Aílton Medeiros
"Não consigo tomar partido por um sujeito, por um partido, por uma classe, por um país, por um filósofo, ou mesmo por uma filosofia, por um poeta, por uma escola literária, por um regime político. Tenho horror ao um..." (Alceu Amoroso Lima)

ERA UMA VEZ EROS

Acompanho a trajetória jornalística de Luis Nassif desde os anos 80 quando me tornei leitor diário de jornal, em especial da “Folha de S. Paulo” que abrigava naqueles idos uma verdadeira seleção de craques como Cláudio Abramo, Paulo Francis, Pepe Escobar, Tarso de Castro, Sérgio Augusto, entre outros.

Sou leitor de seus blog e testemunha de sua luta contra os vababundos de “Veja”, em especial Reinaldo Azevedo, pistoleiro de aluguel de José Serra. É de Nassif o texto que segue. O alvo é o STF. O título é auto-explicativo: “O fantasma de Eros”. Leia, reflita e divulgue:

Não entendi a confusão que Estadão e Folha estão fazendo sobre a sentença do juiz Fausto De Sanctis no julgamento de Daniel Dantas.

Ontem, a Folha Online cometeu a primeira imprecisão, ao informar erroneamente que a defesa tinha pedido novo interrogatório do delegado Protógenes, provocando o adiamento da sentença. Na verdade, ontem encerrou-se o prazo para a apresentação das peças finais da defesa. Depois disso, o juiz tem mais dez dias para dar sua sentença.

A defesa, de fato, pediu. De Sanctis pode ou não aceitar o pedido da defesa, mas os dez dias estão mantidos. Se recusasse o pedido, certamente os advogados de Dantas impetrariam mais um habeas corpus.  Se ocorrer algum atraso será por conta de uma das trinta liminares que foram impetradas pelo Nélio Machado.

Uma em particular preocupa: a que está nas mãos do Ministro Eros Grau, no Supremo Tribunal Federal. Depois de Gilmar, Eros é o Ministro com atuação menos transparente nesse processo.

Em seu voto, no julgamento do habeas corpus de Gilmar Mendes, chegou a acusar o juiz de “bandido”, em uma linguagem incompatível com a de um Ministro do Supremo. Pior, acusou o juiz valendo-se de dados incorretos, demonstrando uma falta de precisão e uma parcialidade indesulpáveis para um Ministro do Supremo.

O pedido de informações sobre a prisão de Dantas foi formulado ao juiz De Sanctis no dia 20 de junho, sexta-feira. O juiz despachou no dia 23; no dia 26 as informações foram enviadas via fax ao STF; no dia 7 de julho o STF juntou as informações.

No seu voto como relator, Eros acusou o juiz de ter demorado 30 dias para dar informações, além de “acusá-lo” de ter errado seu nome em um ofício – como se o juiz fosse responsável por cada erro de datilografia dos funcionários de sua vara.

Eros também acusou o juiz de não ter informado que havia interceptação e busca no apartamento de Dantas. De Sanctis explicou, várias vezes, que ficou entre a cruz e a caldeirinha. Se passasse as informações, feriria o sigilo funcional; se não passasse, poderia ser acusado de desobediência. Preferiu não passar as informações, a colocar em risco a operação.

Os destinos da Satiagraha, agora, estão nas mãos de três pessoas.

Uma, o deputado Raul Jungmann, alvo de uma ação que está trancada no Supremo.

Outra, o Ministro Eros Grau, alvo de uma ação que está parada no Tribunal de Justiça, depois de ter sido condenado em 1a Instância na Sétima Vara da Fazenda Pública.

O terceiro, o juiz De Sanctis, acusado de “bandido” na linguagem insólita de um Ministro do Supremo.

10 respostas para 'ERA UMA VEZ EROS'

  1. Tales Diz:

    Ailton, o de Sanctis e o Protógenes já são casados rapaz. Essa tua babação com eles já encheu um balde. Gasta um pouco de teu tempo estudando um pouco de Direito Constitucional. Todo cidadão deveria saber um pouco.

  2. Ailton Medeiros Diz:

    Tales, minha babação é com a lei, o que deve irritar muita gente, inclusive você.

  3. Antonio Silva Diz:

    A verdade é que estão expostas as víceras, as entranhas desse país como nunca antes. Lula tem crédito.

  4. Carlos Veras Jr. Diz:

    Faltou vc dizer que EROS GRAU é Ministro do STF nomeado por seu ídolo LULA e está ali justamente para defender os interesses da trupe do presidente, ou melhor, da organização criminosa que ele dirige, o PT, segundo muito bem qualificou o Porcurador Geral da República. Portanto, se LULINHA está envolvido até o pescoço, nada demais EROS GRAU “sentar o cacete” no Juizinho de SP.

  5. Ailton Medeiros Diz:

    O que é que tem a ver uma coisa com outra? O governo foi pressionado pela oposição para afastar Paulo Lacerda e o delegado Protógenes. O juiz Fausto De Sanctis é alvo de Marcelo Itagiba, Raul Jungman, Heráclito Fortes e Gilmar Mendes, nenhuma pertence ao governo, que eu saiba. Carlos, vc não tem a menor noção do assunto.

  6. Tales Diz:

    Acho que os dois estão equivocados.
    Ailton porque enxerga uma conspiração contra o de Sanctis e Protógenes o tempo todo.
    Carlos Veras Jr porque esqueceu que o Procurador Geral da República também foi nomeado por Lula para investigar e processar criminalmente a prática de delitos junto ao STF.

  7. Carlos Veras Jr. Diz:

    Claro que tem tudo a ver. Só não ver vc, obviamente por interesses que só DEUS sabe qual. Tá tão claro.

  8. Ailton Medeiros Diz:

    Tales, eu não estou equivocado, não. Gilmar Mendes é aliado com o crime, sim. O ministro do Supremo integra o Partido de Dantas com unhas, dentes e cabelo.

  9. Carlos Veras Jr. Diz:

    Caro Tales,

    O cargo de Procurador Geral da República deve, obrigatoriamente, ser nomeado pelo Presidente da República. Todavia, existe quase que uma escolha entre os membros do MP que praticamente obrigam o Presidente a nomeá-lo. Quanto ao cargo de Ministro do STF, apesar de, obrigatoriamente, ser referendado pelo SENADO, é de livre escolha do Presidente da República, apenas devendo-se levar em conta o “notório saber jurídico e reputação ilibada”, que são dados subjetivos. Claro que o Ministro noemado pelo Presidente ao STF é muito mais “devedor” do Presidente do que o escolhido para Procurador Geral da República, por razões óbvias. Aliás, na prática, isso tem se confirmado e muito no Brasil.

  10. Tales Diz:

    Carlos Vera Jr.

    Não concordei com os fundamentos de tua reflexão inicial, o que não quer dizer que não saiba qual o procedimento Constitucional para provimento dos cargos de ministro do STF e o chefe do MPU, que é o PGR.

    Quero apenas frisar a incoerência de teu raciocínio que, pelas razões agora perfilhadas, evidenciam que inclusive teu herói e do Ailton, o Min. Barbosa, é tambem um grande “devedor” do Brasil.

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