DIAS DE IRA
Por Maria Luiza Tonelli:
Ailton,
você está sendo generoso com José Serra ao dizer que o artigo é longo e chato. Na verdade, trata-se de um artigo incendiário, como diz Miguel do Rosário no seu blog Óleo do Diabo. Muito engraçada, para não dizer hilária, a postura dos tucanos com relação ao presidente do Irã.
Serra diz no artigo que a eleição de Ahmadinejad foi ilegítima mas não teve peito de dizer que a primeira eleição de Bush foi uma fraude. Alguém por acaso viu alguma indignação de Serra e sua trupe contra o golpe em Honduras?
Só vi até agora esse povo criticando o governo Lula por estar dando abrigo ao presidente deposto na embaixada do Brasil.
Esse povo tem síndrome de capataz. Sabe o que é isso? É aquela conduta do sujeito prepotente e arrogante frente ao que ele acha inferior e subserviente diante daqueles que ele considera igual ou melhor do que ele.
Quem não se lembra do caso do ministro das Relações Exteriores de FHC, que teve que ficar descalço no aeroporto dos EUA no governo Bush, quando qualquer um era suspeito de terrorismo?
Serra por acaso já escreveu algum artigo condenando a prisão de Guantánamo em nome dos Direitos Humanos? Escreveu algum artigo criticando Israel pelas atrocidades no Líbano e recentemente na faixa de Gaza?
Talvez Serra não considere humanos os libaneses e os palestinos, não é mesmo? Alguém por acaso leu algum artigo tucano contra o que os EUA fizeram no Iraque com base na mentira das armas de destruição em massa de Sadan Hussein? Quanto ao Holocausto, respeito sua opinião, embora não concorde.
Todavia, uma coisa é verdade: a propaganda exaustiva existe e tira-se muita vantagem disso. Para quem interessar possa, há um livro muito interessante escrito pelo cientista político Norman Finkelstein, que é judeu,vale salientar, onde analisa o genocídio dos judeus abordando, aliás, questionando os reais motivos do interesse da mídia e dos governos sobre a questão judaica.
Nome do livro: “A indústria do Holocausto”. Em tempo: no Irã vivem muitos judeus e não são perseguidos. O que a mídia faz, ao invés de esclarecer que há um problema entre os governos do Irã e de Israel, é fabricar a opinião de um antisemitismo iraniano tout court.
Enquanto Lula é criticado por trabalhar para promover o diálogo e a paz no Oriente Médio, Serra, com seu artigo, dá uma demonstração do que seria sua política de relações internacionais.
É como diz Miguel do Rosário: ” Com um presidenciável não comprometido com a paz mundial, o Brasil corre o risco, se eleger Serra, de contribuir para a instabilidade política do planeta”.



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24/11/09 às 21:15
PERFEITO!