Aílton Medeiros
"Não consigo tomar partido por um sujeito, por um partido, por uma classe, por um país, por um filósofo, ou mesmo por uma filosofia, por um poeta, por uma escola literária, por um regime político. Tenho horror ao um..." (Alceu Amoroso Lima)

CRIME E CASTIGO

O advogado e jurista Saulo Ramos aborda a crise do Senado na “Folha” deste domingo. O  artigo cujo título é “Pode repetir-se o castigo” termina assim:

Sarney tem algo que não agrada ao imediatismo da crítica popular. Quer fazer tudo dentro da lei porque a lei é a razão isenta de paixão. Contra isso levanta-se o ódio de algumas pessoas, sob a hipócrita justificativa de que a isenção seria assegurada pelo seu afastamento, e não pela aplicação do direito.

Na Roma antiga, Sêneca já advertia: a razão quer decidir o que é justo, a cólera quer que se ache justo o que ela já decidiu. Nosso país precisa aprender com as lições do passado.

Sarney já foi submetido a um linchamento igual, pelos mesmos políticos, os mesmos veículos de comunicação, com pequenas variações, o mesmo estilo de acusações destituídas de seriedade até pelo volume crescente e diário da campanha sistemática sem verdade alguma que se comprovasse. Tudo igual.

O resultado daquela primeira vez levou o Brasil a ser governado por um Fernando Collor. O castigo pode repetir-se.

Abaixo, o texto na íntegra:

SOUBE QUE José Sarney foi avisado para não se candidatar a presidente do Senado porque o mundo desabaria sobre ele como um vulcão de coisas impossíveis. Já às vésperas das eleições para a Presidência da República e para o Congresso, com renovação de dois terços do Senado, a empreitada seria temerária. Ele seria o primeiro alvo.

Aceitou a candidatura já provocando o primeiro impossível: PSDB e PT juntos do lado contrário. E cometeu a segunda impossibilidade: ganhou as eleições.

A despeito de sua história de serviços prestados ao Brasil, a despeito de uma vida parlamentar de mais de 30 anos sem nenhuma acusação, tornou-se, de uma hora para a outra, o alvo de todas as raivas, a Geni de todos os ansiosos para virar notícia de jornal, com acusações de todos os naipes alinhavadas, umas atrás das outras, para alimentar um noticiário continuado contra sua permanência no cargo.

Houve uma época em que todo o mundo acusava Sarney de haver distribuído rádios e televisões aos constituintes para obter um mandato de cinco anos. Depois ficou demonstrado que seu mandato era de seis anos e que a acusação era ridícula, pois ele renunciou a um ano. Ninguém mais falou no assunto. Mas, agora, o que acontece agora?

Seria simples revanchismo dos derrotados na eleição da Mesa Diretora, dentre os quais há um especializado em vinganças miúdas?

Ou, tendo o início nessa motivação, vislumbrou-se atribuir os escândalos do Senado concentrados a um único senador para atingir a estabilidade da instituição e evitar a apuração das responsabilidades por atos acusados de ilícitos e que ele próprio mandou apurar?

Ou, como ocorre quando aguçadas ambições políticas, sem respaldo popular, desesperaram-se e pretendem tumultuar a governabilidade do país para colher frutos eleitorais no próximo ano, que os ameaça com estiagem de votos? Ou é tudo isso conexo, misturado, conjugado e orquestrado? A vida pública de Sarney foi sempre pautada pelos valores da democracia. Daí seu apego ao diálogo, ao entendimento, às formas consensuais para a solução dos problemas.

Com esse comportamento, fez com que o país, em momentos relevantes de sua história, se reconciliasse e reencontrasse o seu destino de grande nação democrática. No momento em que o Brasil esteve na iminência de sofrer um retrocesso para o totalitarismo, apaziguou as partes em conflito e administrou com humildade os ânimos extremistas que desejavam impedir a volta do Brasil ao Estado de Direito.

Convocou a Constituinte, ajudou, com serenidade, os trabalhos da institucionalização do país submetida a enormes embates e tensões. Foi acusado de não dar murros na mesa. Soube conduzir o Brasil para a legalidade estabilizada, da qual desfrutam as novas gerações com plenas liberdades públicas e políticas.

Para que serviu tudo isso? Para os jornais aceitarem futricas plantadas sobre atos secretos do Senado ocorridos durante os últimos 15 anos como se todos tivessem sido por ele praticados nos últimos 15 dias?

Não se pode admitir que uma obra dessa grandeza e de mais de meio século seja, em minutos, esfarelada por intrigas de interesses subalternos, provocadas por ambições eleitorais a serem tentadas no próximo ano, quando, passadas as eleições, ninguém mais falará em nada nem o acusará de coisa alguma, como não o fizeram durante 30 anos de Congresso e não o haviam feito enquanto não se tornou presidente do Senado em véspera de ano eleitoral.

Culpado é o Sarney. Fora, Sarney! Mas como chegar a essa conclusão doidivanas se por ele foram acionados todos os mecanismos de controle e investigação disponíveis, o Ministério Público, o Tribunal de Contas da União e a Policia Federal, para investigar tudo naquele templo de mistérios que é o Senado Federal?

Sarney tem algo que não agrada ao imediatismo da crítica popular. Quer fazer tudo dentro da lei porque a lei é a razão isenta de paixão. Contra isso levanta-se o ódio de algumas pessoas, sob a hipócrita justificativa de que a isenção seria assegurada pelo seu afastamento, e não pela aplicação do direito. Na Roma antiga, Sêneca já advertia: a razão quer decidir o que é justo, a cólera quer que se ache justo o que ela já decidiu.

Nosso país precisa aprender com as lições do passado. Sarney já foi submetido a um linchamento igual, pelos mesmos políticos, os mesmos veículos de comunicação, com pequenas variações, o mesmo estilo de acusações destituídas de seriedade até pelo volume crescente e diário da campanha sistemática sem verdade alguma que se comprovasse.

Tudo igual. O resultado daquela primeira vez levou o Brasil a ser governado por um Fernando Collor. O castigo pode repetir-se.

9 respostas para 'CRIME E CASTIGO'

  1. tomaz sarto Diz:

    permita-me repassar o outro lado da noticia
    Ele é o Maluf de lá?

    Este é o nosso excepcional homem que, segundo o Presidente Lula, não deve ser julgado ou ser tratado como um cidadão comum. Mas que nem respeita a Constituição e nem a família, pois como avô não sabe sequer onde seus netos trabalham e como conseguiram. Infelizmente as Bolsas falta de trabalho e estudo estão aí e não tenho a menor idéia de como nos livraremos disso.

    O Maranhão fica no Brasil ???!!!

    Por favor, após leitura, envie para parentes e amigos para que façam o mesmo, para que muitos saibam.

    cid:465293665

    – Para nascer, Maternidade Marly Sarney;

    – Para morar, escolha uma das vilas: Sarney, Sarney Filho, Kiola Sarney ou, Roseana Sarney;

    – Para estudar, há as seguintes opções de escolas: Sarney Neto , Roseana Sarney, Fernando Sarney, Marly Sarney e José Sarney;

    – Para pesquisar, apanhe um táxi no Posto de Saúde Marly Sarney e vá até a Biblioteca José Sarney, que fica na maior universidade particular do Estado do Maranhão, que o povo jura que pertence a um tal de José Sarney;

    – Para inteirar-se das notícias, leia o jornal O Estado do Maranhão, ou ligue a TV na TV Mirante, ou, se preferir ouvir rádio, sintonize as Rádios Mirante AM e FM, todas do tal José Sarney. Se estiver no interior do Estado ligue para uma das 35 emissoras de rádio ou 13 repetidoras da TV Mirante, todas do mesmo proprietário, do tal José Sarney;

    – Para saber sobre as contas públicas, vá ao Tribunal de Contas Roseana Murad Sarney (recém batizado com esse nome, coisa proibida pela Constituição, lei que no Estado do Maranhão não tem nenhum valor);

    – Para entrar ou sair da cidade, atravesse a Ponte José Sarney, pegue a Avenida José Sarney, vá até a Rodoviária Kiola Sarney. Lá, se quiser, pegue um ônibus caindo aos pedaços, ande algumas horas pelas ‘maravilhosas’ rodovias maranhenses e aporte no município José Sarney.

    Não gostou de nada disso? Então quer reclamar? Vá, então, ao Fórum José Sarney, procure a Sala de Imprensa Marly Sarney, informe-se e dirija-se à Sala de Defensoria Pública Kiola Sarney…

    Seria cômico se não fosse tão triste….
    Infelizmente, os dados são verdadeiros…

    QUE PAPEL!!!!!!!

  2. Ailton Medeiros Diz:

    Sarto, o que dizer de Mossoró? Lá até lan house se chama Rosado. O exemplo poderia ser estendido aos Maias e Alves. Ora, ora, o Nordeste sempre foi dominado politicamente pelas oligarquias. As exceções só confirmam a regra.

  3. Geraldo Magela Diz:

    Parabens!
    V. abriu espaço para o advogado de Sarney. Afinal, todos merecem o duireito de desfesa.
    Tanto Sarney quanto Fábio Faria, mereceram esse direito de sua parte. Será que V. vai se candidatar a Santo Expedito dos poobres? Santo Expedito, o padroeiro das causas impoissíceis.

  4. Ailton Medeiros Diz:

    Geraldo, é muito fácil criticar Sarney atualmente. Você certamente é marinheiro de primeira viagem nas críticas ao coronel do Maranhão, tão diferente e tão igual aos coronéis Maias, Alves e Rosado. Este escriba, não. Em 1985 já espinafrava todos eles. Essa é a diferença.

  5. Carlos Diz:

    Sarney é um Ladrão igual aos outros.

  6. João Sena Diz:

    Repito: o povo brasileiro está procurando “Sarney” para se coçar.

  7. Nietzsche Diz:

    Ei, Ailton. Que tristeza, mais um jornalista chapa-branca… Que tal defender agora Renan, Collor, Severino, Jader, Gim Argello… Se Lula fizer isso você vai assinar embaixo também? O fato de haver outros coronéis no Brasil não significa que Sarney deve ser poupado. Vc parece ser daqueles que, se Lula fundar um partido nazista, gritará Hay Lula! Não percebe que se um dia o Agripino, ou qualquer outro, mudar de lado e apoiar o PT o Lula irá recebê-lo imediatamente, de braços abertos e afagos? Cadê o senso crítico?????

  8. Ailton Medeiros Diz:

    Cansei de você, Nietzsche.

  9. jomardo jomas Diz:

    Amigo Ailton, sem apelar para paixoes ou arroubos do momento de crucificaçao do Sarney, temos que fazer algumas reflexoes até bem simples:
    Sarney foi presidente por uma acaso do destino, como se diz em politica o cavalo passou selado, e mesmo dessa forma e com essa chance conseguiu fazer do seu governo um desastre economico com indices que refeltiam muito bem sua incompetencia administrativa e derespeito a populaçao. Ele e sua familia ja administram o MAranhao a pelo menos 40 anos, o Estado, um dos mais pobres do Brasil e com indices de desenvolvimento humano vergonhosos, vive numa completa miseria e conheci isso de perto em algumas viagens. Nao podemos nem comparar com outros estados porque realmente o Maranhao até hoje sofre pelo descaso administrativo da familia sarney. A sua eleiçao de senador pelo Amapá é um assinte ao povo daquele estado e porque nao dizer do Brasil. Sarney representa um dos maiores atrasos politicos do país e segundo o próprio LULA no passado “um larápio” para nao falar uma palavra mais forte. Junto hoje com Renan, Collor e outros membros dessa dignissima turma formam o que existe de mais despezivel na política.Infelizmente nao podemos negar que ali estao os representantes do povo brasileiro e como em toda sociedade sempre existirá a parcela podre e essa parcela tem nessas figuras sua grande representaçao.Abs fraternos.

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