O PIG está tratando o golpe no Paraguai que apeou do poder o presidente Fernando Lugo como uma reação democrática. Esse negócio de interpretar as leis me deixa todo arrepiado.
É que na linguagem do golpista, interpretar leis é, quase sempre, corrompê-las.
Nossos golpistas adoram uma novilíngua, afirma Paulo Moreira Leite em texto magistral lembrando que quando João Goulart foi deposto, em 1964, eles anunciaram em editoriais que a democracia foi resgatada. Fizeram marchas para comemorar a liberdade.
O resultado vocês sabem: 21 anos de ditadura militar.
É tradição da imprensa brasileira apoiar golpes de direita aqui e em Dakar. E condenar esquerdistas que são eleitos democraticamente.
A “Veja” (que vocês já conhecem) tentou melar a reeleição de Lula em 2006 com uma tese típica de golpista: Urna não é tribunal. Não absolve ninguém.
Na época um colunista da revista argumentou que a vitória do petista se devia ao crescimento da economia e às políticas assistencialistas, como fazer a coisa certa fosse um crime.
Ele encerrava seu texto com uma ameaça de matar qualquer nazista de inveja: “Felizmente, a democracia é um regime legitimado pela maioria, mas sustentado pelas elites, de que a imprensa faz parte”.
Que horror, não?
