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NÃO CONFUNDAM COM NOTÍCIAS O QUE SAI NOS JORNAIS

As pessoas não param de confundir com notícias o que leem nos jornais, dizia o jornalista Abbott Joseph Liebling.

Americano, natural de Nova York, Liebling nunca leu jornal brasileiro, a geografia poupou o mestre desse sacrifício.

Apesar disso, fico imaginando que avaliação este grande repórter faria dos nossos pasquins cujos colegas transformaram a atividade num grande negócio?  E jornalismo sem repórter, vocês sabem, é uma catástrofe.

Segue o vai abaixo:

DA CARTA MAIOR:

O mundo imaginário da sucessão do Ipea

Com a saída de Marcio Pochmann, que concorrerá a prefeitura de Campinas, abriu-se a disputa para a presidência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Imprensa entrou no jogo como parte interessada.

E acabou saindo mal na fita. Trama relatada por Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Correio Braziliense e Valor Econômico inverteu regra de bom senso lógico: se os fatos não forem bem assim, problema dos fatos.

Saul Leblon

Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), caiu em janeiro de 2011, quando Wellington Moreira Franco assumiu a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), ministério ao qual o Instituto está subordinado.

Tem mais: Marcio Pochmann censura pesquisas no Instituto desde que tomou posse em 2007. Sob sua direção, o órgão caracteriza-se pelo chapabranquismo militante.

Acha pouco? Agora Pochmann vetou o nome de seu sucessor, indicado pela presidenta Dilma Rousseff que, em represália, vetou os nomes apresentados pelo economista e impôs um nome de preferência de Aldo Rebelo, que ainda não havia entrado na história. Depois disso, Moreira Franco indicará um interino em caráter definitivo.

A trama pode continuar indefinidamente. Nada disso corresponde aos fatos, mas tudo foi registrado pelos jornais Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Correio Braziliense e Valor Econômico. Se os fatos não forem bem assim, problema dos fatos. A desconexão com a realidade ultrapassa a linha do ridículo.

A presidência do Ipea é um cargo concorrido. A sucessão de Pochmann é notícia desde que este professor da Unicamp anunciou a disposição de disputar a prefeitura de Campinas pelo PT.

Em sua gestão, o Instituto ampliou o raio de atuação, abriu-se para áreas além da economia, aumentou o leque de trabalhos e passou a assessorar não apenas o governo federal, mas também administrações estaduais e municipais, além de fornecer subsídios a entidades da sociedade civil e aos poderes Legislativo e Judiciário.

Com pouco mais de seiscentos pesquisadores, o Ipea é uma das maiores instituições de pesquisa na América Latina. Possui uma representação em Caracas e em breve terá outras na Argentina e no Paraguai. Continuar lendo

UM MOTIM CONVERTIDO NUMA DIVERTIDA FESTA

Em 1988, a pedido de sua editora, Marize Castro, escrevi um longo artigo para o jornal “O Galo” sobre as barricadas de Paris.

Em 1988, eu era um garoto que amava uma garota que havia nascido em… 1968.

Tudo era festa. E Maio de 68, como notou Octavio Paz, foi um motim que havia se convertido numa divertida festa e que vinte anos depois ainda seduzia incautos gauleses radicados às margens do Potengi.

Se eu tivesse que resumir a experiência daqueles anos, diria que foi a primeira tentativa de aterrissar um homem na terra.

Tudo era permitido naquele paraíso juvenil: o amor livre, a droga, o sonho, a revolta e a loucura. “Abram as portas dos asilos”, dizia um grafiti da época.

A arte e a poesia invadiram as ruas. “Poeta, ladrão do fogo”, estampava um panfleto com a fotografia de um Rimbaud suave afixado nas paredes da Universidade de Nanterre.

É verdade que a sociedade de consumo não desapareceu nem a imaginação tomou o poder, como sugeriam os slogans bradados pelos jovens.

Não importa. O planeta nunca mais foi o mesmo.

Nem este escriba.