DA BARBÁRIE À DECADÊNCIA
Nizan Guanaes tem razão: nem a Bahia aguenta o Axé!
Reportagem de Bruna Bittencourt na “Folha” informa que o movimento que completa 25 anos cresce no Brasil e perde espaço na Bahia.
Em Natal artistas como Claudia Leitte, Iveth Sangalo e Bel são tratados como deuses. O que significa isso? Que a Taba passou da barbárie à decadência sem conhecer o apogeu.
Abaixo, trechos da reportagem:
Foi Luiz Caldas quem inaugurou a axé music em 1985 com o sucesso de “Fricote”. A música do cantor, da qual até hoje ninguém conseguiu esquecer o refrão (“Nega do cabelo duro, que não gosta de pentear…”), é considerada o marco zero do gênero baiano.
Neste ínterim de 25 anos, assistimos a uma lucrativa indústria se formar em torno do axé e do Carnaval –fora de época ou não–, alçando seus artistas entre os mais populares e lucrativos da música brasileira. Enquanto isso, o gênero cresceu para além de Salvador, se espalhando pelo Brasil e para fora dele. Mas, em um movimento inverso, perdeu espaço dentro da Bahia para outros gêneros.
“A axé music era avassaladoramente a mais executada, a mais ouvida, a mais pedida. Ela perdeu espaço nas ruas”, defende Milton Moura, professor de história da Universidade Federal da Bahia e estudioso do gênero. “No auge, nos anos 90, quando vendia milhões de cópias, o axé era 90%.
Os outros gêneros eram muito poucos. Hoje, está mais equilibrado”, afirma o jornalista do “Correio” da Bahia Osmar Martins, que já visitou dez países acompanhando shows de artistas de axé. “Mas ele ainda é tocado o ano inteiro e, quando chega o Carnaval, ganha uma dimensão maior”, diz.
Moura cita o crescimento de gêneros como o arrocha –um “bolerão popular”–, o pagode baiano –”um desdobramento do samba de roda, que se modernizou a partir dos anos 90″– e o forró eletrônico como responsáveis pelo decréscimo –e não declínio, pontua– do axé dentro da Bahia.
“Quando outros ritmos populares começam a ficar importantes, o axé se sofistica, também através de conexões na MPB, procurando atrair um público de classe média de outros lugares”, afirma Moura, lembrando o contingente de foliões de outros Estados nos blocos de Salvador no Carnaval.
Carlinhos Brown, por exemplo, assinou parcerias com Paralamas do Sucesso, Marisa Monte e Arnaldo Antunes, além de se enveredar pela música caribenha. Daniela Mercury gravou composições de Lenine e Chico César e flertou com a eletrônica.
“A Ivete diz que é uma cantora de axé. Mas se você ouve “Pode Entrar” [disco com convidados como Marcelo Camelo a Maria Bethânia], é uma cantora pop”, completa Martins. “Os nomes mais importantes hoje são aqueles que fazem sucesso fora da Bahia”, defende Moura.
Para o crítico musical Hagamenon Brito, que cunhou o termo “axé music”, esta geração de cantores é “envelhecida”, citando o Asa de Águia, que como o Chiclete com Banana, começou nos anos 80. “Os ídolos de hoje são os mesmos dos anos 90″, diz Moura. Hagamenon completa: “Para o tamanho da indústria, a renovação é pequena. Surgem novos nomes, que não viram estrelas”.
A última a se tornar uma delas, entre vários outros artistas de poucos carnavais, Claudia Leitte tateia sua identidade musical, mas já bem diferente daquele que Luiz Caldas construiu nos anos 80.



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11/03/10 às 0:29
Musicalmente falando, o Axé, não o é faz tempo. O ritmo mudou completamente em 25 anos. E está cada vez mais perto de ser um lixo total como o Funk. Veja no carnaval da Bahia se a grande maioria dos foliões não são turistas…
11/03/10 às 8:10
Olá…
Se uma coisa Nizan Guanaes não tem é a razão. Ele cospe no prato que inventou, comeu, continua comendo e arrotando. Não que a pessoa não tenha o direito de rever os seus conceitos. Não é isso. Mas em se tratando de Nizan Guanaes, um dos caras que foi responsável pelo boom que o gênero ganhou no Brasil… Acho muita hipocrisia…
12/03/10 às 1:23
Implicar ou ser do contra gratuitamente não se eve dar crédito algum. Sobretudo quando vem de uma pessoa que não especialçista no assunto.
16/03/10 às 15:29
O importante é que o axé music empregou e continua empregando muita gente, colocando comida em muitos pratos que, sem esta, estariam vazios. Isso é a MPB ( Música Popular Brasileira). Ninguém é obrigado a gostar de axé, funk, arrocha, bossa nova… o importante é cada um respeitar o espaço do outro e brindar a paz.