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DIRETOR DA GLOBO ACUSA VEJA DE FAZER JORNALISMO DE ESGOTO

Evandro Carlos de Andrade era considerado um dos mais brilhantes jornalistas de sua geração. Durante 24 anos dirigiu o departamento de jornalismo da TV Globo até morrer em maio de 2001, aos 69 anos.

Evandro iniciou sua carreira aos 18 anos, no “Correio Radical”, um pasquim que durou pouco. Lá, escreveu sua primeira reportagem em 1951. Ele também passou pelo “Diário Carioca”, “Jornal do Brasil” “Estadão” e, em 1971, ingressou em “O Globo”.

Pois bem, em 1999, quando a mídia ainda fiscalizava a mídia, Evandro escreveu um artigo cujo alvo era a revista “Veja”. O que disse o jornalista da Globo?

Segue abaixo na íntegra:

EVANDRO CARLOS DE ANDRADE

No começo se chamava “VEJA e leia”. A segunda recomendação bem pequenina, quase como se desaconselhasse o leitor. Era bem ilustrada, o que justificava o título grande, e bem escrito, o que tornava enigmático o pequeno.

Afinal, estavam grandes jornalistas: Mino Carta, Elio Gaspari, Dorrit Harrazim, José Roberto Guzzo, Marcos Sá Corrêa, Roberto Pompeu de Toledo, Flávio Pinheiro, muitos mais.

Valia a pena ler suas reportagens ou seus artigos. Com o passar do tempo,os grandes nomes foram deixando a revista ou abandonando funções executivas, do que fatalmente decorreria, como decorreu, uma significativa perda de qualidade editorial.

Até que, num gesto elogiável de humildade, a revista resolveu abolir do título aquele e leia. Passou a desejar ser só vista. Antes, só assinavam matérias os grandes nomes. Reduzido radicalmente o número deles, passou-se a assinar tudo, ou quase.

A edição da semana de “Veja” trazia 19 matérias assinadas por nada menos de 39 nomes, o que sugere a existência de alguns mutirões.

Há anônimas, também. Quem é do ramo sabe que são apenas assuntos da semana “chupados” de outras publicações (cá pra nós, prezado assinante eventual da “Veja”: tirando as amarelas, o Ancelmo, o Marcos Sá Corrêa ou o Flavio Pinheiro e mais o Roberto Pompeu, quanto tempo você leva para descartar aquelas velharias que só eram novidade nos jornais ou telejornais da semana anterior?).

Entre as não assinadas, duas chamavam especial atenção: a mais extensa ocupava seis inteiras páginas da revista. Só texto. Estranhei. Aquela recomendação de ver em vez de ler tinha-se acentuado desde maio , quando a ”Veja” apressou-se a imitar o formato gráfico, muito ilustrado, da recém-lançada revista “Época”.

Era direito de resposta. Publicação obrigatória. Tintim por tintim. Ordem da juíza Maria de Fátima dos Santos Gomes, na sentença em que condenou a empresa proprietária da “veja” por julgar que esta “não exerceu sua liberdade de imprensa de maneira consciente e responsável, mais denegriu a imagem de Baltazar”etc.

Baltazar é o queixoso, que ainda vai ser indenizado pela revista com mais de 50 vezes o valor do rendimento liquido do seu salário e todas aquelas correções a que tem direito desde 1992, o que corresponde a R$ 603.655.

Seis paginas inteiras, e nem uma fotografiazinha, uma 3×4 que fosse. Afinal, a gente fica querendo saber como é a cara da vitima dos danos morais causados pela revista, ou a dos juizes de direito que sucessivamente condenaram a “Veja’’ou até, quem sabe, um pequeno gráfico que apresentasse a evolução dos processos a que responde a revista na justiça.

Nada. Foi uma dureza ler aquela maçaroca. Espero que na próxima publicação de direito de resposta a “Veja” faça fineza de encomendar ao seu departamento de arte alguma contribuição para não nos tornar pesado o ajantarado de domingo. Continuar lendo