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O EXEMPLO QUE VEM DO RIO

Vamos rezar (sentado porque de joelho a gente corre o risco de perder a cartilagem) para que o senhor Carlos Eduardo “Motosserra” Alves imite seu colega César Maia.

O prefeito do Rio irá plantar 140 árvores de grande porte nos canteiros da Avenida Presidente Vargas.

A Avenida também ganhará uma iluminação cênica que irá colorir a copa do arvoredo.

Principal via de ligação entre o centro e a Zona Norte, a Presidente Vargas tem quatro quilômetros de extensão e 80 metros de largura. 

Fico imaginando as nossas avenidas Deodoro e Rio Branco repletas de palmeiras-imperiais? 

Mas como dói sonhar na Taba.

Viva o Rio!

UM PARTIDO À VENDA

Vale a pena ler a entrevista do jornalista Paulo Henrique Amorim à revista “Fórum”.

Sem papas na língua, Amorim analisa a imprensa, a política nacional, diz que Dantas comprou parte do PT e que a fusão da Brasil Telecom com a Oi, que formará a BrOi, será a “grande conciliação nacional” que envolverá PT e PSDB.

Com aquele seu jeito nada sutil de dizer certas verdades, Amorim dispara:

Não estou mais interessado em discutir política, economia, essas coisas mais sensíveis na televisão. A televisão brasileira não é o espaço mais apropriado para isso e quando se faz, se faz mal feito.

É a Miriam Leitão, William Waack, Arnaldo Jabor, Alexandre Garcia, esses grandes jornalistas que fazem a televisão brasileira. Então, não quero mais tratar disso na televisão.

Ali, faço parte do Domingo Espetacular e sou repórter, como fui no Fantástico por seis anos em Nova Iorque, de onde fazia matérias que não tinham nada a ver com política. Cobria incêndio, crime, enchente, guerra civil… Sou repórter, porque esse pessoal que está aí, Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi, que acham que são jornalistas, não sabem cobrir uma batida de trânsito na esquina.

Se mandar cobrir, chegam na redação com informações inverídicas e incompletas. Por isso não trato com esses camaradas, eles não são da minha profissão. Eles vendem a opinião deles. E não troco minha opinião por nada.

Agora não quero saber de portais que só reescrevem o que sai na Agência Estado, Folha e Globo – uma reprodução mal feita.

É isso aí.

A DOENÇA COMO METÁFORA

Não foi dessa vez, apesar da torcida. O pulso, o deste escriba, ainda pulsa, para tristeza da Vovó Socialista.

Minha crise de tendinite (que alguns amigos chamam de tendenietzche por pura sacanagem) não foi em vão.

À parte as dores que sofri na madrugada de domingo, ela serviu para atualizar minhas leituras. Li quatro livros nesses dias, dois com menos de 110 páginas: ”O mundo do sexo”, de Henry Miller, e “Harpo fala… de Nova York”, de Harpo Marx, um dos irmãos Marx. Finalizei também a leitura de “Carta a D.”, de André Gorz.

Já li mais, é verdade.

Houve semanas que passei inteiras lendo. Há centenas de livros que não terminei por tédio. Leitura é meu vício. É como um fumante que vê um cigarro, ou um bêbado que vê álcool. Se há um livro à vista, dou sempre uma olhada.  É irrefreável.

O fato é que me dou muito melhor com livros que com pessoas. Tive mais intimidade com Ana Karenina, ou Capitu, do que com qualquer mulher que eu conheça. É uma intimidade de alma.

Nenhuma das pessoas que conheci é responsável pelo meu mau jeito, pela minha aridez emocional. Nasci assim, fiquei assim, sou assim.

Mesmo assim, ”Cartas a D.” me comoveu. Há uma passagem que achei a minha cara:

“Tive muitas dificuldades com o amor (ao qual Sartre dedicou umas trinta páginas de o Ser e o Nada), pois é impossível explicar filosoficamente por que amamos e queremos ser amados por determinada pessoa, excluindo todas as outras.”

Em “Hamlet”, Ofélia, já louca, dispara: ” Sabemos o que somos, não sabemos o que viremos a ser”.

Faz sentido.