
A cada 15 anos o brasileiro esquece o que aconteceu nos últimos 15 anos. A frase é de Ivan Lessa (na foto com o cartunista Jaquar), um dos maiores jornalistas brasileiros que morreu nesta sexta-feira, em Londres, aos 77 anos.
Não faz dois meses que perdemos Millôr Fernandes, amigo e companheiro de Lessa no Pasquim. O quer dizer nessas horas? Parem o mundo que eu quero subir.
Segue notícia de “O Globo”:
RIO – Morreu na noite desta sexta-feira, aos 77 aos, em Londres, o jornalista e escritor brasileiro Ivan Lessa. Filho do escritor Orígenes Lessa, Lessa foi editor e um dos principais colaboradores do jornal O Pasquim, ao lado de Sérgio Cabral, Paulo Francis, Tarso de Castro e Millôr Fernandes.
Lessa publicou três livros: “Garotos da fuzarca” (contos, 1986), “Ivan vê o mundo” (crônicas, 1999) e “O luar e a rainha (crônicas, 2005).
Ivan Lessa morava em Londres, de onde escrevia crônicas três vezes por semana para a BBC Brasil.
Ivan Lessa criou junto com o cartunista Jaguar o ratinho Sig (de Sigmund Freud), baseada na anedota corrente da época na qual se dizia que se “Deus criou o Sexo, Freud criará a sacanagem”.
O ratinho se tornou símbolo de “O Pasquim”, aparecendo também nas capas da coleção “As anedotas do Pasquim”, publicada nos anos 70.
Agora, um dos últimos textos de Ivan Lessa sobre a nova primeira dama francesa, Valérie.
O título? Uma primeira dama de primeira. Segue o texto na íntegra:
IVAN LESSA
Passou quase que despercebido diante do mundo, e mesmo nas regiões mais distantes e atrasadas da velha França, como a vitória do socialista André (ou François, Jean-Paul, por aí) Hollande possui outros aspectos também tão ou mais significativos do que a ascensão pacífica e por vontade popular, inda que por margem mínima como a altura de seu adversário, dos ideais revolucionários do novo presidente eleito.
Estamos pisando em território delicado, uma região que os políticos não gostam de sequer reconhecer a existência. Qual seja: da importância da parceira ou parceiro oficial do líder de um país.
Mas se alguém sussurrar o nome da imagem icônica (eta, adjetivozinho usado e abusado) de, por exemplo, Jacqueline Kennedy, a coisa fica mais fácil de entender.
Não é pequena a carga que uma primeira dama deve levar consigo a todas as horas e todos os lugares. Como se fosse aquela bolsa da sra. Margaret Thatcher, que, aliás, teve um grande “primeiro damo ou cavalheiro” ao seu lado, mas aí desviamo-nos para outros rumos mais complicados, menos viajados e que mesmo os pundits mais bem informados e brilhantes ainda não compareceram com um ensaio ou estudo no mínimo mais esclarecedor.
Fiquemos pois na questão das primeiras damas e continuemos na França. Continuar lendo →