Aílton Medeiros
"Não consigo tomar partido por um sujeito, por um partido, por uma classe, por um país, por um filósofo, ou mesmo por uma filosofia, por um poeta, por uma escola literária, por um regime político. Tenho horror ao um..." (Alceu Amoroso Lima)

LULA PÔS O BRASIL NA ESTRADA DO CAPITALISMO

José Roberto Guzzo é um dos mais brilhantes jornalistas de sua geração. Diretor de redação da “Veja” nos anos 80, Guzzo permanece na revista agora como articulista.

Seus textos, não importa o tema, são um primor pela clareza das idéias, pelo estilo, sempre elegante, e, principalmente, pelas provocações. Há quem goste, há quem não goste. Concordando ou não com Guzzo, ler seus artigos é um exercício de inteligência. 

Dele, Guzzo, li recentemente um pertinente artigo na “Exame” onde o jornalista faz uma lúcida avaliação do governo Lula. Alguns trechos:

Num momento qualquer do futuro o presidente Luiz Inácio Lula da Silva começará a receber um julgamento mais sereno, mais técnico e mais ancorado nos fatos, quanto ao real desempenho dos seus oito anos de governo, do que o julgamento que recebe hoje, no calor do dia-a-dia.

Passará a ser possível, então, separar o importante do menos importante, as palavras dos resultados e aquilo que é impressão daquilo que é realidade. Sobretudo, se tornará viável comparar perdas e ganhos e estabelecer o que, no fim das contas, realmente interessa: se no conjunto o país ficou melhor ou pior do que estava.

Em tudo isso existe, desde já, uma realidade clara, e ela é positiva: o governo do presidente Lula pôs o país, definitivamente, na estrada do desenvolvimento capitalista, e essa opção não tem volta. Não é o que o seu partido gostaria, pelo menos naquilo que escreve em seus programas, não é o que a imprensa em geral previa, e talvez não seja nem o que o próprio Lula tenha planejado. Mas é o que aconteceu. As vendas das 500 maiores empresas brasileiras, só delas, chegaram perto de 1 trilhão de dólares no ano de 2007 e devem superar com folga essa marca em 2008. Nos últimos anos, e com capitais totalmente privados, o Brasil tornou-se o maior produtor mundial de etanol. O agronegócio brasileiro como um todo, que deveria estar extinto se o governo prestasse alguma atenção no que pregam o MST e os “movimentos sociais”, bate a cada ano novos recordes de produção. Está no Brasil, hoje, a maior unidade industrial da Fiat, que vai investir 5 bilhões de dólares nos próximos dois anos em sua operação brasileira.
A inflação recebeu do governo, a cada um dos últimos cinco anos, o combate que receberia em qualquer administração conservadora da economia.

Segundo os dados do anuário Melhores e Maiores de Exame, que acaba de ser publicado, 221 empresas brasileiras tiveram faturamento superior a 1 bilhão de dólares em 2007. As vendas de computadores devem passar dos 11 milhões de unidades em 2008 e a indústria automotiva promete produzir acima de 3,5 milhões de veículos. Tudo isso, e muito mais ainda, pode não parecer com freqüência nos discursos em que o governo faz elogios a si mesmo. Mas são os fatos.

Raramente se menciona que o presidente Lula, mais talvez que qualquer dos seus antecessores, é um homem que não estranha o mundo da produção e do trabalho. Entre a soja e a preservação do bioma do cerrado, como já disse seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, fica com a soja. Ele mesmo, Lula, não diz isso com todas as letras, por prudência e quilometragem rodada. Mas não há hipótese de que alguém o convença a liderar uma cruzada antiprodução, de soja ou de qualquer outra coisa, seja no cerrado, seja onde for.

Como diz o nosso companheiro Bill Emmott, jornalistas gostam muito de lembrar aos leitores as previsões corretas que fizeram; têm um entusiasmo bem menor para lembrar as previsões em que erraram. O mais prático, assim, é não fazer previsão nenhuma sobre a nota que o presidente vai receber no futuro. O governo Lula ainda tem muito chão pela frente e, com o passivo que carrega em tantas áreas, sabe-se lá onde tudo isso pode acabar. Na economia, porém, há fatos que estão aí e vão ficar. É bom, desde já, não perder de vista essa realidade.

4 respostas para 'LULA PÔS O BRASIL NA ESTRADA DO CAPITALISMO'

  1. Joao Taba Diz:

    Mérito da matéria a parte, falou bem de Lula é “um dos maaaaaaaaaaais brilhantes etc etc”. Falou mal, é “vagabundo”, até a Mirian Leitao.. risos

  2. chico neto Diz:

    Né não?…CUNHÃO!!!

  3. Rodrigues Diz:

    Ailton, Mister “HIPÓCRITA”, te conheço pessoalmente, tu és feio, mas, não quero nada com você, é claro, gosto de mulher, porém, o que você tem de brilhante é o gosto pelas coisas boas e, essa é uma delas (o testo) e, muita inteligência, por exemplo, a classificação que você dá a postagem comentada, PUTA QUE PARÍU! Você acertou na mosca, o cara é ELEGANTE escribamente falando.

    A leitura de coisas robustas como essa nos enriquece de conhecimentos abundantes.

    Obrigado pela descoberta do texto, muito bom.

    Fui!

    PS. A oposição se emputesse – Hahaha hehehe hihihi hohoho huhuhu – fodam-se idiotas.

  4. Juliano Diz:

    Sou defensor do governo Lula

    mas esse negocio de que ele colocou o país na estrada para o capitalismo e que este caminho nao tem volta.

    nao sei nao.

    creio, na minha ignorancia, que em 70 se dizia o mesmo na imprensa e midia Brasileira.

    essa coisa de caminho para um capitalismo é o mesmo que dizer que a história é linear e esta em constante evolução. Sabemos que nao é assim.

    Seria o mesmo que falar que após o capitalismo surgira o comunismo. um errinho do grande filósofo Marx, nao se deve prever o futuro.

    Mas que Lula com certeza desenvolveu o país, ísso pode ser verdade, pelo menos pra mim é.

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