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Dois pesos, dois mensalões

Paulo Moreira Leite desmonta com argumentos as teses de certos colunistas do PIG sobre mensalão. Segue na íntegra:

Leio e ouço que a decisão da primeira fase do STF mostra que os tempos estão mudando e que a votação de 9 a 2 contra os réus indica uma opção contra a impunidade.

Confesso que sempre gostei de Bob Dylan e sou daqueles que acreditam e torcem por mudanças. Mas não sei se é isso o que estamos assistindo. Mudança, no Brasil, é conseguir o básico. No caso da Justiça, garantir direitos iguais para todos, qualquer que seja sua cor, credo, condição social ou opinião política. Será que é isso que estamos vendo?

Estrelado pelo mesmo esquema, com personagens iguais e outros, equivalentes, o mensalão mineiro segue quieto lá nas Alterosas.

O tratamento desigual para situações iguais é constrangedor. Ao dar uma entrevista a Monica Bergamo, o relator Joaquim Barbosa lembrou que a imprensa nunca deu a mesma importância ao mensalão mineiro. Ele até disse que, quando tocava no assunto, os repórteres reagiam com um “sorriso amarelo.”

Eu acho bom quando um ministro do Supremo se refere ao tratamento desigual que parte da mídia dispensou aos dois mensalões. Mostra que isso não é “coisa de mensaleiro petista ” não é mesmo?

Mas há outro aspecto. O fato da imprensa dar um tratamento desigual é um dado da política brasileira e, no fim das contas, diz respeito a um jornal e seus leitores. Como leitor, eu posso até achar que a imprensa deve tratar todos da mesma maneira, deve procurar ser isenta mas a liberdade de expressão garante que todo jornal e todo jornalista tenha suas preferencias, suas prioridades e opções. Salvo patologias criminosas, todos têm o direito o direito de exercitá-las. Continuar lendo

Freud talvez explique o ódio desse homem

Meus amigos devem conhecer o bonitinho aí da foto. Trata-se de do jornalista José Neumanne.

Redator de música do jornal “O Norte”, de João Pessoa, no início da década de 1970, Neumanne foi pautado para assistir Elba Ramalho no início da carreira e arrasou com seu show. Escreveu que como cantora, Elba jamais passaria de Campina Grande, sua cidade natal.

Se como crítico de música, Neumanne foi incapaz de reconhecer o talento de sua conterrânea, imaginem como analista político? Pois bem, esse bocó, acreditem, é articulista do jornal “Estado de S. Paulo”.

Seu esporte favorito é falar mal de Lula de quem, diz, foi amigo. O ex-presidente já o desmentiu. Neumanne além de seus artigos furiosos, também escreveu um livro cujo alvo é… Lula.

Freud talvez explique esse ódio.

Henrique Alves flagrado fazendo lobby por sócio que disputa contrato público de R$ 7 bilhões

O Brasil aos poucos vai conhecendo o talento de certos políticos potiguares. É o caso do deputado e líder do PMDB Henrique Eduardo Alves acusado de fazer lobby por sócio que disputa contrato público de R$ 7 bilhões.

É o que informa o “Estado de S.Paulo” desta quarta-feira. Novas denúncias serão publicadas em breve pelo jornal que não participa do pacto para proteger o deputado como “Veja” e as organizações Globo. Segue reportagem do “Estadão”:

Líder do PMDB na Câmara e pré-candidato à Presidência da Casa, o deputado Henrique Eduardo Alves faz lobby no Tribunal de Contas da União para que um de seus sócios obtenha o contrato de concessão da BR-101, entre o Espírito Santo e a Bahia. O negócio envolve cerca de R$ 7 bilhões.

O parlamentar do Rio Grande do Norte tem acompanhado representantes do Consórcio Rodovia Capixaba em reuniões para apresentar argumentos em favor do grupo de empresas aos ministros da corte, que decidem nesta quarta-feira, 29, sobre processo que pode beneficiá-las na disputa pelo contrato.

“Fiz um favor pessoal a um empresário meu amigo”, disse ao Estado o deputado peemedebista.

A concessão da BR-101 é a primeira do governo Dilma Rousseff e está parada no TCU e na Justiça por questionamentos da Rodovia Capixaba, segunda colocada no leilão do trecho, à classificação, em primeiro, do consórcio Rodovia da Vitória. Após sucessivos adiamentos, o tribunal marcou para esta quarta julgamento de recurso do Ministério Público junto ao TCU para impedir a contratação do grupo vencedor por supostas falhas na proposta.

Sócios. Na última semana, Alves percorreu gabinetes do TCU, na companhia de um advogado e de uma diretora da empresa Caraíva Participações, conversando com ministros e distribuindo documentos com a defesa da Rodovia Capixaba. A Caraíva é sócia do deputado na TV Cabugi, do Rio Grande do Norte, e tem participação na Tervap Pitanga Mineração e Pavimentação, uma das seis empresas integrantes do consórcio derrotado.

O processo estava na pauta do TCU, órgão auxiliar do Legislativo, na quarta-feira da semana passada. Na véspera, Alves cumpriu roteiro em gabinetes de ministros, entre eles os de Walton Alencar e Aroldo Cedraz. Em sessão do tribunal, no dia seguinte, o ministro Raimundo Carreiro, relator do caso, retirou o processo de votação, alegando não ter tido tempo de estudá-lo – cabe ao relator, antes de marcar o julgamento, preparar um voto, tendo como base relatório da área técnica. Continuar lendo

Queremos uma cidade para pessoas. Não para carros

Os candidatos a prefeito da Taba deviam ler “Cidades para pessoas”, do urbanista dinamarquês Jan Gehl. Teriam ótimas ideias para suas campanhas e acabariam com esse blablablá inútil do horário eleitoral que só serve mesmo para encher nosso saco.

Gehl liderou a transformação de Copenhague. A prefeitura construiu uma extensa malha de pistas, oferecendo às pessoas segurança e conforto para pedalar. Deu tão certo que cada vez mais gente usa a bicicleta como meio de transporte. Os números mostram que 57% dos habitantes vão ao trabalho pedalando.

Gehl também é consultor de Michael Bloomberg, e co-autor das “100 propostas ambientais” que o prefeito pretende implantar em Nova York nos próximos 15 anos.

A meta de Bloomberg é construir 5 mil quilômetros de ciclovias e tornar a cidade a mais verde do mundo plantando um milhão de novas árvores na paisagem urbana de Manhattan. Atuamente são quase 700 quilômetros de ciclovias.

“Se erguermos praças e ciclovias boas e seguras, estaremos incentivando as pessoas a andar de bicicleta ou mesmo a pé”, diz Gehl, cujas ideias tem um seguidor de peso no Brasil. Trata-se do prefeito do Rio, Eduardo Paes, que vem investindo em um ambicioso programa de reflorestamento urbano e em ciclovias.

Fico imaginando qual seria a reação de Gehl com o projeto da governadora Rosalba Ciarlini de ampliar a avenida Roberto Freire.

Sim, porque Gehl é radicalmente contra a construção de viadutos em áreas urbanas, como quer a bocó de Mossoró. Ele considera um estimulo para que as pessoas usem mais e mais carros.

As ideias de Gehl adotadas por Bloomberg, surtiram efeito. Nova York hoje está mais verde, limpa e agradável. Quando essas ideias chegarão por aqui? Eis a questão.

 

Do alto parece o paraíso. Embaixo é o inferno

Natal impressiona vista de cima, da janela do avião, mas lá embaixo, no nível do olho humano, tudo névoa a nada.

Ela não cumpre nenhum dos critérios que fazem de uma cidade um lugar bom para viver. As ruas são esburacadas e sujas, as calçadas desniveladas, as praças são escassas e mal cuidadas e quase não há árvores.

E quando chove é um horror!

Mentiroso e ordinário

Em artigo no Estadão, Arnaldo Jabor diz que a “turma de Lula” tenta sabotar o governo de Dilma. A “turma de Lula”, segundo o cineasta travestido de colunista, são aqueles que achavam que Dilma seria um cover do sapo barbudo. É mesmo, Jabor? Mas não eram vocês que diziam que Dilma era um poste?

Jabor, além de mau caráter, é mentiroso. Diz que Lula roubou o Plano Real de FHC, mas esquece de mencionar Itamar Franco que respaldou o plano criado por Pérsio Árida e equipe.

O cineasta travestido de colunista podia refrescar a memória dos seus leitores contando como FHC quebrou o Brasil duas vezes.

Pela lógica de Jabor, o republicano Richard Nixon teria roubado o New Deal do democrata Franklin Delano Roosevelt.

O que foi o New Deal? Um programa implementado nos anos 1930 com o objetivo de recuperar e reformar a economia norte-americana, combalida pela Grande Depressão.

O que fez Roosevelt? Diminuiu a jornada de trabalho, criou o salário mínimo, o seguro-desemprego e o seguro-velhice (para os maiores de 65 anos) e investiu bilhões de dólares em obras públicas: usinas hidrelétricas, barragens, pontes, hospitais, escolas, aeroportos etc.

Seguem trechos do artigo de Jabor:

Já começou o circo da propaganda eleitoral, o desfile de horrores da política brasileira. Será um trem fantasma de caras e bocas e bochechas que traçam um quadro sinistro do Brasil, fragmentado em mil pedaços – o despreparo, a comédia das frases, dos gestos, da juras de amor ao povo, da ostentação de dignidades mancas.

Os candidatos equilibram bolas no nariz como focas amestradas, dão “puns” de talco, dão cambalhotas no ar como babuínos de bunda vermelha, voando em trapézios para a macacada se impressionar e votar neles. Os candidatos têm de comer pastéis de vento, de carne, de palmito, buchada de bode e dizer que gostou, têm de beber cerveja com bicheiros e vagabundos, têm de abraçar gordos fedorentos e aguentar velhinhas sem dente, beijar criancinhas mijadas, têm de ostentar atenção forçada aos papos com idiotas, têm de gargalhar e dar passinhos de “rebolation” quando gostariam de chorar no meio-fio – palhaços de um teatrinho absurdo num país virtual, num grande pagode onde a verdade é mentira e vice versa.

Ninguém quer o candidato real; querem o que ele não é. A política virou um parafuso espanado que não rola mais na porca da vida social, mas todos fingem que só pensam no povo e não em futuras maracutaias.

O Brasil vive um momento de suspense, de duvidas, do “será?”. Haverá condenados no mensalão? Dilma vai conseguir governar? Ninguém sabe o que vai acontecer. Só nos resta o mau ou bom agouro, o palpite, a orelha coçando, o cara ou coroa. Continuar lendo

Por 49 dólares, americano transforma qualquer porcaria em obra-prima

Há gente que tem opinião e há gente que vende opinião. O americano Todd Rutherford integra o segundo time. Seu negócio é escrever resenhas elogiosas que vão parar na Amazon, o maior portal de compras da internet.

Os jornais americanos deram enorme destaque a Rutherford nesta segunda-feira. Ao preço de 49 dólares, Rutherford transforma qualquer porcaria em uma obra-prima.

E ninguém pode acusá-lo de propaganda enganosa, pois tudo é feito às claras, ou seja, através do site GettingBookReviews.com. como informa o “Wall Wall Street Journal”.

Pergunta que não quer calar: quem é o Rutheford papa-jerimum? Para ler a reportagem na íntegra, clique aqui.

O dia em que o Brasil quebrou

Para aquelas pessoas que acham que o Brasil teve um passado economicamente glorioso, sugiro ler reportagem do “Valor Econômico” do dia 10 passado em que os jornalistas Ribamar Oliveira e Claudia Safatle, da sucursal de Brasília, contam o dia em que o país quebrou. Era o ano de 1982, vivíamos os últimos anos do regime militar agora sob o comando do general João Figueiredo.

“Começou ali a longa e terrível crise da dívida, a ‘década perdida’, o fim do modelo de crescimento vigoroso do país, sustentado no endividamento externo e na substituição de importações. A mãe de todas as crises que o Brasil veio a viver depois. Algo só comparável à agonia dos países da zona do euro hoje”, escreve os jornalistas.

Seguem trechos da reportagem:

Valor Econômico - Por Claudia Safatle | De Brasília

Sexta feira, 13 de agosto de 1982. Na tarde seca de Brasília, o chefe do departamento de operações das reservas internacionais do Banco Central (BC), Carlos Eduardo de Freitas, recebeu um telex de uma agência internacional com a notícia de que o governo do México acabava de decretar a moratória da dívida externa. Com o papel na mão, ele subiu às pressas para a sala do diretor da área internacional do BC, José Carlos Madeira Serrano, abriu a porta e soltou um palavrão: “F…!” O diretor leu o telex e disparou: “PQP! Tenho que avisar o Galvêas!”

A dramaticidade do evento justificava o vocabulário: há 30 anos, o Brasil quebrou. Começou ali a longa e terrível crise da dívida, a “década perdida”, o fim do modelo de crescimento vigoroso do país, sustentado no endividamento externo e na substituição de importações. A mãe de todas as crises que o Brasil veio a viver depois. Algo só comparável à agonia dos países da zona do euro hoje.

A moratória mexicana, precedida da Guerra das Malvinas (disputa entre a Argentina e a Inglaterra pelas ilhas Malvinas), contaminou todos os países endividados. O governo brasileiro, no entanto, acreditou que ainda seria possível evitar o desastre. O ministro da Fazenda, Ernane Galvêas, seguiu em setembro para a reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Toronto, no Canadá, confiante em que o Fundo decidiria criar uma linha de financiamento emergencial que estava em discussão, de US$ 25 bilhões, e que poderia chegar a US$ 100 bilhões, para socorrer os países afetados pelo endividamento.

A reunião de Toronto foi um fiasco. Nem o FMI nem os bancos privados nem os governos avançaram na construção de saída alguma.

Galvêas só ficou sabendo naquela reunião que o Brasil “era a bola da vez”, que quebraria. “Não tínhamos ideia da repercussão da moratória do México. A Polônia já estava em moratória, a Argentina também. Estávamos sentindo os problemas, mas não tínhamos a extensão do prejuízo. Foi quando o Edmond Safra [o banqueiro, morto em 1999] me falou: “Galvêas, você vai levar um tranco pra valer. Se previna, porque os bancos não vão mais lhe dar dinheiro” “.

O clima havia mudado radicalmente. O Brasil não seria mais aquele país que crescia a taxas de “milagre” econômico. O diretor do BC, Serrano, após a reunião de Toronto, comentou com Freitas: “Há um ou dois ano éramos cortejados. Agora somos evitados. A gente chega numa rodinha, num coquetel, e a rodinha se desfaz”.

Galvêas saiu à procura dos banqueiros, mas não conseguiu sequer saber se eles estavam no Canadá. Cancelou viagem que faria à Suécia e pegou a mala para Nova York. Lá também ficou a ver navios. Não obteve sucesso na busca dos dirigentes dos principais bancos credores e retornou a Brasília.

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Obra de Jesus desfigurado poderá seguir exemplo de Monalisa

O afresco Ecce Hommo, do artista Elías García Martínez, pintado em um dos muros da igreja do Santuário de Misericórdia de Borja, na Espanha, tem tudo para se tornar ícone depois de uma restauração mal feita por uma velhinha de 81 anos.

A obra poderá repetir Monalisa, de Leonardo da Vinci, que ficou famosa depois que sumiu do Louvre, em 1911.

Depois da restauração tem-se um retrato irreconhecível de Jesus, que aparece com feições infantis, coroa de espinhos transformada em algo parecido com cabelo e sem barba.