« Voltar | Início » 2012 » junho » 09

PORCOS

O jornalismo tem uma coisa a seu favor: Aos nos oferecer a opinião dos bocós, ele nos mantém em dia com a ignorância da comunidade.

Ao lançar “Folhas da Relva”, o poeta Wal Whitman teve de ler num jornaleco que entendia tanto de arte quanto um PORCO de matemática.

E Gustave Flaubert foi esnobado pelo jornal “Le Figaro” que espinafrou “Madame Bovary”.  Pior: aconselhou  o autor a desistir da literatura.

A cantora Elba Ramalho também foi vítima da crítica.

Quando se apresentou pela primeira vez em João Pessoa, no início da carreira, o  jornalista e dublê de humorista José Nêumanne Pinto (na foto com o ator Juca de Oliveira) escreveu: ”Com essa voz, Elba Ramalha não passa de  Bayeux” (cidade colada a capital paraibana).

Dói quando rio.

PAREM O MUNDO QUE EU QUERO SUBIR.

A cada 15 anos o brasileiro esquece o que aconteceu nos últimos 15 anos. A frase é de Ivan Lessa (na foto com o cartunista Jaquar), um dos maiores jornalistas brasileiros que morreu nesta sexta-feira, em Londres, aos 77 anos.

Não faz dois meses que perdemos Millôr Fernandes, amigo e companheiro de Lessa no Pasquim. O quer dizer nessas horas? Parem o mundo que eu quero subir.

Segue notícia de “O Globo”:

RIO – Morreu na noite desta sexta-feira, aos 77 aos, em Londres, o jornalista e escritor brasileiro Ivan Lessa. Filho do escritor Orígenes Lessa, Lessa foi editor e um dos principais colaboradores do jornal O Pasquim, ao lado de Sérgio Cabral, Paulo Francis, Tarso de Castro e Millôr Fernandes.

Lessa publicou três livros: “Garotos da fuzarca” (contos, 1986), “Ivan vê o mundo” (crônicas, 1999) e “O luar e a rainha (crônicas, 2005).

Ivan Lessa morava em Londres, de onde escrevia crônicas três vezes por semana para a BBC Brasil.

Ivan Lessa criou junto com o cartunista Jaguar o ratinho Sig (de Sigmund Freud), baseada na anedota corrente da época na qual se dizia que se “Deus criou o Sexo, Freud criará a sacanagem”.

O ratinho se tornou símbolo de “O Pasquim”, aparecendo também nas capas da coleção “As anedotas do Pasquim”, publicada nos anos 70.

Agora, um dos últimos textos de Ivan Lessa sobre a nova primeira dama francesa, Valérie.

O título? Uma primeira dama de primeira. Segue o texto na íntegra:

IVAN LESSA

Passou quase que despercebido diante do mundo, e mesmo nas regiões mais distantes e atrasadas da velha França, como a vitória do socialista André (ou François, Jean-Paul, por aí) Hollande possui outros aspectos também tão ou mais significativos do que a ascensão pacífica e por vontade popular, inda que por margem mínima como a altura de seu adversário, dos ideais revolucionários do novo presidente eleito.

Estamos pisando em território delicado, uma região que os políticos não gostam de sequer reconhecer a existência. Qual seja: da importância da parceira ou parceiro oficial do líder de um país.

Mas se alguém sussurrar o nome da imagem icônica (eta, adjetivozinho usado e abusado) de, por exemplo, Jacqueline Kennedy, a coisa fica mais fácil de entender.

Não é pequena a carga que uma primeira dama deve levar consigo a todas as horas e todos os lugares. Como se fosse aquela bolsa da sra. Margaret Thatcher, que, aliás, teve um grande “primeiro damo ou cavalheiro” ao seu lado, mas aí desviamo-nos para outros rumos mais complicados, menos viajados e que mesmo os pundits mais bem informados e brilhantes ainda não compareceram com um ensaio ou estudo no mínimo mais esclarecedor.

Fiquemos pois na questão das primeiras damas e continuemos na França. Continuar lendo

A VIDA DO IMPOSTOR É UMA LONGA MEDITAÇÃO SOBRE O NADA

Guru da revista “Veja”, Maílson da Nóbrega continua em sua ladainha em defesa dos juros altos e de um Banco Central independente.

Ora, por conta da recessão, o mundo caminha para um período de juros mais baixos,  até a China aderiu a política de juros baixos.

Menos o guru da Abril por razões que a razão conhece.

Mas quem é Mailson? Um impostor.

No período em que ele foi ministro de Sarney, o Brasil tinha uma quase hiperinflação.

Ah, sim, antes que eu esqueça, ao contrário do que afirma o bocó, a inflação, em vez de subir, está caindo no Brasil.

A vida do impostor é uma longa meditação sobre o nada.