É GUERRA
No dia 7 deste mês escrevi o seguinte post:
Há poucos dias houve uma discreta reunião entre três editores, dois colunistas e um manda-chuva de “O Globo” num restaurante do Rio. O recado aos subordinados foi curto e grosso: o jornal deve abrir mais espaço aos candidatos Aécio Neves e Marina Silva. E não poupar a ministra Dilma Rousseff. Quem viver, verá.
Que a grande imprensa está metida até a última gota de sangue na campanha dos tucanos ninguém duvida mais, certo?
O que o leitor comum certamente desconhece é a estratégia da mídia para atingir seu alvo. Não importa os custos. Os fins justificam os meios. O jornalista Mauro Carrara explica no artigo abaixo os detalhes da operação. Leiam:
“Tempestade no Cerrado”: é o apelido que ganhou nas redações a operação de bombardeio midiático sobre o governo Lula, deflagrada nesta primeira quinzena de Março, após o convescote promovido pelo Instituto Millenium.
A expressão é inspirada na operação “Tempestade no Deserto”, realizada em fevereiro de 1991, durante a Guerra do Golfo.
Liderada pelo general norte-americano Norman Schwarzkopf, a ação militar destruiu parcela significativa das forças iraquianas. Estima-se que 70 mil pessoas morreram em decorrência da ofensiva.
A ordem nas redações da Editora Abril, de O Globo, do Estadão e da Folha de S. Paulo é disparar sem piedade, dia e noite, sem pausas, contra o presidente, contra Dilma Roussef e contra o Partido dos Trabalhadores.
A meta é produzir uma onda de fogo tão intensa que seja impossível ao governo responder pontualmente às denúncias e provocações.
As conversas tensas nos “aquários” do editores terminam com o repasse verbal da cartilha de ataque.
1) Manter permanentemente uma denúncia (qualquer que seja) contra o governo Lula nos portais informativos na Internet.
2) Produzir manchetes impactantes nas versões impressas. Utilizar fotos que ridicularizem o presidente e sua candidata.
3) Ressuscitar o caso “Mensalão”, de 2005, e explorá-lo ao máximo. Associar Lula a supostas arbitrariedades cometidas em Cuba, na Venezuela e no Irã.
4) Elevar o tom de voz nos editoriais.
5) Provocar o governo, de forma que qualquer reação possa ser qualificada como tentativa de “censura”.
6) Selecionar dados supostamente negativos na Economia e isolá-los do contexto.
7) Trabalhar os ataques de maneira coordenada com a militância paga dos partidos de direita e com a banda alugada das promotorias.
8) Utilizar ao máximo o poder de fogo dos articulistas.
Quem está por trás
Parte da estratégia tucano-midiática foi traçada por Drew Westen, norte-americano que se diz neurocientista e costuma prestar serviços de cunho eleitoral.
É autor do livro The Political Brain, que andou pela escrivaninha de José Serra no primeiro semestre do ano passado.
A tropicalização do projeto golpista vem sendo desenvolvida pelo “cientista político” Alberto Carlos Almeida, contratado a peso de ouro para formular diariamente a tática de combate ao governo.
Almeida escreveu Por que Lula? e A cabeça do brasileiro, livros que o governador de São Paulo afirma ter lido em suas madrugadas insones.
O conteúdo
As manchetes dos últimos dias, revelam a carga dos explosivos lançados sobre o território da esquerda.
Acusam Lula, por exemplo, de inaugurar uma obra inacabada e “vetada” pelo TCU.
Produzem alarde sobre a retração do PIB brasileiro em 2009.
Criam deturpações numéricas.
A Folha de S. Paulo, por exemplo, num espetacular malabarismo de ideias, tenta passar a impressão de que o projeto “Minha Casa, Minha Vida” está fadado ao fracasso.
Durante horas, seu portal na Internet afirmou que somente 0,6% das moradias previstas na meta tinham sido concluídas.
O jornal embaralha as informações para forjar a ideia de que havia alguma data definida para a entrega dos imóveis.
Na verdade, estipulou-se um número de moradias a serem financiadas, mas não um prazo para conclusão das obras. Vale lembrar que o governo é apenas parceiro num sistema tocado pela iniciativa privada.
A mesma Folha utilizou seu portal para afirmar que o preço dos alimentos tinha dobrado em um ano, ou seja, calculou uma inflação de 100% em 12 meses.
A leitura da matéria, porém, mostra algo totalmente diferente. Dobrou foi a taxa de inflação nos dois períodos pinçados pelo repórter, de 1,02% para 2,10%.
Além dos deturpadores de números, a Folha recorre aos colunistas do apocalipse e aos ratos da pena.
É o caso do repórter Kennedy Alencar. Esse, por incrível que pareça, chegou a fazer parte da assessoria de imprensa de Lula, nos anos 90.
Hoje, se utiliza da relação com petistas ingênuos e ex-petistas para obter informações privilegiadas. Obviamente, o material é sempre moldado e amplificado de forma a constituir uma nova denúncia.
É o caso da “bomba” requentada neste março. Segundo Alencar, Lula vai “admitir” (em tom de confissão, logicamente) que foi avisado por Roberto Jefferson da existência do Mensalão.
Crimes anônimos na Internet
Todo o trabalho midiático diário é ecoado pelos hoaxes distribuídos no território virtual pelos exércitos contratados pelos dois partidos conservadores.
Três deles merecem destaque…
1) O “Bolsa Bandido”. Refere-se a uma lei aprovada na Constituição de 1988 e regulamentada pela última vez durante o governo de FHC. Esses fatos são, evidentemente, omitidos. O auxílio aos familiares de apenados é atribuído a Lula. Para completar, distorce-se a regra para a concessão do benefício.
2) Dilma “terrorista”. Segundo esse hoax, além de assaltar bancos, a candidata do PT teria prazer em torturar e matar pacatos pais de família. A versão mais recente do texto agrega a seguinte informação: “Dilma agia como garota de programa nos acampamentos dos terroristas”.
3) O filho encrenqueiro. De acordo com a narração, um dos filhos de Lula teria xingado e agredido indefesas famílias de classe média numa apresentação do Cirque du Soleil.



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14/03/10 às 21:58
Não quero falr aquí de uma revista de quinta categoria, que VEJA, só publica mentiras. No dia que a Folha de São Paulo puiblicou que a ditadura militar, deveria chmar-se de ditabranda, esse jornal nivelou-se pelo nível da lama ideologica e furibunda. Esses canastrões haverão de inventar calunias e insuflar a discórdia. Haveremos de derrota-los com a força da consciência que o povo tem de que a volta da coligação nefasta PSDB/PFL (genérico de coisa ruím), é indesejada, pois só nos truxe infelicidades, para o Brasil e para os Brasileiros.
15/03/10 às 9:31
Ailton, essa artilharia já existe. Como vem eleição por aí, ela se organiza em uma comissão de frente para apresentar um enredo que todos conhecem bem: o preconceito contra o governo Lula. Mas acho que com a internet, a coisa dessa vez vai ser diferente. O PIG perde cada vez mais força e, por causa do desespero, muita podridão vai sair da geladeira.
15/03/10 às 16:09
Aírtom os extra-terrestres invadirão o mundo! Escreva algo sobre, já que você é adepto e defensor das Teorias das Conspirações.
15/03/10 às 16:48
Essa matéria…….da ao “plano”…….a conotação….do espião….”português”…..que exibia….no chapeu…..o nome….”espião”……………kkkkkkkkkkkkkkkkkk
15/03/10 às 18:00
Ailton, mesmo assim, acredito e digo como o Lula – quando classificou e, teve razão, a crise mundial como “Uma Marolinha”, que realmente, por aqui, no Brasil, não passou disso – então, esse rolo compressor que você descreve, especialmente, para mim, não passará de uma maquetezinha de brinquedo.
Depois dos últimos grandes feitos de Lula, por aqui e mundo à fora, não tenho nenhuma dúvida que, na primeira afobação dele, tudo isso ai, será reduzido à pó.
Eu acredito nisso!
Fui!
15/03/10 às 20:13
MAIS UMA QUE A MÍDIA TUCANA NÃO DIVULGARÁ
Em um momento que a mídia oposicionista (brasileira) e a oposição manipulam informações, criam factoides, requentam notícias e fazem todo tipo de esforço para dizer que o governo Lula tem uma ligação direta com a corrupção no país, a Polícia Federal divulga números que desmoralizam a intenção dos oposicionistas e mídia demotucanos.
Foram quase 30.000 mil casos investigados (29.839), destes, 13.978 apuram casos de peculato (apropriação de dinheiro público); 3.649 investigam prevaricação (autoridade deixa de cumprir ato de ofício por interesse próprio); 3.488 casos por corrupção passiva; 3292 investigam fraudes em licitação; 2.240 são por corrupção ativa. Foram presos ainda, 13.024 suspeitos, destes, 5.138 apenas em 2008 e 2009, segundo o relatório da PF.
Esses números desmascaram a mídia golpista que tenta empurrar para o povo brasileiro, a mentira de que não há combate a corrupção neste país. A falta de investigação e a complacência com a corrupção ocorreram no período governado pelo PSDB e continua em São Paulo, onde mais de 9o pedidos de CPIs foram engavetados pelos governos tucanos. No governo Lula, existe investigação e “ricos, loiros e de olhos azuiz” vão para a cadeia, apesar da mídia não querer. Em que outro governo, a PF investigou e prendeu tanto corruptos?
15/03/10 às 21:28
Meu caro Ailton,]
Voce só tem graça escrevendo sobre os assuntos da taba. Fora disso, é um chato de galocha.
16/03/10 às 3:04
Aprenda pelo menos a escrever meu nome correto, James.
16/03/10 às 23:48
Desculpe, Ailton, mas a resposta vai um pouco longa: A ECONOMIA NOSSA E A DELES. – HORA DO POVO.
Logo, eles estão com um problemão, porque a Dilma sabe tudo sobre marxisismo.
Do ponto de vista dos diversos componentes do Produto Interno Bruto (PIB), o “crescimento negativo” de -0,2% em 2009, divulgado pelo IBGE na quinta-feira pela manhã, e ainda sujeito a revisões, deve-se a duas outras quedas, cada uma com um peso diferente no cálculo do PIB:
1) O volume de valor agregado (ou “valor adicionado”) na produção interna de mercadorias, e na oferta de serviços, caiu para -0,1% do PIB.
2) Os impostos sobre os produtos (portanto, incorporados ao seu “valor final”, isto é, ao seu preço) caíram 0,8%.
O PIB é uma conta geral sobre o valor dos serviços e das mercadorias produzidas durante um ano dentro do país. Por isso, é interessante examinar seus componentes. O problema, portanto, é o que significam esses números, até porque o estardalhaço de parte da mídia serrista (a privilegiada mente do Otavinho logo produziu a manchete: “Brasil teve o pior PIB em 17 anos” – o que é literalmente falso) não tem apenas o objetivo de fazer campanha para Serra.
Ou, melhor, seria mais exato dizer que, para se prestar a panfleto de campanha eleitoral, essa mídia tem que evitar e desviar a atenção de qualquer análise séria sobre o que aconteceu, já que é diretamente responsável por esse resultado – não apenas pelo terrorismo pró-crise a partir do final de 2008, mas, sobretudo, porque o resultado do PIB de 2009 é uma consequência do que ainda não foi modificado na política econômica, em relação àquela do governo que ela apoiou, bajulou e açulou durante oito anos – ou seja, o governo em que seu candidato a presidente foi ministro do Planejamento.
“CHAVE DE OURO”
A “Veja”, que é mais competente em patifarias – e é serrista porque, antes de tudo, é “wallstreetista” – preferiu apoiar a linha “chave de ouro” do ministro Mantega, segundo a qual o resultado do PIB mostra que a economia brasileira está muito bem, pois outros países foram piores, e, de qualquer forma, os resultados do quarto trimestre de 2009 mostrariam que já saímos da crise, portanto não temos mais que falar no assunto. Essa impressionante solidez econômica, naturalmente, é devida ao descortínio de… Fernando Henrique, que deixou o país tão bem que nem um operário metalúrgico conseguiu estragá-lo. Segundo a revista dos Civita, “os juros devem subir” em 2010, mas “a perspectiva é maravilhosa” (sic), “caso não haja outra crise internacional”. De onde se conclui que a “Veja” conseguiu terminar com a crise atual nos EUA, Europa e Japão. Só falta avisar ao Obama, ao Sarkozy e a outros homens de pouca fé.
Por mais que seja rebarbativo lembrar mais uma vez, não é a ministra Dilma que eles querem na Presidência. Aliás, na mesma edição, continua de uma maneira particularmente sórdida a campanha de difamação contra o PT e o presidente Lula. Como sabe o leitor, no dia em que a “Veja” defender algo a favor do Brasil, do povo brasileiro ou do atual governo, teremos a certeza de que o mundo vai acabar. Portanto, desse perigo nós não vamos morrer.
Mas voltemos ao PIB: no resultado de 2009, a questão que essa mídia – e tudo o que há de mais reacionário no país – procura esconder é: por que entramos na crise dos países centrais?
Este é o problema expresso pelos números do PIB de 2009: por que essa crise, externa ao país, nos atingiu, ao contrário de crises anteriores nos EUA e Europa, em que o nosso país cresceu – e conseguiu, até mesmo, iniciar um novo ciclo de desenvolvimento durante a crise dos países centrais?
Não há “chave de ouro” que nos permita fugir a essa questão, exceto para quem considera que o Brasil tem automaticamente de entrar em crise quando os EUA entram em crise; para quem acha que o Brasil e sua economia devem ser, para todo o sempre, apêndices dos EUA e da economia norte-americana, mesmo quando a última está à beira da falência; e que tudo deve ser assim porque tem de ser assim. A mídia, ao contrário dos babaquaras que acreditam nela, sabe que nada disso é natural e que não é fácil manter o Brasil nessa camisa de força. Por isso, emprega tantos escribas de aluguel para afirmar que isso é a ordem normal das coisas.
No entanto, o problema poderia, ainda, ser formulado de outro modo: por que houve países que não entraram em crise? Por que a crise nos atingiu apesar dos esforços do presidente Lula – a história fará sua homenagem – que, na pior crise externa dos últimos 80 anos, impediu o desastre que houve aqui nas quebras do México, Ásia e Rússia, em que, segundo Fernando Henrique, nada havia a fazer, exceto piorar a situação com um aumento cavalar dos juros?
Se a crise conseguiu rebaixar um crescimento de +6,6% (terceiro semestre de 2008) para -0,2% (2009), apesar de todos os esforços, isso somente quer dizer que algo necessita ser mudado para que esses esforços não sejam baldados. Mas isso é, exatamente, o que a oposição, na mídia e em outros antros, não quer que seja mudado.
Voltemos, então, às duas questões iniciais.
VALOR AGREGADO
A segunda delas não demanda maiores explicações. A queda nos impostos incorporados aos produtos é devida à diminuição de 2,9% no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e de 11,9% no Imposto sobre Importação (I.I.). A queda no IPI incorporado ao preço dos produtos foi em razão de isenções e reduções estabelecidas pelo governo após a eclosão da crise dos EUA (só no primeiro semestre de 2009, essas isenções e reduções fizeram o governo arrecadar menos R$ 1,817 bilhão de IPI, o que foi compensado só parcialmente por outros impostos). A queda no I.I. teve por causa a própria queda nas importações – não que elas fossem poucas (US$ 127,6 bilhões em 2009, o equivalente a 4% do PIB); mas caíram em relação aos US$ 173 bilhões de 2008.
Quanto à primeira questão – a queda no “valor agregado” – nós temos, realmente, um problema, que já foi bastante abordado antes da crise atual, entre outros pelo ex-ministro Delfim Netto. Portanto, é um problema que nada tem a ver com a crise atual, mas que esta tornou prementemente agudo.
Para os leitores que estão pouco acostumados à essa terminologia, que às vezes transforma coisas simples em algo que parece o próprio bicho de sete cabeças: “valor agregado” (ou, como prefere o IBGE, “valor adicionado”) é a diferença entre o valor da produção e o valor dos insumos e/ou bens intermediários usados nessa produção. Ou, o que é dizer a mesma coisa, a diferença entre o valor das mercadorias produzidas pelas empresas e o valor dos produtos que essas empresas consumiram para produzir essas mercadorias. Em suma, é o valor acrescentado (“adicionado” ou “agregado”) no processo de produção de uma mercadoria. Como sabe intuitivamente a maioria das pessoas, o aço produzido por uma siderúrgica tem mais “valor” do que a soma do valor dos insumos (minério de ferro e outros) que foram utilizados para produzi-lo, diferença de valor que se expressa na diferença de preço dessas mercadorias.
Evidentemente, quanto menos valor uma economia mercantil “agrega” ou “adiciona”, mais primitiva, mais dependente e mais miserável ela será, ou seja, menos possibilidade terá de criar riqueza real e satisfazer aos seres humanos – pois qualquer economia é, no final das contas, uma associação de seres humanos com a finalidade de produzir – e mais espoliado será o país.
Em 2009, comparado ao ano anterior, o volume de valor agregado pela indústria de transformação foi -7%. Na agropecuária, -5,2% (houve queda na produção de trigo, milho, café em grão e soja). Somente no setor de serviços o volume de valor agregado subiu: +2,6%, sobretudo devido à “intermediação financeira e seguros” (+6,5%). Porém, dentro dos serviços, o valor agregado caiu no comércio e nos transportes – ou seja, nos serviços mais ligados à produção.
Não foi somente a crise a responsável pela queda no valor agregado da economia. Na verdade, o terreno já estava minado. A crise fez explodir algumas dessas minas. A queda na taxa de investimento, com um decréscimo de 9,9% na Formação Bruta de Capital Fixo (compra de máquinas, equipamentos e outros fatores necessários à produção), é a mais evidente consequência desse terreno minado, que, por outro caminho, poderia ter sido evitado.
INDÚSTRIA
Vejamos os fatos no setor-chave para a agregação de valor, a indústria: entre 1971 e 1980, a média anual de volume do valor agregado pela indústria às mercadorias foi de 9,38% do PIB. Depois da crise da dívida, na década de 80, e do barbarismo perpetrado pelo governo Collor, a indústria conseguiu chegar quase ao mesmo nível do período 1971-1980: em 1993, o volume de valor agregado na indústria foi 8,06% do PIB e 8,05% em 1994 (ver tabela).
Nessa época, as empresas brasileiras, como escreveu o atual presidente do BNDES, “vislumbravam planos de investimento de grande escala” (cf. Luciano Coutinho, “A especialização regressiva: um balanço do desempenho industrial pós-estabilização”, in J.P. Reis Velloso (org.), “Brasil: desafios de um país em transformação”, José Olympio, 1997, pág. 104).
Esses planos foram abortados logo em seguida. Em seu primeiro ano de governo, Fernando Henrique conseguiu reduzir para 4,72% do PIB o valor agregado pela indústria; no ano seguinte, 1996, essa percentagem caiu a 1/8 daquela de 1994; o aumento em 1997 (4,24%) esteve longe de chegar ao patamar anterior ao governo Fernando Henrique – aliás, nem chegou ao resultado de 1995; em 1998, o volume de valor agregado foi negativo, o que se repetiu no ano seguinte, e o resultado de 2000 (4,83%) parece quase um milagre, apesar de sua mediocridade em relação a períodos anteriores. Mas, em 2001, essa taxa voltou a ser negativa (-0,62%), seguindo-se outra (2,08% em 2002) nada animadora.
No entanto, o governo Lula, que herdou uma economia perto da implosão, em 2004, com a queda nos juros, uma política ativa do BNDES nos financiamentos à indústria nacional no ano anterior e com o BC não conseguindo ainda sobrevalorizar o real, fez com que o valor agregado pela indústria quase voltasse ao nível anterior ao governo Fernando Henrique – 7,89% do PIB.
Infelizmente, não se conseguiu manter essa tendência – a alta dos juros, a hipervalorização do real e a entrada em volumes crescentes de “investimento direto estrangeiro” (IDE) não o permitiram.
CRISE
O sr. Luciano Coutinho, em outra época, escreveu que o governo Fernando Henrique “instalou um desincentivo à agregação de valor manufatureiro no país (….) com forte substituição de insumos locais por importados [e] rápida desnacionalização da indústria (….) reduzindo-se o grau de agregação de valor ao longo das respectivas cadeias industriais” (cf., op. cit., págs. 87, 92 e 94 – grifos nossos).
Para recuperar e aumentar o grau de valor agregado na indústria, portanto, não é remédio instalar filiais de multinacionais aqui dentro, ao invés de importar produtos acabados. Quando isso acontece – e tem acontecido muito amiúde – as importações passam a ser feitas pelas próprias filiais de multinacionais, sobretudo com o real hipervalorizado, como o BC o mantém desde 2005, o que barateia as importações de bens intermediários e componentes – e o resultado é que temos fábricas de celulares que apenas montam os componentes importados, fábricas de medicamentos que se especializam em importar insumos, fábricas de automóveis que são montadoras em sentido estrito, importando as peças de suas matrizes, e até fábricas de bens de capital que apenas revendem máquinas importadas – e que se dane o valor agregado dentro do país.
Em 1997, o sr. Coutinho fez duas advertências, que se mostraram inteiramente verdadeiras, sobre a estúpida entrada de “investimento direto estrangeiro” (IDE): “é também provável que gerem empreendimentos que operarão com coeficientes mais elevados de insumos e componentes importados (portanto, com nível significativamente mais baixo de agregação de valor no país)” – e, na página seguinte do mesmo livro: “dadas as características dos projetos (parte importante destinada a aquisições e fusões), não se deve esperar que os investimentos em curso tenham impacto igualmente significativo na expansão da renda e do emprego” (op. cit., págs. 100 e 101 – grifos nossos).
O “desincentivo” à agregação de valor, portanto, é constituído pelos juros altos, pela sobrevalorização do real e pelo escancaramento do país para que o capital estrangeiro tome suas empresas.
Com a crise externa, seria necessário baixar imediatamente – e a níveis racionais – os juros, acabar com a hipervalorização do real e dirigir os financiamentos do BNDES para as indústrias nacionais não-monopolistas, aquelas que mais compram insumos e bens intermediários dentro do país, portanto, as que mais agregam valor “ao longo das respectivas cadeias industriais”.
O BC fez exatamente o contrário – manteve os juros altíssimos e continuou com a hipervalorização do real, mesmo quando a guerra cambial americana já tinha sido desencadeada, precisamente com o objetivo primeiro de sobrevalorizar as moedas de outros países em relação ao dólar. E não nos deteremos mais no sr. Meirelles, pois nos parece óbvio o papel que jogou para que a crise entrasse no país.
Quanto ao sr. Coutinho, jamais nos pareceu do tipo que pede aos outros que esqueçam o que escreveu. Mas, diante da política do BNDES a partir da eclosão da crise nos EUA – concentrando seus financiamentos em monopólios internos e nas multinacionais, isto é, nos maiores importadores de insumos e bens intermediários, portanto, nos que menos agregam valor na indústria – talvez ele é que tenha se esquecido. Portanto, não custa lembrar.
17/03/10 às 16:37
Estava certo o saudoso Leonel Brizola, quando dizia, que era fundamental para a democracia brasileira desmontar a Rede Globo de Televisão. Hugo Chaves fala isso e ninguém o leva a sério. Um império de comunicação faz o que quer com uma nação que gosta de novelas e futebol.
20/03/10 às 20:37
Sou contrário aquela frase dita durante o nazismo que dizia: uma mentira repetidas, várias vezes se torna verdade. Eu, pessoalmente acho que a verdade sempre prevalecerá, doa a quem doer. E a verdade no Brasil é que o Lula, assim como foi Getúlio Vargas e Jk, os verdadeiros estadistas desse país.Verdadeiros homens públicos, defensores da pátria e do bem comum.Não será essa imprensa vendida que alterará o resultado do reconhecimento popular, que o atual presidente é verdadeiramente um homem iluminado.