A FOLHA ESQUECEU DE FAZER JORNALISMO
O ombudsman da “Folha”, Carlos Eduardo Lins da Silva, faz uma análise sobre o caso Lina/Dilma e critica a própria cobertura do jornal no episódio. O título acima é meu. Confiram:
O assunto da tal reunião entre Lina Vieira e Dilma Rousseff é complexo, mas é para isso que há meios de comunicação
O “FOI-NÃO FOI” ao Planalto da ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira para falar com a ministra Dilma Rousseff resultou na exposição pública do vespeiro de grupos políticos e sindicais que lutam pelo poder no órgão.
A Folha, que deflagrou o processo ao publicar entrevista de Vieira em 9 de agosto, na qual ela disse ter-se encontrado com Rousseff a sós “no final do ano passado”, não tem conseguido dar a seu leitor visão clara sobre que interesses de que pessoas estão em jogo nem esclarecer se a tal reunião de fato ocorreu e qual teria sido seu conteúdo e contexto.
O assunto é mesmo complexo. A ponto de um suposto peessedebista, Everardo Maciel, atacar a ex-secretária, que agora é estandarte da oposição, e o Ipea, acusado por antigovernistas de ter sido instrumentalizado pelo PT, divulgar estudo que serve como defesa de Vieira a qual, ao tomar posse, foi considerada ferramenta do PT para “destucanizar” a Receita.
Mas é para isso que existem os meios de comunicação: explicar situações difíceis de entender e relatar episódios complicados de reconstituir com segurança. O jornal não tem sido capaz de mostrar o que distingue a gestão de Vieira das anteriores. Afirma que as exonerações ocorridas após a sua saída constituem “a mais grave crise da história da Receita”, mas não o comprova (por exemplo, comparando quantos funcionários de alto e médio escalões deixaram as funções quando ela assumiu).
Na quinta-feira, classificou o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Machado, como “eminência parda” da Receita, mas não o ouviu nem identificou sua posição no entrevero. Também não escutou o ex-secretário Jorge Rachid. E sua entrevista com o ex-secretário Everardo Maciel saiu com atraso, mais curta e menos enfática, em comparação com as que ele deu a outros veículos.
Também foi com atraso que o jornal noticiou que o marido de Vieira foi ministro interino do governo FHC, o que não é muito relevante, mas não deixa de ser curioso.
A Folha também não revelou se os demissionários, que dizem ter deixado seus cargos para impedir a “politização” do fisco, ficaram sem emprego ou perderam remuneração, dado que ajudaria o leitor a balizar o grau de abnegação e idealismo que lhes deve atribuir.
Passadas três semanas, ainda não se sabe quem mentiu. Estabelecer o que é mentira e se ela constitui sempre desvio ético ou às vezes pode ser admissível ou até louvável já ocupou as mentes dos maiores filósofos, que não chegaram a consenso, como revela o interessante livro recomendado abaixo.



Carregando...
30/08/09 às 20:32
Caro Ailton,
acredito que a imprensa local também deveria fazer revisão crítica sobre o caso, já que apresentou Lina como a grande defensora da ética e da moral e Dilma como tudo que há negativo no nosso país.
O maniqueísmo foi tão absurdo, que teve jornalista, dizendo que Lina Vieira poderia ser comparada ao motorista, que denunciou Fernando Collor e ao caseiro, que apontou os descaminhos de Antônio Paloci!
eheehehehe Pode?
31/08/09 às 10:24
Eminente Ailton
Lembro da derrubada do governo civil Jango Gourlat. Foi um supremo factóide lançado na midia, e reforçado todos os dias, segundo os ensinamentos do gênio do mal (uma mentira repetida mil vezes, torna-se verdade) e depois entraram as donas de casa de santana, e depois a UDN, e por fim os milicos e depois os câes de guarda fizeram o restante do trabalho, todos lembram o que aconteceu….
Pedrão