
Ingmar Bergman e Michelangelo Antonioni. Só pode ser sacanagem dos deuses do cinema.
Michelangelo Antonioni que morreu ontem na Itália, aos 94 anos, foi outro gênio do cinema. É autor de obras-primas como “A Noite”, “A Aventura” e “O Eclipse” que compõem a trilogia da incomunicabilidade.
O foco de seus filmes foram sempre a relação difícil entre homem e mulher. Quem nunca viu um filme de Antonioni não tem idéia do que é a beleza. O uso de cores era um traço forte desse italiano cujos filmes pareciam quadros.
Também como Bergman, Antonioni tentou compreender a alma feminina, o que é impossível, dado que nem Freud conseguiu explicar. É conhecida a frase do pai da psicanálise: o que querem as mulheres?
Antonioni pertenceu a uma geração marcante do cinema italiano que ainda nos deu Fellini e Visconti, o que não é pouca coisa. Seu filme mais badalado é certamente “Blow Up” (Depois daquele Beijo) baseado num conto de Julio Cortazar. Há ainda “Passageiro: Profissão Repórter”, que vi recentemente em vídeo, com Jack Nicholson no papel de um sugeito que troca de identidade com outro e assume a farsa até as últimas conseqüências.
Bergman e Antonioni são personagens emblemáticos de um cinema que vive seus últimos suspiros. Assim como esse mundo velho de guerra.
Oxalá eu esteja errado.