Aílton Medeiros
"Não consigo tomar partido por um sujeito, por um partido, por uma classe, por um país, por um filósofo, ou mesmo por uma filosofia, por um poeta, por uma escola literária, por um regime político. Tenho horror ao um..." (Alceu Amoroso Lima)

MINHA ADORÁVEL AGENDA

Tenho a mania de reler agendas antigas.

Em mãos minhas anotações de 2005, um ano inesquecível por diversos motivos.

Folheio página por página até me deparar com uma frase de William Faulkner, retirado de “Som e Fúria” que acabara de ler:

“Dou-lhe este relógio não para que você se lembre do tempo, mas para que você possa esquecê-lo por um momento de vez em quando e não gaste todo seu fôlego tentando conquistá-lo”.

Grande Faulkner.

No dia 4 de janeiro escrevi:

Comecei a ler “A Vida Como Performance”, de Kenneth Tynam.
Tynam (1927-1980) foi um dos críticos teatrais mais influentes do século XX. O livro reúne 25 de seus melhores perfis. São retratos de alguns gigantes do palco e do cinema como os atores Laurence Olivier e Marlene Dietrich e o dramaturgo Bertold Brecht.

No dia 23 de fevereiro registrei, com pesar, a morte do escritor Hunter S. Thompson, ícone da cultura pop e criador do jornalismo gonzo:

Hunter é autor de “Hell´s Angels: medo e delírio sobre duas rodas” (1966) e “Las Vegas na cabeça” que virou filme em 1998 com Johnny Deep (“Medo e delírio”).
Em 1994, em artigo publicado pela “Rolling Stone”, ele escreveu que Richard Nixon era mentiroso, um covarde e um desgraçado. Um trapaceiro barato e um criminoso de guerra impiedoso.

Uau, Nixon foi o último grande presidente americano.

Relendo minhas anotações hoje vejo que me dediquei de corpo e alma a literatura e ao cinema. Li naquele ano mais de 60 livros e vi 145 filmes.  Se minha agenda virasse livro, meus desafetos iriam adorar as fofocas.

Uma delas:

Dominick Dunne conta ter presenciado o seguinte diálogo entre Audrey Hepburn e Elizabeth Taylor.
Impecável num longo preto Givenchy, a “bonequinha de luxo” apontou para o enorme colar de diamantes da amiga e perguntou:
- Kenny Lane (nome de um joalheiro famoso)?
- Não, Mike Todd”, respondeu Liz, referindo-se ao seu terceiro marido.

A propósito, Tynam narra em seu diário que foi escorraçado de uma festa na casa de Elizabeth Taylor por se recusar a passar uma cantada na atriz.

Encerro minhas anotações (referentes a 2005)  com versos de Drummond (“sequer conheço fulana, vejo fulana tão pouco, fulana jamais me vê, mas como eu amo fulana”) e um comentário sobre o filme “Balzac e a costureirinha chinesa” que continua atual:
O filme é uma metáfora da luta entre a barbárie e a civilização. A certa altura, a personagem central pergunta ao rapaz qual a diferença entre o homem inculto e o homem letrado.
- O homem inculto tem sentimentos. O homem letrado tem sentimentos e ideais – responde.

Uma resposta para 'MINHA ADORÁVEL AGENDA'

  1. João Diz:

    Faulkner. O sobrenome correto é Faulkner, pô!

Deixe seu Comentário


Ailton Medeiros é gerado por WordPress
(RSS) dos artigos e (RSS) dos comentários.

Ápyus.com© 2007 Ápyus - E-mail: marlos@apyus.com - Site: www.apyus.com

Fatal error: Call to undefined function trans_add_menus() in /home/ailtonmedeiros/ailtonmedeiros/wp-content/themes/ailtonmedeiros/footer.php on line 40