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BAILANDO COM BALILA

Até as paredes da TV Ponta Negra sabem que partiu de Balila Santana a idéia de Micarla de Sousa aparecer no horário eleitoral elogiando a condição de mulher, esposa e mãe.

O objetivo da estratégia era expor a sexualidade de sua principal adversária, Fátima Bezerra, do PT.  

Deu certo. 

Em São Paulo o tiro de Balila saiu pela culatra. É dela aquela pérola disparada contra Gilberto Kassab: É casado? Tem filhos?

Resumo da ópera: o fato de uma estratégia funcionar num lugar não quer dizer que vá funcionar em outro. 

Pode parecer óbvio. E é.

AMERICANO TRANQUILO

José Almeida é um dos leitores “estrangeiros” deste blog. Digo estrangeiro porque apesar de potiguar da gema, Almeida mora nos Estados Unidos. É dele o seguinte comentário:

Ailton,
Quem vive com raiva é você. Deixa de ser amargo, rapaz. Parece aquelas velhas amaguradas: “fulano deve estar se roendo..” “agora ciclano morre de raiva..”, “agora ciclano se deu mal”, “Zé Agripino é isso”, “Janio Vidal é aquilo”.
Além de você, nao tem ninguem mais dessas pessoas “babando de raiva”. Vc dá muito cartaz pra gente que não dá a minima pra você.
Volte ao lado leve da vida. Dá pra ser crítico sem ser pequeno.

Pelo conteúdo dos comentários e pelos personagens citados, é fácil imaginar a verdadeira identidade de José Almeida. Eu já sei. Mas me finjo de bobo. Agora justiça seja feita: JA é um leitor elegante, cosmopolista e bem-informado.

Tenho dito.

OS BOCÓS DE DIREITA E ESQUERDA

Todos sabem do apreço e da admiração que tenho pelo jornalisa Elio Gaspari. Ele juntamente com Paulo Francis estão no meu panteão. Há outros como Mencken e Bernard Shaw, por exemplo. 

Gaspari é um jornalista independente, coisa rara no Brasil atual, culto, inteligente e honesto (mais raro ainda). Seus críticos são quase todos bocós, sejam eles da direita ou da esquerda. Os mais notórios são Reinaldo Azevedo (pistoleiro de aluguel de José Serra) e Paulo Henrique Amorim.

Confiram o que cada um deles escreveu hoje sobre Gaspari:

Reinaldo Azevedo:
Elio Gaspari tenha as opiniões que quiser, assim como tenho as minhas. Na Folha de hoje, num texto de 2.691 toques, eles conseguiu juntar a manifestação de delinqüentes armados — aqueles que se fingiam de policiais civis — à tragédia de Santo André para atacar o governador José Serra — que, entende-se, seria o culpado último pela greve e pela morte de Eloá. Depois vou tentar saber se Gaspari culpou Lula, comandante-em-chefe das Forças Armadas, pelas mortes dos rapazes entregues a traficantes rivais por um soldado do Exército. Jornalistas são livres também para gostar e desgostar de políticos e entregar a eles ora o seu coração, ora o seu fígado, a depender de como administram seus amores e seus ódios, num ambiente propício a vaidades às vezes aduladas, às vezes feridas. Mais não escreverei a respeito, não neste texto ao menos. Vou dizer, agora sim, o que é insuportável no artigo de Elio Gaspari.

Ele perdeu a noção do legal e do ilegal e, na prática, adulou terroristas disfarçados de policiais e delinqüentes que estimularam o conflito armado. Não contente, investiu contra a disciplinada Polícia Militar, tachando-a de incapaz. Quem ler o artigo não encontrará uma só palavra de censura aos grevistas armados — nada. E ainda há um requinte. Diz ele: “Serra não deveria demonizar o PT e o deputado Paulinho da Força responsabilizando-os pela passeata que pretendia seguir até o Palácio dos Bandeirantes.” Não sei o que ele entende pelo verbo “demonizar”. O governador fez o óbvio.

E Paulo Henrique Amorim:
O Presidente Bush deveria ter convidado o colunista Elio Gaspari, que demonstra, invariavelmente, que a política externa do Governo Lula é um desastre; e pretender um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU é como se a Daniela Cicarelli quisesse protagonizar o próximo filme do Brad Pitt.

GUERRA DE INFORMAÇÃO

Elio Gaspari está de volta com um ótimo artigo sobre a polícia paulista, a greve e a morte da estudante Eloá Cristina Pimentel pelo ex-namorado, Lindeberg. O texto saiu na “Folha”.

Confiram:

A polícia paulista está sendo treinada para compensar com dissimulação atos de rebeldia e incompetência

NÃO É O CASO de começar o que o governador José Serra chamou de “guerra de informações”, em torno dos desastres de seus policiais. Nas guerras prevalece o mais forte, e nem sempre ele tem razão. O surto de incompetência e dissimulação apresentado pela polícia e pelo governo de Serra é apenas um caso de malversação do poder.

O governo paulista varre para baixo do tapete o motim de uma parte do grupo de elite da Polícia Civil mobilizado para ajudar a PM a conter a manifestação da quarta-feira passada. Esses policiais abandonaram a posição em que estavam e mudaram de lado, aderindo à passeata. Alguns tinham armas. Ecoaram os fuzileiros navais que, em 1964, deixaram os oficias a ver navios e aderiram à baderna dos marinheiros amotinados no sindicato do metalúrgicos, no Rio.

Serra não deveria demonizar o PT e o deputado Paulinho da Força responsabilizando-os pela passeata que pretendia seguir até o Palácio dos Bandeirantes. A manifestação movia-se em lugar proibido e bastaria esse argumento. Ademais, Paulinho já era o notório Paulinho quando apoiou a candidatura de Serra à Prefeitura de São Paulo, em 2004. Nessa transação, seu PDT ganhou a Secretaria do Trabalho.
Para efeito de raciocínio, admita-se que mexer com a rebelião dos policiais poderá radicalizar uma divisão na categoria. Tudo bem. Então tome-se o caso do seqüestro das jovens Eloá Cristina Pimentel e Nayara Rodrigues da Silva. Nele não houve política.

As duas meninas ficaram em cativeiro durante cem horas, tempo suficiente para que uma polícia capaz desfizesse a malfeitoria. Num lance inédito na história dos seqüestros, permitiram que uma refém menor de idade voltasse ao local do seqüestro. Fizeram isso sem a autorização de seus pais. Se uma mulher quiser embarcar para a Disney com a filha de 15 anos, é obrigada a mostrar a autorização do pai à Polícia Federal. Para entrar no valhacouto de um delinqüente não foi necessária nenhuma das duas. O coronel Eduardo Félix, comandante do Batalhão de Choque da PM, disse que colocaria seu filho em situação semelhante, mas, ofendendo a lei, ele pôs a filha dos outros. O pai de Nayara, o metalúrgico Luciano Vieira da Silva, foi expulso do posto de comando das operações da PM. Seu crime foi ter-se exaltado quando lhe disseram que não poderia falar com o comandante. Em vez de desentocar o bandido, chuçaram o pai da vítima. A tragédia terminou com a morte de Eloá e com Nayara ferida no rosto. O seqüestrador saiu ileso.

O comandante do Policiamento de Choque, coronel Eduardo Félix defendeu sua operação tabajara dizendo que não atirou no bandido por se tratar de um “garoto em crise amorosa”. Romântico o coronel, mas ele foi além: “Se a operação tivesse sido bem-sucedida, os policiais estariam sendo aplaudidos e o resultado não seria contestado”. Bingo. Se o goleiro Barbosa tivesse defendido o chute de Ghiggia em 1950, teria sido aplaudido. Fracassar é uma coisa, apresentar justificativas néscias, bem outra. A patuléia não é volúvel, ela até prefere aplaudir a polícia. Descarregar o infortúnio nas justas reclamações de quem lhe paga o soldo é covardia a serviço da empulhação.

Na “guerra de informações” da polícia paulista, a primeira vítima foi a verdade. A segunda, a inteligência.

NATAL É UMA FESTA

Natal é uma festa lendo nossos colunistas sociais. Jota Oliveira revela em detalhes um regabofe na casa de um magano potiguar com o óbvio ululante: champagne francês gelado, menu delicioso e conversa agradável.

Os clichês de Oliveira me fizeram lembrar Zózimo Barrozo do Amaral que debochava frequentemente do vocabulário dos seus colegas. Em uma de suas colunas o jornalista carioca indagava se alguém por acaso poderia “me explicar por quê”:

1 – Todo jantar black tie é sempre requintado?

2 – Todo janta informal é sempre divertido e simpático?

3 – Toda hostess é sempre elegante?

4 – Todo host é sempre sóbrio e discreto?

5 – Todo menu é sempre delicioso?

6 – Toda ornamentação das mesas é sempre de bom gosto?

7 – Toda conversa é sempre agradável?

8 – Toda champã é sempre excelente (e gelado, quando não é geladíssimo)?

9 – Todo grupo de convidados é sempre selecionado?

10 – Toda decoração de ambientes é sempre sofisticada?

Como notou Ancelmo Gois, Zózimo foi o brasileiro que melhor escreveu em três linhas.

Um exemplo: Quando Boni estava fazendo 20 anos de Rede Globo comentou com Zózimo que deixaria a emissora assim que completasse 30 anos. 

No dia seguinte a coluna publicava uma nota intitulada “Aviso Prévio” que dizia o seguinte: “Boni afirma que vai deixar a Globo daqui a dez anos. É o mais longo aviso prévio da história”.

Pelo jeito não se faz mais bons colunistas como antigamente. 

FALA, BRAZIL

Exceto o jornal ”O Globo”, quase ninguém falou no telefonema de Bush ao presidente Lula.

Bush convidou o brasileiro para a reunião da reunião do G8, em novembro, provavelmente em Washington.

A pauta da reunião será a crise financeira internacional.

O G8 reúne as maiores economias do mundo (EUA, Japão, Alemanha, França, Itália, Inglaterra, Canadá e Rússia).

Miriam Leitão e a turma de “Veja” estão se babando de raiva.

Mais detalhes clique aqui.