Aílton Medeiros
"Não consigo tomar partido por um sujeito, por um partido, por uma classe, por um país, por um filósofo, ou mesmo por uma filosofia, por um poeta, por uma escola literária, por um regime político. Tenho horror ao um..." (Alceu Amoroso Lima)

BOMBONS COM FEL

E a “Veja”, hein? De mal a pior. Olha a pérola tirada da edição desta semana:

“Houve um golpe de estado? Sim. País pequeno e pobre, Honduras foi transformada num caso exemplar do repúdio da comunidade internacional aos golpes de estado. Foi castigada com sanções econômicas e congelamento nas relações diplomáticas. Exceto por isso, o problema não era tão grande. A medida de força foi, até certo ponto, justificável pelas leis do país. Até o momento do golpe, o maior perigo para a democracia era o presidente Manuel Zelaya.”

COMENTÁRIO

Quer dizer que Zelaya, eleito democraticamente, é mais perigoso para a democracia do que os golpistas? Por favor, não aguento mais, parem o mundo que eu quero descer. Ou subir.

12 respostas para 'BOMBONS COM FEL'

  1. Marcelo Régis Diz:

    Olha Ailton… sou contra “golpes de governo”, mas me parece (não tenho a constituição de Honduras) que Zelaya infringiu a constituição de seu país, na tentativa de fazer o que Fernando Henrique fez aqui no Brasil, aprovar o “projeto de reeleição” para beneficiar a si mesmo!
    Enfim, sou contra “golpes”, mas existe uma discussão “jurídica” a respeito do caso…
    Discordo também da afirmação da revista que Zelaya era o principal perigo para a democracia, acho ele “atabalhoado” e sem ética nesse caso, igualmente a Fernando Henrique.

  2. Alexandre Santos Diz:

    Essa imprensa golpista cada dia mais está se superando. Muita gente que eu conheço já estão abrindo os olhos com esses golpistas. Folha, Veja, Globo, e etc, estão fazendo de tudo para que aconteça a mesma coisa que aconteceu em Honduras, aconteça aqui no Brasil. DILMA 2010 neles!!!

  3. Rafael Diz:

    Ailton, também nao gosto da Veja. Mas nessa ela está certa. Leia direito: “Até o momento do golpe, o maior perigo para a democracia era o presidente Manuel Zelaya” Logo, depois do Golpe, este passou a ser mais perigoso do que o Zelaya.

    Zelaya também não é santo. Apesar de eleito democraticamente, agiu contra a constituição de Honduras. Ele foi avisado pela Suprema Corte de lá que o que ele pretendida era ilegal. Mesmo assim, forçou a barra. Há quem defenda que a própria Constituição daquele País legitime o uso da força nesse caso. Nao conheço o caso a fundo, mas golpe pode ser perpetrado tanto por quem está no poder, quanto por quem está fora. Quando se usa a força, ilegalmente, para mudar as regras do jogo, isso é golpe.

  4. walsil Diz:

    Por falar em mal jornalismo, lembrei-me, já houve ou vc já ouviu falar na convocação da plenária estadual para a 1ª Confecom?

  5. Daniel Menezes Diz:

    Ridículo mesmo Ailton,

    o que acho mais fantástico nisto tudo é que a re-semantização das palavras serve pra tudo. O discurso mais perigoso que existe é aquele se vale de eufemismos, pois esconde o fato real. Por exemplo, um golpista vira “presidente interino”. Um golpe dado com a mao grande vira “cassação por ataque a constituição”.
    É impressionante também constatar como a imprensa local e nacional não consegue aceitar as medidas de um governo fantástico como é o do PT. Enquanto Lula ganha um importante prêmio por sua atuação diplomática, os jornais teimam em tentar demonstrar uma diplomacia que não é a do nosso país.
    Bernardo Kucinsky, um dos maiores críticos de imprensa do país, ainda denuncia um movimento que vem sendo desenvolvido pela imprensa. De acordo ele, os jornais, na maneira como vem cobrindo o Brasil, tendem a dissociar as atividades políticas do governo lula com as conquistas econômicas advindas deste projeto de BRasil. A apresentação é construída de modo tão absurdo, que parece que existem dois países – o país atrasado da política, que é o do governo Lua; e o país que cresce economicamente, que parece ter alicerce divino.

    Absolutamente ridículo.

  6. Luiz Lopes Diz:

    Caro Aílton.
    Toda e qualquer análise que se faça sobre os fatos de Honduras tem que considerar duas coisas: O fato de Zelaya está descumprindo a constituição, as leis infraconstitucionais e as ordens emanadas pela Suprema Corte de Justiça; e o uso do golpe de estado e não de um impeachment para destituí-lo do cargo, nos casos em que a lei assim estabeleça.
    Na minha opinião, a via usada para depô-lo do cargo foi errada. Mas que Zelaya preparava uma ditadura nos moldes de Chávez não tenho dúvidas, embora Zelaya seja um direitista (liberal) histórico.
    Chávez, apesar de se dizer socialista, nunca leu Marx nem Engels, quanto mais Saint-Simon, Blanc ou Owen. O que ele é mesmo é puto com os EUA. E talvez aí resida sua única qualidade.
    É o que penso…

  7. Ailton Medeiros Diz:

    Não, Walsil.

  8. Américo Diz:

    Rafael, permita-me discordar, mas o Zelaya não infringiu qualquer regra, o que ele pretendia era marcar um referendo ou um plesbiscito para aprovar uma Assembléia Constituinte, que visava a permitir a reeleição.

    Só que o detalhe é que ele não poderia ser candidato a reeleição, caso aprovada, por uma questão de coincidência de datas. O PiG esquece de passar essa informação e tenta, com isso, taxar o Zelaya de ditador.

  9. Américo Diz:

    Ah, Aílton, a Veja dessa semana é um primor do preconceito contra esquerdistas, evangélicos, nordestinos. Dê uma boa olhada na entrevista que fizeram com o Padre e na notícia sobre as arrecadações dos evangélicos. Sinta a ponta de ódio com o crescimento dos evangélicos.

  10. Rafael Diz:

    Américo, a Suprema Corte de lá entendeu que o que ele queria fazer era ilegal (feria a constituição)- Constitucionalmente, eles tinham a autoridade para dar tal opinião.
    Se o chefe do Executivo não respeita o Judiciário do próprio País, é mau sinal. Fere o princípio básico do equilíbrio e independência entre os três poderes (isso é uma característica básica de Ditaduras: figuras fortes no executivo que se colocam acima das regras). O que Zelaya quis fazer, foi sobrepor o Executivo ao Judiciário na marra. Isso não deixa de ser golpe.
    Esses que tiraram o Zelaya do poder não deixam de ser a escória da AL. Gente que fecha rádio e TV e senta o sarrafo em manifestante. Não merecem respeito nem reconhecimento.
    Se tivesse que escolher um lado, seria o do Zelaya. Mas numa disputa onde ninguém está com a razão, vale a pena escolher lado? Isso eu não sei…

  11. Américo Diz:

    Rafael, essa mesma Suprema Corte foi quem “chancelou” o golpe. Na verdade, o Presidente PODE convocar Assmbléia Constituinte, basta ter um plesbiscito aprovando o ato. Era isso que o Zelaya pretendia, salvo engano.

    Não estou querendo também defendê-lo, creio que ele deve ter cometido alguns erros grasos na condução administrativa, apesar de que o cerne de tudo é a oposição política de uma elite indignada com as políticas sociais. Dê uma lida no Blog “Vi o Mundo”, existem muitos artigos por lá comentando a situação de Honduras.

  12. Rafael Diz:

    Obrigado pela dica, Americo.
    Mas lembra uma coisa: se voce não gosta da Suprema Corte, mobiliza as estruturas legítimas e vai, aos poucos, substituindo os membros. O que nao pode é ter uma Suprema Corte que foi escolhida por meios tão constitucionais quanto o Presidente e ele ignorar as opiniões que ele não concorda.
    Tenho certeza que existem argumentos legítimos dos dois lados, tanto para dizer que ele podia quanto que não podia convocar a Assembléia. O que conta, não é a nossa opinião, e sim o que a Suprema Corte de lá entendeu. Essa é a função deles. E a mesma coisa do time entrar em campo e ignorar o Árbitro. Quando voce se elege e jura obedecer a uma constituição, voce está se obrigando a seguir as regras do jogo – o que inclui respeitar o árbitro. Nao pode virar o tabuleiro.
    Complicado…

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