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PMN DECIDE APOIAR HERMANO MORAIS

O PMN vai apoiar a candidatura de Hermano Morais a prefeitura de Natal. Agora há pouco o presidente estadual do partido, deputado Antônio Jácome, divulgou nota explicando a decisão do diretório municipal. Confiram:

NOTA OFICIAL PMN

O diretório estadual Do Partido da Mobilização Nacional – PMN, vem esclarecer que a decisão de apoiar a pré-candidatura do deputado estadual Hermano Morais à Prefeitura de Natal foi uma decisão da direção municipal do partido após discursão interna.

Esta decisão priorizou, ainda, a eleição proporcional com a formação de um bloco constituído pelo partidos PMN, PSDC, PRTB e PSC. Oferecendo a Natal uma nominata completa à câmara municipal.

O PMN tem por princípio o respeito às decisões dos diretórios municipais em todo o Rio Grande do Norte.

Deputado Estadual Antônio Jácome

Presidente Estadual do PMN

CHATO UMA OVA

Comentei aqui uma entrevista que vi em DVD do roteirista Tonino Guerra, morto em março.

Tonino foi colaborador de Fellini, Vittorio de Sica, Antonioni, ou seja, a nata do cinema italiano do século passado.

O post era ilustrado com a sequência final de “Passageiro: Profissão Repórter” (1975), de Antonioni.

A cena é uma obra-prima.

Pois bem. Em seus diário, o crítico teatral inglês Kenneth Tynan (foto) reduziu o filme a pó de traque.

Criticou impiedosamente o elenco (“Jenny Runacre é tão má atriz que cheguei a achá-la incompetente demais para fazer parte do elenco de Oh! Calcutá! Já Maria Schneider e Jack Nicholson são tão pouco dirigidos que quase chegam a extinguir-se”) e chamou Antonioni de chato.

Tynam que na época vivia em Los Angeles, não estava em seus melhores dias.

Segue o trecho do seu diário:

7 DE JUNHO
Assisti ao novo Antonioni, O Passageiro: Profissão Repórter, adorado pelos críticos, especialmente Penelope Gilliatt. Deus do céu. Nas mãos de outro, poderia ser um filme de mistério para a televisão, banal mas interessante (com alguns toques pseudofilosóficos), sobre um jornalista alienado que assume a identidade de outro homem.

Nas mãos de Antonioni, é tudo menos interessante. É um tour guiado por algumas locações pitorescas – a Barcelona de Gaudí, Mojácar, o norte da África – sobre o qual os críticos escrevem como se Antonioni tivesse construído, ou até criado, os locais, e não apenas contratado um cinegrafista para fotografá-los.

O único clichê sobre identidade que não se encontra no filme é: “Por que você está fugindo de si mesmo?” E o único motivo para a ausência é que ele é inerente à situação básica. O pior de tudo é o trabalho dos atores. Jenny Runacre é tão má atriz que cheguei a achá-la incompetente demais para fazer parte do elenco de Oh! Calcutá! (do qual participou por seis meses). Maria Schneider e Jack Nicholson são tão pouco dirigidos que quase chegam a extinguir-se.

Não nos incomodamos tanto (e podemos até tolerar) a má interpretação, mas a má interpretação lenta é insuportável. A única questão interessante que resta, depois desse filme, é saber se Antonioni era realmente incapaz de lidar com seres humanos (além dos italianos, claro: gostei muito de O Eclipse).

Ainda assim, os críticos cobrem de elogios essa portentosa bobajada: Mulheres entram e saem da sala, Falando de Michelangelo. A tarefa do crítico – pelo menos 90% dela – é abrir caminho para o que é bom, demolindo o que é ruim. No momento, Antonioni está bloqueando o trânsito na rua. Ele quase me dá vontade de voltar ao trabalho de demolidor.

NOSSAS CELEBRIDADES SÃO CÉLEBRES APENAS PORQUE CONQUISTARAM A FAMA, NÃO PORQUE FIZERAM ALGO IMPORTANTE

Vou logo avisando: o artigo que reproduzo abaixo não é para miolo mole. Trata-se de uma análise de Renato Janine Ribeiro sobre mídia, política, celebridade e vida privada. O artigo é longo e pertinente. Confiram:

Por Renato Janine Ribeiro

A mídia invade a política – mas não estou falando de nosso país. Vamos direto ao assunto: a atual companheira do presidente da França, Valérie Trierweiler, tuitou seu apoio ao rival da companheira anterior de François Hollande, nas eleições do começo de junho.

Nunca vi coisa assim.

São do mesmo partido, notem bem. Isso, na França, parece espantoso. A França é um dos países mais politizados do mundo, com cidadãos acostumados a exercer um espírito fortemente crítico sobre a coisa pública.

Não se compara com os Estados Unidos que, apesar de sua riqueza, têm uma cidadania muito disposta a sair da discussão política para entrar na religiosa e no moralismo mais tosco.

Não foi à toa que a França fez as grandes revoluções da história, as quais, em 1789, 1830, 1848 e 1871, vieram inspirar a Europa e o mundo em importantes mudanças, indo desde a reivindicação democrática transmitida pela “Revolução Francesa” (a primeira) até as reivindicações sociais e mesmo socialistas das duas últimas.

Mas, tudo isso posto, os últimos anos da política francesa parecem, cada vez mais, história de folhetim.

Os franceses chamam de “people” (pronunciam “pipôl”) o que nós denominamos celebridades. Os dois termos, o nosso e o deles, são falhos. Nossas celebridades são célebres só porque se dizem ou se fazem célebres. Não são famosas porque fizeram algo importante, mas apenas porque conquistaram fama. Continuar lendo