo esse hoax, além de assaltar bancos, a candidata do PT teria prazer em torturar e matar pacatos pais de família. A versão mais recente do texto agrega a seguinte informação: “Dilma agia como garota de programa nos acampamentos dos terroristas”.

3)   O filho encrenqueiro. De acordo com a narração, um dos filhos de Lula teria xingado e agredido indefesas famílias de classe média numa apresentação do Cirque du Soleil.


RAPAZ DE BEM

Enviado em 14/03/10 às 13h29min por Ailton Medeiros

Poucos shows me emocionaram tanto quanto o do trompetista americano Miles Davis no Free Jazz Festival, no Rio (1988). O impacto foi tão grande que deixei o Hotel Nacional, em São Conrado, chorando.

Outro artista que me emocionou com seu talento foi o cantor, pianista e arranjador brasileiro Johnny Alf, morto no início deste mês em São Paulo, aos 80 anos.

Devo isso ao produtor Zé Dias que a pretexto de homenagear os 30 anos da Bossa Nova trouxe o músico para Natal em 1995. Seu show no Teatro Alberto Maranhão foi impagável. E inesquecível.

Pois bem, a edição de quinta-feira do “New York Times” destacou a morte do influente músico, precursor da bossa.

Para ler o texto na íntegra, clique aqui.


MUSA

Enviado em 13/03/10 às 1h03min por Ailton Medeiros

 “Deixei meus olhos escorregarem ao acaso sobre você. E só achei satisfação”.

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ESTRANHO, DEMASIADO ESTRANHO

Enviado em 12/03/10 às 19h55min por Ailton Medeiros

A deputada federal Fátima Bezerra, do PT (RN), considerou tardio os afagos do senador José Agripino Maia ao governo Lula. O site Terra Magazine ouviu a deputada que comentou a entrevista do líder da oposição ao Jornal 96 FM, de Natal.

Confiram trechos da entrevista:

Terra Magazine – Como a senhora viu essa mudança de posição do senador Agripino Maia?
Fátima Bezerra
– Primeiro, é o reconhecimento. O senador está sendo obrigado a reconhecer, como está a maioria do povo brasileiro e como está a maioria da população norte-rio-grandense, o bom governo que o presidente Lula vem fazendo. Agora, a atitude do senador a estas alturas – eu sou muito sincera – está impregnada de oportunismo político-eleitoral.

Por quê?
Fátima
– José Agripino passou os oito anos, no Congresso Nacional, fazendo aquela oposição raivosa, berrando contra o governo Lula, contra tudo o que o governo Lula fez ao longo destes oito anos. E agora ele vem, de público, dizer que o governo Lula tem muito mais acertos do que erros. Mesmo sendo uma atitude impregnada de oportunismo político-eleitoral, antes tarde do que nunca.

A senhora lembra de algum ponto específico de contradição?
Fátima
– Que eu saiba, durante os oito anos, a própria imprensa nacional acompanhou muito bem isso. É a coisa mais rara do mundo, eu não tenho lembrança de ter visto o senador na tribuna do Senado fazendo algum elogio ao governo Lula. De maneira nenhuma. Muito pelo contrário. Claro que a oposição tem que fazer o papel dela, mas a notoriedade que o senador ganhou na mídia, nestes oito anos, foi em função exatamente da oposição raivosa que fez ao governo do presidente Lula, de forma até caluniosa e tudo. Bateu fortemente, nunca vi reconhecer os acertos do governo Lula. Quando é agora, na disputa político-eleitoral, ele vem dizer que o governo Lula tem mais acertos do que erros. O que não faz o medo de perder uma eleição?

Qual é a estratégia do senador ao mudar de posição, visando às eleições?
Fátima
– O presidente Lula aqui, como no resto do País, meu querido, tem mais de 70% de aprovação. Claro que o quadro aqui está definido, segue a mesma lógica nacional. O DEM aqui está junto com o PSDB, são os nossos principais adversários no plano local. A candidata a governadora deles é a senadora Rosalba Ciarlini, do DEM.

Para ler a entrevista na íntegra, clique aqui.


AGRIPINO ELOGIA LULA E JORNAL DE ISRAEL CHAMA PRESIDENTE DE PROFETA

Enviado em 12/03/10 às 11h18min por Ailton Medeiros

Os bocós estão espumando de ódio.  Não é para menos.

O senador e líder da oposição José Agripino Maia elogiou Lula, reconhecendo que seu governo fez coisas importantes. A declação foi feita em entrevista ao Jornal 96 desta sexta-feira.

Agripino citou o Bolsa Família que “deu poder de compra aos pobres”, o programa “Minha Casa Minha Vida”, e o aumento do salário mínimo.

“O presidente fez dos pobres menos pobres. O aumento do salário mínimo, que ajudamos a aprovar no Congresso Nacional, promove distribuição de renda”, declarou.

Já o jornal israelense “Haaretz” classificou Lula de “profeta” por sua defesa das negociações diplomáticas em busca da paz na região.

“Imparcialidade é o nome do jogo. Lula tem que ser amado por todos. Sua visita ao Oriente Médio na próxima semana começará em Israel, mas também o levará para os territórios palestinos e para a Jordânia”, escreve o jornal.

Sem dúvida, uma sexta-feira da paixão. Para Lula, claro.


INIMIGO PÚBLICO

Enviado em 11/03/10 às 23h08min por Ailton Medeiros

blat

Por Gustavo Barreto

É no mínimo curioso que o promotor de Justiça José Carlos Blat, fonte primária da “reportagem” da VEJA contra o PT no último domingo (edição de 10/03/2010), já tenha pedido à própria VEJA ressarcimento por danos morais no valor de R$ 20 mil, alegando que a revista extrapolou o direito de liberdade de informação e violou a sua honra, ao qualificá-lo como “pioneiro da era dos promotores heróis”.

A matéria que causou o litígio entre Blat e VEJA é de 5 de fevereiro de 2006, sob o título “Intocável sob suspeita”, e sustento ser importante começar por este relato para chegar ao caso atual da BANCOOP. Abordava processos administrativos aos quais o promotor respondia no Ministério Público de São Paulo. Blat perdeu: “(…) Duarte Camacho [juiz da 4ª Vara Cível de São Paulo] entendeu que a revista apenas noticiou um inquérito verídico que envolvia uma figura pública”. Cabia recurso.

Relatou o juiz na sentença de dezembro de 2008: “Os procedimentos administrativos narrados na reportagem são verdadeiros. A reportagem divulgou a notícia dos procedimentos administrativos respondidos pelo autor porque o autor é um profissional que, freqüentemente, está na mídia em razão do seu trabalho”. E ainda: “O magistrado ressaltou que, assim como os grupos criminosos que o promotor combate estão expostos aos holofotes da mídia, Blat também deveria estar acostumado a ser notícia”. (Última Instância, viaJusBrasil, dez/2008)

ACUSAÇÕES CONTRA BLAT

Na edição citada, os “procedimentos administrativos respondidos pelo autor”, segundo o juiz, são os seguintes:

ACUSAÇÃO 1: “(…) Em 1998, entrou para o Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do qual foi afastado em 2004, em circunstâncias confusas. A Corregedoria o investigava por uma tentativa de livrar-se de multas no Detran e por um episódio estranho em que um carro oficial do Gaeco foi apreendido fora da cidade de São Paulo – com um criminoso ao volante. No fim de 2004, a Corregedoria do Ministério Público decidiu levar essas investigações a fundo. Ouviu o depoimento de onze pessoas, entre elas quatro promotores. Com base nesses depoimentos e em documentos levantados, a Corregedoria disse ter encontrado indícios de crimes mais graves.”

ACUSAÇÃO 2: “(…) As primeiras investigações contra Blat colocaram em xeque suas ações contra desmanches de veículos roubados. Promotores afirmaram que uma seguradora de veículos indicava quais locais deveriam ser invadidos e quem deveria ser preso. Nessas ações três funcionários dessa seguradora apresentavam-se como peritos. Todo o estoque era apreendido e, em vez de seguir para a polícia, a maior parte das peças era desviada para um depósito de terceiros.”

ACUSAÇÃO 3: “(…) Blat também foi acusado de proteger o contrabandista chinês Law Kin Chong, preso em São Paulo. Em 2002, quando participou de uma força-tarefa antipirataria, ele teria dirigido o foco da investigação somente contra os pequenos contrabandistas, deixando Law livre para atuar. Uma advogada que trabalhava para o contrabandista visitava Blat periodicamente no Gaeco.”

ACUSAÇÃO 4: “(…) As investigações descobriram ainda que Blat mora num apartamento de Alfredo Parisi, que já foi condenado por bancar o jogo do bicho. Blat admite que, antes de se tornar promotor, foi sócio do filho de Ivo Noal, outro banqueiro do bicho, numa loja de conveniência – o que não é crime.”

ACUSAÇÃO 5: “(…) Os bens do promotor também entraram na mira da Corregedoria. Segundo os depoimentos, Blat comprou de uma só tacada dois carros importados e blindados. A Corregedoria recebeu uma denúncia de que um apartamento no Guarujá também seria de Blat. Mais tarde, descobriu-se que, na verdade, estava em nome do ex-sogro do promotor, René Pereira de Carvalho, um procurador de Justiça. Carvalho tentou pagar 200 000 reais em dinheiro vivo, mas, diante da recusa da vendedora, usou cheques administrativos. A origem dos recursos não foi esclarecida. Por isso foi aberto um inquérito específico sobre seu patrimônio.”

A Revista VEJA conclui:

“(…) Sobre Blat pesam também as seguintes suspeitas: usar veículos e pessoal do Gaeco para interesses pessoais, negociar com um delegado a liberação de seu pai, que teria sido preso em flagrante por armazenar bens roubados, abuso de autoridade, truculência e suspeita de enriquecimento ilícito.

É possível que Pinho esteja correto, e que nenhum crime tenha sido cometido. No entanto, por muito menos, políticos e empresários são duramente investigados pelo Ministério Público paulista – é o caso do ministro da Fazenda, Antonio Palocci.

Enquanto seu destino no Ministério Público não é definido, Blat já traça outros planos. Disse a VEJA: “Eu me desiludi com o Ministério Público. Estou pensando em me candidatar a deputado federal”.

Isso foi em 2006. Blat estava pensando em virar político, oficialmente.


CHEGA DE BABAQUICE

Enviado em 11/03/10 às 11h40min por Ailton Medeiros

O ódio da imprensa brasileira (e de alguns bocós) a Lula beira ao rídiculo.

A agência de notícias americana Associated Press deu duas chamadas para a longa entrevista que fez com o presidente: “Silva para de fumar após 50 anos” e “Presidente faz planos para a final da Copa”.

O “New York Times” repercutiu a entrevista destacando que “Silva diz que sanções ao Irã são perigosas”.

No Brasil…

Bem, no Brasil, a cantiga da perua é uma só: “Greve de fome não é válida para libertar dissidentes, diz Lula”, na manchete do “O Estado de S. Paulo”.

Na “Folha”, a declaração rendeu, acreditem, um manifesto cujo título lembra aqueles famosos editoriais do “Correio da Manhã” às vésperas do golpe de 64: “Passou do limite”.

Quem passou do limite foi o jornal que trata o leitor como imbecil. 

Chega! Basta! Fora!


OS ESCLARECIMENTOS DE LUÍS NASSIF

Enviado em 11/03/10 às 10h33min por Ailton Medeiros

Agora as respostas e os esclarecimentos de Luis Nassif à Folha:

-De quem partiu a iniciativa para a contratação da sua empresa Dinheiro Vivo Agência de Informações pela EBC (Empresa Brasil de Comunicação)? O projeto lhe foi requerido pela EBC ou o sr. procurou a EBC?

O projeto já existia na TV Cultura. Foi descontinuado na gestão Mendonça. Seria retomado no final de 2008. Já havia reunião marcada por Paulo Markun para discutirmos o novo contrato. Dias antes fui informado que não haveria mais a renovação. Entre a marcação do dia e a desistência da FPA, escrevi matérias sobre a piora nos balanços da Sabesp, criticando as campanhas publicitárias que ela bancava em nível nacional.

Se a Cultura não tivesse desistido do projeto, teria permanecido. Com a desistência, procurei a EBC e ofereci o programa.

- Que critérios objetivos o sr. adotou para estipular a sua remuneração de R$ 660.000,00 como apresentador e responsável pelo programa?

O valor que considerei justo. E que guarda correspondência com o primeiro contrato que firmei com a Fundação Padre Anchieta (FPA) como comentarista do Jornal da Cultura e apresentador do Projeto Brasil.

No contrato com a FPA havia um envolvimento menor da minha equipe com o programa, cuja gravação ficava a cargo da TV Cultura.

Com a EBC, além de comentarista do Repórter Brasil, há um envolvimento amplo com o programa Brasilianas.org que é entregue pronto. Há uma equipe contratada especialmente para o programa (Nota: já que a EBC, em processo de formação, não tinha ainda estrutura interna para as gravações) – cujos custos são cobertos pela EBC. Mas há todo um trabalho da equipe da Dinheiro Vivo com conteúdo, supervisão das gravações de TV, agendamento de entrevistas, convite aos debatedores. Além da minha participação pessoal.

Com a FPA o contrato previa participação nos patrocínios, garantido um mínimo mensal. A EBC não tem essa modalidade.

Um dos elementos de fixação de proventos ou salários de jornalistas – adotado por todos os veículos, inclusive a Folha – é o grau de reconhecimento e projeção perante a opinião pública.

Como o colega deve se recordar, no último Prêmio Comunique-se fui um dos três finalistas da Categoria Melhor Jornalista de Economia da Televisão, junto com a Mirian Leitão e o Joelmir Betting (que venceu). E não concorri ao de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita porque havia vencido a edição anterior e o Prêmio proíbe a reeleição.

Em suma, os mesmos fatores que são levados em conta em qualquer contratação de jornalistas ou projeto por emissoras de TV.

- Por que a sua contratação não se submeteu a uma licitação pública, preferindo ser fechada por “inexegibilidade”?

A EBC pode explicar melhor. Mas presumo que por dois motivos.

Ponto 1: notória especialização.

Os prêmios que acumulei ao longo de minha carreira e nos últimos anos atestam essa minha especialização.

Ponto 2: sou o criador do Projeto Brasil de discussão de políticas públicas casando TV e Internet apresentado à EBC, que entendeu que se adequava perfeitamente ao espírito de uma TV que pretende abrir espaço para as grandes discussões públicas. É um projeto inovador e sem similar. Preenchem-se, assim, as duas condições para inexigibilidade de licitação.

Chamo a atenção para uma questão similar.

No dia 3 de abril de 2009, através do Diário Oficial do Estado fica-se sabendo que a Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), ligado à Secretaria da Educação de São Paulo, adquiriu 5.499 assinaturas do jornal Folha de São Paulo, com inexigibilidade de licitação.

Creio que o argumento jurídico é o mesmo que fundamenta minha contratação pela EBC com inexigibilidade de licitação.

- O primeiro pagamento da EBC para a sua empresa data de 24 de julho de 2009. Contudo, até a presente data, cerca de 7 meses depois, nenhum programa foi ao ar (a estreia está prevista para segunda-feira). O que aconteceu?

Um período inicial para a montagem da equipe e a formatação do programa (construção de cenários, discussão da linguagem televisiva). Depois, a definição da grade de programação da EBC, que pode ser melhor explicada por ela própria. Os programas estão sendo produzidos e já existem vários gravados. E trabalho no projeto desde a data de assinatura do contrato, conforme você pode conferir nos relatórios apresentados.

- No cronograma da produção do programa, observei que estão previstas ou foram realizadas gravações de evento denominado “Sarau do Luís Nassif”. Contudo, verificando o Projeto Básico, não encontrei nenhuma previsão relativa à gravação do “Sarau”. Qual a exata ligação entre o “Sarau” e o programa televisivo e por que isso não constou do Projeto Básico?

É impossível definir, em um Projeto Básico, todas as ações a serem tomadas no decorrer de um ano.

A montagem de um programa pressupõe vinhetas de abertura e fechamento. O Projeto Brasil, da TV Cultura, iniciava e terminava com cenas de arquivo com música brasileira. Pensou-se em repetir o modelo, mas comigo tocando bandolim. Depois de ver o resultado final, achei que poderia passar a ideia de cabotinismo e desisti.

Apenas isso, já que todas as cenas foram gravadas, constam de nossos arquivos e não implicaram nenhum custo adicional para a EBC.

- Segundo me informou a EBC, o primeiro programa, cuja estreia deverá ocorrer na segunda-feira que vem, tratará do tema da Defesa. O sr. ou suas empresas trabalham com empresas ligadas ao setor? Quais eventos do chamado “Projeto Brasil” receberam patrocínio de empresa (s) ligada (s) ao setor? De acordo com meus levantamentos, a empresa francesa Dassault Aviation, que tem interesse direto na venda de equipamentos militares para o governo brasileiro, patrocinou um seminário promovido pelo sr. no dia 17 de dezembro de 2008, no Novotel Hotels, em São José dos Campos. Caso o sr. ou suas empresas prestem consultoria ou tenham outros tipos de vínculos negociais com essas empresas da área militar, o sr. informou à EBC possível conflito de interesses? Ou o sr. entende que tal eventual conflito é inexistente e, por isso, nada informou?

É importante qualificar melhor esse “meus levantamentos”. Todos os seminários do Projeto Brasil têm patrocínios que são públicos, saem em anúncios, grande parte dos quais foram publicados no caderno Dinheiro da própria Folha durante muitos e muitos anos – anúncios que eram descontados do meu salário de colunista, conforme o Otavinho poderá lhe informar. Portanto, não há informações secretas que exijam grandes pesquisas.

No seminário em questão, o patrocínio foi de R$ 15 mil, brutos, ou R$ 13 mil líquidos. Os custos diretos com o evento foram de R$ 9.448,65 – salão, recepção, projetores, gravação etc.

Se se computar custos de translado para São José dos Campos, de uma equipe de quatro pessoas, mais o tempo que elas e eu dedicamos ao evento, sairíamos no prejuízo. Mas mantivemos o Seminário por considerá-lo relevante para a discussão de políticas públicas.

Mas mesmo que os patrocínios tivessem permitido um bom lucro, não há razão para não considerá-los legítimos, da mesma maneira que são legítimos os anúncios publicados em cadernos temáticos especiais pela Folha.

Outro ponto importante é que os patrocinadores jamais participaram da elaboração dos temas do Seminário e dos palestrantes convidados.

- De acordo com os levantamentos feitos no Siafi, o sr. recebeu R$ 14.480,00 (já descontados os impostos) para proferir, no ano passado, uma palestra para a FINEP, empresa pública vinculada ao Ministério da Ciencia e Tecnologia. Em quais critérios objetivos o sr. se baseou para cobrar o valor?

A palestra foi proferida em Palmas, Tocantins, em um evento para o setor privado denominado de “Inovação em Tempo de Crise”. Minha palestra teve como tema “O Novo Padrão de Desenvolvimento pós-crise”. O critério adotado foi de um desconto no valor que cobro para palestras fora de São Paulo.

Devido aos nossos prazos jornalísticos de fechamento, solicito, se possível, uma resposta até o início da tarde de amanhã, quinta-feira.

Bom, o objetivo da Folha foi o de devassar os negócios da Dinheiro Vivo, valer-se de um tom inquisitorial para questionar negócios comerciais legítimos e com benefícios comprovados para a sociedade – basta conferir a relação de vídeos e trabalhos sobre mais de 50 temas relevantes, que disponibilizamos para a opinião pública. Não me furtei a apresentar os esclarecimentos solicitados.

Julgando-se a Folha no direito de questionar-me sobre os negócios da DV, me dá o direito de questioná-la sobre seus negócios. Oportunamente enviarei email com perguntas importantes para entender o relacionamento da Folha com entes públicos.

Peço apenas que me confirme se as respostas foram satisfatórias, se todas as dúvidas foram apresentadas e esclarecidas e se, mesmo assim, ainda valerá uma reportagem. Caso se mantenha a reportagem, solicito informar o dia para que minhas perguntas e respostas possam sair simultaneamente, sem furar seu trabalho.

Mais detalhes, clique aqui.


JORNAL ACUSA JORNALISTA DE GOVERNISTA

Enviado em 11/03/10 às 10h21min por Ailton Medeiros

Dono do blog mais lido da internet brasileira, o jornalista Luis Nassif está sendo acusado pela “Folha” de jornalista pró-governo. A empresa dele, Dinheiro Vivo, fechou um contrato sem licitação com a estatal EBC (Empresa Brasil de Comunicação) para produzir um debate semanal, de uma hora, e cinco filmetes semanais de três minutos para a TV Brasil.

Antes, o jornalista apresentava o programa na TV Cultura de onde foi demitido depois que passou a criticar o governador José Serra em seu blog.

Confiram abaixo, trechos da reportagem de Rubens Valente:

O jornalista e empresário Luís Nassif mantém um contrato anual, fechado sem licitação, de R$ 1,28 milhão com a estatal EBC (Empresa Brasil de Comunicação), vinculada ao Palácio do Planalto e responsável pela TV Brasil.

A empresa de Nassif, Dinheiro Vivo Agência de Informações, produz um debate semanal, de uma hora, e cinco filmetes semanais de três minutos.

Do R$ 1,28 milhão do contrato, o jornalista fica com R$ 660 mil anuais a título de remuneração, o que equivale a salário de R$ 55 mil. Os pagamentos começaram em agosto. O programa estreou segunda-feira.
À Folha, por e-mail, Nassif afirmou que os insumos de produção cresceram de forma “não prevista no contrato original”, por conta de “demandas adicionais da EBC”, e que a parte destinada à Dinheiro Vivo corresponde a R$ 49 mil brutos mensais (ou R$ 39 mil líquidos), e não R$ 55 mil.

Os outros R$ 558 mil do contrato são destinados ao pagamento de uma equipe de nove pessoas e à compra de equipamentos. A gravação do debate é feita no estúdio da EBC, que também custeia deslocamento e hospedagem de convidados.
Em seu blog, Nassif tem se posicionado a favor do governo em várias polêmicas, discussões e escândalos. A página também se caracteriza por críticas a jornais e jornalistas.

Após a Folha ter revelado, no mês passado, que a Eletronet, empresa interessada em atos

A Dinheiro Vivo foi contratada por inexigibilidade de licitação, prevista na lei que regula as licitações. Indagado sobre isso, Nassif respondeu que a FDE (Fundação para o Desenvolvimento da Educação), vinculada à Secretaria de Estado de Educação de São Paulo, adquiriu em 2009, também por inexigibilidade de licitação, 5.499 assinaturas da Folha.

Segundo a assessoria da Secretaria de Educação, idêntico procedimento foi adotado para a aquisição de assinaturas do jornal “O Estado de S. Paulo” e das revistas “Veja”, “Época” e “IstoÉ”. O objetivo das compras, segundo a secretaria, é abastecer as bibliotecas de de escolas públicas no Estado.

Para dispensar a licitação e contratar Nassif, a EBC argumentou que há uma singularidade no programa. Trata-se de um debate de uma hora semanal com três convidados, mediado por Nassif, que também recebe perguntas da plateia e de internautas.

Nassif disse à Folha que seu projeto já existia na TV Cultura, mas foi “descontinuado” logo depois de ele ter escrito artigos sobre “a piora dos balanços da Sabesp”. Sobre a dispensa da licitação, o jornalista afirmou: “Presumo que por dois motivos. Ponto um: notória especialização. Os prêmios que acumulei ao longo de minha carreira e nos últimos anos atestam essa minha especialização. Ponto dois: sou o criador do Projeto Brasil de discussão de políticas públicas casando TV e internet apresentado à EBC”.

A EBC informou que mantém outros quatro contratos fechados por inexigibilidade de licitação. São relativos aos programas “Samba na Gamboa” (R$ 1,2 milhão anuais), da produtora Giros, “Papo de Mãe” (R$ 1,99 milhão), da produtora Rentalcam, apresentado pelas jornalistas Mariana Kotscho e Roberta Manrezi, “TV Piá” (R$ 1,34 milhão), dirigido pela jornalista Diléa Frate, e “Expedições” (R$ 1,66 milhão), da jornalista Paula Saldanha.

O diretor jurídico da EBC, Luís Henrique Martins dos Anjos, diz que a contratação de programas artísticos ou jornalísticos, cujos direitos autorais pertencem a outras pessoas, sem licitação e por notória especialização está amparada em um entendimento firmado pelo plenário do TCU, no acórdão nº 201/2001, relatado pelo ministro Benjamin Zymler.

Sérgio Sbragia, sócio de Diléa Frate na produtora Serpente Filmes, afirmou que a escolha de sua empresa “foi um processo muito criterioso”, que durou cerca de um ano.

A produtora Giros defendeu a dispensa da licitação. “O projeto “Samba na Gamboa” é apresentado pelo artista Diogo Nogueira. Em função do saber notório atribuído ao artista no mundo do samba (…), este contrato foi assinado de forma excepcional, dispensando licitação”, afirmou Maria Carneiro Cunha, da Giros.

A jornalista Paula Saldanha disse que o programa “Expedições” “está há 15 anos no ar, conquistando os melhores índices de audiência em todas as emissoras em que foi exibido (Manchete, TVE e TV Cultura)”. Procurada pela Folha na última terça-feira, a Rentalcam não ligou de volta até o fechamento desta edição.


ANTES TARDE

Enviado em 11/03/10 às 8h40min por Ailton Medeiros

Ainda há juízes em Brasília. O próximo presidente do STF, Cezar Peluso, vai propor a redução de 60 para 30 dias das férias dos magistrados. A declaração do ministro foi feita ao jornal “Folha de S. Paulo”:

Várias vezes tirei férias inteiras para trabalhar. Às vezes, trabalhava sábado e domingo para que não ficasse com muitos processos acumulados. É importante dizer isso porque é comum ouvir que é injusto o juiz ter 60 dias de férias.

Quando enviar o projeto de Lei Orgânica da Magistratura neste ano para o Congresso, não vou me desgastar para defender 60 dias de férias. Politicamente para o Supremo não convém entrar em batalhas perdidas. Possivelmente, no Supremo, a ideia das férias de 30 dias vá acabar prevalecendo.

Peluso assume à presidência do STF dia 23 de abril.

Antes tarde do que nunca.


DA BARBÁRIE À DECADÊNCIA

Enviado em 10/03/10 às 23h40min por Ailton Medeiros

Nizan Guanaes tem razão: nem a Bahia aguenta o Axé!

Reportagem de Bruna Bittencourt na “Folha” informa que o movimento que completa 25 anos cresce no Brasil e perde espaço na Bahia.

Em Natal artistas como Claudia Leitte, Iveth Sangalo e Bel são tratados como deuses. O que significa isso? Que a Taba passou da barbárie à decadência sem conhecer o apogeu.

Abaixo, trechos da reportagem:

Foi Luiz Caldas quem inaugurou a axé music em 1985 com o sucesso de “Fricote”. A música do cantor, da qual até hoje ninguém conseguiu esquecer o refrão (“Nega do cabelo duro, que não gosta de pentear…”), é considerada o marco zero do gênero baiano.

Neste ínterim de 25 anos, assistimos a uma lucrativa indústria se formar em torno do axé e do Carnaval –fora de época ou não–, alçando seus artistas entre os mais populares e lucrativos da música brasileira. Enquanto isso, o gênero cresceu para além de Salvador, se espalhando pelo Brasil e para fora dele. Mas, em um movimento inverso, perdeu espaço dentro da Bahia para outros gêneros.

“A axé music era avassaladoramente a mais executada, a mais ouvida, a mais pedida. Ela perdeu espaço nas ruas”, defende Milton Moura, professor de história da Universidade Federal da Bahia e estudioso do gênero. “No auge, nos anos 90, quando vendia milhões de cópias, o axé era 90%.

Os outros gêneros eram muito poucos. Hoje, está mais equilibrado”, afirma o jornalista do “Correio” da Bahia Osmar Martins, que já visitou dez países acompanhando shows de artistas de axé. “Mas ele ainda é tocado o ano inteiro e, quando chega o Carnaval, ganha uma dimensão maior”, diz.

Moura cita o crescimento de gêneros como o arrocha –um “bolerão popular”–, o pagode baiano –”um desdobramento do samba de roda, que se modernizou a partir dos anos 90″– e o forró eletrônico como responsáveis pelo decréscimo –e não declínio, pontua– do axé dentro da Bahia.

“Quando outros ritmos populares começam a ficar importantes, o axé se sofistica, também através de conexões na MPB, procurando atrair um público de classe média de outros lugares”, afirma Moura, lembrando o contingente de foliões de outros Estados nos blocos de Salvador no Carnaval.

Carlinhos Brown, por exemplo, assinou parcerias com Paralamas do Sucesso, Marisa Monte e Arnaldo Antunes, além de se enveredar pela música caribenha. Daniela Mercury gravou composições de Lenine e Chico César e flertou com a eletrônica.

“A Ivete diz que é uma cantora de axé. Mas se você ouve “Pode Entrar” [disco com convidados como Marcelo Camelo a Maria Bethânia], é uma cantora pop”, completa Martins. “Os nomes mais importantes hoje são aqueles que fazem sucesso fora da Bahia”, defende Moura.

Para o crítico musical Hagamenon Brito, que cunhou o termo “axé music”, esta geração de cantores é “envelhecida”, citando o Asa de Águia, que como o Chiclete com Banana, começou nos anos 80. “Os ídolos de hoje são os mesmos dos anos 90″, diz Moura. Hagamenon completa: “Para o tamanho da indústria, a renovação é pequena. Surgem novos nomes, que não viram estrelas”.

A última a se tornar uma delas, entre vários outros artistas de poucos carnavais, Claudia Leitte tateia sua identidade musical, mas já bem diferente daquele que Luiz Caldas construiu nos anos 80.


BONJOUR PARIS

Enviado em 9/03/10 às 22h39min por Ailton Medeiros

Estou contando os dias, as horas, os minutos e os segundos… Prometo imitar Fred Astaire e Audrey Hepburn em ”I Funny Face”: Quero passear no Champs-Elysées, do arco do Triunfo ao Petis Palais, isso é minha cara.

Bonjour Paris!

 

Woody Allen dança com Goldie Hawn às margens do Sena em “Todos Dizem Eu Te Amo”:


EU ACUSO

Enviado em 9/03/10 às 21h27min por Ailton Medeiros

O texto que vai abaixo é de Leandro Fortes. Com o título “Repórteres no pelourinho”, ele analisa a atitude covarde da “Folha de S. Paulo” que  permitiu que um “elemento estranho à redação”, o sociólogo Demétrio Maginoli, agredisse de forma covarde dois repórteres do jornal.

Este escriba já foi vítima de semelhante covardia quando trabalhava no Jornal de Hoje. Um “elemento estranho à redação”, mas não aos porões do poder, o secretário de comunicação Rubens Lemos Filho, me chamou de delinquente no próprio jornal.

Escrevi um artigo me defendendo e explicando quem era “Rubinho”. No dia seguinte a surpresa. No lugar do texto, um anúncio do governo do Estado.

Resumo da ópera: dono de jornal é aquele sujeito que publica o joio e cobra por isso.

Com vocês, Leandro Fortes:

A direção da Folha de S.Paulo, simplesmente, autorizou a um elemento estranho à redação (mas não aos diretores), o sociólogo Demétrio Magnoli, a chamar de “delinquentes” dois repórteres do jornal, autores de matéria sobre a singular visão do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) da miscigenação racial no Brasil.

Vocês, não sei, mas eu nunca vi isso na minha vida, nesses 24 anos de profissão. Nunca. Por tabela, também o colunista Elio Gaspari, que desceu a lenha no malfadado discurso racista de Demóstenes Torres, acabou no balaio da delinquencia jornalística montado por Magnoli.

Das duas uma: ou a Folha dá direito de resposta aos repórteres insultados (Laura Capiglione e Lucas Ferraz), como, imagino, deve prever o seu completíssimo manual de redação, ou encerra as atividades. Isso porque Magnoli, embora frequente os saraus do Instituto Milleniun, não entende absolutamente nada de jornalismo e confundiu reportagem com opinião.

A matéria de Laura e Lucas nada tem de ideológica, nem muito menos é resultado de “jornalismo engajado” (contra o DEM, na Folha??). A impressão que se tem é que houve falha nos filtros internos da redação e deixaram passar, por descuido ou negligência, uma matéria cujas conseqüências aí estão: o senador Torres, sujeito oculto da farsa do grampo montada em consórcio entre a Veja e o STF, virou, também, o símbolo de um revisionismo histórico grotesco, no qual se estabelece como consensual o estupro de mulheres negras nas senzalas da Colônia e do Império do Brasil.

A reação interna à repercussão de uma matéria elaborada por dois repórteres da sucursal de Brasília, terceirizada por Demétrio Magnoli, é emblemática (e covarde), mas não diz respeito somente à Folha de S.Paulo.

O artigo “Jornalismo delinquente”, publicado na edição de hoje (9 de março de 2010), na página de opinião do jornal, nada tem a ver com políticas de pluralidade de opiniões, mas com intimidação pura e simples voltada para o enquadramento de repórteres e editores, e não só da Folha, para os tempos de guerra que se aproximam.

A recusa de Aécio Neves em ser vice de José Serra deverá jogar o DEM, outra vez, no vácuo dos tucanos, a reviver a dobradinha iniciada entre Fernando Henrique Cardoso e o PFL, de triste lembrança. O imenso mal estar causado pela fala de Demóstenes Torres na tribuna do Senado Federal, resultado do trabalho rotineiro de dois repórteres, acabou interpretado como inaceitável fogo amigo.

Capaz, inclusive, agora, de a dupla de jornalistas correr perigo de empregabilidade, para usar um termo caro à equipe econômica tucana dos tempos de FHC.

Demétrio Magnoli, impunemente, chama a reportagem da Folha de S.Paulo de “panfleto disfarçado de reportagem”, afirmação que jamais faria, e muito menos a publicaria, sem autorização da direção do jornal, precedida de uma avaliação editorial e política bastante criteriosa.

O fato de se ter permitido a Magnoli, um dos arautos da tese conceitualmente criminosa de que não há racismo no Brasil, insultar dois repórteres e o principal colunista da Folha, em espaço próprio dentro de uma edição do jornal, deixa a todos – jornalistas e leitores – perplexos com os rumos finais da velha mídia e de seu inexorável suicídio editorial em nome de uma vingança ideológica, ora baseada em doutrina, ora em puro estado de ódio racial e de classe.


ONDE HÁ FOGO

Enviado em 9/03/10 às 5h50min por Ailton Medeiros

Hummm!! A senadora Marina Silva criticou o presidente Lula e exaltou o papel das Forças Armadas na integração nacional durante visita ao Rio.

O governador José Serra homenageou personalidades com a Ordem do Ipiranga. A lista de agraciados do tucano reúne comandantes das Forças Armadas.

Como dizia o Barão de Itararé: há alguma coisa no ar e não são os aviões de carreira.


SENADOR RECUSA CONVITE DE SERRA

Enviado em 9/03/10 às 5h37min por Ailton Medeiros

O jornal “O Globo” desta terça-feira informa que o senador Tasso Jereissati recusou convite para vice de José Serra.

 Lembrado como alternativa para a vaga de vice na chapa encabeçada pelo também tucano José Serra na disputa pela Presidência da República, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) afirmou nesta segunda-feira não estar convencido de que é boa a estratégia do governador de São Paulo de adiar ainda mais o anúncio de sua candidatura e que seu nome “não está à disposição” do partido.

Para Tasso, não bastou a declaração pública de Serra da semana passada dizendo nunca ter abandonado a ideia de ser candidato e cobrou que o governador de São Paulo “caia na vida”. Numa referência indireta ao ritmo acelerado da ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, o senador afirmou que o atraso na campanha do PSDB na corrida pelo Palácio do Planalto é mais grave do que perder um bonde.

 O nosso trem está atrasado – disse ele.

Fugindo ao estilo cauteloso – até pelas divergências passadas que deixaram marcas na relação com Serra, quando apoiou Ciro Gomes para presidente da República em 2002 -, Tasso elevou o tom das críticas. Atribuiu a estratégia de Serra de adiar para abril o anúncio de sua candidatura “aos amigos dele”:

- É uma estratégia que ninguém está entendendo. Acho isso uma loucura, sem sentido.

Sobre a especulação em torno do seu nome para compor como vice numa eventual chapa puro-sangue, Tasso disse que a hora dessa discussão ainda não chegou.

Mas ressaltou que seu plano é continuar senador. Sobre a possibilidade de aceitar a vaga de vice caso Serra saia candidato, disse que não era “turrão” e encerrou a entrevista.

Para ler na íntegra, clique aqui.


A UM AMIGO AUSENTE

Enviado em 9/03/10 às 5h17min por Ailton Medeiros

O médico Rodney Andrade, que morreu sexta-feira num acidente de carro, além de leitor, era amigo deste blogueiro. 

Sua morte prematura entristeceu profundamente seus amigos, colegas e familiares.  Fazia algum tempo que a gente não se via, nossa última conversa foi no Bohemia, em outubro.

Esses encontros esporádicos me levam pensar no poema de Manuel Bandeira dedicado a Mário de Andrade:

Anunciaram que você morreu.
Meus olhos, meus ouvidos testemunharam:
A alma profunda, não.
Por isso não sinto agora a sua falta.

Sei bem que ela virá
(Pela força persuasiva do tempo).
Virá súbito um dia,
Inadvertida para os demais.
Por exemplo assim:
À mesa conversarão de uma coisa e outra.
Uma palavra lançada à toa
Baterá na franja dos lutos de sangue.
Alguém perguntará em que estou pensando,
Sorrirei sem dizer que em você
Profundamente.

Mas agora não sinto a sua falta.
(É semrpe assim quando o ausente
Partiu sem se despedir:
Você não se despediu.)

Você não morreu: ausentou-se.


NATAL É UMA FESTA

Enviado em 7/03/10 às 3h12min por Ailton Medeiros

Natal está cada diz mais cosmopolita. Parece até Paris.

Os presídios de lá estão lotados de bandidos do Rio, São Paulo, Porto Alegre, Espanha, Itália, França, África, EUA, Cuba, Argentina, Chile, Alemanha.

Uma maravilha.


BANDIDOS À VISTA

Enviado em 7/03/10 às 3h04min por Ailton Medeiros

Vocês, leitores hipócritas, devem lembrar dos inúmeros artigos que escrevi aqui alertando as autoridades sobre o fato do Rio Grande do Norte estar se transformando no paraíso dos bandidos. Disse que era quase impossível ignorá-los porque eles estavam na rua, na chuva, na praia, no shopping, nos palácios. E toda parte, enfim. Nunca na prisão, por incrível que pareça.

As coisas estão começando a mudar. Para pior, claro. Onze traficantes do Rio foram transferidos na manhã deste sábado, 6, para o presídio federal de Mossoró.

A transferência foi um pedido do secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, atendido pelo juiz da Vara de Execuções Penais (VEP) da capital, Carlos Augusto Borges.

Entre as estrelas do crime, está Ederson José Gonçalves Leite, o Sam, que comandava as bocas de fumo da Cidade de Deus, na zona oeste do Rio, preso, em agosto do ano passado.

Além dele, foram transferidos Luiz Carlos Gomes Jardim (Luiz Queimado), Luiz Paulo Gomes Jardim (Paulinho Madureira), Antônio Ilário Ferreira (Rabicó), Márcio Gomes de Medeiros Roque (Marcinho do Turano), Patrick Salgado Souza Martins (Patrick do Vidigal), Edmilson Ferreira dos Santos (Sassá), Juliano Gonçalves de Oliveira (Juca), José Benemário de Araújo (Benemário), Tiago Rangel da Fonseca (TH) e Bruno Coutinho (Brunaldo).

Todos traficantes que atuavam em diferentes pontos do Rio e que estavam no Complexo Penitenciário de Bangu.


GUERRA É GUERRA

Enviado em 7/03/10 às 1h52min por Ailton Medeiros

Há poucos dias houve uma discreta reunião entre três editores, dois colunistas e um manda-chuva de “O Globo” num restaurante do Rio.

O recado aos subordinados foi curto e grosso: o jornal deve abrir mais espaço aos candidatos Aécio Neves e Marina Silva. E não poupar a ministra Dilma Rousseff.

Quem viver, verá.


PF DESBARATA QUADRILHA

Enviado em 6/03/10 às 14h39min por Ailton Medeiros

No dia 5 de outubro de 2009 este blog publicou a seguinte nota:

Atenção Polícia Federal, Ministério Público e autoridades em geral:

Nos próximos dias um grupo de mulheres sairá de Natal com destino a Itália. Para suas respectivas famílias, as meninas na faixa de 20 anos anunciaram que irão trabalhar como garçonete.

Papo furado. Elas vão se prostituir.

Nenhuma delas tem profissão definida, e em matéria de língua, as meninas só sabem o português, e muito mal por sinal.

Veja o que saiu na edição deste sábado do Tribuna do Norte:

Mais de cem brasileiras levadas para a Itália e escravizadas em uma casa de prostituição. Este é o resultado da ação criminosa de um italiano e um potiguar em quatro estados do país desde 2007. Muitas garotas, geralmente pobres, com cerca de 20 anos eram de Natal. Ontem a Polícia Federal revelou uma operação que desmantelou o esquema e pôs os dois suspeitos na cadeia.

Os nomes dos envolvidos não foram divulgados. A Operação foi batizada de “Ferrari”, em alusão à cidade que é casa da montadora italiana, Maranello, a mesma onde fica a boate onde as brasileiras eram mantidas. O trabalho da polícia começou há oito meses, depois que uma denúncia foi feita ao Centro de Referência da Mulher Cidadã, em Natal.

Segundo investigou a PF, as mulheres eram aliciadas no Rio Grande do Norte, em Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo. A maior parte sabia que o serviço era de prostituição, outras imaginavam que trabalhariam como dançarinas. O fato é que ao chegarem na Itália, eram avisadas de que estavam devendo uma grande quantia em dinheiro pelas passagens e hospedagem na boate. 

Parabéns, PF!


YABADABADOO, SERRA

Enviado em 6/03/10 às 12h16min por Ailton Medeiros

A “Veja” faz tempo abandonou o jornalismo para se transformar num panfleto partidário do candidato tucano José Serra. Há quem considere um tiro no próprio pé. Sou um deles. Isso não quer dizer que a revista não possa se posicionar como faz tradicionalmente a imprensa americana.

Mas lá a opção política dos jornais, tornada pública através de editoriais, não interfere na independência dos veículos. 

A imprensa brasileira, ao contrário, camufla sua opções rasgando seda para uma suposta neutralidade. Papo furado. Este escriba está vacinado contra essa vigarice.

Nos anos 1980 um amigo tentou me convencer que o semanário “Hora do Povo”, ligado ao MR-8, era um grande jornal. Hoje ele é leitor de “Veja”. 

Agora se vocês acham que estou exagerando, leiam abaixo trechos da coluna de Diogo Mainardi dessa semana cujo título é Yabadabadoo:

- Serra.

- Como é que é?

- O candidato é ele.

- Quem?

- José Serra.

- José Serra é o candidato?

- José Serra é o candidato a presidente pelo PSDB.

- Decidido?

- Decidido.

- Certeza?

- Certeza.

- Posso espalhar?

- Pode.

- Yabadabadoo.

Depois de passar meses e meses na pedreira, o PSDB, como Fred Flintstone, escorregou pelo rabo do dinossauro, montou em seu carro pré-histórico e – yabadabadoo – finalmente se pôs em marcha.

De hoje em diante, tudo muda. Aquela repórter da Folha de S.Paulo, que na semana passada estava pronta para anunciar que José Serra desistiria da disputa e que foi desmentida por seus próprios colegas, terá de arrumar outro jeito de colaborar com o PT. Ao contrário do que pretendia a imprensa pautada e manipulada por Franklin Martins, José Serra decidiu candidatar-se. Mais do que isso: José Serra, insolentemente, decidiu eleger-se presidente da República. De fato, ele acredita que pode eleger-se presidente da República sem o consentimento de Lula. E, se nas últimas semanas os jornais só discutiram o papel de Aécio Neves na campanha, agora o foco passa a ser outro, infinitamente menos aborrecido: o que José Serra poderá propor ao eleitorado para conseguir derrotar Dilma Rousseff, ou Senhora Pedregulho, a candidata de Lula.

O PSDB é lento para engrenar, como o carro pré-histórico de Fred Flintstone. Por isso, o anúncio da candidatura presidencial de José Serra, com fanfarra e fogos de artifício, só ocorrerá nos próximos dias. Mas ele ocorrerá.

- Quando?

- Quando o quê?

- Quando José Serra pretende anunciar sua candidatura?

- A data é o que menos importa. O que importa é que ele já decidiu.

- Aécio Neves será seu companheiro de chapa?

- Aposto que sim. Mas isso é para depois. Maio ou junho. O fato, agora, é que o PSDB tem um nome.

- Ele?

- Ele mesmo.

- Jura?

- Juro.

- Ele ainda pode recuar?

- De maneira nenhuma.

- Serra?

- Serra.


OK, VOCÊS VENCERAM

Enviado em 5/03/10 às 18h55min por Ailton Medeiros

Ele pode até negar, mas a saída de Kelps Lima da Secretaria de Mobilidade Urbana não é política, como os jornais e alguns colunistas insinuam.

O motivo é outro. A prefeita Micarla de Sousa não suporta trabalhar com gente competente. Ela prefere se cercar de bocós como Eugênio Bezerra, por exemplo.

Parabéns as donas de boutique da Afonso Pena. Vocês venceram.


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