Aílton Medeiros
"Não consigo tomar partido por um sujeito, por um partido, por uma classe, por um país, por um filósofo, ou mesmo por uma filosofia, por um poeta, por uma escola literária, por um regime político. Tenho horror ao um..." (Alceu Amoroso Lima)

A CAMISETA É SÓ UM DETALHE II

A visita de David Beckham a Natal, quem diria, acabou sendo tema da coluna do professor Pasquale Cipro Neto hoje na “Folha”.

Escreve Cipro Neto:

ESTAVA NA “CAPA” DE UM SITE, na última terça: “Beckham visita o Brasil e usa foto de esposa na camiseta”. A frase ficou um bom tempo no ar. Alguém notou a impropriedade e trocou “esposa” por “Victoria” (a lady Beckham), mas suprimiu o artigo que precede “Brasil”.
E qual é a impropriedade? Há duas. A primeira está em “usa foto na camiseta” (o que se usa é a camiseta). A segunda está no uso de “de” em vez de “da” antes de “esposa”.
Para ir aos porquês dessa história, convém fazer algumas observações sobre o uso dos artigos definidos nos títulos jornalísticos. Como o leitor certamente sabe, os artigos definidos não iniciam os títulos (às vezes, aparecem no interior deles), o que ocorre há pelo menos bons 20 anos.
Na memorável exposição de algumas das capas históricas da Folha, que saúda quem chega à Redação do jornal, vê-se este título, da edição de 18 de julho de 1934: “O governo norte-americano mostra-se preoccupado com o movimento…” (“preoccupado” mesmo, com “cc”).
Na edição de 23 de agosto de 1942, vê-se estoutro: “O Brasil, em face dos atentados contra sua soberania, reconhece o Estado de Guerra com a Itália…”. Note que no primeiro título há artigo antes de “governo” (“O governo norte-americano”); no segundo, antes de “Brasil”. Hoje, esses títulos não ocorreriam. O primeiro certamente começaria com “governo”; o segundo, com “Brasil”. Destaquem-se também o léxico e a ordem do segundo título (a expressão “em face dos atentados” jamais constaria de um título de hoje; o sujeito a quilômetros do verbo, também não).
A abolição do artigo definido no início (e muitas vezes no interior) dos títulos teve como base a tentativa de manchetar a notícia, dando-lhe aspecto mais neutro ou impessoal. Até aí, tudo bem. Acostumamo-nos tanto a isso que já lemos com naturalidade manchetes como “Forças Armadas alugam…” (da Folha da última segunda). Há um quarto de século, esse título certamente começaria com o artigo (“As Forças Armadas alugam…”).

Para ler integralmente o texto clique aqui.

2 respostas para 'A CAMISETA É SÓ UM DETALHE II'

  1. Mariana Araújo Diz:

    Meu senhor, devo dizer: Se eu fosse avaliar os jornais que analisei durante 14 meses no último estágio (JH, OM, GO, DF, TN e DN) problemas de impropriedade como este ocorrido com Beckham, não seria um cisco no olho, comparado às atrocidades que encontrei em todos eles, todos os dias, em várias páginas.
    Fato é que o imediatismo, e a sobrecarga nas redações atrapalha um bocado. Mas na minha opinião, isso ainda não justifica.
    (um dia mordo minha língua, ou os dedos, no caso…rs)

  2. Adailton Figueiredo Diz:

    Pelo amor de Deus! chega desse assunto! Basta de tanta nota com esse moço; sua camiseta, sua mulher, seu empreendimento, seus fãs e seus críticos… chega:esgotou-se a paciência… ô povinho provinciano!

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