O HOMEM QUE SABIA (QUASE) TUDO
No dia primeiro de outubro de 2007 escrevi este post que republico para deleite de quem não leu e admira, como este escriba, o economista e ex-presidente do Fed (banco central americano) Alan Greenspan.
Bastaram cinco dias para eu devorar “A Era da Turbulência – Aventuras num Novo Mundo”. São as memórias políticas de Alan Greenspan que presidiu o Federal Reserve Board (o banco central americano) de 1987 a 2006.
O livro é um catatau de 500 páginas. Republicano, Greenspan trabalhou na campanha de Nixon, no governo Ford, Bush (pai e filho) e Reagan que o indicou para chairman do Fed. Mas é para um democrata, Clinton, os maiores elogios.
Avesso aos holofotes, Greenspan previu um segundo ataque terrorista aos EUA dias depois de 11 de setembro. Foi certamente sua única previsão desastrosa.
Liberal ao extremo, Greenspan recusou inúmeros convites para integrar o governo Nixon, não concordava com o malfadado controle de salário e preço adotado pelo republicano em 1971. Mas topou trabalhar na campanha de Reagan a pedido de um amigo, Martin Anderson.
Greenspan lembra em detalhes os EUA da Era Carter, um horror. Em 1978, a inflação americana beirava os 9%. ao ano. Carter propôs nada menos que sete programas econômicos. Nenhum conseguiu conter a crise que se estendeu até o fim do seu governo.
Carter também propôs programas sociais ao mesmo tempo que tentava reduzir o déficit, baixar o desemprego e combater a inflação.
A receita não surtiu efeito porque a inflação nunca foi prioridade durante o governo Carter. Nem mesmo a substituição de Bill Miller por Paul Volcker como chairman do Fed, mudou o cenário econômico.
Volcker levou os EUA para uma brutal recessão. Em 1980, a taxa de desemprego chegou a 8% e a inflação os 15%, o que fez o candidato Reagan, num discurso no Sindicato dos Rodoviários, em Ohio, declarar que a vida dos trabalhadores americanos tinha sido estraçalhada por uma “nova depressão”.
Os democratas protestaram com o absurdo da frase. É famosa a explicação de Reagan para o lapso: “Recessão é quando seu vizinho perde o emprego. Depressão é quando você perde o seu e recuperação é quando Jimmy Carter perder o dele”.
Reagan derrotou Carter e colocou a economia dos EUA nos trilhos. Elegeu-se defendendo a redução dos impostos, o reforço do poderio militar e a diminuição do governo.
Sua frase “Os governos existem para nos proteger uns contra os outros. O governo vai além de seus limites quando decide proteger-nos de nós mesmos”, virou mantra entre os liberais de Wall Street, Londres, Chicago e Mossoró.
“A Era da Turbulência” não é leitura fácil, mas sua leitura é imprescindivel num mundo cada vez globalizado.
Como observou Élio Gaspari, talvez você não ache grande coisa. “O doutor apenas confirmou sua condição de ser um chato interessante”.



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16/09/08 às 8:54
Vai ficar conhecido como o criador de bolhas…Mao frouxa na politica monetaria, é o grande responsavel pela crise imobiliaria norte americana.