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OS MONGES E O PENSAMENTO TORTO

*IBERÊ FERREIRA DE SOUZA 
                                                                       

O Rio Grande do Norte vive um excepcional momento com relação ao setor turístico, que se expande e consolida. Dotado de paradisíaco potencial paisagístico-ambiental, tornou-se, ao longo dos anos, destino para um crescente número de visitantes que aqui se deslumbram com as suas belezas, encantam-se com a sua gastronomia e descobrem o colorido do folclore, a pujança da sua cultura e a hospitalidade do povo. O Governo do Estado tem papel preponderante nesse ciclo virtuoso: apóia a presença de investidores nacionais e internacionais e divulga, no País e fora dele, o Rio Grande do Norte, ao mesmo tempo em que toma todas as precauções para que haja harmonia, respeito e preservação do meio ambiente, impedindo o turismo predatório e oportunista.
Exemplo expressivo do crescimento desse segmento é o projeto do Grand Natal Golf, iniciativa do grupo espanhol Sánchez, internacionalmente respeitado, que escolheu o Rio Grande do Norte por encontrar aqui não apenas as condições físicas mais propícias para esse monumental investimento. Encontrou também um Governo sério, empenhado na promoção do desenvolvimento sustentado e aberto às propostas que, agora programadas, terão, em futuro próximo, resultados sócio-econômicos os mais desejáveis.
Trata-se, o empreendimento, do projeto turístico-residencial mais importante do Nordeste, considerado como prioridade pelo Programa Agenda do Crescimento do Rio Grande do Norte, lançado pelo Governo no início de 2007. Apesar disso, a Folha de S. Paulo registrou que o Ministério Público manifestou reservas, em função de um virtual, suposto e incomprovado impacto ambiental sobre os 2,2 mil hectares onde se implantará o Grand Natal Golf, na praia de Pitangui. A respeito, é preciso que se diga, o assunto foi rigorosamente analisado por mais de um ano pelo Instituto de Desenvolvimento de Defesa do Meio Ambiente, cumprindo todos os ritos legais, até ser finalmente aprovado. Em dez anos, serão 30 mil casas, com população estimada em 70 mil pessoas.
Ante a magnitude da proposta, foi composta equipe multidisciplinar formada por técnicos do Idema e professores da UFRN nas áreas de geologia, hidrogeologia, biologia e engenharia sanitária. Como se vê, não houve, de parte do Governo, qualquer açodamento, nenhuma ação precipitada. De nada adiantaria trazer ao Estado uma iniciativa de tal monta, se seus resultados sociais e ambientais viessem a ser, em futuro próximo, causadores de agressão e desequilíbrio ambiental.
O estudo de impacto ambiental foi analisado e dada publicidade. A esfera pública foi chamada a opinar. Assim, realizou-se em dezembro de 2006 audiência pública que contou com a participação da sociedade civil, representantes das prefeituras de Extremoz e Ceará Mirim, do Ministério Público e diretor Geral do Idema, além de representantes do grupo empreendedor. Ninguém reclamou, não houve vozes discordantes, grita ou quaisquer suspeições. Aconteceu, sim, unanimidade, expectativa, interesse e respaldo, legitimando a iniciativa.
Vale salientar que o empreendimento ocupará apenas 17 por cento do total de sua área, preservando-se os ecossistemas presentes na área e protegidos pela legislação, como Mata Atlântica, dunas e lagoas. Isso o caracteriza como de baixa densidade ocupacional, garantindo a sua sustentabilidade, o que inclui a questão sanitária e resíduos sólidos.
A matéria da Folha de S. Paulo, entretanto, obteve nefasta e lamentável repercussão. De repente, um projeto que foi estudado de dezembro de 2005 a janeiro de 2007; deverá dar notável impulso à atividade turística no Rio Grande do Norte; garantirá centenas de empregos durante sua construção e outros tantos após instalado, passou, de  ação desenvolvimentista e inserção do nosso Estado nos roteiros turísticos mais sofisticados do mundo, a sombria ameaça ao ecossistema e à paisagem.
Como num passe de mágica, todo o empenho do Governo do Estado em promover o turismo, ampliar o potencial de aportes de recursos nesse setor, abrir horizontes e lançar novas pontes de realizações e êxitos socialmente desejáveis, recebeu o estigma de obra que somente vai interessar ao capital internacional, desprezando os mais legítimos interesses do Rio Grande do Norte. Entretanto, é preciso ter um olhar de serenidade quando se analisam as grandes realizações. É numa hora como essas, quando a iniciativa privada, comprovadamente séria e digna de crédito apresenta um projeto que vem ao encontro das necessidades sociais e econômicas, que devemos levar em conta aquilo a que esta se propõe.
Não se trata aqui de uma aventura, de um jogo de interesses. Tratamos, e é responsabilidade do Governo Wilma de Faria, de lançar as fundações de um tempo novo, estimulando uma vocação do Estado, o turismo. Tratamos, em finalidade última, de promoção social, gerando empregos, qualificando mão-de-obra, colocando o Rio Grande do Norte nos caminhos do seu verdadeiro destino.
O material da Folha de S. Paulo, apesar da repercussão nacional e internacional que obteve, não será suficiente para nos demover de nossos compromissos, no caso particular, o do turismo. A imprensa pode e deve cumprir com o seu papel fiscal, trazendo a público aquilo que é de interesse público. Mas é preciso seriedade, noção e medida dos efeitos deletérios que uma reportagem pode trazer.
O que está em questão não é tão-somente um empreendimento. Acima de tudo, está o futuro do Rio Grande do Norte, cuja economia, aqui englobando seu sentido social mais abrangente, precisa ser alavancada em todas as suas frentes, especialmente no turismo, numa oportunidade que não se pode desperdiçar.
O Ministério Público, segundo informações jornalísticas, solicitou o processo para análise, porém, não encontrou qualquer irregularidade no projeto. Entretanto, as informações que chegaram ao jornal paulista foram expostas como se a iniciativa fora uma calamidade. Entende-se que é saudável, exigível e plausível, enfatize-se, que jornais e Ministério Público exerçam suas competências. Mas, mesmo concedendo-se que houve apenas excesso de zelo e boa-fé por parte do Ministério Público, é forçoso lembrar que tais atitudes podem resvalar para pré-julgamento. O que é lamentável. Sobre a repercussão internacional, vale dizer que o trabalho da Folha de S. Paulo repercutiu no argentino La Nacion, na revista The Economist e nos portais Terra e Yahoo, causando internacionalmente grandes danos à imagem do Rio Grande do Norte.
O problema é que depois, quando se constatar que não há qualquer falha, inexiste qualquer irregularidade, tudo está certo, nenhum jornal dará, na seqüência, sua primeira página para o desmentido, como o deu para a “catástrofe”. Ensinam os monges budistas que o homem é aquilo que pensa; e se ele pensa torto, acaba entortando a realidade.

*Vice-governador do Rio Grande do Norte

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