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Na rede com Stan Lee

Aos 89 anos de idade, Stan Lee, o autor de histórias em quadrinhos, aderiu a internet. Ele acaba de inaugurar um canal no YouTube que é uma maravilha para quem curte o gênero.

“Nunca vi nada crescer tão rápido quanto a internet. Nem o rádio, nem a televisão, disse Lee.”

Para acessar seu canal, clique aqui.

Sua entrevista ao “The Wall Street Journal” segue abaixo:

 

 

A melhor democracia que o dinheiro pode comprar

Na Inglaterra um adolescente de 17 anos foi preso pela polícia por ter enviado uma mensagem de Twitter supostamente ofensiva a um atleta olímpico (aqui).

Nos Estados Unidos um rapaz foi em cana por “roubar” água da chuva e ainda será obrigado a arcar com uma multa avaliada, acreditem, em 1.500 dólares, equivalente a pouco mais de três mil reais (aqui).

Inglaterra e EUA são dois países civilizados, ricos e democráticos. Vocês já imaginaram o escarcéu que “Veja”, “Folha” e “Estadão” fariam se os episódios mencionados tivessem ocorrido aqui?

Diriam que as prisões eram um atentado ao estado de direito e acusariam Dilma e o PT como responsáveis por essa escalada autoritária no país.

Uma global com a cara do Brasil

No papel da tresloucada Socorro, a atriz Titina Medeiros vem se destacando na novela “Cheias de charme”. Ela nasceu em Acari, no sertão do Rio Grande do Norte. Mais um membro do Cartel dos Medeirinhos brilhando nesse Brasil varonil. Titina está na “Revista da TV” do jornal “O Globo” deste domingo. Confiram:

RIO – Depois de sair do restaurante, na Barra, uma mulher cutuca a outra e fala: “Olha ali, é ela, não é?”. Ela, no caso, é Titina Medeiros. Estreante na TV, a atriz sorri ao ser reconhecida mesmo sem a caracterização exagerada da tresloucada Socorro. Um dos destaques de “Cheias de charme”, a empregada louca pela fama e truqueira está agora no centro da trama. E vai ajudar Chayene (Cláudia Abreu) a separar o grupo Empreguetes, formado por Penha (Taís Araújo), Rosário (Leandra Leal) e Cida (Isabelle Drummond).

— Socorro tem a função de um Saci Pererê. Não se sabe se é boa ou má. Ela entra em cena como um preto velho que vem provocar um redemoinho. Está ali para levantar a poeira e desconsertar o que está certo — opina a atriz, de 35 anos.

A empregada, cujo nome completo é Maria do Perpétuo Socorro Cordeiro de Jesus, tem verdadeira devoção à Chayene, que a chama pejorativamente de ‘curica’. Para a atriz, suas cenas têm a linguagem e o timing dos desenhos animados.

— Socorro parece o coiote do Papa-Léguas — aponta, citando outra referência: — Ela está sempre se dando mal, faz tudo errado, mas não se deprime e tenta sempre de novo.

Para interpretar a empregada, Titina afirma não ter medo do ridículo.

— Todo mundo que trabalha comigo fala que sou uma atriz facinha. Entro no jogo.

Assim como Chayene, Socorro é piauiense de Sobradinho. Juntas, elas passam pelas mais absurdas situações no ar.

— A Chay já é over, e a Socorro tem um tom a mais. Ela é como um travesti. Se veste para imitar a cantora — explica a atriz, que ainda se inspirou no vídeo “Duelo de titãs — travesti Gisela” (disponível no YouTube) em sua composição: — O mais difícil foi encontrar o tom. Socorro é exagerada e caricata, mas humana.

Ela demora 1h30m para ficar pronta — usa aplique para dar volume aos cabelos lisos e finos, que são frisados. Com os fios agora danificados, Titina pretende cortar o cabelo “bem curto” assim que “Cheias de charme” chegar ao fim.

— Mas adoro o visual da Socorro e curto uma piração. A gente que é do teatro põe nariz, dentadura… — observa.

Em cena, Titina não tem a menor vaidade. Autora da trama das 19h da Globo com Filipe Miguez, Izabel de Oliveira classifica a atriz como espontânea, corajosa e inteligente. Continuar lendo

Mentiras sinceras me interessam

Durante alguns meses, fui colaborador do site “Laboratório Pop”, do meu amigo, meu igual, meu irmão, Mario Marques. A pauta era livre, mas como se tratava de um site de música e cinema, achei mais sensato escrever meus artigos com os pés na areia e a cabeça na lua. Acreditem, nunca me diverti tanto. Se vocês duvidam, aí vai o texto que marcou o início de minha colaboração. Serve também para amenizar a saudade  das nossas noitadas na Pizzaria Guanabara.

FORA DE ÓRBITA 

Olha eu aqui escrevendo num site de Rock. Antes que meus detratores me azucrinem, quero lembrar que nunca levei a sério o bordão de Frank Zappa segundo o qual um repórter de rock é um jornalista que não sabe escrever, entrevistando gente que não sabe falar, para pessoas que não sabem ler.

O site é de rock, mas este escriba é de Marte. Sou um jornalista à moda antiga, meto minha colher de pau em qualquer assunto, e não abro. Gosto de música, livros, literatura, cinema, sexo, esportes radicais (gamão e peteca), astronomia, café, mulher cheirosa, Paris, Rio e Nova York.

E não suporto forró, axé music e os novos baianos. Prefiro os velhos (Caetano, Rauzito, Gil, João Gilberto, Glauber, Morais etc e tal).

Já fui preso, processado diversas vezes e não largo o osso. É da minha natureza. Afinal, o que seria do fogo se não fosse o atrito? Costumo tratar meus leitores hipócritas como adultos, não importa a idade, e não suporto elogio. Sou tímido.

O que fazer? Sou mentiroso, porém sincero. Ou seja, mentiras sinceras me interessam.
Quanto ao nome do Blog, “Fora de Órbita”, trata-se de uma homenagem (mais uma) ao cineasta Woody Allen.

Bom, por enquanto é só.

Ah, sim, para quem não sabe, moro em Natal, mas vivo no mundo da lua a maior parte do ano. É isso.

O esporte favorito dessa gente é torcer contra e achar que tudo vai dar errado

Reclamar parece ser o esporte favorito da humanidade. Reclamar, torcer contra e achar que tudo vai dar errado. Quase 90% dos ingleses eram contra as Olimpíadas em Londres até assistirem ao desembarque triunfal da rainha Elizabeth no Estádio Olímpico ao lado de James Bond. Pesquisa do “The Guardian” revela que… 82% dos londrinos estão felizes com os Jogos.

Ah, bom!

Quando Ângelo Mendes de Morais decidiu construir o Maracanã, o então deputado Carlos Lacerda soltou os cachorros em cima do prefeito.

Criticou a localização escolhida para o estádio (Lacerda defendia que fosse em Jacarepaguá) e disse que o dinheiro aplicado na obra daria para construir… colégios, hospitais e o escambal.

Tudo demagogia, claro.

Anos depois, já governador, o próprio Lacerda foi acusado de construir o “maior elefante branco do mundo”. Os bocós se referiam ao Parque do Flamengo, uma das sete maravilhas do Brasil.

E a Torre Eiffel? Até os cachorros de Montparnasse eram contra quando ela foi montada no coração de Paris para a Exposição Universal de 1900.

A intelectualidade parisiense expresou seu descontentamento num manifesto assinado por personalidades como os escritores Guy de Maupassant e Alexandre Dumas (filho). O documento, publicado em 14 de fevereiro de 1887 no jornal “Le Temps”, atacava o projeto de Gustave Eiffel, de 312 metros de altura, que se tornaria depois símbolo da capital francesa.

Na Taba, o movimento contra a demolição do Machadão, o maior estádio inacabado do mundo, ganhou o apoio de uma legião de bocós com o argumento de que o estádio fazia parte do patrimônio histórico e cultural da cidade.

Que patrimônio? Quem se orgulhava daquele monturo? Ah, os bocós! A estupidez não lhe deixa ver…

Eles também eram contra o Rio sediar os Jogos Olímpicos em 2016. E achavam que a revitalização da Zona Portuária era uma falácia. O tiro mais uma vez saiu pela culatra.

Vejam o que já foi feito ali até agora.

Na Rua Sacadura Cabral (acima) as calçadas já apresentam sinais de padronização, com a inclusão de pequenos quadrados para árvores e gramados.

Na outra foto, abaixo, os novos canteiros loteados de buquês de flores coloridas na Praça Jardim Morro do Valongo.

Mas a grande obra da revitalização da Zona Portuária será a demolição do Elevado da Perimetral. Construída, no início dos anos 50 como solução de ligação entre as zonas Sul e Norte sem que os veículos passassem pelo centro da cidade, contribuiu para a degradação da região e seu esvaziamento.

A decisão de demolir a Perimetral segue uma tendência mundial. Várias cidades da Europa e dos Estados Unidos já demoliram seus grandes viadutos.

Navegante hipócrita, meu igual, meu irmão, imagine o Rio quando a revitalização for concluída?

Uma rave regada a humor e rock

Vi e me comovi com a abertura dos Jogos de Londres. Não me lembro de ter visto nada tão humano, demasiado humano.

Teve de tudo: humor, história, revoluções, Shakespeare e rock, bastante rock. Uma obra-prima do cineasta Danny Boyle.

A sequência da rainha Elizabeth pulando de para-quedas com Daniel “James Bond” Craig vai ficar para sempre na memória dos jogos olímpicos.

Só mesmo Boyle teria a coragem de colocar a rainha numa enrascada daquela. Mais humor inglês, impossível.

Como observou um jornalista, foi uma grande rave em homenagem aos 99% que fizeram a grandeza britânica. Estavam todos lá: Camponeses, mulheres, imigrantes, trabalhadores, Shakespeare, Beatles, Rolling Stones, Sex Pistols,, Mr.Bean, Amy Winehouse.

Boyle, quem diria, salvou a festa da rainha!

Batman estava em Aurora, disfarçado de espectador

Na “Folha”, Contardo Calligaris escreve sobre o massacre do cinema Aurora, no Colorado. Impagável, como sempre. Segue na íntegra:

Por Contardo Calligaris

O filme “O Cavaleiro das Trevas” estreia amanhã. Pelo trailer, entendi que Batman reaparece em Gotham City, que precisa dele, desesperadamente. O novo vilão que assola a cidade é Bane, vestido de colete à prova de balas e máscara antigás.

Na madrugada do dia 20, em Aurora, Colorado, um tal James Holmes, 24, vestido à la Bane e armado de rifle, espingarda e duas pistolas, atirou na plateia que assistia à pré-estreia do filme. Ele matou 12 pessoas e feriu dezenas. Por sorte, a arma mais letal, o rifle, travou no meio da matança.

Na noite do massacre, a frase que pipocava na tela era: “Where is Batman when we need him?”, onde está Batman quando precisamos dele?

Entre os espectadores sobreviventes, vários vestiam a camiseta com o logo do morcego. Alguns talvez estivessem completamente a caráter, pois existe, nos EUA, o hábito de comparecer a uma estreia vestindo o figurino de um personagem do filme. Ora, os espectadores disfarçados de Batman não supririam a falta de Batman. Em compensação, é possível que tenha acontecido o inverso: talvez Batman tenha comparecido lá, em Aurora, disfarçado de espectador.

Jon Blunk, Matt McQuinn e Alex Teves jogaram suas namoradas no chão e as protegeram dos tiros com seu corpo: eles se sacrificaram, e elas se salvaram. E Jarell Brooks, 19 anos, no meio daquele inferno, empurrou na sua frente e levou até à saída Patricia Legarreta com suas duas filhas pequenas, que ele encontrou perdidas no escuro e nos disparos. Patricia e as meninas se salvaram. Jarell não morreu, mas, ao amparar as três como um escudo, foi baleado nas costas.

Fazer a coisa certa não é um automatismo: o marido de Patricia e pai das meninas, por exemplo, desorientado no meio do massacre, encontrara só a saída, não a mulher e as filhas, que ficaram por conta.

Em suma, talvez Batman estivesse naquele cinema de Aurora, disfarçado de Jarell Brooks, Jon Blunk, Matt McQuinn e Alex Teves.

Infelizmente, além de Batman em vários disfarces, no cinema de Aurora, havia também seus (e nossos) inimigos -James Holmes estava disfarçado de Bane e com os cabelos do Curinga.

A moral dessa história é que os “ruins” se vestem de Bane ou de Curinga: eles querem se destacar, mostrar ao mundo que eles são únicos e confirmar seu “glamour” graças ao nosso olhar -admirativo ou apavorado, pouco importa, contanto que fiquemos vidrados neles.

Em tese, a mesma coisa poderia ser dita de Batman, que, apesar de não revelar sua identidade, é tão espalhafatoso quanto qualquer Curinga. Só que Batman não esteve em Aurora. Em Aurora, nossos heróis, os “bons”, ao contrário do assassino, foram quase invisíveis.

Como explicar o que aconteceu aos nossos filhos? Acharia bom lhes dizer que o que aconteceu (ou algo parecido) vai acontecer sempre; e, quando acontecer, não poderão contar com a chegada de Batman, mas poderão, isso sim, descobrir se há um Batman neles, ou não.

A vida em duas rodas

Não quero ser repetitivo e rasgar seda para o uso da bicicleta que considero um ótimo meio de transporte, tanto faz se no Rio, Paris ou em Dakar. Não, não vou chatear vocês, prometo. Acho melhor ir direto ao ponto e reproduzir aqui o artigo do jornalista Kiko Nogueira sobre o tema que considero apaixonante.

Nogueira foi, entre outras coisas, editor da “Veja São Paulo”, diretor de redação da “Viagem e Turismo”, do “Guia Quatro Rodas” e criador e diretor de redação da “Revista Alfa”. Segue o texto na íntegra:

Por Kiko Nogueira

O debate sobre o uso da bicicleta tomou um rumo surreal no Brasil. Se você gosta, é de esquerda. Se não, é de direita. Os militantes mais fánaticos de ambos os lados são, como era de se esperar, preconceituosos e intolerantes. No limite, você não pode apenas passear de bike: você tem de tomar uma posição. Uma “matéria” recente no Diário Oficial do Estado de São Paulo não recomendava o uso de bicicletas porque os acidentes causariam prejuízos de milhões aos cofres públicos. É como sugerir que a melhor maneira de não ser assaltado é ficar em casa. Para o governo, que deveria cuidar da sua segurança, é sem dúvida a alternativa mais cômoda e mais malandra.

A discussão é enfadonha. Ok. Existe uma questão de urbanismo, de sustentabilidade (ui), de uma opção de vida, até. Mas, ao fim e ao cabo, uma bicicleta é apenas uma bicicleta. É um meio de transporte mais limpo, que ocupa menos espaço, que obriga você a se mexer – mas é apenas um veículo de transporte, não um símbolo. E é, fundamentalmente, boa.

Mas em Paris é melhor. Ali estão as vélibs. Se você não as conhece, é o seguinte: 20 mil magrelas de aluguel em 1 800 estações separadas por uma distância de 300 metros, disponíveis 24 horas por dia, sete dias por semana. Você pode pagar por um dia, uma semana ou por períodos mais longos. Embarca no Arco do Triunfo, digamos, e devolve no Marais. Chavinhas engenhosas presas a cabos de aço protegem dos gatunos. Qualquer queda eventual é menos humilhante do que ser expulso de um táxi porque se esqueceu de dar bom dia para o motorista (ou falou baixo demais e ele não ouviu). Continuar lendo

PARABÉNS, BRENDA!

A promessa de Marc Spitz de enaltecer Mick Jagger sem difamar Keith Richards, seu amigo e companheiro de banda, deu com os burros n’água. É o que constato lendo “Jagger, a biografia” (Benvirá, 304 páginas).

Quem é Mick Jagger, porra?” Spitz tenta responder a pergunta que estampou camisetas na década de 1970. O resultado, confesso, não me satisfez.

Spitz traça um perfil de Jagger por meio das lembranças de amigos e colegas que cruzaram o caminho do rolling stone e revela as múltiplas facetas do cantor, até então escondidas sob sua imagem de conquistador.

Aqueles fãs ávidos por revelações de alcova vão se decepcionar. Não há, como diria Cazuza, nenhum segredo de liquidificador.

Mas há Brasil no livro. Spitz narra a desastrada passagem de Jagger pelo Rio de Janeiro, em 1985, onde rodaria o vídeo da música “Half a Loaf”.

O projeto não prosperou. Jagger foi enrolado por uns travestis cariocas e terminou, acreditem, “fugindo escondido na traseira de um caminhão”, conta Spitz.

Mais Brasil, impossível.

Mas há uma história curiosa envolvendo o escritor Truman Capote que acompanhou os Stones durante a turnê americana de 1972.

Entediado com a rotina de festas regada a muito sexo, drogas e rock’n roll, o autor de “A Sangue Frio” entrou em depressão e abandonou a turnê.

A propósito, hoje é o aniversário de 69 anos do roqueiro que nasceu em 26 de julho de 1943. Parabéns, Brenda!

Reinaldo Azevedo mostra a tua alma

Reinaldo Azevedo escreveu em seu blogue no portal de “Veja” que os veículos de comunicação não dependem das estatais para existir.

Sério? Não diga!

O blogueiro de “Veja” que se intitula analista político, diz que nunca recorreu ao deboche e a baixaria, mas certa vez sugeriu um bouquete ao então presidente Lula.

Ora, o próprio Azevedo, quando dirigia a revista “Primeira Leitura”, da qual era sócio, recebeu recursos da Nossa Caixa. Mas na época, governo FHC, tudo era permitido.

Resumo da ópera: Reinaldo Azevedo pode parecer cara de pau, se comportar como cara de pau, e falar como cara de pau, mas não se engane, ele é mesmo um cara de pau.

Se “Veja”, por exemplo, não depende de recursos públicos por que não cancelam o milionário contrato que mantém com o governo de São Paulo?

Na edição desta semana, por exemplo, seu maior anunciante é o Ministério da Educação, com oito páginas. Há também uma página dos Correios.

A revista da Abril podia se inspirar no exemplo do jornalista Hubert Beuve-Méry, que  quando dirigia o jornal francês “Le Monde” recusava convite até para jantar.

Coerente, ele dizia a seus jornalistas que só aceitassem convites do governo para almoçar com a condição de cuspir no prato. Hubert sabia que a objetividade não existe, mas honestidade, sim. Seu lema era dizer a verdade, custe o que custar. Sobretudo se custar.

Quando ele pediu demissão do comando do jornal em 1951, os leitores exigiram seu retorno imediato.

O “Le Monde” foi abertamente contra a conduta do governo francês na Argélia. No auge do conflito, quando o governo assegurava que estava tudo calmo lá, o jornal escreveu: “A Argélia está calma: as crianças morrem sem chorar”.

A posição anticolonialista levou o primeiro-ministro, o socialista Guy Mollet, impedir que o jornal reajustasse preço de venda em banca, sua principal fonte de renda. O que fizeram os leitores? Depositaram a diferença na sede da empresa.

Os veículos brasileiros, “Veja” em particular, se quisessem moralizar alguma coisa, podiam agir como Beuve-Mery. Esse negócio de “FAÇA O QUE EU DIGO, MAS NÃO O QUE EU FAÇO” é conversa para leitor desavisado dormir.