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O GRANDE ENCONTRO

Ainda não terminei mas sugiro a leitura de “1943: Roosevelt e Vargas” sobre o encontro dos dois presidentes em Natal, em janeiro de 1943.

Uma ressalva: Por que Leonardo Barata não escreveu esse livro? Leo conhece o assunto melhor do que ninguém e tem uma farta documentação sobre o assunto.

Segue texto de Elias Thomé Saliba sobre o livro.

Inspiradas em US Navy, muitas famílias batizaram seus bebês com o nome de “Osnavi”. Um menino abiscoitou 5 dólares ao dar um brilho nos sapatos de Tyrone Power, um dos muitos artistas a fazer shows- para os soldados.

Os ônibus que levavam as moças potiguares para festas na base norte-americana de Parnamirim receberam o gaiato apelido de “marmitas”. Juntamente com os milhares de soldados americanos vindos para Parnamirim Field, chegaram também a Natal a música das big bands, filmes, chicletes, uísques e até calças compridas para mulheres.

É com essas cenas pitorescas e folclóricas que o filme Forall, o Trampolim da Vitória, lançado em 1997, registra a presença norte-americana na base de Natal durante os anos mais críticos da Segunda Guerra Mundial.

Até o burlesco título do filme refere-se a um equívoco paródico, pois retrata os bailes domingueiros, não exclusivos dos soldados americanos, ou seja, for all, abertos a todos. Mas o registro da história apenas pelo seu lado pitoresco maltrata nossa combalida memória coletiva e obscurece o real significado do evento. Continuar lendo

SE O BRASIL CORRER, O PIG PEGA. SE PARAR, O PIG COME

Em setembro, quando o dólar estava ali pela casa de R$ 1,67, o indefectível Carlos Sardenberg advertiu que o Brasil estava à beira do abismo econômico. E criticou a sobrevalorização do real.

Ontem no “Jornal da Globo”, com o dólar a R$ 1,95, o comentarista da Globo previu que nesse patamar, a inflação acabará levando a vaca pro brejo. E sugeriu sutilmente que o governo aja o mais rápido possível aumentando, acreditem, a taxa de juros. Só assim teremos menos inflação e dólar baixo.

Resumo da ópera: para essa gente, se o Brasil correr o bicho pega, se parar, o bicho come.

O bicho em questão, claro, é o PIG.

ETERNOS CHAPA-BRANCA

O editorial da “CartaCapital” que chega aos leitores neste sábado é uma resposta ao editorial do jornal “O Globo” em defesa da “Veja”. Destaco em negrito alguns pontos. Leiam e compartilhem.

O jornal O Globo toma as dores da revista Veja e de seu patrão na edição de terça 8, e determina: “Roberto Civita não é Rupert Murdoch”. Em cena, o espírito corporativo. Manda a tradição do jornalismo pátrio, fiel do pensamento único diante de qualquer risco de mudança.

Desde 2002, todos empenhados em criar problemas para o governo do metalúrgico desabusado e, de dois anos para cá, para a burguesa que lá pelas tantas pegou em armas contra a ditadura, embora nunca as tenha usado.

Os barões midiáticos detestam-se cordialmente uns aos outros, mas a ameaça comum, ou o simples temor de que se manifeste, os leva a se unir, automática e compactamente.

Não há necessidade de uma convocação explícita, o toque do alerta alcança com exclusividade os seus ouvidos interiores enquanto ninguém mais o escuta.

E entra na liça o jornal da família Marinho para acusar quem acusa o parceiro de jornada, o qual, comovido, transforma o texto global na sua própria peça de defesa, desfraldada no site de Veja.

A CPI do Cachoeira em potência encerra perigos em primeiro lugar para a Editora Abril. Nem por isso os demais da mídia nativa estão a salvo, o mal de um pode ser de todos.

O autor do editorial exibe a tranquilidade de Pitágoras na hora de resolver seu teorema, na certeza de ter demolido com sua pena (imortal?) os argumentos de CartaCapital.

Arrisca-se, porém, igual a Rui Falcão, de quem se apressa a citar a frase sobre a CPI, vista como a oportunidade “de desmascarar o mensalão”.

Com notável candura evoca o Caso Watergate para justificar o chefe da sucursal de Veja em Brasília nas suas notórias andanças com o chefão goiano. Ambos desastrados, o editorialista e o líder petista.

Abalo-me a observar que a semanal abriliana em nada se parece com o Washington Post, bem como Roberto Civita com Katharine Graham, dona, à época de Watergate, do extraordinário diário da capital americana. Continuar lendo

PARIS VALE UMA MISSA

Um ótimo texto no “Estadão” de Fernando Gabera sobre o carnaval fora de época do governador Sérgio Cabral e sua turma na terra de Sartre e Voltaire.

Henrique IV (não confundir com Henriquinho Alves, pelo amor de Deus) estava certo: Paris vale uma missa.

Segue na íntegra:

Paris, reine du monde / Paris c’est une blonde. Depois de tantas denúncias sobre as viagens de Sérgio Cabral e suas relações com o dono da Delta, Fernando Cavendish, tenho vontade de cantar.

De que adiantaram tantos argumentos racionais? Algumas imagens de uma única de cem viagens de Cabral ao exterior bastaram para convencer milhares de pessoas, antes indiferentes às denúncias, de que algo realmente singular acontece no Rio.

Posso até parar de fazer sentido ou, então, buscar outro sentido na coleção de imagens que nos chegam de Paris. Cantarolando, cheguei à conclusão de que existe até uma loura na história.

Paris c’est une blonde. Na festa da cúpula do governo Cabral, a loura estava lá, corpo atlético e imenso decote nas costas tatuadas. Ela aparece dançando com Cavendish: ele está levemente inclinado e as costas da loura dominam o quadro. Não consegui decifrar a tatuagem.

Uma borboleta, talvez. Um fragmento da imagem mostra um microfone, sugerindo que alguém canta, talvez a loura faça parte do show. Ela reaparece em outra foto, diante do grupo com guardanapos na cabeça, e mobiliza com sua presença toda a energia masculina.

Seria uma Joana d’Arc moderna? Estariam os homens com guardanapo na cabeça, alinhados piratas, saudando a heroína e prometendo guerra à pérfida Albion? Duvido. Nem o pós-modernismo seria capaz de criar uma Joana d’Arc tão animada nem os piratas de linho branco estariam preocupados com a sorte da França.

Há um momento, dizia o poeta, em que todos os bares se fecham e todas as virtudes se negam. No caso deles, não se trata de uma conjunção fortuita em certo instante da madrugada. Primeiro, eles fecham os bares, depois, então, é que negam todas as virtudes. Continuar lendo

REBELDE COM CLASSE

Afonsinho, o craque alvinegro que nos anos 1970 sacudiu o “establishment” do futebol com sua rebeldia com método, acaba de estrear uma coluna na revista “CartaCapital”.

O jogador substitui seu amigo Sócrates, morto em dezembro de 2011.

Para quem não sabe, Afonsinho foi o primeiro jogador a conquistar o Passe Livre. Zagalo queria que Afonsinho cortasse o cabelo e fizesse a barba.

O jogador, claro, recusou-se a cumprir as ordens do técnico reacionário, saiu do Botafogo e foi jogar no Olaria. O resto é história.

Segue abaixo o texto inaugural publicado na edição da semana passada. Confiram:

POR AFONSINHO

Querido amigo Sócrates,
vamos continuar conversando. Não há de ser uma simples partida que pode interromper o nosso campeonato e o verso diz que a morte é a contingência do esporte da vida.

Além do mais, “aqui na Terra estão jogando futebol (na Espanha? na Alemanha?), tem pouco samba, muito funk e rock’n’roll”.

Mas o que me incomoda mesmo é a sensação de voltar no tempo, retroceder. No fim das contas, estão aí o Passe Livre e a Democracia Corintiana.
O primeiro ainda que solapado pelos espertalhões de plantão e pela “bancada da bola” (como se pode admitir um bando de cartolas inescrupulosos ser chamado assim?).

A segunda é um avanço, com a diferença de ser incontestável, porque ganhou também dentro do campo, nas famosas quatro linhas, e não existe argumento a ser invocado. Está aí um tema que podemos continuar comentando: concentração é cárcere privado?

Das suas preocupações, muitas continuam nos castigando: Fifas, CBFs etc. A Copa do Mundo, com todos os seus problemas, nos aperta contra a parede do tempo.

Agora a boa-nova. Ganhamos um guerrilheiro da área. O baixinho Romário tem aproveitado bem as brechas e marcado golaços no Congresso. Continuar lendo

LIVRO RESGATA ENCONTRO DE VARGAS E ROOSEVELT EM NATAL

O Programa do Jô entrevistou ontem o jornalista Roberto Muylaert, autor de “1943 Roosevelt e Vargas em Natal”, em que narra a reunião dos presidentes do Brasil, Getúlio Vargas, e dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, na capital potiguar, em janeiro de 1943, em plena Segunda Guerra.

O apresentador, como de hábito, rasgou seda para a Taba apesar dos pesares.

Segue a entrevista na íntegra.