Aílton Medeiros
"Não consigo tomar partido por um sujeito, por um partido, por uma classe, por um país, por um filósofo, ou mesmo por uma filosofia, por um poeta, por uma escola literária, por um regime político. Tenho horror ao um..." (Alceu Amoroso Lima)

COM LICENÇA, EU VOU À LUTA

Se tudo correr bem só vou postar comentários à noite. É que tenho um monte de compromisso durante todo o dia, profissionais e sociais. Também vou aproveitar a pausa para ir ao médico realizar alguns exames. Mas não vou abandonar vocês. Aí vai um artigo de Bernardo Kucinski sobre Lula. Muito interessante. Leiam e reflitam.

Um dia encontrei Lula, ainda no Instituto Cidadania, em São Paulo, empolgado com um livro de Câmara Cascudo sobre os hábitos alimentares dos nordestinos. Lula saboreava cada prato mencionado, cada fruta, cada ingrediente. Lembrei-me desse episódio ao ler a coluna recente do João Ubaldo Ribeiro, “De caju em caju”, em que ele goza o presidente por falar do caju, “sem conhecer bem o caju”. Dias antes, Lula havia feito um elogio apaixonado ao caju, no lançamento do Projeto Caju, que procura valorizar o uso da fruta na dieta do brasileiro.
“É uma pena que o presidente Lula não seja nordestino, portanto não conheça bem a farta presença sociocultural do caju naquela remota região do país…”, escreveu João Ubaldo. Alegou que Lula não era nordestino porque tinha vindo ainda pequeno para São Paulo. E em seguida esparramou citações sobre o caju, para mostrar sua própria erudição. Estou falando de João Ubaldo porque, além de escritor notável, ele já foi um grande jornalista.
Outro jornalista ilustre, o querido Mino Carta, escreveu que Lula “confunde” parlamentarismo com presidencialismo. “Seria bom”, disse Mino, “que alguém se dispusesse a explicar ao nosso presidente que no parlamentarismo o partido vencedor das eleições assume a chefia do governo por meio de seu líder…” Essa do Mino me fez lembrar outra ocasião, no Instituto Cidadania, em que Lula defendeu o parlamentarismo.
Parlamentarista convicto, Lula diz que partidos são os instrumentos principais de ação política numa democracia. Pelo mesmo motivo Lula é a favor da lista partidária única e da tese de que o mandato pertence ao partido. Em outubro de 2001, o Instituto Cidadania iniciou uma série de seminários para o Projeto Reforma Política, aos quais Lula fazia questão de assistir do começo ao fim. Desses seminários resultou um livro de 18 ensaios, Reforma Política e Cidadania, organizado por Maria Victória Benevides e Fábio Kerche, prefaciado por Lula e editado pela Fundação Perseu Abramo.
Clichês e malandragem
Se pessoas com a formação de um Mino Carta ou João Ubaldo sucumbiram à linguagem do preconceito, temos mais é que perdoar as dezenas de jornalistas de menos prestígio que também dizem o tempo todo que “Lula não sabe nada disso, nada daquilo”. Acabou virando o que em teoria do jornalismo chamamos de “clichê”. É muito mais fácil escrever usando um clichê porque ele sintetiza idéias com as quais o leitor já está familiarizado, de tanto que foi repetido. O clichê estabelece de imediato uma identidade entre o que o jornalista quer dizer e o desejo do leitor de compreender. Por isso, o clichê do preconceito “Lula não entende” realimenta o próprio preconceito.
Alguns jornalistas sabem que Lula não é nem um pouco ignorante, mas propagam essa tese por malandragem política. Nesse caso, pode-se dizer que é uma postura contrária à ética jornalística, mas não que seja preconceituosa. Aproveitam qualquer exclamação ou uso de linguagem figurada de Lula para dizer que ele é ignorante. “Por que Lula não se informa antes de falar?”, escreveu Ricardo Noblat em seu blog, quando Lula disse que o caso da menina presa junto com homens no Pará “parecia coisa de ficção”. Quando Lula disse, até com originalidade, que ainda faltava à política externa brasileira achar “o ponto G”, William Waack escreveu: “Ficou claro que o presidente brasileiro não sabe o que é o ponto G”.
Outra expressão preconceituosa que pegou é “Lula confunde”. A tal ponto que jornalistas passam a usar essa expressão para fazer seus próprios jogos de palavras. “Lula confunde agitação com trabalho”, escreveu Lucia Hippolito. Empregam o “confunde” para desqualificar uma posição programática do presidente com a qual não concordam. “O presidente confunde choque de gestão com aumento de contratações”, diz o consultor José Pastore, fonte habitual da imprensa conservadora.
Confunde coisa alguma. Os neoliberais querem reduzir o tamanho do Estado, o presidente quer aumentar. Quer contratar mais médicos, professores, biólogos para o Ibama. É uma divergência programática. Carlos Alberto Sardenberg diz que Lula “confundiu” a Vale com uma estatal. “Trata-a como se fosse a Petrobras, empresa que segundo o presidente não pode pensar só em lucro, mas em, digamos, ajudar o Brasil.” Esse caso é curioso porque no parágrafo seguinte o próprio Sardenberg pode ser acusado de confundir as coisas, ao reclamar de a Petrobras contratar a construção de petroleiros no país, apesar de custar mais. Aqui, também, Lula não fez confusão: o presidente acha que tanto a Vale quanto a Petrobras têm de atender interesses nacionais; Sardenberg acha que ambas devem pensar primeiro na remuneração dos acionistas.
Filosofia da ignorância
A linguagem do preconceito contra Lula sofisticou-se a tal ponto que adquiriu novas dimensões, entre elas a de que Lula teria até problemas de aprendizagem ou de compreensão da realidade. Ora, justamente por ter tido pouca educação formal, Lula só chegou aonde chegou por captar rapidamente novos conhecimentos, além de ter memória de elefante e intuição. Mas, na linguagem do preconceito, “Lula já não consegue mais encadear frases com alguma conseqüência lógica”, como escreveu Paulo Ghiraldelli, apresentado como filósofo na página de comentários importantes do Estadão. Ou, como escreveu Rolf Kunz, jornalista especializado em economia e também professor de filosofia: “Lula não se conforma com o fato de, mesmo sendo presidente, não entender o que ocorre à sua volta”.
Como nasceu a linguagem do preconceito? As investidas vêm de longe. Mas o predomínio dessa linguagem na crônica política só se deu depois de Lula ter sido eleito presidente, e a partir de falas de políticos do PSDB e dos que hoje se autodenominam Democratas. “O presidente Lula não sabe o que é pacto federativo”, disse Serra, no ano passado. E continuam a falar: “O presidente Lula não sabe distinguir a ordem das prioridades”, escreveu Gilberto de Mello. “O presidente Lula em cinco anos não aprendeu lições básicas de gestão”, escreveu Everardo Maciel na Gazeta Mercantil.
A tese de que Lula “confunde” presidencialismo com parlamentarismo foi enunciada primeiro por Rodrigo Maia, logo depois por César Maia, e só então repetida pelos jornalistas. Um deles, Daniel Piza, dias depois dessas falas, escreveu que “só mesmo Lula, que não sabe a diferença entre presidencialismo e parlamentarismo, pode achar que um governante ter a aprovação da maioria é o mesmo que ser uma democracia no seu sentido exato”.
Preconceito é juízo de valor que se faz sem conhecer os fatos. Em geral é fruto de uma generalização ou de um senso comum rebaixado. O preconceito contra Lula tem pelo menos duas raízes: a visão de classe, de que todo operário é ignorante, e a supervalorização do saber erudito, em detrimento de outras formas de saber, tais como o saber popular ou o que advém da experiência ou do exercício da liderança. Também não se aceita a possibilidade de as pessoas transitarem por formas diferentes de saber.
A isso tudo se soma o outro preconceito, o de que Lula não trabalha. Todo jornalista que cobre o Palácio do Planalto sabe que é mentira, que Lula trabalha de 12 a 14 horas por dia, mas ele é descrito com freqüência por jornalistas como uma pessoa indolente.
Não atino com o sentido dessa mentira, exceto se o objetivo é difamar uma liderança operária, o que é, convenhamos, uma explicação pobre. Talvez as elites, e com elas os jornalistas, não consigam aceitar que o presidente, ao estudar um problema com seus ministros, esteja trabalhando, já que ele é “ incapaz de entender” o tal problema. Ou achem que, ao representar o Estado ou o país, esteja apenas passeando. Afinal, onde já se viu um operário, além do mais ignorante, representar um país?

11 respostas para 'COM LICENÇA, EU VOU À LUTA'

  1. Francisco Jerônimo Diz:

    Acrescento o terceiro preconceito contra Lula: ser nordestino.

  2. João Ninguém Diz:

    O preconceito contra Lula não tem nada a ver com o fato de ele ser nordestino. Ora, Sarney, Collor, entre tantos, nunca sofreram preconceito por isso. Lula sofre porque é formalmente ignorante e, assim, faz todo sentido não querer alguém que não conhece economia, direito, sociologia, etc., governando este país, que é mesmo de bananas.

  3. Rodrigo Rodrigues Diz:

    hehehehehehehehe, esse joão ninguem é engraçado!

  4. Welllington Diz:

    Rodrigo, engraçado não! êle é um idiota.

    Esse imbecilóide não tem competência para entender que, mesmo sendo despreparado, como o quer classificar, deixou de observar que, mesmo sendo o que é, nordestino, semi-analfabeto, torneiro mecânico e, ou outras qualificações que o queira atribuir, hoje, mostra, não a esse tipo de bundão, mas, a todo o mundo, seja em qualquer linha: econômica; social; de paz; de conflitos; muito em breve do petróleo e outras mais, êle o Presidente da República LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA é, sempre, um dos primeiros a ser convidado, como ao grupo G7 que, por conta de LULA agora é G8, que inveja heim, para os bundões.

    Não só convidado, mas, é sempre a atração e, todos os chefes de estados querem uma audiência com Êle. Muitos, inclusive, desses chefes de estados, têm inveja dêle, por ter um carisma natural, – “NUNCA ANTES VISTO NA HITÓRIA DESSE PAÍS” – um clichê de sua autoria, nessas horas, pega bem.

    Agora Rodrigo, como esse cagão dai de cima e, não só esse, mas, o FHC, JAM, AV, JS e, outros que se dizem preparados e, tiveram o poder nas mãos e, não fizeram, não fazem e, nunca farão um milésimo do que o TORNEIRO MECÂNICA fez até hoje.

    Queira ou não e, quem não quizer vai morrer de idiotice, LULA vai ficar na história e vai deixar muita saudade. Quando fizeram as contas na ponta do lápis vai ver que tudo, até hoje, feito por Lula será motivo de saudades.

    Essa é minha opinião.

  5. LUCIANO BEZERRA Diz:

    A questão é que a elite não se conforma em não ter um seu representante “doutor” no poder. Isso, além de quebrar um tabu, fere os interesses diretos da classe dominante, que se vê tolhida do assento presidencial, embora continue como morcego: chupando o sangue e soprando, como sempre fez e continuará fazendo, acobertada por dogmas, tabus, mentiras e um corja de “jornalistas” que vive a serviço da erudita classe dominante, como está fazendo no caso agora do iof.

    Mas essa canalha ainda vai engolir Lula por muito tempo, se depender do povo, que o elegerá para o teiceiro mandato, alguém duvida?

  6. walsil Diz:

    O joão ninguém não poderia ter escolhido nome melhor. É um joão ninguém.

  7. Welllington Diz:

    É um idiota batizado.

    Eu sou contra o terceiro mandato, mas, se o Lula conseguisse, hehehehehe, ia gozar essa gang de bundões. E esse idiota não toma simancol! Não adiante nem dirigir-lhe a palavra.

    Recolha-se a sua ninguenilidade idiolético.

  8. JOSÉ DIRCEU: mentir e deturpar fatos é um hobby ! « Sala da Mãe Joana Diz:

    [...] tempo: é divertido ler as bobagens escritas AQUI. Decerto de autoria de um socialista-ameba de terceira categoria, demonstra a imbecilidade de [...]

  9. Ailton Medeiros Diz:

    Um imbecil, um certo Carlos Munhoz tem um Blog, Sala de Mãe Joana. Não conheço, não tenho a menor idéia de quem se trata. Contaminado por vagabundos ideológicos como Reinaldo Azevedo, acha que o mundo tá dividido entre petistas e tucanos.
    O magano acha que sou socialista sem ter a menor idéia do que significa isso. Logo, eu? Hahahahahahahaha!
    Me lembro que no governo FHC sofri o mesmo tipo de patrulha. Sou independente politicamente, e isso irrita muita gente.
    Jamais votaria num partido que me aceitasse como seu correligionário. Hahahahahahaha.
    Meu bordão?
    Penso logo escrevo.

  10. Welllington Diz:

    É Ailton quase a de Canindé Queiroz da Gazeta do do Oeste que é “Penso Logo”. Hehehehehehe

  11. Carlos Munhoz Diz:

    Caro Ailton,
    Aqui quem escreve é o imbecil Carlos Munhoz.
    Agradeço suas diversas visitas ao meu humilde blog.
    Agradeço os comentários, também. Seus argumentos não me deixam outra opção senão mudar de idéia sobre o que eu escrevera sobre você.

    Afinal, você não entendeu o que está escrito lá, ou não quis. Acho mais provável a primeira situação, mas…..enfim….

    Só para deixar claro: não te chamei de “socialista”. Novamente, o problema é o analfabetismo funcional. Tente ler novamente, com calma……
    O termo foi “socialista-ameba de terceira categoria”.
    Se conseguir, pense um pouquinho para tentar entender o que isso significa. Qualquer dúvida, deixe mais 28 recados mal-criados lá, e tentarei te ajudar mais tarde.

    Quanto ao texto que você reproduziu, de autoria de Bernardo Kucinski…..putz, isso não é um puxa-saquismo deslavado do molusco inePTo ? Não, claro…..é apenas a comprovação cabalística do caráter “independente” do seu “jornalismo”, né ?!

    A propósito: sobre o tal “anonimato” que você me creditou, leia uma explicação bastante didática (que talvez ATÉ você entenda) aqui: http://saladamaejoana.wordpress.com/2008/01/09/2007-a-midia-golpista-e-a-midia-chapa-branca/

    Boa sorte na leitura !!!

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