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DÁ PARA CONFIAR NA TAM?

A notícia abaixo foi extraída do Globo Online. Prestem atenção nos trechos em negrito e depois responda:

Dá para confiar nas empresas áereas do Brasil?

A funcionária da TAM Deonice Santana morreu nesta tarde. Ela estava internada desde a segunda-feira no hospital Geral de Guarulhos, na Grande São Paulo, depois que caiu de um avião. Deonice trabalhava na limpeza da aeronave A-340 e despencou de uma altura de 10 metros. Ela teve traumatismo craniano. A morte cerebral foi confirmada pela Secretaria de Estado da Saúde.

Suspeita-se que algum funcionário da empresa esqueceu de colocar uma fita de segurança na porta quando retirou o carro que carrega a escada, responsável por ligar a aeronave à terra. O procedimento é uma norma de segurança da aviação, segundo Celso Klafke, presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil. Sendo assim, Deonice não teria percebido que a escada não estava mais acoplada à porta do avião quando foi sair dele.

A mulher despencou e caiu batendo a cabeça no chão do pátio do aeroporto. Inconsciente, Deonice foi socorrida pela equipe de resgate do Aeroporto Internacional de Guarulhos e levada para o hospital por volta das 14h. Outra hipótese, levantada por Orisson de Souza Melo, vice-presidente do Sindicato dos Aeroviários de Guarulhos, leva em conta que o motorista do carro saiu quando Deonice deu o primeiro passo na escada.

- É um indício da falta de funcionários e da pressa com que são feitos os trabalhos antes do vôo. Sem levar a segurança em conta – opina Celso Klafke.

BUENOS AIRES, PETROLINA OU JUAZEIRO

Acordei hoje decidido a passar o carnaval num dos dez paraísos citados pelo “New York Times”. O jornal americano fez recentemente uma seleção dos destinos mais charmosos de 2008.

Estão lá Munique (Alemanha), Bogotá (Colômbia), Lisboa (Portugal), Rimini (Itália), Puerto Vallarta (México), Praga (República Tcheca), algumas praias do Caribe e Itacaré, no litoral da Bahia.

Estou dividido entre Praga e Rimini.

Praga é uma paixão antiga desde que li o livro (e vi o filme) “A insustentável leveza do ser”, de Milan Kundera. Meu interesse por Rimini é mais do que óbvio: trata-se da terra natal de Fellini, um dos meus cineastas preferidos.

Um amigo do ramo me sugere Buenos Aires.

Estou quase cedendo a seus apelos e a sua companhia, ele esteve lá dezenas de vezes, conhece a Recoleta pra nenhuma argentino botar defeito (missão quase impossível).

Suas dicas sobre hotéis, restaurantes, bares, etc e tal, são preciosas para qualquer marinheiro de primeira viagem como este escriba.

Vou consultar minha filha, companheira de viagem, que aniversaria hoje.

Pela sua personalidade, ela é capaz de sugerir Petrolina.

Ou Juazeiro.

CAVIAR, CHAMPANHE E MINISTÉRIO PÚBLICO

A revista “Piauí” disponibilizou em seu site o artigo  de João Moreira Salles sobre a famosa festa de 40 anos de colunismo social de Hilneth Correia.

O título diz tudo: “Caviar, champanhe e Ministério Público”.

Abaixo a matéria na íntegra:

Natal, capital do Rio Grande do Norte, não é exatamente um celeiro de celebridades. Com exceção da top model Fernanda Tavares, a fama dos personagens nativos corre na faixa que vai da Paraíba ao Ceará. Mas, se o nordestino é um forte, o colunista social potiguar é um hércules. A pobreza da lavra não o impede de suar o rosto nas minas exíguas do jornalismo de sociedade. O ouro é pouco; a concorrência, imensa. Espalhados por jornais, rádios e tevês, o contingente de colunistas potiguares é forte de cerca de noventa almas.

O vespeiro se alimenta das festas, farras, intrigas, políticas e segredos de alcova dos personagens que a tradição local organiza em três castas: os jets (dotados de classe e dinheiro), os pibs (com mais dinheiro que classe) e os pebas (sem nenhum dos dois). Nas últimas semanas, entretanto, o que se viu em Natal foi uma inversão das coisas. Nem jets, nem pibs, nem pebas produziram as notícias mais apetitosas da estação. Saborosos mesmo se saíram os colunistas.

Houve o episódio no restaurante italiano. Ainda que muitos nomes robustos da sociedade estivessem matando ali a sua fome, o que atraiu olhos e ouvidos foram os gritos que cruzaram o salão:

“Vagabunda! Você é uma va-ga-bun-da!” O autor da crítica mordaz era um dos decanos do colunismo local. A vítima dos ataques, uma sua colega de profissão, Eliana Lima, que acabava de ser contratada, a peso de ouro, para dar expediente no mesmo jornal em que o agressor reinava absoluto. Ele agora teria de dividir com a intrusa a página em que mandava e desmandava havia duas décadas. Donde o epíteto eloqüente: “Va-ga-bun-da!” A moça, jovem e bonita, é conhecida por haver modernizado a crônica social potiguar — “seguindo a escola da Mônica Bergamo, querido”.

Mas o caso Vagabunda! é trivial perto do affaire Hilneth Correia, uma senhora de larga circunferência e feição bonachona que se proclama embaixatriz do Rio Grande do Norte. Hilneth é a mais querida colunista da cidade. Jamais imaginaria que alguém do mesmo ofício pudesse magoá-la tanto — principalmente um “jornalistazinho jovem, sem história nem procedência nenhuma”, segundo palavras da própria. Em suma, um peba. Pois foi o que aconteceu.

Rodrigo Levino, o jornalista sem procedência, 25 anos, editor de cultura do jornal JH Primeira Edição, entregou-se durante uma semana à tarefa de denunciar o patrocínio do governo do estado e da prefeitura de Natal à festa de quarenta anos de colunismo social de Hilneth. Com o título Celebration, o rega-bofe foi anunciado em outdoors pela cidade. Numa clara prova de falta do que fazer, Levino espalhou pela cidade, via e-mail, as logomarcas oficiais que acompanhavam os anúncios. Insistia que se estava diante de uma farra privada regada a verba pública. Exigia explicações.

Hilneth explicou. Na sua coluna na Tribuna do Norte, ensinou que o patrocínio, chamado de “master”, era uma forma de divulgar as belezas e os atrativos de Natal “pelo sudeste-maravilha afora”. A um custo “ínfimo”, o governo e a prefeitura se responsabilizariam pelas passagens aéreas, hospedagem e city tours de personalidades como Bruno Chateaubriand, Hildegard Angel, Glorinha Távora, Madeleine Saad, André Ramos, Luiz Felipe Francisco, Miriam Galhardi e Liliana Rodrigues. Tratava-se de uma estratégia notável, cuja conseqüência natural seria propaganda turística de altíssimo cacife nas rodas do jet set Rio–São Paulo.

A explicação não impediu que o Ministério Público Estadual se interessasse pelo assunto. O procurador de Justiça, através do promotor de Defesa do Patrimônio Público, recomendou a abertura de investigação. De uma hora para outra, produziu-se o impensável: estado, prefeitura e Hilneth não escaparam de prestar esclarecimentos à Justiça. Como se não fosse horror suficiente, a colunista ainda teve de se haver com a ameaça de Levino. O jornalista anunciou que, sendo a festa bancada por dinheiro público, ele alugaria um caminhão e recolheria os pobres, desdentados, feios e sujos da cidade, para que pudessem todos desfrutar da Celebration. Hilneth quase infartou. “Despeitado! Invejoso!”, classificou, aos prantos.

Encurralados pelo Ministério Público, os poderes locais acabaram suspendendo o patrocínio. De última hora, e para tristeza da boa sociedade potiguar, quase todos os VIPs desistiram de ir a Natal. Sem a boca-livre da patronagem oficial, não houve disposição que resistisse. Adeus Bruno Chateaubriand, André Ramos, Hildegard Angel, Liliana Rodrigues. Hilneth não se deixou abater. Enfrentou a desdita com bravura e estoicismo. “Imagine, dar satisfação à Justiça como se eu fosse uma pessoa má”, murmurava no camarim da Celebration. “Logo eu, com quarenta anos de história no jornalismo potiguar.”

Com vinte manobristas, quarenta garçons, quatro telões, cinco bufês diferentes, prosecco Pol Clement e uísque Old Parr (doze anos, a gosto), a Celebration foi animada com show das Frenéticas. Ao som de “Eu sei que eu sou/ bonita e gostosa” e “Abra as suas asas/ solte as suas pernas”, os convidados fincavam os olhos nos três bravos semidesconhecidos que tinham vindo do sul prestar solidariedade à embaixatriz potiguar. Madeleine Saad, Glorinha Távora e o desembargador carioca Luiz Felipe Francisco foram recebidos com deferência. Não tiveram de pagar 110 reais pela pulseirinha que dava acesso à festa. O magistrado, bem mais contido do que a expansiva Madeleine, observava os requebros tomando doses e doses de caipifruta de cajá com kiwi. A discrição se manteve até o momento em que ele foi abordado pela drag queen Danuza D’Salles, a hostess da celebração. Daí para a pista de dança, foram dois passos. Luiz Felipe Francisco não dança bem.

À medida que a noite avançava, uma angústia começou a pesar sobre o salão. Não que se comentasse em voz alta. Seria fulminar a anfitriã, a essa altura com os nervos à flor da pele. De orelha em orelha, cochichava-se: “Será que vai chegar a caçamba de pobres?”

Não chegou. De mesa em mesa, aliviada, Hilneth agradeceu a todos pela atenção, pelo carinho e pela alegria de suas quatro décadas de crônica social. Na coluna do dia 18 de novembro, arrematou: “Eu tive qualidade e quantidade”.

ORAÇÃO DE NATAL

Este blogueiro adorou a Oração de Natal, do carioca Hugo Hamann, que circula no território livre da internet. Cita até o senador José Agripino Maia.

Alguns trechos:

Pelo Luciano Huck e a falta de um Rolex
Pelo Wellington Salgado e a falta de um Gumex
Pelo senador Calheiros e a falta de um Jontex
Senhor, tende piedade de nós

Pelo lindo amor que une os juízes do STF
Pelo choro permanente pela CPMF
Pelo dengo e humildade da ministra Dilma Rousseff
Senhor, tende piedade de nós

Pelo Chávez e Fidel que adoram biodiesel
Pelo Agripino Maia e seu charme irresistível
Pelo imortal Sarney hoje mais pra imorrível
Senhor, tende piedade de nós

Pelo governo que tunga
Pelo presidente de sunga
Pela elegância do Dunga
Senhor, tende piedade de nós