Aílton Medeiros
"Não consigo tomar partido por um sujeito, por um partido, por uma classe, por um país, por um filósofo, ou mesmo por uma filosofia, por um poeta, por uma escola literária, por um regime político. Tenho horror ao um..." (Alceu Amoroso Lima)

CADA UM COM SEU CINEMA

Não vejo nenhum sentido nessas listas que pipocam na mídia com certa frequência. Antigamente elas geravam polêmicas. Hoje geram dinheiro. É o caso da série “1001 coisas que você precisa ver, ouvir, ler, beber e comer antes de morrer”.

Se as listas existem e aí estão tirando o meu, o seu, o nosso sossego, não sou eu que vou evitá-las.

Mesmo considerando elas um espectro que ameaça a prática do bom jornalismo.

O assunto até virou filme, “Alta Fidelidade” (2000), dirigido por Stephen Frears, cujo personagem principal, Rob Gordon (John Cusack), passa seus dias criando listas de “As cinco mais” sobre músicas ou qualquer outra coisa que passe pela sua cabeça.

A revista francesa “Cahiers du Cinema”, considerada a mais importante publicação sobre cinema do mundo, lançou no fim de 2008 um livro com os 100 filmes que não podem faltar em uma cinemateca ideal.

A revista consultou cineastas, historiadores e críticos de cinema. A lista não deixa de ser respeitável, mas mesmo assim recebeu crítica. Confiram os 100 filmes escolhidos:

Cidadão Kane (1941) – Orson Welles

O Mensageiro do Diabo (1955) – Charles Laughton

A Regra do Jogo (1939) – Jean Renoir

Aurora (1927) – Friedrich Wilhelm Murnau

O Atalante (1934) – Jean Vigo

M, o Vampiro de Dusseldorf (1931) – Fritz Lang

Cantando na Chuva (1952) – Stanley Donen & Gene Kelly

Um Corpo que Cai (1958) – Alfred Hitchcock

O Boulevard do Crime (1945) – Marcel Carné

Rastro de Ódio (1956) – John Ford

Ouro e Maldição (1924) – Erich von Stroheim

Rio Bravo – Onde Começa o Inferno (1959) – Howard Hawks

Ser ou Não Ser (1942) – Ernst Lubitsch

Era uma Vez em Tóquio (1953) – Yasujiro Ozu

O Desprezo (1963) – Jean-Luc Godard

Contos da Lua Vaga (1953) – Kenji Mizoguchi

Luzes da Cidade (1931) – Charlie Chaplin

A General (1927) – Buster Keaton

Nosferatu (1922) – Friedrich Wilhelm Murnau

A Sala de Música (1958) – Satyajit Ray

Monstros (1932) – Tod Browning

Johnny Guitar (1954) – Nicholas Ray

A Mãe e a Puta (1973) – Jean Eustache

O Grande Ditador (1940) – Charlie Chaplin

O Leopardo (1963) – Luchino Visconti

Hiroshima, Meu Amor (1959) – Alain Resnais

A Caixa de Pandora (1929) – Georg Wilhelm Pabst

Intriga Internacional (1959) – Alfred Hitchcock

O Batedor de Carteiras (1959) – Robert Bresson

Amores de Apache (1952) – Jacques Becker

A Condessa Descalça (1954) – Joseph Mankiewicz

O Tesouro do Barba Rubra (1955) – Fritz Lang

Desejos Proibidos (1953) – Max Ophüls

O Prazer (1952) – Max Ophüls

O Franco Atirador (1978) – Michael Cimino

A Aventura (1960) – Michelangelo Antonioni

O Encouraçado Potemkin (1925) – Sergei M. Eisenstein

Interlúdio (1946) – Alfred Hitchcock

Ivan, o Terrível (1944) – Sergei M. Eisenstein

O Poderoso Chefão (1972) – Francis Ford Coppola

A Marca da Maldade (1958) – Orson Welles

Vento e Areia (1928) – Victor Sjöström

2001: Uma Odisséia no Espaço (1968) – Stanley Kubrick

Fanny e Alexander (1982) – Ingmar Bergman

A Turba (1928) – King Vidor

8 1/2 (1963) – Federico Fellini

Sel Sol (1962) – Chris Marker

O Demônio das Onze Horas (1965) – Jean-Luc Godard

O Romance de um Trapaceiro (1936) – Sacha Guitry

Amarcord (1973) – Federico Fellini

A Bela e a Fera (1946) – Jean Cocteau

Quanto mais Quente Melhor (1959) – Billy Wilder

Deus Sabe quanto Amei (1958) – Vincente Minnelli

Gertrud (1964) – Carl Theodor Dreyer

King Kong (1933) – Ernst Shoedsack & Merian J. Cooper

Laura (1944) – Otto Preminger

Os Sete Samurais (1954) – Akira Kurosawa

Os Incompreendidos (1959) – François Truffaut

A Doce Vida (1960) – Federico Fellini

Os Vivos e os Mortos (1987) – John Huston

Ladrão de Alcova (1932) – Ernst Lubitsch

A Felicidade não se Compra (1946) – Frank Capra

Monsieur Verdoux (1947) – Charlie Chaplin

O Martírio de Joana d’Arc (1928) – Carl Theodor Dreyer

Acossado (1960) – Jean-Luc Godard

Apocalypse Now (1979) – Francis Ford Coppola

Barry Lyndon (1975) – Stanley Kubrick

A Grande Ilusão (1937) – Jean Renoir

Intolerância (1916) – David Wark Griffith

Partie de Campagne (1936) – Jean Renoir

Playtime (1967) – Jacques Tati

Roma, Cidade Aberta (1945) – Roberto Rossellini

Sedução da Carne (1954) – Luchino Visconti

Tempos Modernos (1936) – Charlie Chaplin

Van Gogh (1991) – Maurice Pialat

Tarde Demais para Esquecer (1957) – Leo McCarey

Andrei Rublev – O Artista Maldito (1969) – Andrei Tarkovsky

A Imperatriz Galante (1934) – Joseph von Sternberg

Intendente Sansho (1954) – Kenji Mizoguchi

Fale com Ela (2002) – Pedro Almodóvar

Um Convidado bem Trapalhão (1968) – Blake Edwards

Tabu (1930) – Friedrich Wilhelm Murnau

A Roda da Fortuna (1953) – Vincente Minnelli

Nasce uma Estrela (1954) – George Cukor

As Férias do Sr. Hulot (1953) – Jacques Tati

A Terra do Sonho Distante (1963) – Elia Kazan

O Alucinado (1953) – Luis Buñuel

A Morte num Beijo (1955) – Robert Aldrich

Era uma Vez na América (1984) – Sergio Leone

Trágico Amanhecer (1939) – Marcel Carné

Carta de uma Desconhecida (1948) – Max Ophüls

Lola, a Flor Proibida (1961) – Jacques Demy

Manhattan (1979) – Woody Allen

Cidade dos Sonhos (2001) – David Lynch

Minha Noite com Ela (1969) – Eric Rohmer

Noite e Neblina (1955) – Alain Resnais

Em Busca do Ouro (1925) – Charlie Chaplin

Scarface – A Vergonha de uma Nação (1932) – Howard Hawks

Ladrões de Bicicletas (1948) – Vittorio de Sica

Napoleão (1927) – Abel Gance

A propósito acaba de chegar às livrarias “501 Filmes que Merecem Ser Vistos”. Ao longo de 544 páginas, seis dos principais críticos britânicos elegem quais os filmes essenciais para qualquer um que goste de cinema.

O resultado, acreditem, é decepcionante.

Separados em gêneros (drama, comédia, guerra terror etc.), o livro ignora algumas obras-primas como “Rocco e seus irmãos” (1961) e “O Leopardo” (1963), ambos de Giuseppe Visconti (1906-1976), e “Primavera” (1930), de Robert Z. Leonard, um dos dez maiores filmes do cinema segundo o crítico carioca José Lino Grunewald ((1931-2000).

Outro desfalque entre os filmes de guerra é o brilhante “Cartas de Iwo Jima”  (2006), de Clint Eastwood, eleito há poucos dias o melhor filme da década pelo blog de cinema do jornal “The Hollywood Repórter”.

Baboseiras não faltam em “501 Filmes que Merecem Ser Vistos”.

Estão lá blockbusters como “Forrest Gump – O Contador de Histórias”, “Harry Potter e a Pedra Filosofal” e o primeiro “Homem-Aranha”, de 2002. Do Brasil, apenas “Cidade de Deus” (2002) na categoria “mistério e suspense”.

6 respostas para 'CADA UM COM SEU CINEMA'

  1. Magno Alexandre Diz:

    vamos aqui fazer a lista dos piores filmes brasileiros

    eis minha lista
    “todos filmes da XUXA”

  2. Maurício Alves Diz:

    perai… quer dizer que nesta lista nenhum filme da década de 80 para cá merece destaque histórico? Que subjetivo e nostálgico!

  3. Willian Pinheiro Diz:

    Prefiro as listas do Moacy Cirne!

  4. Carlos Diz:

    Rapaz, a moda agora é lançamentos do tipo, 1001 coisas para experimentar, comer, transar, ler, ver, beber, ouvir, antes de morrer.

    Eles tem que encher lingüiça mesmo…

  5. Ailton Medeiros Diz:

    Eu também, Willian!

  6. .chico neto Diz:

    Não BOTOFÉ em Woody Allen……….Cunhão!!!!!!!!!

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