Do irreverente e genial José Simão:
- Seleção sem o Kaká é um Kokô.
Perfeito.
O jornalista Ted Sazan escreveu recentemente um curioso artigo no jornal “The Times” sobre a dificuldade dos solteiros acima dos 30 anos de idade conseguirem companhia para as noitadas.
Vivo esse drama, de certo modo, shakespeareano.
Em algum momento, há 50 milhões de anos, um estegossauro deve ter acordado de uma longa noite de sono e descoberto que o mundo estava em silêncio. Onde estava o brontossauro, seu companheiro de copo? Onde estava o tiranossauro, com quem ele saía para caçar? Onde estava o pterodáctilo, que o havia convidado para jogar bola? Todos haviam desaparecido.
Sinto-me da mesma maneira. Como solteiro, heterossexual e com 30 e poucos anos, estou em extinção. Vi meus companheiros sendo caçados, um por um, como baleias-azuis nas águas do Japão. E essa tragédia não esta sendo noticiada. Alguém deveria organizar um show beneficente, ou pelo menos gravar uma música beneficente, para nós, os Spurmos – Straight Proud Unmarried Men Over-30 (Orgulhosos heterossexuais solteiros acima dos 30 anos, em inglês).
Lembro-me do tempo em que eu e meus amigos vagávamos em manada como búfalos dominando as planícies do oeste americano. Mas nosso bando diminuiu e eu tive de baixar minhas expectativas. Não com as mulheres, mas com os homens. Por necessidade, passei a andar com caras de quem jamais teria sido amigo na universidade. Mas preciso de alguém para sair para beber.
Ao contrário do que se possam imaginar, as esposas dos amigos não são os inimigos dos Spurmos. Nós temos um inimigo diferente: os bebês. Os bebês em si não são um problema. É o que os bebês fazem com seus pais. Um amigo meu era uma lenda das festas. Agora, pai de duas crianças bebe um copo de chope com soda limonada e anuncia a saída do bar ás 9 da noite.
Solteiros heterossexuais acima dos 30 anos fazem do mundo um lugar mais interessante. Temos mais experiência que os de 20. Temos sabedoria, perspectiva e clareza. Por sermos solteiros não falamos de crianças. Só por isso já mereceríamos ser aplaudidos. Sem nós, jantares com os amigos morreriam.
Nossa contribuição para a economia não pode ser esquecida. Como trabalhamos há mais tempo, ganhamos mais e economizamos mais. Como não precisamos gastar nada com crianças damos suporte a muitas indústrias importantes: carros de luxo, champanhe, eletrônicos de ultima geração, restaurantes românticos e caros.
É um estágio da vida para ser encorajado. Podemos fazer o que quisermos, quando quisermos. Mais importante: lembra-se de todas as lindas mulheres que não lhe davam bola quando você tinha 20 anos? Se elas estiverem solteiras, com seus 30 e poucos anos, o desespero provavelmente terá baixado bastante seu nível de exigência para que você tenha uma boa chance.
Aos bajuladores que estão enchendo a caixa postal do Blog com comentários bocós, faço minhas as palavras de Caetano Veloso respondendo ao ditador Fidel Castro:
“Não pedi perdão a ninguém. Procuro pensar por conta própria. Minha irreverência diante de poderes estabelecidos é impetinente.”
Durante muito tempo a classe política do Rio Grande do Norte passou longe dos escândalos nacionais.
Isso é coisa do passado, infelizmente. Basta ler os jornais e acompanhar as operações realizadas pela PF. Há sempre um magano potiguar passando a mão no meu, no seu, no nosso dinheirinho.
Resumo da ópera: a Taba é apenas uma foto três por quatro na parede, mas como dói.
Na “Folha” desta sexta-feira:
Além de um filho e de um irmão envolvidos em suspeitas de desvios de recursos públicos e corrupção, outro irmão e um genro de Wilma de Faria (PSB), governadora do Rio Grande do Norte, são processados por acusações semelhantes.
Lauro Maia, filho da governadora, foi preso pela Polícia Federal na semana passada sob suspeita de receber propina para facilitar um suposto esquema de fraudes em licitações que teria gerado contratos irregulares de R$ 36 milhões. Carlos Faria, irmão de Wilma, já havia sido denunciado pela Promotoria por supostamente ter se beneficiado da contratação de shows “fantasmas” para o Carnaval de 2006.
No caso envolvendo Fernando Antônio de Faria (irmão de Wilma) e Carlos Monte Sena (genro), os dois e outras três pessoas ligadas ao governo no primeiro mandato da governadora (2003-2006) foram acionadas sob acusação de terem recebido R$ 343 mil para tentar influenciar a administração a manter um regime especial de tributação que garantia à American Distribuidora de Petróleo a compra de combustível sem pagamento de ICMS. O regime não foi mantido.
Nesta denúncia, de fevereiro deste ano, é acionado ainda Fernando Freire (PMDB), vice-governador no governo Garibaldi Alves (PMDB, 1995 a 2002). Conforme as investigações, o suposto esquema começou na administração de Garibaldi e fez com que o Estado deixasse de arrecadar cerca de R$ 65 milhões.
No regime especial dado em 2001 à distribuidora, o ICMS não seria mais retido no momento em que a empresa adquirisse combustível, mas quando ela vendesse o produto.
Segundo a Promotoria, após as eleições, Fernando e Sena foram contatados pelos donos das empresas para manutenção do benefício, “em razão de suas condições pessoais” e por terem “influência no governo”.
Em janeiro de 2003, a empresa pediu a manutenção do regime, mas, apesar do suposto lobby, a solicitação foi negada pelo governo. Segundo os promotores, mesmo com a negativa, houve divisão de propinas, depositados em nome de “laranjas” ou de outras empresas.
João de Barro, quem diria, virou nome de operação caça-ladrão.
Cerca de mil policiais federais realizam nesta sexta-feira, em sete Estados e no Distrito Federal a Operação João de Barro para desarticular o esquema de desvio de dinheiro público para obras de casas populares e estações de tratamento de esgoto, previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Foram expedidos 231 mandados de busca e apreensão e 38 mandados de prisão temporária. Entre os procurados, estão empresários e funcionários públicos.
A PF informou que a maioria dos mandados de prisão já foi cumprida, mas não passou o balanço da operação.
Veja o nome das 38 pessoas que estão sendo procuradas (algumas já foram presas) pela Polícia Federal na operação.
Destaque para o potiguar Edson Fernandes, filho do ex-deputado federal e assessor de José Serra, João Faustino.
Abelmar de Almeida Rodrigues – empresário de Belo Horizonte
Adair Pereira Barbosa – empresário de Governador Valadares
Alexandre Isaac Freire – funcionário público de Brasília
Antônio Carlos de Carvalho – empresário de Governador Valadares
Antônio José da Silva Filho – funcionário público de Governador Valadares
Carlos Alberto da Rocha Machado – empresário de Lagoa Santa
Carlos Alberto Buzaferro Ferreira – lobista de Belo Horizonte
Edson José Fernandes Ferreira – lobista potiguar com atuação em São Paulo
Eduardo Luis Cabral – empresário de Governador Valadares
Eduardo Luis Magalhães – empresário de Belo Horizonte
Edvan Miranda – Belo Horizonte
Eliza Evangelista Carvalho – laranja de Belo Horizonte
Evaldo Gomes de Figueiredo Junior – funcionário público de Governador Valadares
Fernando Antonio Pinto – empresário de Governador Valadares
Fernando Franco de Engnane – empresário de Governador Valadares
Francisco Carlos Correa de Moura – empresário de Belo Horizonte
Frederico Carlos de Carvalho Soares – funcionário público de Belo Horizonte
Érico Fonseca Sobrinho – lobista de Goiânia
João Carlos de Carvalho – lobista de Belo Horizonte
Jose Assis Costa – empresário de Caratinga
Jose de Mello Kallas – empresário de Belo Horizonte
Jose Maria Alves de Carvalho – empresário de Governador Valadares
Kleber Fabrício Silva – empresário de Governador Valadares
Luca Prado Kallas – empresário de Belo Horizonte
Luis Claudio de Vasconcelos – funcionário público de Brasília
Marco de Almeida Rodrigues – empresário de Belo Horizonte
Marcio Andrade Bonilho – empresário de São Paulo
Marcio Miranda Soares – empresário de Governador Valadares
Mary Rosania da Silva Lanes – funcionária pública de Governador Valadares
Maurilho Reis Pretas – empresário de Belo Horizonte
Miciany Catarine Madureira – Belo Horizonte
Otavio Augusto Gonçalves Jardim – funcionário público de Brasília
Patricy Carneiro Desmotes – empresária de Governador Valadares
Paulo Roberto Miranda Soares – empresária de Governador Valadares
Pierre Gonçalvez da Silva – empresária de Governador Valadares
Ricardo Motta dos Santos – empresário de Belo Horizonte
Roberto Correa de Moura – empresário de Belo Horizonte
Rudson Kerley de Oliveira – funcionário público de Teófilo Otoni
O Rio Grande do Norte continua se destacando no cenário brasileiro.
Depois da prisão de Lauro Maia, filho da governadora Wilma de Faria, agora é a vez de Edson Fernandes, filho do ex-deputado federal João Faustino, e assessor de José Serra.
Ah, sim, antes que eu esqueça, além do RN, um dos alvos da operação lançada hoje pela Polícia Federal foi a prefeitura de Palmas, no Tocantins, cujo prefeito Raul Filho, é do Partidos dos Trabalhadores.
Leia trecho da matéria publicada no jornal “O Globo”:
A Polícia Federal (PF) lançou nesta sexta-feira a maior operação do ano, com cerca de mil agentes, para combater fraudes nas licitações de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal. Há suspeita de desvio de cerca de R$ 700 milhões que seriam investidos na construção de casas populares e de estações de tratamentos de esgoto em vários municípios. A organização criminosa envolveria políticos, funcionários públicos e empresários de sete estados – São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Goiás, Tocantins - e do Distrito Federal.
A PF também cumpriu mandado de busca e apreensão na casa do prefeito Raul Filho (PT), de Palmas, capital do Tocantins. No Estado do Rio de Janeiro, há mandados de busca e apreensão para as prefeituras de Cabo Frio, Angra dos Reis e Belford Roxo.
A propósito, com a prisão de Edson Fernandes, Geraldo Melo ganha um excelente reforço em sua luta rumo ao Palácio Felipe Camarão.