« Voltar | Início » 2008 » julho

EMISSORA DESRESPEITA LEI ELEITORAL

JUSTIÇA CEGA

Ou a Justiça Eleitoral é cega ou é cúmplice com o crime. Ou as duas coisas.

O maior sucesso da 95 FM é o “O forró da borboleta”.

Curiosamente a música só é tocada na 95 cuja proprietária é a deputada e candidata a prefeita de Natal, Micarla de Souza, conhecida como “a borboleta”. 

Mensagem subliminar?

Que nada, isso aí é propaganda explícita.

Carlito Maia, um publicitário paulistano, costumava dizer que no Brasil a justiça além de absurda, era abcega e abmuda.

Ilustração melhor, impossivel. 

O MUNDO NÃO É SIMPLES

Quase sempre discordo do comentarista Carlos Sardenberg, mas seu artigo “Algo saiu muito errado” publicado no jornal “O Globo” desta quinta-feira é perfeito.

Para seu governo este Blog informa: não é para miolo mole.

Confiram trechos:

Decepcionada com a política econômica de Lula, dita neoliberal, a esquerda depositava toda sua fé na diplomacia lulista, dita progressista. O presidente não se cansou de alimentar essa esperança. Ainda ontem, ao comentar o fracasso da Rodada de Doha, Lula disse que o Brasil fez de tudo para alcançar um acordo favorável aos “países economicamente menores e de agricultura mais frágil”.

Pobres contra os ricos. Daí nasce a diplomacia Sul-Sul, baseada na tese de que os países pobres são todos igualmente explorados pelos ricos, de modo que só podem ter os mesmos interesses políticos e econômicos. Portanto, parecia fácil: bastaria colocar na rua o bloco dos pobres e enfrentar os ricos de igual para igual.

Assim, a diplomacia brasileira tratou de montar grupos de emergentes, declarou vários destes, como China, Índia e África do Sul, “parceiros estratégicos”, repetiu em todos os fóruns que os ricos é que deveriam ceder nessa Rodada.

De repente, no momento decisivo das negociações desta semana em Genebra, o Brasil se viu ao lado de EUA, Europa e Japão, os ricos, e da Austrália, tipo classe média alta, os cinco apoiando um texto básico de acordo. Ficaram contra a China e a Índia, que estavam nessa mesa de negociação, compondo a bancada dos emergentes, e que logo receberam a solidariedade da África do Sul e da Argentina, esta sócia principal no Mercosul.

Algo saiu errado, não é mesmo?

Não admira que o Brasil tenha saído sem nada, sem acordo comercial e sem a liderança sobre o bloco dos pobres e emergentes. Um ex-bloco, na verdade, porque seus principais membros ou declararam-se traídos pelo Brasil (caso da Argentina) ou nem se dignaram a explicar suas posições, como China e Índia.

A liderança brasileira era passiva. Funcionou enquanto o chanceler Celso Amorim dava sua voz às broncas genéricas dos emergentes. Quando chegou o momento da condução ativa, de levar para um acordo, tudo se dissolveu, foi cada um para seu canto.

Resumindo, a diplomacia Sul-Sul não passava de uma bobagem. O mundo econômico não se divide entre pobres (incluindo emergentes) e ricos. Quando se trata de abrir mercados agrícolas da China e da Índia, o Brasil, com seu agronegócio moderno e exportador, está ao lado de EUA e Austrália, por exemplo. Quando se trata de derrubar tarifas e subsídios de americanos e europeus, o Brasil está ao lado da Austrália, de novo, e da Argentina, por exemplo.

Será que a retórica diplomática era só para fins políticos internos? Só para se mostrar de esquerda?

Para ler o artigo na íntegra clique aqui.

DEU NO NEW YORK TIMES

Não precisa me criticar, eu já sei que está ficando chato comentar aqui o que andam falando do Brasil lá fora.

Mas o que fazer? É da minha natureza repercutir neste Blog o que alguns dos mais “irrelevantes e vagabundos” jornais do mundo escrevem sobre o país. 

Então vamos lá. Na edição de hoje o “insignificante” jornal americano “New York Times” publica uma reportagem assinada pelo jornalista Alexei Barrionuevo com fartos elogios ao país.

O jornal diz que o Brasil vive um boom econômico, a maior em três décadas, e que está prestes a se tornar “uma potência econômica global”. 

O NYT elogia o presidente Lula pela sua competencia na condução da economia e pelos programas sociais que retiram milhões de pessoas da pobreza.

Para o jornal, o crescimento econômico brasileiro deve durar.

“Enquanto os Estados Unidos e partes da Europa enfrentam a recessão e as conseqüências da crise imobiliária, a economia do Brasil exibe poucas das vulnerabilidades de outras potências emergentes”. 

A oposição raivosa que só lê em português vai ficar tiririca quando souber.

Para ler a matéria na íntegra clique aqui. 

O DELINQUENTE

Ele adora rotular seus desafetos de ”delinquentes intelectuais”, mas não há na imprensa brasileira um delinquente tão primoroso como Reinaldo Azevedo.

Irritado com o habeas corpus concedido pelo presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, ao sargento Laci Marinho de Araújo, Azevedo, homofóbico assumido, ironizou:

Ninguém vai acusar Gilmar Mendes de laxismo? Ninguém vai dizer que ele está incentivando a impunidade? Ninguém vai censurá-lo por, sei lá eu, supostamente estimular a indisciplina militar? Sentenças boas de Mendes são só aquelas que atendem ao clamor politicamente correto, aquelas com as quais a miríade de militâncias concorda?

Claro que não, são coisas completamente diferentes. Não há como comparar a prisão do banqueiro Daniel Dantas com a do sargento Araújo. Depois que eu saiba, o militar não tem fama de sair por aí comprando ministro do Supremo, senador, deputado, jornalista, etc e tal. Já o banqueiro Dantas deita e rola nesse quesito.

O resto é conversa para boi dormir.

DEBATE VAI REUNIR CANDIDATOS A PREFEITO

Os alunos da UFRN terão uma ótima oportunidade conhecer as propostas (se é que eles têm) dos candidatos a prefeito de Natal.

O Centro Acadêmico Amaro Cavalcanti, do curso de Direito, promoverá dia 14 de agosto um debate com os oito candidatos.

O debate terá cinco blocos e será coordenador pelo professor Paulo Renato Bezerra.

Vamos botar pra quebrar, meninada!

ELEIÇÃO É OUTRA COISA

De César Maia hoje em seu ex-Blog:

QUANDO E POR QUE O RESULTADO DAS ELEIÇÕES NADA TEM A VER COM AS PESQUISAS DE INÍCIO DAS CAMPANHAS!

1. Os períodos anteriores às campanhas eleitorais vão informando ao eleitor sobre os políticos, suas posições e posturas, sobre os governos, as conjunturas que se sucedem… Especialmente nas pré-campanhas isso ocorre com intensidade. Por isso Paul Lazarsfeld dizia que era como uma foto (daquele tempo): impregnava a imagem no celulóide para ser revelada em campanha. Nos EUA a pré-campanha -as Primárias- é uma verdadeira eleição desde um ano antes das eleições. Nos regimes parlamentares -quase sempre binários- com os chefes de governo -atual e potencial de oposição- conhecidos, todo dia é dia de campanha, pois -teoricamente- os governos podem cair a qualquer momento e as eleições serem chamadas em 45 dias.

2. No Brasil além de nada disso ocorrer, ainda há uma legislação eleitoral que proíbe a pré-campanha e a reprime drasticamente com risco de inelegibilidade. Com isso, o eleitor chega ao processo eleitoral, 90 dias antes das eleições, com baixa informação. As exceções existem quando os candidatos são os que já foram governantes ou são para eleição. Exemplo: 2000 no Rio quando os candidatos eram um ex-governador, a vice-governadora, um ex-prefeito e o prefeito. Ou seja: o eleitor estava informado. Esse ano em SP da mesma forma. Os candidatos são um ex-governador/ex-prefeito, uma ex-prefeita, um ex-governador e o prefeito. O eleitor tem todas as informações sobre os atores políticos.

3. Mas quando isso não ocorre o eleitor entra em campanha muito mais desinformado do que deveria estar. Claro, pela ausência de pré-campanha, mas também porque a cobertura política é basicamente a cobertura dos governos. Sobre esses sim há informações. Os que já foram recentemente candidatos majoritários -a governador, prefeito e senador- têm seus nomes mais lembrados e em pesquisas antes da entrada da TV aparecem mais (o eleitor só entra em campo para valer uns 10 dias depois da TV).

4. Com isso as pesquisas pré-eleitorais entre nomes que nunca governaram têm uma taxa de decisão de voto (e não intenção) baixíssima e tudo pode acontecer. Este Ex-Blog semana passada lembrou os casos do Rio-Capital onde a população tem o maior índice de escolaridade entre as capitais e é a que mais lê jornal. Em 1992 nessa época o Data-Folha dava a Cidinha 23%, ao Albano Reis 13%, Amaral Neto 8% (havia caído, pois começou com 17% e Cidinha com 35%), Benedita 8% e Cesar Maia 7%. O primeiro turno -dois meses depois- terminou com Bené com 24%, Cesar Maia 16% e Cidinha 14%.

5. Em 1996, nessa época, o Data-Folha dava a Sergio Cabral 26%, Miro Teixeira 21%, Chico Alencar 6% e Conde 4%. Dois meses depois foram 33% para Conde, 22% para Cabral e 18% para Chico Alencar (que foi prejudicado pelo fato dos institutos todos, só terem identificado seu crescimento com atraso) e Miro Teixeira 7%. Em 2006 na Capital, Cabral tinha 42%, Crivella 22% e Denise 12%. Dois meses depois -Denise 31%, Cabral 30% e Crivella 14%.

6. As restrições no Brasil exigem dos partidos a mudança da legislação eleitoral para criar regras de pré-campanha. Que os meios de comunicação antecipem o foco em pré-candidatos de fato, que os partidos antecipem suas decisões (tem feito através de pré-convenções) para que -em eleição sem governantes, de antes ou de agora, as pesquisas retratem mais a decisão do eleitor que uma intenção difusa. Os eleitores e políticos perdem confiança nos institutos (que não fazem mais do que retratar o nível de informação pré-existente) e que não são responsáveis por intenções de voto de mínima sustentabilidade.

7. Por isso no ultimo Data-Folha, na pesquisa espontânea 79% dos eleitores do Rio-Capital não marcaram um nome sequer dos 12 apresentados.

AS APARÊNCIAS NÃO ENGANAM

Soube que a deputada federal e candidata a prefeita Fátima Bezerra não foi a entrega do Mérito Jessé Freire promovido pela Fecomércio. As maiores estrelas do evento que se transformou em palanque para a candidata Micarla de Souza, segundo me conta um amigo, comerciante, foram Rosalba Ciarlini, José Agripino Maia, e seu filho Felipe Maia I, o Belo.

Hummm, uma festa que tem Agripino e Felipe como estrelas não pode prestar.

A Fecomércio me parece a Casa de Mãe de Joana, lá tem de tudo, wilmista, garibaldista, agripinista, henriquista, o escambau, menos comerciante. 

Seu presidente parece um bocó. Há um diretor, não lembro o nome, petista de carteirinha, que se considera a encarnação de Roberto Campos. Suas análises sobre economia são de um primarismo de matar de inveja qualquer economista de galinheiro.

O que fazer diante de tanta embromação, eu não sei. O que importa aqui são as aparências. Assim caminha a humanidade à beira do Potengi.

EMPRESA POTIGUAR É UMA DAS MAIORES DO BRASIL

O empresário natalense Marcelo Alecrim anda mais feliz do que pinto no lixo.

A ALE subiu no ranking da revista ”Exame” e já é uma das 60 maiores do Brasil. A frente da Globo (61), Renault (65) e Americanas (81).

E uma das 150 melhores para se trabalhar no país.

Em termos de Norte-Nordeste, ela é a terceira.

Mais duas empresas potiguares se destacam na lista das 500 maiores empresas da região: Cosern (37) e Guararapes (66).  

Viva Alecrim!

COPIAR O BOM É MELHOR QUE INVENTAR O RUIM

Todos os candidatos a prefeito deviam ler a entrevista de Cory Booker à “Veja”.

Democrata, 39 anos, Booker é prefeito de Newark, em Nova Jersey onde vivem 30 mil brasileiros.

Eleito em 2006 com mais de 70% dos votos, sua administração é um sucesso. Sua receita? A mesma deste escriba: copiar o bom é melhor que inventar o ruim. 

Abaixo trechos da entrevista:

O senhor tem algum exemplo de participação direta da comunidade que esteja fazendo diferença?

Cory Booker - Hoje mesmo tivemos um belo exemplo. Há um ano, começamos a dizer que era preciso transformar os espaços verdes de Newark para valorizar nossas crianças. A cidade estava cinza, feia, as quadras de esportes estavam quebradas. Mas a prefeitura não tinha dinheiro. Então, reunimos empresários, vizinhos, filantropos, e conseguimos criar um fundo de 40 milhões de dólares. Hoje, lançamos a campanha de renovação dos parques. Até o fim do ano, alguns já estarão reformados. Isso é animador.

Além de violenta, Newark tem um quarto da população abaixo da linha de pobreza. Como um prefeito pode combatê-la?

Booker – Discordo da idéia de que a pobreza compete ao governo federal. Essa idéia é disseminada, mas, no Brasil mesmo, as coisas não são assim. Quando eu ainda pensava em ser prefeito, conheci Jaime Lerner, então prefeito de Curitiba, na Universidade de Virgínia. Fiquei tão impressionado com o trabalho dele que dois anos depois visitei a cidade. Lerner reduziu a pobreza em Curitiba, atacou o problema ambiental, porque o assumiu como responsabilidade sua. Em Curitiba, aprendi como um líder pode fazer diferença no nível local. Nos Estados Unidos, prefeitos podem fazer mais do que senadores e deputados. Em Newark, temos problemas nacionais, globais, mas é preciso ser criativo.

Qual é o melhor prefeito dos Estados Unidos?

Booker – Michael Bloomberg, de Nova York.

O senhor é democrata e acha que o melhor prefeito do país é um republicano que agora se declara sem partido?

Booker – Sim. Ele não é um modelo para mim porque suas circunstâncias são diferentes. Uma cidade com 8,3 milhões de habitantes é um país. Newark tem 300 000. Mas nós copiamos coisas que Bloomberg fez, como o estímulo à denúncia contra o crime. Agora, em Newark, um morador pode ligar sem se identificar, fazer a denúncia, e lhe damos quatro números. Se a polícia pega o denunciado, o morador telefona de novo e recebe mais quatro números. A seqüência de oito números é uma senha com a qual ele saca 1 000 dólares de recompensa num terminal bancário, sem se identificar. Em Nova York, eles dão 500 dólares; nós damos 1 000. Copiamos coisas de outras cidades também. Numa delas, havia um programa que treinava pais ex-detentos a cuidar dos filhos. Era relevante, porque esses pais voltam para casa e não sabem como lidar com os filhos, que acabam nas ruas reproduzindo uma herança de crimes. Sou do tipo que, antes de reinventar a roda, olha em torno. Não importa que a novidade venha de Curitiba, no Brasil, ou de São Francisco, na Califórnia. Se for boa, copio, adapto. Quero transformar Newark no Vale do Silício da inovação urbana.

RÉU CONFESSO

Diogo Mainardi já admite ter mantido relações nada ortodoxas com o a antiga direção da Telecom Itália.

No seu podcast semanal, o colunista de “Veja”, de modo surpreendente, conta como se aproximou de alguns de seus diretores.

Confiram:

Li que a procuradora Anamara Osório cuida do caso Kroll, a empresa contratada por Daniel Dantas para espionar a Telecom Italia. Nesse caso, antes de me acusar de maneira absurdamente leviana, ela deveria ter se informado a meu respeito com a antiga diretoria da Telecom Italia, aquela que combateu a Kroll. Isso teria evitado que ela quebrasse a cara de um jeito vexaminoso. Paolo dal Pino, o presidente da Telecom Italia na época da batalha contra Daniel Dantas, é meu amigo fraterno. Nossa amizade sempre me impediu de considerá-lo uma fonte. Mas ele acompanhou de perto meu trabalho. E me apresentou a uma penca de dirigentes da Telecom Italia. Com o tempo, esses dirigentes se tornaram minhas fontes, e me ajudaram a entender o que ocorria no setor de telefonia, fornecendo-me documentos e testemunhos diretos do envolvimento da companhia com o governo. Daniel Dantas? Daniel Dantas era o inimigo dessa gente toda. O inimigo de minhas fontes.

Em todos os meus artigos sobre o assunto, fiz o contrário do que fez a procuradora Anamara Osório, que se baseou apenas na vagabundagem da internet para me acusar. Eu sei lidar com os vagabundos da internet. Eu sei também que, quando eles emporcalham a PF e o Ministério Público, é preciso reagir. Estou aqui, reagindo. Pela última vez.