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“Não recebi um país sob intervenção do FMI ou sob a ameaça de apagão”, diz Dilma respondendo aFHC

Do Blog do Planalto

A presidenta Dilma Rousseff afirmou hoje (3), em nota oficial, ter recebido uma herança bendita do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dilma afirmou ter recebido um país com economia sólida, crescimento robusto e inflação sob controle. Leia abaixo a íntegra da nota:

Citada de modo incorreto pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em artigo publicado neste domingo, nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, creio ser necessário recolocar os fatos em seus devidos lugares.

Recebi do ex-presidente Lula uma herança bendita. Não recebi um país sob intervenção do FMI ou sob a ameaça de apagão.

Recebi uma economia sólida, com crescimento robusto, inflação sob controle, investimentos consistentes em infraestrutura e reservas cambiais recordes.

Recebi um país mais justo e menos desigual, com 40 milhões de pessoas ascendendo à classe média, pleno emprego e oportunidade de acesso à universidade a centenas de milhares de estudantes.

Recebi um Brasil mais respeitado lá fora graças às posições firmes do ex-presidente Lula no cenário internacional. Um democrata que não caiu na tentação de uma mudança constitucional que o beneficiasse. O ex-presidente Lula é um exemplo de estadista.

Não reconhecer os avanços que o país obteve nos últimos dez anos é uma tentativa menor de reescrever a história. O passado deve nos servir de contraponto, de lição, de visão crítica, não de ressentimento. Aprendi com os erros e, principalmente, com os acertos de todas as administrações que me antecederam. Mas governo com os olhos no futuro.

Dilma Rousseff
Presidenta da República Federativa do Brasil

Por que ninguém chorou a morte por asfixia econômica da Falha de S. Paulo?

Paulo Nogueira impiedoso com a “Folha de S.Paulo” ou seria mesmo “A Falha de S.Paulo”? Segue na íntegra:

Ainda que tarde, fica registrada aqui a estranheza do Diário sobre a morte por asfixia econômica da Falha de S. Paulo.

Soube do caso ao escrever sobre a participação de Diogo Mainardi no Roda Viva. Vi então que um jornalista fora desconvidado pelo programa. Era ele, o editor da cassada e caçada Falha de S. Paulo.

É um caso que mereceria uma discussão na imprensa brasileira, certamente. Mas, pelo que entendo, a mídia tradicional ignorou o assunto.

Era uma sátira da Folha, e o jornal conseguiu nos tribunais tirá-la do ar com argumentos jurídicos de duvidosa qualidade — se pensarmos que a Folha se autoproclama uma campeã da liberdade de expressão. A eles se juntou uma pressão econômica ignominiosa: os irmãos responsáveis pela Falha, Lino e Mário Bocchini, jovens da classe média paulistana, simplesmente quebrariam se não tirassem rapidamente o site do ar.

A mídia brasileira gritou, há pouco, quando o jornalista equatoriano Emilio Palacio foi processado pelo governo de Rafael Correa e condenado a pagar uma multa pesada – afinal perdoada.

Palacio — arquiconservador, uma espécie de Reinaldo Azevedo de poncho, apenas com mais poder, uma vez que tinha o cargo de editor de opinião do principal jornal equatoriano — costuma chamar Correa de Grande Ditador, com maiúsculas, num absoluto desprezo não apenas ao presidente mas aos milhões de equatorianos que o elegeram não uma, mas duas vezes. A administração de Correa é, nos artigos de Correa, “a Ditadura”.

Sabemos o que é ditadura. Palacio seria bem menos corajoso se estivesse sob uma de verdade. Sob Pinochet, por exemplo. É, como seu duplo brasileiro, o falso herói, aquele que se voluntaria para lutar quando não há guerra. Hoje, Palacio está nos Estados Unidos, de onde continuará, bravamente, a combater a vontade de seu povo como se fosse um mártir da liberdade.

Mas nenhuma voz se ergue em defesa da inofensiva Falha de S. Paulo. Vejo que o argumento para bani-la é que ela é uma ameaça à marca Folha de S. Paulo. Hahaha. Falha de S. Paulo é um apelido carinhoso que os paulistanos deram à Folha há muito tempo. Seus próprios jornalistas muitas vezes se referem assim a ela nas conversas informais. A Falha é, ou era, simplesmente uma paródia, uma brincadeira, uma comédia.

Teria feito sentido o Estado de S. Paulo, em 1921, pedir que a recém-fundada Folha de S. Paulo fosse suprimida pela semelhança do produto e pelo uso de S. Paulo no logotipo? E a AOL deveria tentar liquidar o UOL?

Foi um ato de intolerância e intimidação o que a Folha fez com a Falha, um mau momento que remete à empresa que, na escuridão espessa, sob as ordens de seu dono — Octavio Frias, que Clóvia Rossi adora dizer que era um grande jornalista  –, emprestava carros para a ditadura militar perseguir e matar opositores. Se é verdade que as pessoas podem confundir as duas pela semelhança das marcas —  uma enorme, outra composta de dois irmãos —  então a Folha tem um problema sério de conteúdo e e identidade, e ele não vai ser resolvido com a extinção da Falha.

Da série porque amo NY: Latino expulso de boate no Village

Da série porque amo Nova York: O cantor Latino foi expulso de uma boate no Village, sábado à noite! Vocês sabem, NY não é lugar de maracatu.

O motivo? O visual brega do cantor que, segundo o jornal “Extra”, não foi aprovado pelo padrão da boate Catch. “Já na entrada, o segurança da porta avisou que o estilo do cantor não era adequado ao local e pediu que ele tirasse os óculos escuros e escondesse a corrente pendurada no pescoço”, informa o “Extra”.

Lá dentro ele colocou os óculos novamente e pôs a corrente para fora da camiseta. Flagrado pelos seguranças, ele foi obrigado a se retirar.

Viva Nova York!

Na PB o dinheiro público serve ao interesse público; no RN aos interesses de uma família

As diferenças entre Paraíba e Rio Grande do Norte são imensas. Lá o dinheiro público serve ao interesse público. No RN aos interesses de uma família.

Enquanto aqui a governadora Rosalba Ciarlini pretende torrar 220 milhões num trecho de três quilômetros de avenida que inclui a derrubada de árvores, além da invasão do Parque das Dunas para “melhorar” o trânsito, lá Ricardo Coutinho apresenta um projeto de mobilidade urbana que vai beneficiar praticamente toda João Pessoa sem causar nenhum dano ambiental a cidade mais verde do Brasil.

Estimado em 260 milhões de reais, o projeto prevê a criação de faixas exclusivas para ônibus articulados em três áreas: as avenidas Epitácio Pessoa, Cruz das Armas e Pedro II, construção de um terminal de integração de transportes urbanos que seria ligado a uma estação de VLT (Veículo leve sobre trilhos) e 28 km de ciclovias.

Ademais, só para matar de inveja certos bocós, seguem fotos de Cabo Branco feitas por este blogueiro.

Eduardo Campos e PT se unem em Mossoró para derrotar candidata de Agripino Maia

A governadora Rosalba Ciarlini (DEM) não aceita perder em Mossoró, sua cidade natal. Mas as coisas não andam muito bem para o lado dela e de seu padrinho, Agripino Maia. Pesquisas indicam que se a eleição fosse hoje, a candidata do Democratas Claudia Regina perderia para Larissa Rosado com uma diferença de 10 pontos.

Sábado a oposição realizou uma grande carreata pelas ruas de Mossoró e contou com a participação do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e do vice-governador do RN, Robinson Faria, que rompeu politicamente com Rosalba há um ano.

Em Mossoró, socialistas e petistas estão no mesmo palanque. O vice de Larissa, Josivan Barbosa, é do Partido dos Trabalhadores.

Ah, sim, antes que esqueça, o governo de Rosalba Ciarlini é desaprovado por quase 70%, da população. O que isso significa? Que o RN está à deriva!

O papelão de Clint Eastwood na Convenção Republicana

Os fãs e admiradores de Clint Eastwood ainda estão perplexos com a atuação do ator na convenção Republicana. Clint não é um calouro. Tentou ser vice do ex-presidente de Bush (pai), mas não conseguiu apoio para sua candidatura. Acabou prefeito da pequena Carmel.

O jornalista Paulo Nogueira escreveu sobre a patética participação de Dirty Harry na festa do Tea Party. Segue abaixo:

E não se fala de outra coisa nos Estados Unidos: a bizarra conversa entre Clint Eastwood e uma cadeira vazia na convenção republicana que sagrou Mitt Romney como o adversário de Obama em novembro. “Uma das cenas mais estranhas da política americana”, escreveu o Washington Post.

De fato.

Na cadeira vazia estava, imaginariamente, Obama. Foi o suficiente para que no twitter imediatamente surgisse uma conta chamada “Invisible Obama”, com milhares de seguidores em minutos.

Clint estava dando uma dura em Obama. Ao longo de dez minutos, cobrou a realização das promessas. Disse que quem não entrega tem que ser demitido.

A verdade é que pareceu mais um ato cômico do que político, uma espécie de piada pronta. Poucos parecem acreditar que o monólogo de Clint ajudará Romney. Infelizmente para Clint, seu ato com o Obama Invisível se eternizará, e competirá com momentos extraordinários de sua carreira aos olhos da posteridade.

Não foi a única palhaçada da convenção republicana. O vice de Romney, Paul Ryan, ao criticar Obama, falou no fechamento de uma fábrica da GM. Na verdade, essa fábrica foi fechada na gestão de George W Bush, republicano como Ryan e Romney. Continuar lendo

A língua é minha pátria

Um texto saboroso de Ruy Castro sobre a língua portuguesa para celebrar a semana da independência e o feriado que se aproxima. Segue na íntegra:

RUY CASTRO

Numa próxima ida a São Paulo, vou voltar ao Museu da Língua Portuguesa. Acabo de saber (“Ilustrada”, ontem) que os textos de seu espaço expositivo ainda estão na velha ortografia -ou seja, na língua como a conhecíamos, antes do “acordo” assinado em 2008 por parte dos membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (leia-se o Brasil). Preciso fazer isto antes de 31 de dezembro, quando a nova ortografia será obrigatória, e o trema, por exemplo, irá se juntar aos extintos mamutes, pterodáctilos e leitores de Pearl S. Buck.

Lá, terei o prazer de ler palavras como “pingüim”, “lingüista” ou “desmilingüido”, com o velho trema. Penso até em lê-las em voz alta, se ninguém estiver olhando, e lambendo cada trema como Chicabon-antes que sejam reduzidas a “pinguim”, “linguista” e “desmilinguido” e assim comecem a ser ditas pelos jovens que não sabem como elas soavam. Aliás, passei pelo problema outro dia nesta coluna, quando reproduzi o trecho da letra do samba “O Pato”, que diz “O pato/ Vinha cantando alegremente/ Quem-quem”.

Escrevi, como sói, “qüem-qüem”, mesmo sabendo que meus tremas não chegariam vivos ao jornal impresso, e que a única pessoa que leria “quem-quem” como “qüem-qüem” seria o professor Evanildo Bechara, um dos autores da reforma. Quando a coluna saiu, submeti-a a alguns jovens pouco versados em bossa nova. Todos pronunciaram “quem-quem”. E se, um dia, Evanildo for chamado de “linguista”, e não “lingüista”? Continuar lendo