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	<title>Comentários sobre: CRÔNICA DE UMA IMPORTALIDADE ANUNCIADA</title>
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		<title>Por: Lis</title>
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		<dc:creator>Lis</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 13 Feb 2010 20:38:18 +0000</pubDate>
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		<description>Antigamente, se morria
1907, digamos, aquilo sim
é que era morrer.
Morria gente todo dia,
e morria com muito prazer,
já que todo mundo sabia
que o Juízo, afinal, viria,
e todo mundo ia renascer.
Morria-se praticamente de tudo.
De doença, de parto, de tosse.
E ainda se morria de amor,
como se amar morte fosse.
Pra morrer, bastava um susto,
um lenço no vento, um suspiro e pronto,
lá se ia nosso defunto
para a terra dos pés juntos.
Dia de anos, casamento, batizado,
morrer era um tipo de festa,
uma das coisas da vida,
como ser ou não ser convidado.
O escândalo era de praxe.
Mas os danos eram pequenos.
Descansou. Partiu. Deus o tenha.
Sempre alguém tinha uma frase
que deixava aquilo mais ou menos.
Tinha coisas que matavam na certa.
Pepino com leite, vento encanado
praga de velha e amor mal curado.
Tinha coisas que têm que morrer,
tinha coisas que têm que matar.
A honra, a terra e o sangue
mandou muita gente praquele lugar.
Que mais podia um velho fazer,
nos idos de 1916,
a não ser pegar pneumonia,
e virar fotografia?
Ninguém vivia pra sempre.
Afinal, a vida é um upa.
Não deu pra ir mais além.
Quem mandou não ser devoto
de Santo Inácio de Acapulco,
Menino Jesus de Praga?
O diabo anda solto.
Aqui se faz, aqui se paga.
Almoçou e fez a barba,
tomou banho e foi no vento.
Agora, vamos ao testamento.
Hoje, a morte está difícil.
Tem recursos, tem asilos, tem remédios.
Agora, a morte tem limites.
E, em caso de necessidade,
a ciência da eternidade
inventou a criônica.
Hoje, sim, pessoal, a vida é crônica.

(Paulo Leminski)</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Antigamente, se morria<br />
1907, digamos, aquilo sim<br />
é que era morrer.<br />
Morria gente todo dia,<br />
e morria com muito prazer,<br />
já que todo mundo sabia<br />
que o Juízo, afinal, viria,<br />
e todo mundo ia renascer.<br />
Morria-se praticamente de tudo.<br />
De doença, de parto, de tosse.<br />
E ainda se morria de amor,<br />
como se amar morte fosse.<br />
Pra morrer, bastava um susto,<br />
um lenço no vento, um suspiro e pronto,<br />
lá se ia nosso defunto<br />
para a terra dos pés juntos.<br />
Dia de anos, casamento, batizado,<br />
morrer era um tipo de festa,<br />
uma das coisas da vida,<br />
como ser ou não ser convidado.<br />
O escândalo era de praxe.<br />
Mas os danos eram pequenos.<br />
Descansou. Partiu. Deus o tenha.<br />
Sempre alguém tinha uma frase<br />
que deixava aquilo mais ou menos.<br />
Tinha coisas que matavam na certa.<br />
Pepino com leite, vento encanado<br />
praga de velha e amor mal curado.<br />
Tinha coisas que têm que morrer,<br />
tinha coisas que têm que matar.<br />
A honra, a terra e o sangue<br />
mandou muita gente praquele lugar.<br />
Que mais podia um velho fazer,<br />
nos idos de 1916,<br />
a não ser pegar pneumonia,<br />
e virar fotografia?<br />
Ninguém vivia pra sempre.<br />
Afinal, a vida é um upa.<br />
Não deu pra ir mais além.<br />
Quem mandou não ser devoto<br />
de Santo Inácio de Acapulco,<br />
Menino Jesus de Praga?<br />
O diabo anda solto.<br />
Aqui se faz, aqui se paga.<br />
Almoçou e fez a barba,<br />
tomou banho e foi no vento.<br />
Agora, vamos ao testamento.<br />
Hoje, a morte está difícil.<br />
Tem recursos, tem asilos, tem remédios.<br />
Agora, a morte tem limites.<br />
E, em caso de necessidade,<br />
a ciência da eternidade<br />
inventou a criônica.<br />
Hoje, sim, pessoal, a vida é crônica.</p>
<p>(Paulo Leminski)</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Tiago Holanda</title>
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		<dc:creator>Tiago Holanda</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Feb 2010 12:40:54 +0000</pubDate>
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		<description>Sei não, acredito que não estamos aqui á passeio e, em algum momento de nossas vidas &quot;isso&quot; fará algum sentido, espero, ou será que tudo que tem inicio poderá não terá fim? A nossa &quot;lógica&quot; responde que sim. Rapaz, acho que esse papo de imortalidade da carcaça humana é pura estupidez, infantilidade ou desvirtuação científica, né não?</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Sei não, acredito que não estamos aqui á passeio e, em algum momento de nossas vidas &#8220;isso&#8221; fará algum sentido, espero, ou será que tudo que tem inicio poderá não terá fim? A nossa &#8220;lógica&#8221; responde que sim. Rapaz, acho que esse papo de imortalidade da carcaça humana é pura estupidez, infantilidade ou desvirtuação científica, né não?</p>
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	<item>
		<title>Por: Bertram</title>
		<link>http://www.ailtonmedeiros.com.br/cronica-de-uma-importalidade-anunciada/2010/02/07/comment-page-1/#comment-90769</link>
		<dc:creator>Bertram</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Feb 2010 05:19:41 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.ailtonmedeiros.com.br/?p=11844#comment-90769</guid>
		<description>Saramago concorda com Sérgio Rovieri. Em sua obra &quot;As intermitências da morte&quot;, narra o escriba lusitano os fatos decorrentes exatamente da ausência de morte; a partir de primeiro de janeiro de determinado ano, ninguém houve de morrer mais nos limites de uma cidade não identificado. As consequências sociais, políticas e econômicas da condenação à vida são mostradas com aquele jeito especial e único que Saramago tem de criar, romantizar e escrever sobre situações absurdas, tal qual fez em &quot;Ensaio sobre a cegueira&quot; e em &quot;Jangada de Pedra&quot;.

Leitura extremamente recomendada.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Saramago concorda com Sérgio Rovieri. Em sua obra &#8220;As intermitências da morte&#8221;, narra o escriba lusitano os fatos decorrentes exatamente da ausência de morte; a partir de primeiro de janeiro de determinado ano, ninguém houve de morrer mais nos limites de uma cidade não identificado. As consequências sociais, políticas e econômicas da condenação à vida são mostradas com aquele jeito especial e único que Saramago tem de criar, romantizar e escrever sobre situações absurdas, tal qual fez em &#8220;Ensaio sobre a cegueira&#8221; e em &#8220;Jangada de Pedra&#8221;.</p>
<p>Leitura extremamente recomendada.</p>
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