Estou sentindo o que eu queria sentir ou estou sentindo o que precisaria sentir?
Só mesmo um poeta do quilate de Manuel Bandeira para retratar em versos a alma do menino que sustenta esse homem triste, o menino que todos os anos na véspera do Natal pensa ainda em por seus chinelinhos atrás da porta.
Espelho, amigo verdadeiro,
Tu refletes as minhas rugas,
Os meus cabelos brancos,
Os meus olhos míopes e cansados.
Espelho, amigo verdadeiro,
Mestre do realismo exato e minucioso,
Obrigado, obrigado!
Mas se fosses mágico,
Penetrarias até o fundo desse homem triste,
Descobririas o menino que sustenta esse homem,
O menino que não quer morrer,
Que não morrerá senão comigo,
O menino que todos os anos na véspera do Natal
Pensa ainda em por seus chinelinhos atrás da porta.
Olha Woody Allen aí, gente. Cineasta novaiorquino cujo novo longa, “Para Roma, com amor”, estreia no Brasil sexta-feira, admite rodar filme no Rio de Janeiro em 2014.
É o que informa o jornal “O Globo” que o entrevistou em Los Angeles. Segue texto na íntegra:
O endereço é dos mais improváveis para se encontrar Woody Allen. O hotel cinco estrelas localizado na boca da Rodeo Drive tem como principal pedigree cinematográfico ter servido de cenário para “Uma linda mulher”, com Julia Roberts.
O cineasta nova-iorquino por excelência começa a filmar nas próximas semanas em São Francisco e, às vésperas do lançamento de “Para Roma, com amor” nos cinemas brasileiros (no dia 29), parece pouco confortável na outra capital informal da Califórnia, inquieto em uma suíte de fundos, estrategicamente sem vista para as palmeiras da North Beverly Drive.
Com algum esforço, pode-se até imaginar a ponte da Rua 59 logo ali ao lado e que Diane Keaton vai surgir a qualquer momento pelos corredores do Beverly Wilshire.
— Sou um nostálgico urbano, sofro de insatisfação geográfica crônica. Se estou em Nova York, sinto uma falta imensa de Paris. Mas basta passar uns dias na França para morrer de saudade de Manhattan. Sempre imagino que, se estivesse em um outro lugar, as coisas seriam melhores na minha vida. Mas a realidade, quando chego ao próximo destino, me desmente de imediato.
Allen passou a maior parte da última década em um doce exílio europeu.
A dificuldade em financiar filmes em um cenário sufocado pela ditadura dos blockbusters de Hollywood o levou a Londres (“Ponto final — Match point”; “Scoop — O grande furo”; “O sonho de Cassandra” e “Você vai conhecer o homem dos seus sonhos”), Barcelona (“Vicky Cristina Barcelona”), Paris (“Meia-noite em Paris”) e Roma.
A próxima parada, depois da aventura californiana, ainda pode ser o Rio, opção aventada em outubro de 2009, quando seus produtores estiveram na cidade checando possíveis locações:
— Filmar no Rio é uma possibilidade real. Filmes demoram para sair do papel, mas os produtores, inclusive minha irmã, ficaram muito bem impressionados com a cidade. Na nossa lista de possibilidades para os próximos anos, o Rio está no posto mais alto do pódio. Continuar lendo →