Aílton Medeiros
"Não consigo tomar partido por um sujeito, por um partido, por uma classe, por um país, por um filósofo, ou mesmo por uma filosofia, por um poeta, por uma escola literária, por um regime político. Tenho horror ao um..." (Alceu Amoroso Lima)

É O CAMISA DEZ DA GÁVEA

Quem é fã de Zico como eu, vai adorar a crônica de Ruy Castro sobre o craque na “Folha” deste sábado.

O galinho é uma figura excepcional. Confiram:

 Ontem, de manhã. Zico chega ao Maracanã para uma entrevista de TV. Vem dirigindo o próprio carro. Ele mesmo o estaciona, sai e acena para a equipe e para o outro convidado. É reconhecido e interceptado por um grupo de alemães em visita ao estádio. Posa sorrindo para fotos com todos e com cada um. Depois, autografa bolas, camisas, papeluchos.
Reunimo-nos e seguimos pelo hall dos elevadores. Há um exército de gente varrendo o chão, instalando cabos, colando painéis. Largam o que estão fazendo e vão posar com ele e pedir-lhe autógrafos. Zico atende a todos. De repente, ouve-se: “Zico! Zico! Zico!”. São 20 ou 30 escolares, muitos com a camisa do Flamengo, sentados no chão do hall com a professora. Zico, que acabou de ser avô, aproxima-se feliz, senta-se no meio delas e é vastamente fotografado.
Subimos para as tribunas, no 6º andar, onde será a gravação. Ao abrir-se a porta do elevador, o anel surge à nossa frente -um panorama que ele já viu mil vezes lá de baixo, do nível do gramado. Mas não consegue deixar de exclamar: “Que bonito!”. É dia de semana, e o Maraca está vazio, mas quase podemos ouvir o eco das 180 mil vozes que, nos anos 70 e 80, gritaram tantas vezes o seu nome. Ali ainda é a sua casa -ele, que fez gols e ganhou títulos, pelo Flamengo e pelo Brasil, nos cinco continentes.
O pessoal da TV, habituado a esnobar os astros da novela, rende-se a Zico. Abraçam-no, contam-lhe o que ele representou em suas vidas e como lhe são gratos por tanta coisa. Já me disseram que esse banho de afeto, essa enxurrada de amor, se repete pelo dia inteiro -no Rio, onde mora, no Japão, onde trabalhou, na Turquia, onde trabalha, e aonde quer que vá.
E -posso garantir, porque já vi- Zico ouve cada declaração dessas como se fosse a primeira vez.

3 respostas para 'É O CAMISA DEZ DA GÁVEA'

  1. fabio Diz:

    Que Pelé, que nada. Zico é o maior e o melhor exemplo de jogador de futebol que o próprio futebol já teve. E olha que sou Botafogo desde criança.

  2. Luiz Lopes Diz:

    Caro Aílton.
    Você sabe da minha paixão pelo Flamengo. Ela vem desde a infância, mais precisamente dos meus 10 anos de idade no ano de 1970. Naquela época meu pai me presentou com a revista “Grandes Clubes Brasileiros” sobre o Flamengo de então. A revista entrevistou Ubirajara, Reyes, Zanata, Liminha, Dionísio, Rodrigues Neto, Doval, Fio Maravilha e um menino franzino do juvenil que ia para Alemanha ganhar massa muscular, pois era craque, mas tinha a estatura muito pequena. Seu nome: Arthur Antunes Coimbra – o Zico.
    Nunca pensei que aquele menino seria meu guru. Não é só pelo futebol, Aílton, que por si só já é fenomenal. É pelo caráter do cara. Zico faz com que nós ainda acreditemos na raça humana, apesar de tudo.

  3. Altério Diz:

    Embora tricolor, não pude me limitar a ter somente o Rivelino como meu maior ídolo no futebol dos anos 70 e 80, cheguei rápido à conclusão que admirava Zico e Roberto Dinamite com a mesma intensidade, reconhecendo em Zico a referência maior em todos os níveis, além do futebol monumental tem a vida pessoal irrepreensível, grande Zico!!

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