ALTO LÁ, JAGUNÇO
Manoel Hygino dos Santos explica a origem da palavra jagunço. Confiram:
Curioso das palavras, às vezes me meto a estudá-las, em sua significação, origem e evolução. Assim me vi atraído à etimologia de jagunço, tão controversa quanto divertida: ninguém se entende, como afirmou em crônica Eduardo Almeida Reis, acadêmico e pesquisador.
Ele, por via da dúvida, seguiu Lopes, que sugere junguzu, do quibundo, ou jagun-jagun, “soldado”, do iorubá. “Ao fim e ao cabo”, declara o cronista, “tenho um tiquinho de sangue angolano e certa experiência com a jagunçada”.
Segundo Antônio Geraldo da Cunha, originalmente jagunço foi arma de defesa e, por extensão, o indivíduo que a manipula, cangaceiro, valentão, o que remonta ao século XIX, não distante. Talvez decorra de “zaguncho”, arma, do século XVI.
Houaiss, ao contrário de alguns outros dicionaristas, não foge à escusa. Depois de linhas de explicação, lembra que Antenor Nascentes afirma ser variação de “zaguncho”, que – por sua vez – seria outra forma de “zarguncho”. Morais também considera obscuro o étimo do vocábulo. De modo que, se o leitor tiver coisa mais agradável para fazer, deverá deixar a palavra em paz, porque o significado já se sabe.
Outro dia, o ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal, mineiro, mandou que seu ínclito par na mais alta corte de Justiça do país, ministro Gilmar Mendes, presidente da casa, fosse buscar seus jagunços no estado natal, o Mato Grosso.
Convenhamos: a palavra é antiga, de origem incerta, mas se presta bem aos usos e costumes do Brasil do terceiro milênio. O advogado-trovador Mauro Pereira Cândido, há anos me enviou “A Lexicologia de Os Sertões” . O Vocabulário de Euclides da Cunha é uma obra portentosa, a começar pelas dimensões: 991 páginas.
O autor, Manif Zacharias, médico, pôs o livro na mesa da sala de anatomia. Escarafunchou tudo, aplicou o bisturi no rico vocabulário de Euclides da Cunha. Trabalhou, cuidadosa e pertinazmente, como o fizera desde os tempos de estudante na Faculdade de Medicina da Universidade do Paraná, onde se formou, aos 20 anos, em 1940.
No que tange ao vocábulo “jagunço”, pelo menos no que se refere à etimologia, não avança. Admirador de Euclides, confessa que o autor de “Os Sertões” sempre exerceu nele, ao longo dos anos, singular e poderoso fascínio.
Explica: “Isso, não por sua aparência física ou por sua portentosa visão, não pela instabilidade e incidentes que lhe pontilharam o exercício da engenharia, ou pelos lances surpreendentes, às vezes pitorescos, de sua curta carreira militar; não, ainda, pela independência e altivez com que sempre se houve na adversidade e na busca de soluções para seus problemas mais íntimos ou de ordem profissional; não, finalmente, pelo trágico desfecho de sua dramática existência, cortada rudemente aos 43 anos de idade.
Nele, o que sobretudo me atraiu e me despertou vivo interesse foram os seus escritos, a sua produção literária, muito em especial “Os Sertões”, inquestionavelmente um clássico de nossa literatura e de nosso idioma”.
Não foi Euclides, porém, o inventor da palavra, já está dito e documentado. Mas ele deu dimensão maior ao homem do recôndito território brasileiro, em que viveu pobremente e morreu, vítima da violência.
Zacharias observa:
“Absorveram-me por completo aquelas emocionantes páginas, escritas, inegavelmente, com exaltada paixão, e que tão bem configuram o valor, o denodo, a abnegação, a perseverança e – por que não? – o fanatismo intransigente daquela enorme fração representativa de nossa gente, rebelde e indômita por natureza, que é o sertanejo do Norte, vaqueiro, jagunço, cangaceiro, seja lá o que for ou como for chamado”.
O paranaense define: “O sertanejo simples transmudava-se, penetrando-o, no fanático destemeroso e bruto. Absorvia-o a psicose coletiva. E adotava, ao cabo, o nome até então consagrado aos turbulentos de feira, aos valentões das refregas eleitorais e saqueadores de cidade – jagunço”.




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29/07/10 às 19:39
A campanha do senado mal começou e já presentimos que o líder máximo do pfl não voltará ao senado. Ficará cada vez mais difícil aquele que tentou acabar com LULA, manter a pequena dianteira diante de Wilma, pois é claro que sua imagem de homem injusto e cruel com um governo que sempre ajudou os mais necessitados é clara na cabeça da população. Vamos todos fazer força, inclusive até com o voto útil, para que esse senador líder máximo do pfl e seu suplente sejam derrotados. É fácil, há imagens, discursos, matérias aos montes para serem divulgadas, de forma que todos se lembrem da sua face de arrogante e anti povo.
31/07/10 às 14:56
Moacy Cirne criticou a mutilação do dicionário do folclore de Cascudo com razão: Na edição da Itaiaia Jagunço é: gurda costas de políticos, sinônimo de valente, decido e fanático, qualquer semelhança com um suplente sem votos é mera coicidência.