Faltam 24 horas para Carlos Eduardo “Motosserra” Alves e Cesar Maia deixarem as prefeituras de Natal e Rio de Janeiro, respectivamente.
Ufa!
Faltam 24 horas para Carlos Eduardo “Motosserra” Alves e Cesar Maia deixarem as prefeituras de Natal e Rio de Janeiro, respectivamente.
Ufa!
Considero o poema ”Não Passou” um dos mais belos de Carlos Drummond de Andrade. Retrata com perfeição a passagem do tempo, tema recorrente na poesia de Drummond. Quem é capaz de esquecer os versos “O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente”, do poema “Mãos Dadas”? Mas o tempo passa? Acho que não.
“Nada, que eu sinta, passa realmente. É tudo ilusão de ter passado”, diz o poeta. Nesse sentido, 2008 foi um ano de minúsculas eternidades. Apesar de tudo.
Passou?
Minúsculas eternidades
deglutidas por mínimos relógios
ressoam na mente cavernosa.
Não, ninguém morreu, ninguém foi infeliz.
A mão- a tua mão, nossas mãos-
rugosas, têm o antigo calor
de quando éramos vivos. Éramos?
Hoje somos mais vivos do que nunca.
Mentira, estarmos sós.
Nada, que eu sinta, passa realmente.
É tudo ilusão de ter passado.
Desculpe, é da minha natureza. Mesmo em férias não posso deixar de publicar trechos da entrevista de Delfim Netto no “Estadão” desta quarta-feira. Delfim diz entre outras coisas que o presidente Lula é o maior economista do Brasil.
“… As pessoas ficam furiosas com o Lula. Porque há, na verdade, um preconceito enorme. A vantagem do Lula é não ter um curso superior. Senão ele estava igualzinho aos de curso superior aí dizendo ‘tá tudo perdido!’, estamos perdidos!’, ‘sifu’ para todos nós!’”
Confiram trechos:
Se o senhor fosse o presidente do BC, qual seria a taxa ideal de juros?
O Brasil não tem nenhuma razão para ter a maior taxa de juro do mundo. A taxa de equilíbrio é 3%, 3,5%, como é no mundo todo. Com inflação de 5%, poderíamos rodar com 8% nominal. Mas tudo isso é absolutamente irrelevante porque o BC nem tem mecanismo para fazer esse negócio. Então, vamos pensar onde paramos. Paramos por uma questão psicológica. O Lula é o único economista que presta no Brasil porque é o único que está falando a verdade. A intuição dele mostra o seguinte: nós estamos interrompendo o circuito econômico porque, se você não comprar o carro, porque tem medo de ficar desempregado, é certo que você vai ficar desempregado, porque a Volkswagen não faz o carro por medo que não vai ter demanda. E o banqueiro, no final, que pensa que está salvo, ele também vai morrer junto com o sistema.
É como o sr. já comentou que, ao pregar a morte do crédito, os banqueiros acabam se “suicidando”?
Eles se suicidam porque não têm outro remédio. Porque nenhum banco é seguro! E aqui é que vem a segunda crítica à política do BC. Quando ele diz que está dando dinheiro para o Banco do Brasil, para a Caixa Econômica pra fazer isso ou aquilo, está dizendo o quê? Esses bancos são mais seguros. Isso tudo é um equívoco monumental.
Como o sr. mede a expectativa hoje?
O Lula, com todas as críticas… As pessoas ficam furiosas com o Lula. Porque há, na verdade, um preconceito enorme. A vantagem do Lula é não ter um curso superior.
É uma vantagem?
Sim, não é um prejuízo. Senão ele estava igualzinho aos de curso superior aí dizendo “tá tudo perdido!, “estamos perdidos!”, “‘sifu’ para todos nós!”. Então, o que acontece? É uma atitude ingênua, mas que corresponde a uma realidade. O fator principal é restabelecer aquilo que é o cimento da sociedade, que é a confiança.
Em uma entrevista recente, o sr. afirmou que não fazia previsões para 2009…
O que você pode esperar do Brasil? Devido a essas condições, pode-se esperar uma situação um pouco melhor. Não adianta fazer editorial dizendo que o Lula é oportunista, que fala errado. Também ele não vai brigar por conta disso. E dizer que o Lula não conhece física quântica porque ele também prefere não saber física quântica. O que ele conhece é gente. Então, se quatro quintos do Nordeste e dois terços do Sul acreditam no Lula, é porque tem alguma coisa que funciona.
Para ler na íntegra clique aqui.
Decidi tirar uns dias de férias, volto dia 5 de janeiro. Até lá meu negócio é sombra, água fresca, chopp gelado, cinema e livros.
Quero aproveitar os últimos suspiros de 2008 e desejar a todos um fantástico 2009. Até lá, bocós!
Lembrem-se dos versos de Carlos Drummond: ”O último dia do ano/ não é o último do tempo/ Outros dias virão e novas coxas e ventres te comunicarão o calor da vida./ Beijarás bocas, rasgarás papéis,/ farás viagens e tantas celebrações/ de aniversário, formatura, promoção, glória, doce morte com sinfonia e coral,/ que o tempo ficará repleto e não ouvirás o clamor,/ os irreparáveis uivos/ do lobo, na solidão.”
O presidente do Senado, Garibaldi Alves deu uma entrevista quentíssima a este escriba. Ela vai ao ar nesta terça-feira, às 19 horas, no programa Expresso RN, na TV União, Canal 22.
Garibaldi não poupa ninguém.
Confiram mais tarde.
A foto aí de cima é emblemática dos anos Cesar Maia como prefeito do Rio.
Mostra o prefeito do Rio com as quatro patas no chão. O tombo registrado pelo fotógrafo de “O Globo” ocorreu durante a inauguração da Cidade da Música, sábado à noite.
A propósito, o vídeo do tombo já rola no You Tube.
Woden Madruga na oposição é certamente um dos nossos melhores colunistas. O que vai abaixo não me deixa mentir. Confiram:
E houve a entrevista da prefeita eleita Micarla de Souza, ante-véspera do Dia do Natal, os shopingues lotados e os camelódromos do Alecrim também. Os jornais da manhã seguinte deram destaque, apesar do Papai Noel está na cabeça e nos bolsos de todos. Colunas e blogues seguiram o mesmo rumo e alguns até chamaram a atenção para determinadas concepções intelectuais, conceitos e frases de dona Micarla. Esta, por exemplo: “A Prefeitura de Natal ainda não tem uma missão definida. Vamos definir todos juntos numa missão e também a integração entre os novos auxiliares.”
Nada mais claro e objetivo. Achei perfeito o entendimento da nova prefeita. Claro, todos sabem que desde o capitão Rodrigues Colaço a Prefeitura de Natal ainda não tem missão definida. Teremos agora, a partir de primeiro de janeiro de 2009, quando os novos auxiliares municipais se integrarem nessa tal missão. Aliás, pelas próprias palavras da prefeita eleita a missão está mais ou menos engendrada, segundo seus avançados princípios de administração pública, de gestora da coisa pública, certamente fruto do “choque de gestão” que ela vem se exercitando em viagens a Curitiba, São Paulo, Belo Horizonte.
Vejamos o que disse Micarla, mais adiante:
- Na minha administração eu vou cobrar a transversalidade.
Pronto. Está aí à chave do sucesso, a palavra mágica, o abre-te sésamo, o eureca: Transversalidade. Nada mais simples, nada mais claro. Um ovinho de Colombo, agora descoberto neste venturoso ninho municipal, anunciado pela futura prefeita: “Na minha administração vou cobrar a transversalidade”.
E o que danado é transversalidade? Cutuco Houaiss e o mestre, seguro e paciente, define: “Transversalidade, um substantivo feminino, é a qualidade ou característica do que é transversal”. E o que é transversal? O mestre responde:
- Transversal é adjetivo. Pode ser entendido como aquilo cujo sentido é oblíquo em relação à determinada referente. Mas, numa linguagem mais clara, mais didática, quer dizer aquilo que cruza, atravessa, passa por determinado referente, não necessariamente na oblíqua. Mais ou menos como Transverso: o que está situado no sentido oblíquo, atravessado, desviado.
Houaiss ainda cochicha: “Não esqueça que oblíquo, que significa inclinado ou o que não é nem direito ou reto, também pode ser malicioso, ardiloso, dissimulado. Se tiver alguma dúvida, pergunte a Capitu.”
Pegando carona nas festividades de fim de ano, quero brindar o leitor deste blog com uma bela reportagem de Wil Haygood, publicada em novembro no “The Washington Post”.
Haygoog escreve sobre Eugene Allen, o mordomo negro da Casa Branca, que trabalhou para oito presidentes americanos, de Dwight Eisenhower a Ronald Reagan.
Confiram:
Por mais de três décadas Eugene Allen trabalhou na Casa Branca. Em boa parte desse tempo pesavam sobre o país as leis de segregação racial. Eugene voltava a pé toda noite para casa, onde sua mulher, Helene, o mantinha fora da cozinha.
Na Casa Branca Eugene trabalhava mais perto dos pratos sujos do que da grande escrivaninha do Salão Oval. Helene não se importava e irradiava orgulho. Afinal, o presidente Harry S. Truman (1945-1953) chamava seu marido de Gene. O presidente Gerald Ford (1974-1977) gostava de discutir golfe com ele. Eugene viu oito administrações começarem e terminarem , trabalhando seis dias por semana. “Nunca perdi um dia de trabalho”, diz.
Ele era o homem na cozinha, o homem nos bastidores da história. Trabalhou para oito presidentes, seis dias por semana. Estava lá quando a história racial dos Estados Unidos era feita: a marcha de 1963 em Washington, as cidades queimadas, a Lei dos Direitos Civis, os assassinatos.
Quando começou a trabalhar na Casa Branca, em 1952, a lei proibia que negros como ele usassem os banheiros públicos em sua terra natal, a Virgínia. “Nunca tivemos nada”, diz Eugene, de 89 anos, relembrando aquele tempo.
A sede do poder americano teve um relacionamento problemático com os negros. Em 1901 o presidente Theodore Roosevelt convidou o escritor negro Booker T. Washington para uma reunião na Casa Branca. Temendo represálias, Roosevelt não anunciou o convite. Mas a notícia vazou e gritaria foi rápida. Em um editorial, o “Memphis Scimitar” escreveria, na feia linguagemn da época: “Não faz muito tempo o presidente Roosevelt se gabou de sua mãe ser uma mulher sulista. Ao convidar um negro para sua mesa ele presta uma péssima homenagem a sua mãe”. Cinqüenta anos depois convites para jantares na Casa Branca ainda eram carregados de subtexto racial.
O primeiro negro a ter um cargo político ou executivo no governo americano foi E. Frederick Morrow, executivo de relações públicas da emissora de televisão CBS. A equipe da campanha do presidente Dwight Eisenhower (1953-1961) ficou impressionada com o trabalho diligente de Morrow durante a campanha que lhe prometeu um emprego na Casa Branca se Eisenhower fosse eleito. “Ike” venceu, mas Morrow acabou sendo exilado no Departamento do Comércio. Sentiu-se tão diminuído que apelou a amigos republicanos para forçar o presidente a cumprir sua promessa. A pressão surtiu efeito e Morrow foi nomeado funcionário administrativo para projetos especiais.
Na maior parte do tempo sua função era lidar com assuntos relacionados à decisão da Suprema Corte que acabou com a segregação racial nas escolas, o boicote aos ônibus liderado por Rosa Park no Alabama e a crise escolar em Little Rock, no Arkansas, em 1957.
Antes de ser mordomo de presidentes, Gene Allen trabalhou como garçon em um resort em Hot Springs, na Virgínia, e em um clube de campo em Washington. Ele e a mulher se conheceram numa festa de aniversário, em 1942. Ele era tímido demais para pedir o telefone dela, então Helene tratou de descobrir o dele. Casaram-se um ano depois. Em 1952 Gene conseguiu o emprego de copeiro na Casa Branca. Lavava pratos, arrumava a cozinha e polia a prataria. Ganhava US$ 2 400 por ano. Com o tempo foi promovido a mordomo.
“Fazia aniversário junto com o presidente Ford”, afirma. “Havia sempre festa na Casa Branca e a senhora Ford dizia que era meu aniversário também. E então eles cantavam “Parabéns a Você” para o mordomo. E Gene, que usava um smoking para trabalhar, enrubescia. “Jack Kennedy era muito legal e a senhora Kennedy também”. Eugene conta que estava na cozinha da Casa Branca no dia em que JFK foi assassinado. Recebeu um convite para ir ao enterro, mas resolveu trabalhar. “Alguém tinha que servir o pessoal que voltava do funeral.”
A primeira-dama Nancy Reagan um dia veio procurá-lo na cozinha. Queria lembrá-lo do jantar para o chanceler da Alemanha Ocidental, Helmut Kohl. Ele disse que estava bem adiantado nos preparativos e que já havia escolhido a porcelana. Mas Nancy disse que ele não estaria de serviço naquele di. “Você e Helene vão ao jantar como convidados do presidente Reagan e meus”, lembra-se Eugene. “Estou dizendo! Acho que sou o único mordomo já convidado para jantar de Estado.”
O tema raça envenenou até mesmo os anos Kennedy. Em 1963 o presidente convidou 800 negros para comemorar os 100 anos da Proclamação da Emacipação. Louis Martin, militante democrata que ajudou a preparar o evento, pôs o nome do artista negro Sammy Davis Jr. e de sua mulher, a branca May Britt, na lista de convidados.
A Casa Branca riscou os nomes e Martin listou-os de volta. Segundo Martin, Kennedy ficou passado ao ver o casal inter-racial andando pela Casa Branca. JFK ficou vermelho e instruiu os fotógrafos a não tirar nenhuma foto
Lyndon Johnson (1963-1969) dedicou uma dose considerável de energia à legislação sobre os direitos civis, chegando a indicar o primeiro negro para a Suprema Corte. Mas isso não se traduziu num número apreciável de negros trabalhando em seu gabinete. Clifford Alexander diz que era o único negro na Casa Branca de Johnson, primeiro como funcionário do Conselho de Segurança Nacional e depois como conselheiro associado. “Estávamos lutando por algo bastante novo”, diz Alexander. “Você sabia quanto o seu emprego significava. E você sabia que o presidente Johnson estava lutando a seu favor.”
Colin Powell se tornou o negro com posição mais alta na Casa Branca quando foi nomeado assessor de Segurança Nacional do presidente Ronald Reagan, em 1987. Condoleeza Rice teria a mesma posição na administração de George W. Bush (2000-2008).
O mordomo Gene se lembra de ver Powell e Rice no Salão Oval. Gene estava servindo lanche. E não podia deixar de observar que os negros estavam se aproximando do poder. Estavam mais perto do que ele jamais sonhara. Ele dizia a Helene quanto orgulho isso lhe dava.
Gene foi promovido a maître em 1980, depois de 34 anos de serviços. O presidente Reagan escreveu-lhe uma nota simpática. Nancy Reagan lhe deu um abraço apertado. Numa parede do porão há fotos de todos os presidentes que Gene serviu. Há uma pintura que o presidente Eisenhower lhe deu e uma foto do presidente Ford abrindo presentes de aniversário com Gene circulando por perto.
Dias antes da eleição de Obama, entrevistados em sua casa, Gene e Helene especulavam sobre o que significaria a eleição de um negro como presidente. “Imagine só”, disse Helene. “Isso seria realmente uma coisa impressionante”, afirmou Gene.
“Nós já passamos bastante da idade de sair para passear”, disse Helene, de 86 anos. “Mas nunca se sabe. Se ele chegar lá, certamente seria legal dar uma passada pela Casa Branca de novo.”
Eles falaram sobre como rezariam para Barack Obama chegar à Casa Branca. Votariam juntos, como sempre. Ela iria à seção eleitoral apoiada na bengala em uma mão e nele com a outra. E faria o almoço depois.
Na véspera da eleição Helene tinha uma consulta médica. Gene acordou e cutucou-a. Ele passou para o lado dela na cama. Cutucou de novo. “Eu acordei e minha mulher não”, disse mais tarde. Alguns amigos e membros da família se apressaram a visitá-lo. Ele quis fazer café. Tiveram que expulsar o mordomo da cozinha.
A senhora com quem ele foi casado durante 65 anos foi enterrada na sexta-feira, dia 7, três dias depois vitória de Obama. E ele ficou sem ter com quem comentar sobre o negro destinado a ocupar o Salão Oval da Casa Branca.
Duas imagens noturnas de Natal: Avenida Hermes da Fonseca e Praça Cívica.
As fotos são de Canindé Soares, o Messi da fotografia.