ABAIXO A PATRULHA
Luiz Carlos Barreto é produtor cinematográfico de grandes sucessos como “Dona Flor e seus Dois Maridos”, “O que É Isso, Companheiro?” e mais recentemente “Lula, o Filho do Brasil”.
Há seis semanas em cartaz, o filme já foi visto por 800 mil pessoas. “Lula, o Filho do Brasil”, conta a trajetória do presidente brasileiro, de Garanhuns onde nasceu, até se tornar líder sindical em São Paulo, nos anos 1980. Em artigo publicado neste domingo na “Folha”, Barretão critica o patrulhamento ideológico em torno do filme. Vale a pena ler. Confiram:
Abertura do Festival de Brasília, 17/11/09, primeira exibição pública de “Lula, o Filho do Brasil”. Enquanto o filme se desenrolava na tela, já estava em curso o massacre político promovido por um exército de escribas, comentaristas políticos, colunistas sociais improvisados, ex-militantes políticos de aluguel, cientistas políticos de plantão convocados a se manifestar apenas do ponto de vista especulativo sobre seu potencial político-eleitoral, afirmando que a eleição presidencial de 2010 seria decidida a partir da força emocional do filme.
Além da ingenuidade infantil dessa tese (ou de sua má-fé?), o que eles questionavam era o nosso direito de fazer um filme sobre o assunto que escolhemos. Pode-se fazer filmes sobre Bush, Berlusconi ou Mitterrand pelo mundo afora, como tem acontecido. Pode-se fazer filmes sobre Getúlio, Juscelino, Tancredo, Jânio ou o empresário Boilesen. Mas sobre Luiz Inácio da Silva, não.
Há os que viram (mais de 800 mil pessoas), os que não viram ainda e os que viram, mas não quiseram ver o filme como um filme com todos os seus méritos e valores cinematográficos, como testemunharam e assinaram embaixo Ziraldo (”Uma história bem contada e bem filmada.
Impossível não se comover”), Zuenir Ventura (”O filme mexe com a emoção e vai inundar os cinemas de lágrimas”) e Cacá Diegues (”A história de vida que esse filme conta com muita emoção nos ajuda a compreender melhor o valor da democracia, do direito de todos à liberdade e oportunidade”).
Falar dos méritos e eventuais deficiências desse filme de Fábio Barreto era uma obrigação dos críticos, e é claro que todo mundo tem direito de externar sua opinião, de gostar ou não gostar do filme que viu.
Mas, de tudo que li, poucos tiveram a honestidade intelectual e profissional de criticar o filme como uma obra cinematográfica, escolhendo contestar o direito que qualquer cineasta tem de fazer um filme sobre o assunto que bem entender. A maioria dos que escreveram sobre “Lula, o Filho do Brasil” preferiu este último caminho elitista, censor e autoritário.
Esse processo revela o espírito “patrulheiro” que ainda resta no Brasil como sequela do período autoritário da ditadura militar, quando Cacá Diegues denunciou as patrulhas ideológicas. O espanto é que, em pleno regime democrático que o Brasil vive e respira, haja lugar para esses procedimentos e expedientes antidemocráticos.
A democracia não é o regime que deve silenciar aqueles com os quais não concordamos, eliminá-los ou evitar que eles se manifestem. Na democracia, quando não estamos de acordo com alguma ideia que nos incomoda, produzimos a nossa para que haja um confronto livre entre as duas e a população possa escolher a sua alternativa. Mas os nossos detratores preferiram contestar nosso direito de realizar o filme, manifestando seu desejo antidemocrático de que esse filme jamais fosse feito ou exibido.
Toda a engenharia financeira foi montada às claras e de forma transparente. Desde a partida, decidimos não utilizar nenhuma forma de renúncia fiscal nem buscar o aporte de empresas estatais. Mesmo assim, levantaram-se dúvidas e insinuações de que estávamos utilizando recursos incentivados, acusações que serviam e serviram para provocar antipatia ética pelo filme, pondo em segundo plano suas qualidades cinematográficas.
Agora estamos reformulando algumas estratégias do lançamento comercial, que está iniciando sua sexta semana e já acumula mais de 800 mil espectadores, e sabemos que ainda resta muito chão pela frente, seja no sistema convencional de exibição em salas, seja no sistema alternativo de exibição, que vai levar o filme a uma grande parte de 90% dos municípios do Brasil que não têm cinema.
É lá no Brasil profundo, a preços populares e condizentes com o poder aquisitivo dessas populações, que iremos atingir o público alvo do filme: os Silvas deste país, que precisam e querem conhecer o exemplo de força, persistência e superação de Dona Lindu e seus oito filhos, exemplo que vai correr o mundo em telas de cinema, TV aberta, cabo, DVD e internet.
Nesse sentido, já temos estreias marcadas na Argentina, no Chile, no Uruguai e no Paraguai ainda neste primeiro semestre de 2010, e na Colômbia, no Peru, na Venezuela, no Equador, na Bolívia e no México no segundo semestre de 2010.
Qualquer mudança nessa trajetória do nosso pau de arara cinematográfico, informaremos, na certeza de que não vamos influir nas eleições de nenhum outro país. Queremos apenas ter o direito de contar e ver acompanhada pelo público uma história que julgamos relevante para a consolidação da autoestima de nosso povo, para a consolidação de nossa democracia e para o progresso do cinema brasileiro como um todo.



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7/02/10 às 16:09
E, se influenciar na eleição, o que tem de mais nisso? essa direita hipócrita já se locupletou demais, agora estão chorando o leite derramado.
Tem que passar é nas feiras livres e nas calçadas das praças dos grotões desse Brasil, que agora é que tá começando a mostrar a sua cara… e, se chorarem muito, vamos distribuir pirata grátis pelo “mundo à fora”… Dá-lhes Lula(s)- Barreto e da Silva – DILMA neles…
8/02/10 às 12:02
O problema do LC Barreto é que o filme não vai bater a meta de 10 milhões de pessoas que ele esperava de audîência (conforme menciona reportagem da revista Piauí de dezembro). Não fosse isso e ele nem se importaria com a natureza das críticas. Tão antidemocrático quanto as críticas é a tentativa de esvaziá-las. O filme foi produzido com o dedo do Zé Dirceu com o claro objetivo de coroar o fim do mandato de Lula e influenciar a eleição. Qual o problema nisso? Nenhum. Se não há problema nisso, então qual o problema de se apontar esse viés? Nenhum também. Ele não nega as intenções, apenas lamenta que isso tenha ganho destaque maior. Ganhou destaque maior porque o filme é fraco, não emociona e só agrada quem já gosta do Lula. Não comove, enfim, e conta uma história verdadeira com em uma embalagem de ficção, dada a ênfase apenas nos aspectos positivos dos personagens. Vi o filme. Sob o aspecto cinematográfico, para atender ao pedido do LC Barreto, diria que fica muito atrás do “Dois filhos de Francisco” que conta de um jeito realmente emocionante e história de artistas que atingiram um sucesso com a terrível, na minha opinião, música sertaneja pop.
8/02/10 às 17:15
Meu caro colega!
não vi o filme, mas gostaria de saber se o filme fala da filha Lurian??? Dos imóveis adquiridos em São Bernardo?
8/02/10 às 20:25
Jorge Teotonio, em poucas palavras, acho que você disse tanto quanto o diretor Barreto.
Isso mesmo, Dilma neles.
10/02/10 às 0:18
Larissa Newton,se é para denegrir o Lula, eu acho que os imóveis foram comprados pela mâe dela, Miriam Cordeiro, com o dinheiro que recebeu de Collor e da Globo para caluniar o então candidato a presidencia Luíz Inácio da Silva. a sua intenção, como todos que morrem de inveja e despeito do LULA, é destilar o veneno que carregam no peito, meus pêsames!