MINÚSCULAS ETERNIDADES
Considero o poema ”Não Passou” um dos mais belos de Carlos Drummond de Andrade. Retrata com perfeição a passagem do tempo, tema recorrente na poesia de Drummond. Quem é capaz de esquecer os versos “O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente”, do poema “Mãos Dadas”? Mas o tempo passa? Acho que não.
“Nada, que eu sinta, passa realmente. É tudo ilusão de ter passado”, diz o poeta. Nesse sentido, 2008 foi um ano de minúsculas eternidades. Apesar de tudo.
Passou?
Minúsculas eternidades
deglutidas por mínimos relógios
ressoam na mente cavernosa.
Não, ninguém morreu, ninguém foi infeliz.
A mão- a tua mão, nossas mãos-
rugosas, têm o antigo calor
de quando éramos vivos. Éramos?
Hoje somos mais vivos do que nunca.
Mentira, estarmos sós.
Nada, que eu sinta, passa realmente.
É tudo ilusão de ter passado.




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1/01/09 às 22:16
Carlos, como sempre nos brindava a cada poesia com sua sibilar sabedoria poética, ou seria profética?
Nada mal dirão para lguém que ia ser farmacêutico, mas cujo anjo torto leh destinou ser gauche (canhoto) na vida…srsrsrs
Feliz Ano Novo 2009