Arquivos anuais: 2012
Caindo na real
Liberdade é legal, mas falar dela e vivê-la são duas coisas diferentes
Uma das minhas cenas favoritas em “Easy Rider” é o diálogo de Jack Nicholson e Dennis Hopper sobre a liberdade. A dupla acabara de ser expulsa do bar, e Hopper, indignado, busca uma explicação.
- Eles têm medo da gente – diz Hopper.
- Não de vocês, necessariamente, mas do que vocês representam – explica Nicholson. E para eles, vocês representam a liberdade.
- E qual o problema? Liberdade é legal! – indaga Hopper.
- Liberdade é legal mesmo, mas falar dela e vivê-la são duas coisas diferentes. É difícil ser livre quando se é comprado e vendido no mercado.
Não à indústria do barulho
Verão, sol, calor e cerveja. Tempo de paredão de som em todo o Brasil! Cada um alega que está no direito de ouvir a sua música na altura que quiser. Alegam que a “democracia” e a “liberdade de ir e vir” garante direito a compartilhar e impor a barulheira com todo mundo que estiver por perto, querendo estes ou não. Mais do que isolados casos de falta de civilidade, esta ode ao barulho advém um problema cultural profundamente enraizado, além de altos interesses econômicos e políticos.
É isso que faz com que o desrespeito às leis e o desprezo aos riscos para a saúde da população alimentem a corrupção e o negócio da “cultura do barulho” em todo o Brasil, à revelia de milhares de dispositivos legais e posturas urbanas que são letra morta diante de autoridades fracas e desintegradas para combater o que realmente está encoberto pelos paredões: falta de civilidade, atentado à atratividade turística, crime ambiental e violação de direitos humanos.
O barulho como “negócio”
Soa estranho, mas é verdade. Atrás desta cultura do barulho funciona todo um mecanismo de fazer dinheiro. O faturamento é enorme: as gravadoras ganham com a freqüente mudança da música em moda (CDs, DVDs, mp3), as emissoras de rádio ganham dinheiro com isso, os canais de televisão atingem índices maravilhosos de audiência durante o carnaval e outras festas, o governo ganha com os impostos, funcionários públicos ganham com a não-aplicação de leis, que na verdade nem foram feitas para ser aplicadas, os blocos de carnaval ganham com os seus abadás baratos (na qualidade) e caros (no preço), o negócio com o show e o entretenimento está indo de vento em popa e quem mais ganha com tudo isso são as cervejarias, já que todo esse barulho é irrigado principalmente com muita cerveja, para que cresça e se desenvolva bem.
Para completar, há também os bares, que também tocam música alta, o que praticamente tem que ser, pois, caso contrário, perderiam clientes. E, mais recentemente, a proliferação de carros de som – normalmente produzidos para o período eleitoral, que, na entre-safra política oferecem serviços aos comerciantes da cidade para atormentar as pacatas ruas residenciais com seus altos decibéis de ofertas.
Quem sofre é a população. Todo mundo: os que não gostam do barulho e os outros, que participam de tudo isso e no fim tem só os efeitos colaterais: prejuízos a saúde, menos dinheiro, conflitos sociais (poluição sonora é uma das maiores causas de conflito nas capitais do Nordeste e adjacências!) e principalmente burrice, já que a massa é mantida burra para continuar a consumir zoada.
Leis existem mas a demagogia impede a aplicação
O sofrimento de muitas pessoas é grande em toda parte do país, mais acentuadamente em regiões extremamente barulhentas como o Nordeste brasileiro. Bares, festas, som de carro, gritarias, motocicletas com escape manipulado, cachorros neuróticos latindo todo o tempo e até mesmo aparelhos de televisão em volume muito alto tiram o sossego de quem quer viver em paz. Sem falar dos conflitos sociais gerados pelo excesso de barulho, sabe-se hoje que a poluição sonora prejudica a saúde. Isso é fato comprovado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e na verdade já reconhecido há muito tempo pela legislação brasileira.
Sob a premissa de querer proteger a saúde da população, praticamente todas as capitais e estados brasileiros já criaram órgãos para controlar a poluição sonora. As leis e posturas ficaram mais severas (em Camaçari (BA), por exemplo, a multa pode variar de 300 a 50000 Reais). Isso pode até dar a impressão de que o problema é mesmo levado a sério. Mas como sempre no Brasil: tudo é somente um grande show. Um controle eficaz tem uma outra cara. E para piorar, a corrupção (com certeza, um dos problemas mais sérios do Brasil) atrapalha a luta contra a poluição sonora. Há controladores corruptos que deixam de dar multa para receber um valor menor “por baixo do pano”. Em lugares mais afastados, donos de bares são até avisados por policiais locais quando o controle finalmente aparece. E é claro que esses policiais não fazem isso de graça.
Na maioria das vezes, a negligência das autoridades em combater o ruído urbano é por pura demagogia. A escumalha política, com honrosas exceções, prefere omitir-se ou até defender a “liberdade da zuada”, alegadamente por não querer afrontar segmentos da juventude, do comércio ou da própria indústria do barulho. Pura demagogia e falta de vergonha na cara! Depois viajam para a Europa e voltam destilando inveja das cidades civilizadas e da paz urbana que encontram por lá. Os mesmos que têm o poder de implementá-las aqui mesmo.
Pessoas sensíveis ao barulho, outras que estão doentes ou simplesmente aquelas que não tem nenhuma vontade de viver sob poluição sonora permanente são simplesmente deixadas sozinhas. Um controle eficiente só existe onde vive a parcela mais abastada da sociedade. Continuar lendo
Governo vai proteger jornalistas ameaçados
Do site 247
GOVERNO PREVÊ PROGRAMA DE PROTEÇÃO A JORNALISTAS
Está na pauta da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência do próximo ano; Brasil entrou na lista de países com mais assassinatos de jornalistas em 2012; “O Estado deve assegurar a proteção de comunicadores pela natureza da sua função, com a defesa da liberdade de expressão”, defendeu a ministra Maria do Rosário
25 DE DEZEMBRO DE 2012 ÀS 16:58
A organização mundial Repórteres Sem Fronteiras divulgou um relatório, na última quarta-feira 19, das cinco nações onde com mais assassinatos de jornalistas em 2012. Em primeiro lugar, está a Somália (18 mortes), em segundo, Síria (17), seguida do Paquistão (nove) e México (seis). No caso do Brasil, “o narcotráfico na fronteira com o Paraguai aparece claramente como a causa dos cinco assassinatos”, segundo o relatório.
Ainda com base no levantamento, 88 profissionais da Imprensa foram mortos em 2012 em todo o planeta, 33% a mais do que em 2011, e quase 2 mil sofreram agressões ou foram ameaçados. O caso mais recente foi o do jornalista Mauri König, do jornal paranaense “Gazeta do Povo”, ameaçado de morte após publicar uma série de reportagens sobre corrupção na Polícia Civil no estado.
Diante deste cenário, uma equipe tem a missão de analisar o perfil de cada repórter ameaçado para designar o tipo de proteção que o profissional deve receber. De acordo com Maria do Rosário, enquanto não se ações específicas visando à proteção dos jornalistas, o governo investiga a origem das ameaças.
O GT, do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, conta com entidades representativas dos jornalistas e diversos órgãos do governo.
Trabalhar na secretaria de Tributação do RN é uma festa
De um Assum Preto:
Por falar em Papai Noel, caro jornalista, existem pessoas que são mais abençoadas por Deus que outras. Outro dia você escreveu no seu Blog que o auditor Francisco Hermeneluce da SET tinha uma vida boa. Não é que o governo mandou um projeto de lei para a Assembleia mudando a carreira dos auditores fiscais. E diga quem é o maior beneficiário?
Francisco Hermeneluce.
Bem, como Hermeneluce (e dizem que o projeto foi elaborado por ele em conjunto com o presidente em exercício do Sindifern, Pedro Lopes – outro benefiário do PL-063/2012) não podia criar uma lei para beneficiar-se sozinho, outros 37 auditores também ganharão a benesse.
Pois bem, o dito cujo passará dos atuais 14 mil para ganhar mais de 22 mil reais (salário base + produtividade). Além das outras vantagens a que tem direito (quinquênios, comissão).
Um verdadeiro acinte diante da situação em que se encontram os técnicos da SET e de outros setores que, desde 2010, esperam receber suas “micharias”. Dizem que o próprio SINDIFERN havia feito uma proposta à Secretaria de Administração que onerava a folha da SET em 59 milhões /anuais e, Hermeneluce, para poder encaixar um “algo mais” para beneficiá-lo, refez a proposta, que foi aceita pelo governo.
A nova proposta passou a onerar a folha em 65 milhões/anuais. É muito dinheiro sobrando nos caixas do governo. Os demais auditores receberão reajustes sim, só que na faixa de 11 a 19%. O dele e de sua turma será de mais 50%. Além de injusta, a proposta tira vantagens dos demais auditores, como possibilidade de promoção por antiguidade, que ficará impraticável.
Também tira direitos dos técnicos. Algo feito às pressas, com a conivência da Assembleia Legislativa e de um grupinho de auditores que “mamam” nas tetas do governo.
Grato
Assum Preto.
Por que se rouba tanto no Rio Grande do Norte e o povo não se revolta?
O Brasil precisa urgentemente abrir os olhos para o Rio Grande do Norte. Além de um governo corrupto, Natal, sua capital, está sem prefeito há uma semana. Os absurdos se sucedem diariamente.
A governadora Rosalba Ciarlini e sua gangue querem torrar 220 milhões de reais para transformar a avenida Roberto Freire, uma das mais bonitas de Natal, numa rodovia.
No Rio, com menos do que isso, o governo vai duplicar o elevado do Joá e construir uma ciclovia de 3.900 metros de extensão, ligando os bairros de São Conrado e Leblon.
A paisagem é deslumbrante, uma das mais bonitas do Rio: de um lado o Morro Dois Irmãos, do outro o Oceano Atlântico.
Confiram no vídeo abaixo:
Aqui pra você!
Lixo por toda parte, buracos, violência, salário do funcionalismo atrasado, hospitais fechados, saúde à deriva, e cinco prefeitos em dois meses.
Feliz Natal é a puta que te pariu! Olha aqui pra você!
Felipe Maia é dez, mas não esqueça que o governador flagrado com a mão na cumbuca foi chamado de estadista pela Veja
É bom, e até prudente, os bajuladores de Felipe Maia não se empolgarem muito com o 10 concedido ao deputado pela Veja.
Poucos meses antes de explodir o Mensalão do DEM, o então governador Roberto Arruda, flagrado recebendo dinheiro de propina em esquema de corrupção montado dentro do governo do Distrito Federal, foi chamado de estadista pela revista da Abril.
O jornalismo de Veja é isso mesmo: separa o joio do trigo e publica o joio.
Felipe é sócio majoritário da Comércio de Combustível para Aviação Ltda. (Comav), concessionária da BR Distribuidora, um dos braços da Petrobras. A Comav é responsável pelo combustível que abastece as aeronaves que decolam dos aeroportos de Natal e Mossoró, um negócio estimado em R$ 100 milhões por ano.
O deputado, para quem não sabe, pertence a uma das mais tradicionais oligarquias do Nordeste: Os Maia. Seu pai, o senador José Agripino Maia, governou duas vezes o RN, e seu avô, Tarcísio Maia, uma.
Eles são donos de jornal, rádio e televisão.
Duas sugestões para tornar o fim do mundo melhor
Troquei a biografia de Mick Jagger pela “A Batalha pela Alma dos Beatles”, do jornalista Peter Doggett e não me arrependi.
Doggett retrata a história não contada da banda após a separação, os dramas humanos de seus integrantes e o sucesso.
Um retrato atual e às vezes cruel sobre os Beatles. É impossível parar de ler. Indico.
Outra sugestão deste escriba é o documentário Beware of Mister Baker com histórias surpreendentes do baterista Ginger Baker que integrou a banda Cream juntamente com Eric Clapton e Jack Bruce.
Sensacional! Por favor, não deixe de ver.





