« Voltar | Início » 2009 » fevereiro » 10

A BELA JUNIE

Anote o título: “A Bela Junie”, o novo filme de Christophe Honoré, acabou de estrear nos cinemas brasileiros. É uma adaptação para os dias de hoje do livro ”La Princesse de Clèves”, de Madame de Lafayette.

Junie é interpretada pela atriz Anne Seydoux. Após a morte da mãe, ela muda para a escola do primo, Mathias, em Paris. Olhos verdes, cabelos castanhos desgrenhados, a garota é bastante reservada.

Sua beleza e seu ar misterioso, porém, acabam seduzindo o professor Nemours (Louis Garrel).

Um crítico paulista notou que há uma tristeza que intriga no cinema de Honoré. Em filmes como “Em Paris” (que vi recentemente em dvd) e “Canções de Amor”, Honoré “retomou aquele que François Truffaut, o romântico que desconfiava do romantismo, considerava o maior de todos os temas, senão o único – o amor”, escreve.

“Tudo gira em torno do amor e a tristeza pode estar um pouco ligada ao tema da morte, sempre presente no cinema do autor. Ou então a essa certeza de que o amor talvez seja, ou é, efêmero. Em Beijos Roubados, Truffaut fez com que Jean-Pierre Léaud conquistasse uma mulher dizendo que todos os outros homens e amores, tudo o mais, era provisório. Ele, e só ele, era definitivo. O homem e a mulher em Honoré sonham com esse absoluto do amor.”

Eu também.

AMOR ANTIGO

O poema que segue é de Carlos Drummond e foi enviada ao Blog pela leitora Luana Arruda. Confiram:

O amor antigo vive de si mesmo
não de cultivo alheio ou de presença
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.
O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.
Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
o antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.
Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor …

A propósito, sugiro aos meus leitores os poemas eróticos de Drummond. Leiam, de preferência ouvindo “Je T’aime”, com Serge Gainsbourg e Jane Birkin.

PREFEITA DE NATAL NO PALÁCIO DO PLANALTO

A prefeita dse Natal Micarla de Sousa está em Brasília.

Nesta manhã ela visitou pela primeira vez o Palácio do Planalto onde foi recebida em audiência pelo potiguar Swendenberger Barbosa, chefe adjunto do Gabinete da Presidência da República.

Antes Micarla visitou uma exposição no próprio Palácio sobre a Assembléia Constituinte.

BOM JESUS, 197, RECIFE ANTIGO

O amor faz coisas que até o amor duvida. Estive recentemente visitando o casarão número 197 da Rua do Bom Jesus,  no Recife Antigo (de madrugada, é bom que se diga, depois de encher a cara no bar Burburinho). Esse casarão, no século XVII, abrigou a primeira sinagoga erguida nas Américas. Atualmente funciona o Centro de Documentação e Pesquisas da História Judaica.

As primeiras famílias judaicas chegaram a Pernambuco por volta de 1635. Perseguidas na Península Ibérica pela Inquisição Católica, vieram seduzidas pela liberdade religiosa que os holandeses começavam a instalar nas terras recém-tomadas de Portugal.

Pernambuco,  na época, era a mais rica capitania brasileira. Sob o governo de Maurício de Nassau, a partir de 1637, o poder dos judeus cresceu. Quarenta por cento das exportações de açúcar para a Holanda e a Alemanha eram feitas pelos judeus.

Eles construíram casas, sobrados e a primeira ponte do Recife, a Buarque de Macedo, foi encomendada por Nassau a um judeu, Baltazar da Fonseca.

O Centro reúne fotos, mapas e livros. Graças a ele, os visitantes ficam sabendo que a primeira manifestação literária em hebraico do Novo Mundo foi redigida em território pernambucano. Trata-se de três orações escritas pelo rabino Isaac Aboab da Fonseca, que relatavam o sofrimento e as provocações passadas pelo povo judeu. Isaac foio primeiro rabino das Américas.

Vários hábitos tradicionais cultivados até hoje pelos recifenses, como pintar as casas no final do ano, arrumá-las às sextas-feiras, comprar mercadorias à porta de casa e em prestações, são heranças deixadas pelos judeus.

Com a perseguição religiosa de volta – decorrente da a expulsão dos holandeses, em janeiro de 1654 – os judeus abandonaram o Brasil. Uma parte deles aportaram num vilarejo com pouco mais de 1 500 habitantes chamado Nova Amsterdã. Lá fundaram a primeira comunidade judaica norte-americana onde é hoje a cidade de Nova York.

Fico imaginando como seria Recife em 2009 se os holandeses tivessem permanecido lá com os judeus.