À ESPERA DOS BÁRBAROS
Ando deprimido ultimamente, não por conta do meu Botafogo que anda apanhando dentro e fora dos gramados, mas com o caráter humano de certas pessoas que por dinheiro são capazes de tudo.
Diante do que ando lendo e vendo, quero expressar minha indignação através de um poema de Konstntinos Kaváfis. Para quem nunca ouviu falar em Kaváfis, aqui vão algumas considerações sobre esse grego nascido no Egito.
Kaváfis é considerado o maior poeta grego moderno (há quem compare sua trajetória poética a de Fernando Pessoa, como é o caso do crítico José Paulo Paes).
Os dois só vieram a ser conhecidos do grande público após a morte. Pessoa publicou em vida um único livro, “Mensagem”, Kaváfis nem isso.
A obra de Kaváfis é pequena, composta de 154 poemas, todos curtos. A exceção é “À espera dos bárbaros”. Nele, o poeta expressa todo o seu desencanto e pessimismo com a sua época (Kaváfis foi uma espécie de saudosista do mundo helênico).
Ah, sim, quem quiser se aprofundar um pouco mais sobre o assunto, sugiro, além de seus poemas, a leitura do livro de Paes que integra a coleção Sabor Literário.
Segue o poema na tradução de José Paulo Paes:
O que esperamos na ágora reunidos?
É que os bárbaros chegam hoje.
Por que tanta apatia no senado?
Os senadores não legislam mais?
É que os bárbaros chegam hoje.
Que leis hão de fazer os senadores?
Os bárbaros que chegam as farão.
Por que o imperador se ergueu tão cedo
e de coroa solene se assentou
em seu trono, à porta magna da cidade?
É que os bárbaros chegam hoje.
O nosso imperador conta saudar
o chefe deles. Tem pronto para dar-lhe
um pergaminho no qual estão escritos
muitos nomes e títulos.
Por que hoje os dois cônsules e os pretores
usam togas de púrpura, bordadas,
e pulseiras com grandes ametistas
e anéis com tais brilhantes e esmeraldas?
Por que hoje empunham bastões tão preciosos
de ouro e prata finamente cravejados?
É que os bárbaros chegam hoje,
tais coisas os deslumbram.
Por que não vêm os dignos oradores
derramar o seu verbo como sempre?
É que os bárbaros chegam hoje
e aborrecem arengas, eloqüências.
Por que subitamente esta inquietude?
(Que seriedade nas fisionomias!)
Por que tão rápido as ruas se esvaziam
e todos voltam para casa preocupados?
Porque é já noite, os bárbaros não vêm
e gente recém-chegada das fronteiras
diz que não há mais bárbaros.
Sem bárbaros o que será de nós?
Ah! eles eram uma solução.




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28/06/08 às 16:18
Ailton, eu também ando perplexa com o tempo em que vivemos e o que presenciamos. Tento em vão fazer um juízo crítico da realidade e penso: tudo o que aprendemos não nos serve. Os conceitos da ciência política envelheceram ou envelhecemos nós? O que é situação, o que é oposição neste País de todos?
28/06/08 às 19:24
A nostalgia duma época de ouro, duma aurora magna da humanidade, serve mais como um arquétipo a guiar-nos, do que uma necessidade dum tempo havido. Os grandes homens sempre existem para iluminar os noviços, Goethe diz-nos nas suas últimas palavras: Mais luz !, a decepção que a política em geral causa, é um sintoma de que a força moral da humanidade não está sendo suficiente, para sufocar suas forças inferiores e destruidoras, que hoje tem um desenvolvimento excepcional, onde essa produção de armas mortíferas é a parte mais visível. E para não darmos razão a Nietzsche, de que o mal é a única força que existe, pois esse filósofo nunca amou, não nos esqueçamos que o amor sozinho se basta, pois é suficiente para preencher todos os momentos de uma vida.
29/06/08 às 0:54
Vamos deixar de BESTEIRA e, vamos transar, é TRANSAR relazar e Gosar. Viva a Marta Suplicy!
29/06/08 às 7:57
Ei JMS, melhor melhor gozar com Z e relaxar com X, facilita a assimilação.
29/06/08 às 9:54
É isso aí, Aílton!
Eu captei a mensagem – como dizia o saudoso Rolando Léro.
Os bárbaros estão chegando – o prêmio bárbaro também.
É a publicidade em alta.
Quando os bárbaros chegarem tudo muda.
A soma é alta, o luxo idem, a mordomia, o esbanjamento, a cota, o cifrão.
São os bárbaros…
29/06/08 às 12:42
Soledade hoje em dia situação é tudo que é favorável a Lula. Oposição é tudo que é contra ele.