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O HOMEM QUE SÓ FAZ MAL A QUEM FAZ MUITO MAL

O Equador anunciou nesta quinta-feira que vai conceder asilo ao fundador do WikiLeaks, Julian Assange, na condição de perseguido político. Após o anúncio, o Reino Unido reafirmou ter a “obrigação legal de extraditar Assange para a Suécia” e disse que a decisão equatoriana não muda este dever.

Londres já tinha negado o salvo-conduto ao australiano horas antes. E é sobre esse imbróglio que escreve o jornalista Paulo Nogueira. Segue na íntegra:

Tenho escrito, aqui e ali, sobre as crenças fundamentais do Diário. Vou compilá-las, em breve.

Tenho personificado nossas crenças. Pessoas são a melhor maneira de explicá-las. Quando fiz o elogio das bicicletas e dos ciclismos, a imagem usada foi a da medalhista de ouro britânica Vicky Pendleton. Com sua beleza vitoriosa, Vicky tem sido uma inspiração para os ingleses. Ela fez e faz muitos deles trocarem o carro pela bicicleta ao se locomover, para o bem da saúde deles e do planeta. (Um vídeo que vi hoje sobre o caos no trânsito do Cairo reforça minha convicção de que as metrópoles são tanto mais avançadas quanto mais bicicletas circulam nelas).

Pois hoje declaro outro crença fundamental do diário: a transparência, aliada à liberdade expressão.

Não há ninguém que simboliza melhor isso que o australiano Julian Assange, 41 anos, fundador do Wikileaks.

Assange combate o bom combate com seu jornalismo inovador e transformador. As revelações do Wikileaks mostraram ao mundo, espetacularmente, a natureza cuidadosamente escondida das guerras que os Estados Unidos vêm travando no Oriente Médio.

A imagem da garotinha vietnamita correndo nua depois de ter sido alcançada e queimada pelo napalm americano foi o retrato definitivo da Guerra do Vietnã, nos anos 60. O vídeo em que civis são mortos em Bagdá por soldados americanos em helicópteros Apache – publicado pelo Wikileaks – passará para a história como o retrato definitivo da Guerra do Iraque, no início dos anos 2 000.

Assange precipitou a Primavera Árabe quando o Wikileaks expôs detalhes da corrupção abjeta de ditadores encastelados fazia décadas no poder em países como a Tunísia e o Egito.

O Wikileaks fez mais pelo jornalismo investigativo, em seus poucos anos de existência, que todas as marcas tradicionais – do NY Times ao Washington Post – em décadas.

A recompensa para Assange tem sido, paradoxalmente, o tormento, na forma de uma perseguição sem tréguas.

O pretexto – não existe palavra melhor – foram denúncias sexuais de duas mulheres suecas que dormiram, por vontade própria, com ele. Uma soube da outra, e o que seria um caso banal de ciúme acabou se transformando num pesadelo jurídico para Assange, por força da absurda legislação sueca. Um homem pode ser acusado de estupro na Suécia se, por insistência, convencer uma mulher a dormir com ele. Ou se a camisinha se romper. Ou se, no meio da madrugada, apalpar a mulher com quem ele fez sexo algumas horas antes.

Parece mentira, mas é verdade.

Assange já estava fora da Suécia – em Londres — quando as duas mulheres foram à justiça. Mulherengo ele pode ser, mas bobo não: Assange logo percebeu o risco enorme de ser extraditado da Suécia para os Estados Unidos. Lá, o aguardaria uma lei reservada a espiões, a mesma utilizada para matar o casal Rosemberg na Guerra Fria, sob a alegação de que passavam informações para os russos.

Os suecos pediram sua extradição, e enquanto a justiça britânica decidia ele ficou em prisão domiciliar, na casa de campo de um simpatizante. Quando ele achou que o risco de ir para a Suécia, e de lá para os Estados Unidos, era grande, se refugiou na embaixada do Equador em Londres. O presidente do Equador, Rafael Correa, é um admirador de Assange – e tem muitas restrições à conhecida política americana na América Latina, tratada por décadas como um quintal.

Isso faz quarenta dias.

Agora as coisas se precipitaram. No momento em que o governo do Equador se preparava para anunciar o pedido de asilo, o governo britânico reagiu.

Ao velho modo: longe dos holofotes. Avisou que, mediante uma legislação que virtualmente ninguém conhecia, poderia prender Assange em plena embaixada equatoriana.

A resposta do Equador foi desconcertante: publicou uma carta que o governo britânico definitivamente não gostaria de ver sob os olhos do mundo. Fez um trabalho de vazamento ao estilo do Wikileaks. “Não somos uma colônia britânica”, afirmou o governo no Equador, num gesto de bravura épica.

O Diário acredita na transparência e na livre expressão. E saúda Assange por sua cruzada inspiradora pelo bem da humanidade – ao mesmo tempo que torce intensamente para que ele possa, em Quito ou onde for, retomar o trabalho que só faz mal a quem faz muito mal.

9 ideias sobre “O HOMEM QUE SÓ FAZ MAL A QUEM FAZ MUITO MAL

  1. Corajoso, audacioso, desafiou a quem faz o “mau…”
    Muito bem escrito este artigo de forma brilhante e racional … Valeu Ailton Medeiros

  2. Muito corajosa a reação do Equador e de seu Presidente Rafael Côrrea, que já demonstrou não rezar na cartilha do Imperialismo Ianque.

    É bom ver que nem todos os países sulamericanos ainda preferem ser um quintal norteamericano do que um pais verdadeiramente livre, na medida do possível.

    Assange está sendo perseguido politicamente e um estado realmente democrático jamais pode deixar de conceder o asilo pretendido. A Inglaterra age como sua ex-colônia, ao que parece, agora com pólos invertidos. Não sei que Democracia é essa…

  3. Ailton, nesse caso, o Equador só tem uma saída, é simples mas tem que ver se a legislação de lá (do Equador) comporta tão procedimento. É nomear o Assange como Diplomata, então, ninguém poderá tocá-lo e, seria uma saída monumental. Quebrando a cara de todos os babacas que querem sua extradição.

    É isso.

  4. Seguindo o raciocínio dos comentarista acima e por simples analogia, a patuscada de entregar os coitados boxeadores cubanos aos irmãos assassinos cubanos NÃO FOI CORAJOSO NEM AUDACIOSO por parte da ideologia medíocre do Genro e diplomacia petralha. Devem achar também muita coragem e audácia terem protegido o assassino terrorista italiano Batisti, matador de inocentes.

  5. Tu precisa estudar um pouco mais.

    Acontece que existem acordos internacionais, dentre esses, bilaterais e multilaterais. Na sua maioria os acordos entre nações são mais predominantes os bilaterais, pois, esses, têm mais força diante dos multilaterais.

    Esses acordos internacionais podem ser também através de contratos e, nesse caso, talvez o do Brasil com a Itália, burrinho, seja um contrato bilateral e, dessa forma, não se pode quebrar acordos com facilidades, não descarte ai, jumentinho, que apesar da existência, ainda, de acordos, nenhum, bilateral ou multilateral, poderão nem deverão suplantar a nossa CONSTITUIÇÃO, essa, a maior da Nação. A nossa constituição reza que não se pode extraditar quando uma pessoa é envolvida em problemas políticos e ponto final, independente de quem seja.

    Aprendeu? – Não? – Então vá pesquisar analfa.

  6. Tu precisa estudar um pouco mais.

    Acontece que existem acordos internacionais, dentre esses, bilaterais e multilaterais. Na sua maioria os acordos entre nações são mais predominantes os bilaterais, pois, esses, têm mais força diante dos multilaterais.

    Esses acordos internacionais podem ser também através de contratos e, nesse caso, talvez o do Brasil com a Itália, burrinho, seja um contrato bilateral e, dessa forma, não se pode quebrar acordos com facilidades, não descarte ai, jumentinho, que apesar da existência, ainda, de acordos, nenhum, bilateral ou multilateral, poderão nem deverão suplantar a nossa CONSTITUIÇÃO, essa, a maior da Nação. A nossa constituição reza que não se pode extraditar quando uma pessoa é envolvida em problemas políticos e ponto final, independente de quem seja.

    Aprendeu? – Não? – Então vá pesquisar analfabeto. Quando você pesquisar os dois casos, Batisti e os refugiados cubanos, com sua fundamentação constitucional e cópia dos acordos ou contratos, então, talvez se possa discutir à exaustão.

    Fui.

  7. Rodrigues, sacanation (como diria o nosso querido coach Joel Santana), tu botou para fuder no Marcos. Valeu.

  8. O presidente do Equador posando de defensor da liberdade de expressão é mais ou menos como o Junior Baiano defendendo o fair play.

  9. Rodrigues PILA, quando você afirma: “Esses acordos internacionais podem ser também através de contratos e, nesse caso, TALVEZ o do Brasil com a Itália, burrinho, seja um contrato bilateral …” mostra a segurança que trata e conhece de extradição, ou seja, NADA! Não adianta de forma raivosa querer dar lição ao velhinho aqui porque o que vocês petralhas não aguentam nem argumentam são verdades que doem. O apeDELTA quem deu a palavra final apesar da decisão do Supremo no caso Cesare Terrorista Batisti. Quanto aos boxeadores, bem, esse foi o maior ato de covardia da diplomacia nanica petralha!