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TODA SAFADEZA SERÁ CASTIGADA

JOSÉ AGRIPINO E HEBE CAMARGO

O Blog de Noblat – o vendedor de notícias – traz hoje uma frase do senador potiguar José Agripino Maia.

Noblat foi pião de Agripino de quem recebeu dinheiro do crime organizado, hoje tem uma página eletrônica em “O Globo”. Justa, portanto, a homenagem ao antigo patrão.

 A frase é de uma estupidez exemplar: “Não interessa quem vazou o dossiê para a imprensa, mas quem fez.”

Ué, não houve dossiê coisa alguma, tudo invenção de “Veja”.

Aqui pra nós, me respondam sem o ranço partidário: vocês já viram alguém produzir um dossiê contra um desafeto com informações públicas e positivas?

Eu, hein?

DEIXEM LULA FALAR COM A PATULÉIA

Como ainda não havia lido o artigo de Elio Gaspari na “Folha”, falha minha, claro, evitei comentá-lo. Gaspari é um dos poucos jornalistas independentes do Brasil, e o mais culto certamente. Educado, tímido, tem horror aos holofotes.

Ele – assim como este escriba – acha que jornalista não é notícia, há exceções claro. Imagine eu surrando José Agripino Maia em pleno Midway Mall (desculpa, Agripino não frequenta shopping em Natal).

Chega de conversa mole. Aí vão alguns trechos do artigo cujo título é a cara do signatário: “Deixem Lula falar com a patuléia”.

LULA CONSEGUIU construir sua agenda e ninguém conseguirá tirá-lo do trilho. É um cestão com progresso (5,4%) e aumento do consumo das famílias (13,4%). Há mais carne no prato e menos mês no fim do salário.
Nosso Guia impôs sua agenda falando diretamente à patuléia. É injusto querer limitar seus movimentos. Em 2002, quando FFHH recebeu seu 18º título de doutor honoris causa na Universidade de Oxford, vivia sua campanha, no mundo encantado que tanto aprecia. Pulando de palanque em palanque e torturando a gramática, Lula faz campanha em outro mundo, o de seus encantos.
Assim como a estabilidade da moeda saiu da agenda de FFHH , impondo-se a Lula e ao PT, o cestão de Nosso Guia haverá de demarcar os rumos da política brasileira por um bom tempo. Seria aquilo que o governador Aécio Neves chama de “Pós-Lula”.
O “Pós-Lula” já começou. É um quadro no qual não adianta xingar os programas sociais. O coração dessas iniciativas, como a leis trabalhistas de Getúlio Vargas, o fundo de garantia de Castello Branco, o Funrural de Emílio Médici, tornaram-se parte da sociedade brasileira. Podem mudar, mas não acabam. Pelo contrário, acabará quem propuser que acabem.
No bojo desse êxito está o desafio do “Pós-Lula”. Já não há cartões para distribuir ao andar de baixo. O baú da transferência de renda esvaziou-se, ajudando a criar um Brasil diferente. Não se trata mais de pensar na família que está na miséria, mas de milhões de pessoas que saíram dela, ou que viajaram no “elevador social”.
Coisas que hoje parecem idéias de jerico poderão entrar na agenda. Por exemplo: a universalização de um plano de saúde básico. É desnecessário lembrar que esse é um dos principais assuntos da campanha eleitoral americana. Seria necessário misturar o SUS com as operadoras de serviços privados. Coisa dificílima, mas, quando se trata de tungar a Viúva, é matéria fácil. Até hoje ela não conseguiu receber regularmente o dinheiro que gasta com o atendimento, na rede pública, de segurados de empresas privadas.

Para ler o texto na íntegra clique aqui.

INSPIRE RESPIRE TRANSPIRE

Ela foi inventada (ou descoberta) pelo psicólogo chileno Rolando Toro há quatro décadas.
Nos anos 80 e 90 cheguei a praticá-la com um grupo de amigos em João Pessoa. Mudei da água para o vinho.

Estou falando de biodança um método que busca o desenvolvimento humano por meio de atividades orais e de exercícios físicos.

A “Folha” desta quinta-feira publica uma interessante matéria sobre o assunto.

Confira:

Tudo começou com uma festa. O psicólogo chileno Rolando Toro, então com quase 50 anos, marcou a data, escolheu as músicas e, no horário combinado, preparou-se para receber os convidados: pacientes do hospital psiquiátrico em que trabalhava.

“Eu via os pacientes muito tristes, porque lhes tiravam a intimidade, a possibilidade de amar, de viver com autonomia. E decidi fazer uma festa para alegrá-los”, lembra Toro. O resultado, diz, foi além do esperado. “Descobri coisas fundamentais que mudavam o comportamento do enfermo. Que a dança e o encontro de pessoas era altamente curativo.”

Nascia a biodança, um método que busca o desenvolvimento de cinco áreas- vitalidade, sexualidade, criatividade, afetividade e transcedência- por meio de atividades orais e de exercícios físicos.

Toro, hoje com 84 anos, afirma à reportagem da Folha que não criou a biodança, mas sim a descobriu. “Era algo que existia antes de mim. Eu apenas vi.” Ainda assim, o termo biodança é registrado por ele em mais de 40 países “em outros, está em processo de tramitação, por meio da International Biocentric Foundation, que Toro preside.

“Houve uma expansão surpreendente em países europeus, africanos e asiáticos”, relata o psicólogo, que chegou ao Brasil na semana passada para uma temporada de palestras e de certificação de novos profissionais, incluindo professores que vieram da África.

Nesse processo de expansão, aumentaram também concepções que Toro considera equivocadas sobre o conceito da biodança -entre as mais comuns, está a supervalorização da sexualidade nas sessões.

Segundo Toro, a sexualidade é apenas uma das cinco áreas abordadas, mas chama atenção devido à repressão que existe em torno do tema. “A hipocrisia de nossa civilização é altíssima devido à religião. Caluniaram a sexualidade por séculos. Neste momento, a humanidade vive uma crise sexual devido à repressão”, avalia.

Apesar disso, os exercícios relacionados à sexualidade não são os que geram mais resistência nos alunos, observa o psicólogo, abordando outro mito relacionado à biodança.
“A categoria mais difícil é a da afetividade. As pessoas se buscam por interesses, o relacionamento entre pais e filhos é ruim, entre professores e alunos também. A capacidade de fazer amigos quase não existe. As pessoas se tornam solitárias.

Pensam que ‘eu sou eu, você é você, e ninguém tem que satisfazer as expectativas de ninguém’. Eu vou na direção oposta: se nos encontramos, é maravilhoso; se não nos encontramos, é uma tragédia. Há uma proposta altamente individualizada e distanciadora. É preciso transgredir e olhar nos olhos”, diz Toro.

Para ler o texto na íntegra clique aqui.

OS ÚLTIMOS SUSPIROS

Deprimente a situação do ”Diário de Natal”. Falido e sem credibilidade, o jornal faz de tudo para sobreviver, mas esquece o essencial: fazer jornalismo.

Em janeiro, em plena temporada de verão, o jornal revelou em manchete que em Caicó havia um paciente com suspeita de febre amarela.

Agora em outra manchete escandalosa o jornal diz que a dengue no RN é pior do no Rio de Janeiro.

Tudo mentira. 

Uma pergunta, porém, não quer calar: o que quer, afinal, o “Diário”?

Sei lá, o que sei é que sua circulação caiu pela metade nos últimos dois anos. Ninguém mais lê o jornal, sem leitor, nada do que sai ali repercute.

Um amigo, empresário, me conta que anunciou dois meses lá e nada. Bastou colocar um anúncio no “Jornal de Hoje” e outro na “Tribuna do Norte” para no dia seguinte receber ligações de clientes elogiando as peças publicitárias.

Escrevo este obituário com uma dor no peito. O “Diário” foi o primeiro jornal que li em minha vida. E parodiando aquele comercial, o primeiro a gente nunca esquece.

FEIO O QUE NÃO É ESPELHO

FHC

O Terra Magazine é um dos cento e poucos sites que consulto diariamente para escrever este Blog.

Tenho outras fontes, claro, livros que li, filmes que vi, discos que ouvi, amigos que moram aqui e em Dakar que sempre me repassam informações de primeira, comentários inteligentes etc e tal.

Mas meu maior trunfo é minha independência. Sou capaz de defender (ou mesmo elogiar) um desafeto político, basta que ele seja inocente ou tenha algum mérito.

Um leitor reclama injustamente porque transcrevi o post de Noblat revelando que o senador Álvaro Dias era o responsável pelo vazamento de informações do suposto dossiê contra FHC.

Olha, não suporto Noblat, acho um mau caráter, mas não poderia negar que seu Blog era minha fonte.

Mas retomando o assunto, li no Terra Magazine que FHC debochou do PAC e de Lula numa reunião com tucanos em São Paulo. Nenhuma novidade.

Em se tratando de FHC, feio só o que não é espelho.

A reportagem de Raphael Prado começa assim:

Duzentas e cinqüenta e uma lâmpadas iluminam Fernando Henrique Cardoso na noite da quinta-feira, 27. O ex-presidente está na sala Topázio Imperial, do Hotel Crowne Plaza, em São Paulo, a proferir uma palestra e dividir a atenção de seu partido, da Social Democracia Brasileira.

Durante a palestra, uma crítica direta – e dura – ao presidente da República, o atual, Lula, que arranca risos da platéia. Refere-se ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC):

- O PAC não é nada. O PAC é dinheiro do Orçamento que Lula fica falando: “PAC, PAC, PAC…”

De olhos e ouvidos voltados para FHC, uma platéia de cerca de 600 pessoas. Entre elas, o candidato derrotado ao Senado, Afif Domingos, o ex-ministro da Justiça José Gregori e o ex-ministro da Educação, hoje deputado, Paulo Renato de Souza. Junto de FHC, o presidente estadual do partido, deputado Mendes Thame, que faz a abertura do encontro.

Ele destaca os feitos do ex-presidente. Diz que a inflação controlada em sua gestão como ministro da Fazenda de Itamar Franco proporcionou aos pobres a recuperação do poder de compra. Que à frente do Palácio do Planalto, Fernando Henrique fez a “reforma agrária mais democrática da História do planeta, distribuindo terras num total equivalente ao tamanho do Uruguai”. Mendes Thame destaca ainda o programa de combate à aids, a universalização da educação.

Já de microfone em punho, FHC diz que ele foi “generoso”.

Fernando Henrique faz um breve histórico de sua carreira. Lembra os tempos em que foi ministro da Fazenda e aproveita para cutucar Delfim Netto – que em entrevista a Terra Magazine afirmou que o ex-presidente entregou o país “falido”:

- A inflação é fruto do endividamento de outras épocas, sobretudo de Delfim Netto com suas obras faraônicas.

Para ler a matéria na íntegra clique aqui.