Aílton Medeiros
"Não consigo tomar partido por um sujeito, por um partido, por uma classe, por um país, por um filósofo, ou mesmo por uma filosofia, por um poeta, por uma escola literária, por um regime político. Tenho horror ao um..." (Alceu Amoroso Lima)

O APAGÃO DA INTELIGÊNCIA

De tudo que li e ouvi, a melhor análise sobre o apagão é de Luciano Martins Costa. O jornalista criticou a politização do problema e a imprensa que não soube – ou  não quis – separar informação de especulação.

“O que se leu e ouviu nas 24 horas seguintes ao incidente caberia num festival de besteiras capaz de orgulhar o lendário Stanislaw Ponte Preta”, escreve Martins, acrescentando: “Tudo indica que, junto com a eletricidade, o Brasil sofreu também um apagão de inteligência”. Faz sentido.

Seguem trechos:

A interrupção do fornecimento de energia elétrica que deixou no escuro mais da metade do país na noite de terça-feira (10/11) produziu um apagão geral também na imprensa e nos principais protagonistas da política nacional.

Desde o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, até os comentadores polivalentes que pululam na mídia, sempre dispostos a pontificar sobre qualquer coisa, contam-se aos montes as declarações sem sentido, análises sem pé nem cabeça e tentativas de manipulação de um episódio cujas causas reais ainda não estavam claras nas edições dos jornais de quinta-feira (12).

Oficialmente, a pane foi causada pelo mau tempo. Um raio teria desativado o sistema de transmissão na cidade paulista de Itaberá, provocando o efeito dominó que derrubou a rede interligada por grande parte do país. Os técnicos também investigam a ocorrência de um raio sobre um transformador numa estação de Furnas, no município de Mogi das Cruzes.

Em meio às evidências de que ocorreram tempestades com fortes descargas elétricas junto às torres de transmissão, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) vai na contramão das explicações oficiais. Segundo técnicos do Grupo de Eletricidade Atmosférica do Inpe, o instituto não detectou descargas elétricas próximas às linhas de transmissão na região de Itaberá. No entanto, a reportagem do Estado de S.Paulo localizou pelo menos uma testemunha de que fortes raios perto da linha de transmissão coincidiram com o início do problema.

O que se leu e ouviu nas 24 horas seguintes ao incidente caberia num festival de besteiras capaz de orgulhar o lendário Stanislaw Ponte Preta. A política contaminou as discussões técnicas e a imprensa não soube – ou não quis – separar informação de especulação.

Tudo indica que, junto com a eletricidade, o Brasil sofreu também um apagão de inteligência.

Uma coleta cuidadosa no noticiário sobre o apagão desta semana permite observar que incidentes desse tipo são muito comuns por todo o mundo. Nos Estados Unidos e na Europa, tempestades de neve costumam interromper o fornecimento de energia, com blackouts que podem durar dias.

O problema não está na ocorrência, praticamente inevitável, mas na sua extensão e frequência.

Por outro lado, convém observar que o apagão prolongado trouxe a evidência de um risco adicional: segundo a Folha de S.Paulo, as usinas nucleares Angra 1 e Angra 2 entraram em alerta pela primeira vez na noite de terça-feira (10), porque não havia energia para o sistema de resfriamento dos reatores.

A questão é séria demais para a imprensa ficar dando espaço a picuinhas de políticos ociosos.

Para ler o artigo na íntegra, clique aqui.

4 respostas para 'O APAGÃO DA INTELIGÊNCIA'

  1. Soares Diz:

    Ailton, no início destes acontecimentos alertei para o circo armado pela oposição (PIG) e, escorrengando, as respostas sem base de todos, inclusive de membros do governo. Este texto, reafirma o que antecipei.

  2. Victor Saraiva Diz:

    Caro Ailton,

    Hoje em dia, se Lula soltar uma “bufa” numa solenidade, a imprensa logo noticiará. E mais, escandalizará!

    Ao contrário de FHC, não sei por qual motivo nunca questionaram as privatizações.

    Gostaria de ver o PIG, como você denomina, “investigando” as privatizações “efeagaceanas” tal qualmente o episódio Dilma-Lina.

    Finalizando, gostaria de saber quantos banqueiros no Governo FHC foram presos, ao menos que por algumas horas?

  3. Núbia Tavares Diz:

    A resposta ao que causou o apagão, esta lá no governo entreguista do Fernando, quando ele privatizou as linhas de transmissão, naturalmente os que contrataram a exploração das linhas por períodos de tempo determinado, para economizar não investem na instalação dos equipamentos que garantiriam o pleno e seguro uso das tais linhas.O CAPITAL NÃO TEM PÁTRIA,mas isto não é novidade,porém a ganacia e burrice de Fernando Henrique Cardozo, também não.

  4. Carlos Alberto Diz:

    Afinal de contas, qual explicação para o apagão???

    Por favor, não me venham com a estória do raio !

Deixe seu Comentário

Assinar os comentários deste post

Ailton Medeiros é gerado por WordPress
(RSS) dos artigos e (RSS) dos comentários.

Ápyus.com© 2007 Ápyus - E-mail: marlos@apyus.com - Site: www.apyus.com

Fatal error: Call to undefined function trans_add_menus() in /home/ailtonmedeiros/ailtonmedeiros/wp-content/themes/ailtonmedeiros/footer.php on line 40