Com medo de perder seus empregos, nenhum jornalista da velha mídia havia repercutido a reportagem do fim de semana da “Carta Capital” sobre o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.
Élio Gaspari decidiu quebrar o pacto abordando o assunto na “Folha” desta quarta-feira.
A reportagem apontava fraude e sonegação no o Instituto Brasiliense de Direito Público, cujo dono é o próprio Mendes.
O texto de Gaspari, que reproduzo abaixo, é sangue e porrada na madrugada.
ÉLIO GASPARI
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, fez muito bem ao quebrar o sigilo da conversa que Lula teve com ele no escritório de Nelson Jobim, caitituando a postergação do julgamento do mensalão.
Também fará bem se pedir à Justiça que levante o segredo em que correu o seu litígio com o ex-sócio e ex-procurador-geral da República (1981-1985) Inocêncio Mártires Coelho.
Em 1998, os dois criaram o Instituto Brasiliense de Direito Público, “conceituado centro de estudos e reflexões sobre o Direito” que oferece cursos de graduação, especialização, extensão e mestrado. Neste ano ele abriu cem vagas no seu vestibular.
Mendes e Coelho desentenderam-se em 2010 e levaram seu litígio à Justiça. Doze dias depois da apresentação das razões de Coelho, Gilmar solicitou e conseguiu que o processo tramitasse em segredo de Justiça. O artigo 155 do Código do Processo Civil informa:
“Os atos processuais são públicos, correm todavia em segredo de Justiça os processos: Continuar lendo
