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SE LIGA, MANÉ!

Meus caros, minha página no site “Laboratório Pop” está no ar com vários textos. O primeiro foi este aí debaixo.

Dê uma espiada lá, deixe seu comentário e adicione entre seus favoritos. 

O “Laboratório Pop” é comandado pelo jornalista Mário Marques, editor do Caderno “B” do “Jornal do Brasil” e autor de uma biografia (excelente) sobre o músico Guinga. 

Confira:

Olha eu aqui escrevendo num site de Rock. Antes que meus detratores me azucrinem, quero lembrar que nunca levei a sério o bordão de Zappa para quem um repórter de rock é um jornalista que não sabe escrever, entrevistando gente que não sabe falar, para pessoas que não sabem ler.

O site é de rock, mas este escriba é de Marte. Sou um jornalista à moda antiga, meto minha colher de pau em qualquer assunto, e não abro. Gosto de música, livros, literatura, cinema, sexo, drogas, esportes radicais (principalmente gamão e peteca), astronomia, gente inteligente, mulher bonita, Natal, Paris, Rio e Nova York.

E não suporto forró, axé music e os novos baianos. Prefiro os velhos (Caetano, Rauzito, Gil, João Gilberto, Glauber, Morais etc e tal).

Já fui preso, processado diversas vezes e não largo o osso. Adoro uma briga, uma polêmica e costumo nadar contra a maré. É da minha natureza. Afinal, o que seria do fogo se não fosse o atrito?

Costumo tratar meus leitores hipócritas como adultos, não importa a idade, e não suporto elogio. Sou tímido.
O que fazer?
Mentiras sinceras me interessam.

Quanto ao nome do Blog, “Fora de Órbita”, trata-se de uma homenagem (mais uma) ao cineasta Woody Allen.
Este é o título do seu livro mais recente que acaba de chegar às livrarias brasileiras.

Ah, sim, tenho uma filha, adolescente, que se chama Hanna. Qualquer semelhança com o filme “Hannah e suas irmãs” não é mera coincidência.

Bom, por enquanto é só.

Para quem não sabe, moro em Natal a maior parte do ano. O resto conto depois.

Se liga, mané!

Para acessar o Laboratório Pop clique aqui.

EU NÃO ESQUECI

GARIBALDI ALVES

Machado de Assis, que poucos leram, rebateu o ditado de que a ocasião faz o ladrão.

“A ocasião faz o roubo, o ladrão já nasce feito”, escreveu o Bruxo do Cosme Velho. Adaptando Machado, o bocó já nasce feito, ele só precisa da ocasião para expressar sua estulticie.

É o caso de alguns leitores deste blog. Meu comentário sobre a entrevista de Garibaldi Alves em “Veja” rendeu 57 comentários, metade espinafrando este escriba. Nenhum Blog repercutiu tanto a entrevista do presidente do Senado quanto este (dois terços dos comentários estão aguardando o sinal verde do mediador).

Um deles questiona minha isenção para criticá-lo, outro, sugere eu vender droga para ganhar dinheiro, já que meu site não rende um centavo.

Ué, este Blog não está à venda como o da Vovó Socialista.

Aqui a gente vende espaço para anúncio não opinião, afinal, somos um site jornalístico não armazém de secos e molhados. 

Critiquei Garibaldi pelo seu cinismo.

Indagado pelo repórter como avaliava a corrupção no Executivo, Garibaldi saiu-se com essa pérola:

– O governo Lula foi muito frágil com a corrupção. Adotou uma política, para mim errada, de dizer que ninguém errou, que os corruptos foram vítimas de complôs, de circunstâncias. Sempre criando atenuantes. E se você cria atenuante cria impunidade. O próprio presidente adotou essa política muito compassiva com os auxiliares. Se o presidente não pune, não manda apurar, abre a porta para mais corrupção. Lula deveria ter cortado o mal pela raiz. Como não cortou, ficou sem condição de debelar a corrupção.

Garibaldi me faz lembrar François duc de la Rochefoucauld, para quem “a hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude.”

Todos sabem do atoleiro que foi seu governo e das histórias de enriquecimento ilícito de vários de seus auxiliares que circulavam nos bastidores.

Garibaldi sabia da farra desse pessoal com o dinheiro público? Sei lá. Não sou juiz. Mas ainda não esqueci os escândalos de seu governo e o que disse deles o senador José Agripino Maia:

“É um caso de polícia”.

Quem mudou?

Eis a questão.

ISSO TUDO É UMA MERDA

Ninguém pode negar o valor cultural, artístico e até político da palavra merda. Há um livro de um filósofo americano, Harry G. Frakfurt, lançado em 2005 e cuja leitura considero obrigatória, principalmente para quem gosta de falar merda como este escriba. 

Mas o que me interessa aqui, agora, é uma brincadeira sobre os vários significados da palavra que circula há dias no território livre da internet.

É uma piada portuguesa e seu alvo final é o Benfica, um dos clubes mais populares de Portugal.

Adaptada aos trópicos por um vascaíno, o Benfica foi substituído pelo…

Hilariante.

Leia até o fim. 

Adjectivo qualificativo:
- Tu és uma merda!

Momento de cepticismo:
- Não acredito nesta merda !!!

Desejo de vingança:
- Vou fazê-lo em merda !!!

Acidente:
- Já fizeste merda !

Efeito visual:
- Não se vê merda nenhuma !!!

Sensação olfactiva:
- Cheira a merda…

Dúvida na despedida:
- Por que não vais à merda ?

Especulação de conhecimento:
- Que merda será esta ?

Momento de surpresa:
- Merda !!!

Sensação degustativa:
- Isto sabe a merda !

Desejo de ânimo:
- Rápido com essa merda !!!

Situação de desordem:
- Isto está uma merda !!!

Rejeição, despeito:
- O que é que esse merdas pensa ?

Para descobrir o paradeiro de qualquer coisa:
- Não sei onde foi parar aquela merda…

Interjeição comum:
- Que merda !!!

Crise das 17h30:
- Vou-me embora desta merda !!!

Futebol:
- Isto parece o Flamengo.!!!

Que maldade!

O ARAPONGA E O REPÓRTER

Luis Nassif continua com sua série sobre a revista “Veja”.

O capítulo mais recente, “O araponga e o repórter”, conta detalhes da matéria de Policarpo Jr. que ajudou a deflagrar a crise do “mensalão”.

Publicada em 18 de maio de 2005, ela mostrava o flagrante de um funcionário dos Correios – Mauricio Marinho – recebendo R$ 3 mil de propina.

Confira alguns trechos:

A abertura seguia o estilo didático-indagativo da revista:
(…) Por quê? Por que os políticos fazem tanta questão de ter cargos no governo? Para uns, o cargo é uma forma de ganhar visibilidade diante do eleitor e, assim, facilitar o caminho para as urnas. Para outros, é um instrumento eficaz para tirar do papel uma idéia, um projeto, uma determinada política pública. Esses são os políticos bem-intencionados. Há, porém, uma terceira categoria formada por políticos desonestos que querem cargos apenas para fazer negócios escusos – cobrar comissões, beneficiar amigos, embolsar propinas, fazer caixa dois, enriquecer ilicitamente.

A revista informava que tinha conseguido dar um flagrante em um desses casos na semana anterior:

Raro, mesmo, é flagrar um deles em pleno vôo. Foi o que VEJA conseguiu na semana passada.

Anotem a data que a revista menciona que recebeu a gravação: semana passada. Será importante para entender os lances que serão mostrados no decorrer deste capítulo.

A matéria, como um todo, não se limitava a descrever uma cena de pequena corrupção explícita, embora só esta pudesse ser comprovada pelo grampo. Tinha um alvo claro, que eram as pessoas indicadas pelo esquema PTB, especialmente na Eletronorte e na BR Distribuidora. O alvo era o esquema; Marinho, apenas o álibi.

O que a matéria não mostrava eram as intenções efetivas por trás do dossiê e do grampo. Os R$ 3 mil eram um álibi para desmontar o esquema do PTB no governo, decisão louvável, se em nome do interesse público; jogo de lobby, se para beneficiar outros grupos.

Antes de voltar à capa, uma pequena digressão sobre as alianças espúrias do jornalismo.

A partir da campanha do “impeachment” de Fernando Collor, jornalistas, grampeadores e chantagistas passaram a conviver intimamente em Brasília. Até então, havia uma espécie de barreira, que fazia com que chantagistas recorressem a publicações menores, a colunistas da periferia, para montar seus lobbies ou chantagens. Não à grande mídia.

Com o tempo, a necessidade de fabricar escândalo a qualquer preço provocou a aproximação, mais que isso, a cumplicidade entre alguns jornalistas, grampeadores e chantagistas. Paralelamente, houve o desmonte dos filtros de qualidade das redações, especialmente nas revistas semanais e em alguns diários.

Foi uma associação para o crime. Com um jornalista à sua disposição, o grampeador tem seu passe valorizado no mercado. A chantagem torna-se muito mais valiosa, eficiente, proporcional ao impacto que a notícia teria, se publicada. Isso na hipótese benigna.

É uma aliança espúria, porque o leitor toma contato com os grampos e dossiês divulgados. Mas, na outra ponta, a publicação fortalece o achacador em suas investidas futuras. Não se trata de melhorar o país, mas de desalojar esquemas barra-pesadas em benefício de outros esquemas, igualmente barra-pesadas, mas aliados ao repórter. E fica-se sem saber sobre as chantagens bem sucedidas, as que não precisaram chegar às páginas de jornais.

Por ser um terreno minado, publicações sérias precisam definir regras claras de convivência com esse mundo do crime. A principal é o jornalista assegurar que material recebido será publicado – e não utilizado como elemento de chantagem.

Nos anos 90 esses preceitos foram abandonados pelo chamado jornalismo de opinião. No caso da Veja a deterioração foi maior que nos demais veículos. O uso de matérias em benefício pessoal (caso dos livros de Mario Sabino), o envolvimento claro em disputas comerciais (a “guerra das cervejas” de Eurípedes Alcântara), o lobby escancarado (Diogo Mainardi com Daniel Dantas), a falta de escrúpulos em relação à reputação alheia, tudo contribuiu para que se perdessem os mecanismos de controle.

Submetida a um processo de deterioração corporativa poucas vezes visto, a Abril deixou de exercer seus controles internos. E a direção da revista abriu mão dos controles externos, ao abolir um dos pilares do moderno jornalismo – o direito de resposta – e ao intimidar jornalistas de outros veículos com seus ataques desqualificadores.

É nesse cenário de deterioração editorial que ocorre o episódio Maurício Marinho.

Para ler o capítulo na íntegra clique aqui.

RETRATO DE UM COVARDE

Garibaldi Alves é o entrevistado das páginas amarelas de “Veja” que chegou hoje às bancas.

A entrevista é fraca, sem conteúdo, como o próprio senador potiguar.

Garibaldi diz que o governo Lula foi muito frágil com a corrupção. Adotou uma política errada de dizer que ninguém errou, que os corruptos foram vítimas de complôs, de circunstâncias, etc e tal. O mesmo blablablá de sempre. 

“O próprio presidente adotou essa política muito compassiva com os auxiliares. Se o presidente não pune, não manda apurar, abre a porta para mais corrupção. Lula deveria ter cortado o mal pela raiz. Como não cortou, ficou sem condição de debelar a corrupção”, afirma.

Quem te viu, quem te vê. O governo de Garibaldi Alves foi o mais corrupto da história política do Rio Grande do Norte. Que o diga o senador José Agripino Maia.

Torrou um bilhão de dólares do dia pra noite. Alguns de seus auxiliares, pobres de marré, saíram milionários. Vários deles com apartamentos no Rio, São Paulo e até em Montmartre, o pedaço mais caro de Paris.

Conheci um que vivia às custas do pai antes de entrar no governo. Hoje é dono de uma grande empresa. O dinheirão da Cosern, pelo visto, fez milagre.

O governo de Garibaldi Alves foi corrupto, sim. É provável que não soubesse de tudo, mas alguma coisa ele sabia, mas como é de seu feitio de covarde, não agiu. Lula e Garibaldi são como o bordão da Globo: tudo a ver. 

Abaixos trechos de sua entrevista:

Veja – O senhor assumiu a presidência de um Congresso desgastado pelo escândalo que culminou com a renúncia de Renan Calheiros e paralisado pelo excesso de medidas provisórias do governo. Qual é o seu diagnóstico?
Garibaldi
– O Congresso deixou de votar, de legislar, de cumprir sua função. É uma agonia lenta que está chegando a um ponto culminante. Essa questão das medidas provisórias é emblemática da crise do Legislativo, que não é mais uma voz da sociedade, não é mais uma caixa de ressonância da opinião pública. Está meio sem função. O Congresso está na UTI, e ninguém do mundo político percebe que esse desapreço pelo Poder Legislativo é uma coisa que está minando as suas bases de sustentação e que a qualquer hora poderá haver um momento de maior tensão, de crise entre os poderes. À medida que o Legislativo abre mão de suas prerrogativas, o Executivo invade espaços. Precisamos inverter essa tendência.

Veja – Mas o desgaste do Congresso não decorre só da questão política. Nos últimos anos, os escândalos se sucederam e o Legislativo pouco fez para punir os envolvidos. Essa aparente leniência com a corrupção não ajuda a construir uma boa imagem do Congresso…
Garibaldi
– Essa leniência tira a autoridade do Legislativo. Hoje, o Congresso só quer atuar na fiscalização de outros poderes, através das CPIs, mas esquece que precisa antes fazer uma faxina dentro de casa. Por exemplo: precisamos ter coragem de encarar a opinião pública na questão dos subsídios, dos vencimentos dos parlamentares.

Veja – O que o aumento do salário dos congressistas tem a ver com isso?
Garibaldi
– Se eu fosse chamado agora para uma reunião, diria: vamos definir um salário justo para os parlamentares. Na hora, poderia me desgastar pela falta de credibilidade do Legislativo. Mas o parlamentar precisa de um salário maior, com menos penduricalhos, compatível com outros poderes. Não digo nem com o Executivo, que não é modelo para isso, já que um ministro ganha 8 000 reais líquidos. Hoje, o Legislativo está emparedado, intimidado, e ninguém quer enfrentar essa questão. Mas é uma questão justa.

Veja – Em sua avaliação, a absolvição do senador Renan Calheiros foi uma decisão correta dos senadores?
Garibaldi
– A absolvição de Renan penalizou o Legislativo. Mas é uma questão difícil. Quero ter todo o cuidado de falar de uma pessoa que era colega. Quer dizer, é colega. Ele anda aparecendo menos, mas ainda está lá. Pelo coleguismo, todos têm cuidado, pensam muito antes de decidir. Eu até hoje não sei qual punição ele merecia. É difícil julgar um par, é um julgamento muito político. Eu tive duas posições. No primeiro julgamento, fui a favor da cassação. No segundo, fui contra. Esse tipo de julgamento é um dilema para o Legislativo. Mas, sem dúvida, prevaleceu mesmo a imagem da impunidade.

Veja – Analistas dizem que a imagem péssima do Legislativo, principalmente em razão dos casos de corrupção, tem atraído cada vez mais pessoas desqualificadas para a política. O senhor concorda com isso?
Garibaldi
– A política hoje é o seguinte: quem já entrou sem dinheiro tenta sobreviver. Mas quem é liso não tem mais vez. Só vão entrar os endinheirados ou quem está atrás de mais dinheiro.

Veja – Como fazer para resgatar a imagem do Congresso?
Garibaldi
– Não quero dourar a pílula. A situação está muito difícil. A discussão das medidas provisórias pode ser uma retomada de caminho. Câmara e Senado estavam funcionando como duas entidades distintas e, agora, começam a se reunir, a tentar falar a mesma língua. Eu gostaria de ver até o fim do meu curto mandato, em fevereiro, sinais dessa reação. Há muita gente boa no Congresso, mas a maioria está desanimada. Muita gente está lá apenas para aprovar umas emendazinhas e conseguir uns cargos para se reeleger. A maioria dos parlamentares segue a lógica de votar com o governo, liberar as emendas, emplacar um cargo para um aliado e colher os dividendos nas eleições seguintes. Os políticos se contentam com isso e, sem saber, fazem um mal danado ao Legislativo. A Casa pode desmoronar do jeito que vai.

Veja – O Palácio do Planalto utilizou um dossiê com gastos secretos do presidente Fernando Henrique para tentar intimidar a oposição e inviabilizar a CPI dos Cartões. O senhor acha que a revelação do dossiê vai fazer com que a CPI ande?
Garibaldi
– O episódio do dossiê foi bom para dar um alento a essa comissão, para a investigação pegar. Tem de investigar, tem de abrir tudo. Fernando Henrique fez uma carta para Arthur Virgílio pedindo para abrir todas as suas contas. Lula devia seguir o exemplo e fazer uma carta para o Romero Jucá (líder do governo no Senado) para abrir tudo isso aí. Não há nenhum problema de segurança nacional. Não vejo como essas despesas possam ameaçar um governo. Usar argumento de segurança nacional é coisa de ditadura, de regime autoritário. Essa tese não combina com a democracia. O lixo do presidente da República não é diferente do lixo de nenhum contribuinte. A mordomia faz parte do poder. Lula como presidente da República e eu aqui como presidente do Senado temos direito a uma certa mordomia. Mas isso deve ser totalmente transparente.

Veja – A maneira mais comum de o governo do PT tentar evitar uma investigação no Congresso é apelar para a tese de que o governo anterior fez o mesmo. Essa disputa para ver quem errou primeiro não provoca uma descrença na classe política?
Garibaldi
– Ajuda muito a desmoralizar os políticos. Não quero dizer que não se deva comparar uma administração com a outra. Mas comparar seus feitos, não comparar para ver quem é pior, quem fez o errado antes. Há um nivelamento por baixo. O que a população espera é que se corrija o erro, não que se faça a exaltação do errado. Lá no Nordeste, há um dito popular assim: todo mundo calça 40. Significa que são todos iguais. Quando vejo essa troca de acusações entre PT e PSDB, lembro logo da frase. Todos eles calçam 40.

Veja – Mas o senhor é do PMDB, partido que esteve ao lado dos tucanos, hoje apóia os petistas e, assim, vai se perpetuando no poder, independentemente dos governos, há vinte anos. O seu partido também não calça 40?
Garibaldi
– Dentro do PMDB há uma corrente que quer nadar contra essa maré. Mas essa prática do fisiologismo termina nivelando todo mundo por baixo. A imagem hoje é a de que quem é do PMDB não presta. É uma injustiça generalizar, todo partido tem gente fisiológica e gente séria, mas o meu partido deu motivos. Para enfrentar isso, o partido precisaria oferecer a outra face, a face boa. Mas qual será essa face boa, essa ilha de excelência?

Veja – Qual?
Garibaldi
– Pensando em 2010, é difícil o partido tirar um candidato dessa massa sem lideranças. O PMDB não tem candidato. Ou vai de Aécio Neves, se ele vier para o partido, ou não tem ninguém. Poderia ser o Sérgio Cabral, mas ele está encontrando muitas dificuldades no governo do Rio.

Veja – Há alguma chance real de o governador de Minas, Aécio Neves, trocar o PSDB pelo PMDB?
Garibaldi
– Eu não sou um dos articuladores desse projeto. Mas, se der certo, eu embarco nessa candidatura.

Veja – O presidente Lula aposta em Dilma Rousseff como sua candidata à sucessão e deu a ela o comando do PAC, para tentar fazê-la decolar. Lula e o PAC são suficientes para fazer de Dilma a próxima presidente?
Garibaldi
– Se Dilma é a mãe do PAC, a candidatura dela vai depender dos filhos. Se esse PAC crescer mesmo, se esses filhos chegarem aos 16 anos e se tornarem eleitores, com o título no bolso, ela terá chance. Agora, se Dilma permanecer apenas com esse papel de coordenadora e o PAC não for esse canteiro lindo de obras, for só uma sigla, vai ser difícil demais emplacar.

Veja – O senhor acha que o PT, na hipótese de não encontrar um candidato ideal à sucessão, pode lançar uma ofensiva para dar um terceiro mandato a Lula?
Garibaldi
– Pode, sim. Cada cidadão tem sua opinião, e eu vou dar a minha: eu não acredito que Lula vá topar essa parada. Ele está com uma imagem que não foi fácil conquistar, muito melhor do que quando ele iniciou essa luta para chegar à Presidência e ouvia gente dizendo que ia sair do país se ele ganhasse. Não houve debandada, não houve crise na economia. O presidente não vai querer jogar tudo isso fora por uma aventura do terceiro mandato. O que ele pode é querer voltar na eleição seguinte.

Veja – O senhor foi relator da CPI dos Bingos, que desvendou uma série de escândalos no governo. Como o senhor avalia a corrupção no Executivo?
Garibaldi
– O governo Lula foi muito frágil com a corrupção. Adotou uma política, para mim errada, de dizer que ninguém errou, que os corruptos foram vítimas de complôs, de circunstâncias. Sempre criando atenuantes. E se você cria atenuante cria impunidade. O próprio presidente adotou essa política muito compassiva com os auxiliares. Se o presidente não pune, não manda apurar, abre a porta para mais corrupção. Lula deveria ter cortado o mal pela raiz. Como não cortou, ficou sem condição de debelar a corrupção.

OBAMA É POP

BARACK OBAMA

Barack Obama é pop.

A imagem do senador está em toda parte: em reluzentes outdoors, nas camisetas dos jovens, nas ruas, praças e becos.

Virou símbolo de protesto, progresso e esperança nos Estados Unidos.

Já o pôster aí de cima, pintado pelo artista Shepard Fairey em estilo realista soviético, virou xodó dos colecionadores.

É mole?

Viva a Obamania!

TEMPESTADE NUM COPO D’ÁGUA

A “Veja” diz que as informações coletadas pelo governo sobre os gastos de Fernando Henrique Cardoso eram sigilosos .

Mas hoje em “O Globo”, a própria Ruth Cardoso nega.

Em nota, ex-primeira-dama afirma:

“Recebi, com indignação, a tentativa de exploração de gastos de representação como se fossem pessoais, sigilosos, não autorizados ou não aprovados. O exercício de atividades oficiais e protocolares, em geral em compromissos externos, compreende despesas de locomoção, hospedagens, recepções a visitantes estrangeiros e outros itens de representação. Nesses casos, são autorizadas as despesas próprias do exercício da função”.

A ex-primeira-dama afirma ainda que o caso das despesas do ex-presidente vem sofrendo exploração política.

“A menção pontual de determinados gastos, sem a devida explicação de contexto, datas, finalidade e principalmente a quem coube a autorização, pode dar margem a especulações e até exploração política. Nunca o dinheiro público foi utilizado em benefício próprio. Mais do que isso, nunca tais gastos foram sigilosos Dona Ruth defende a abertura de todos os gastos com verbas de representação para que tudo seja divulgado de forma transparente.
“As despesas eram abertas e todas essas contas já foram aprovadas pelos órgãos competentes. Entendo ser necessária a abertura das informações sobre todos os gastos de representação, para que estas questões sejam esclarecidas de forma transparente e contextualizadas”, completa a nota de dona Ruth Cardoso.

E agora, José?

AGRIPINO MAIA VAI A MADRID

Uma solução para a crise provocada pela expulsão de brasileiros do território espanhol (e vice-versa) começa a ser discutida a partir da próxima semana, em Madrid.

O representante do Brasil nas negociações será um potiguar.

Trata-se de Oto Agripino Maia, subsecretário-geral das Comunidades Brasileiras no Exterior do Itamaraty, e irmão do senador e líder do DEM José Agripino Maia.

Agora vai. Ou racha.

MALLU MENINA

MALLU MAGALHÃES

Ela é o nome mais badalado da nova música pop brasileira e não tem ao menos um disco gravado. A jovem paulistana Mallu Magalhães já ganhou às páginas das principais publicações brasileiras. Atração mais esperada do Festival Evidente, que se encerra nesta sexta-feira no Rio, Mallu é tema de uma extensa reportagem do jornal ”O Globo”.

Confira:

Mallu vem conquistando uma legião de fãs no Brasil inteiro através da internet, onde sua fama vem sendo disseminada desde o fim do ano passado, quando decidiu colocar em sua página no MySpace canções que gravou em estúdio como presente por seu aniversário de 15 anos. Isso mesmo: ela só tem 15 aninhos.

Seu perfil no site MySpace já teve mais de meio milhão de visitas e suas canções foram ouvidas mais de 400 mil vezes. Mallu possui ainda 32 comunidades no Orkut dedicadas a ela e suas músicas, somando mais de 20 mil fãs online. Nada mal para quem ainda está prestes a completar três meses de carreira. A apresentação desta sexta no Cinemathèque é a primeira dela fora de São Paulo.

- Estou ficando experiente – brinca, com uma risada meiga.

Minha carreira começou na internet. Eu do meu tamanho não posso nem entrar em casa de show. Você não precisa se enfiar em cafofo ou em reuniãozinha para ouvir música boa

O primeiro show profissional de Mallu foi em janeiro, no Milo Garage, em São Paulo, abrindo para o grupo Vanguart, de Cuiabá, de quem é fã. A oportunidade aconteceu por meio de seu melhor amigo, que a indicou para a produtora do evento, que se encantou com o talento da mocinha.

- Antes desse show, minha página do MySpace tinha bem pouco acesso, meu trabalho não tinha uma repercussão notável. Mas lá tinha repórter, empresário… Foi quando as coisas começaram a acontecer -conta.

Hype à parte, não há como negar o talento da garota. Suas composições meio indie, meio folk – as influências vão de Beatles e Johnny Cash a Belle and Sebastian e Céu – são, em uma palavra e com o perdão da expressão simplista, fofas. As melodias são simples e deliciosas, emolduradas pela voz de menina, mas segura, de Mallu. Os mais entusiastas a definem como uma Bob Dylan mirim, mas ela rejeita esse tipo de comparação:

- Bem que eu queria parecer com ele – suspira.

No palco, Mallu canta, toca violão, banjo, gaita e até escaleta. Para a apresentação do Cinemathèque ela preparou um repertório de cerca de 15 canções, entre músicas próprias e versões, como a de “I have just seen a face”, dos Beatles.

Para ler na íntegra a reportagem clique aqui.