Aílton Medeiros
"Não consigo tomar partido por um sujeito, por um partido, por uma classe, por um país, por um filósofo, ou mesmo por uma filosofia, por um poeta, por uma escola literária, por um regime político. Tenho horror ao um..." (Alceu Amoroso Lima)

O OUTRO LADO DA CAPA

A história contada pelo jornalista Luis Nassif em seu blog explica com detalhes o método (ou padrão) jornalístico da revista “Veja”. Acompanhem:
 
Em janeiro de 1999, a mudança do câmbio, com a quebra dos bancos Marka e Fonte-Cindam, provocou uma disputa frenética atrás de escândalo por parte da mídia. Surgiram boatos de toda sorte, atribuídos a procuradores em “off”.

Havia gana em derrubar o presidente, na época Fernando Henrique Cardoso. Chegou-se a afirmar que FHC teria incumbido seu Ministro-Chefe da Casa Civil Clóvis Carvalho, de avisar banqueiros sobre a mudança.

Naquele tiroteio, o Ministro da Fazenda Pedro Malan soltou uma frase dúbia, que acabou direcionando toda a campanha contra Chico Lopes e a funcionária do Departamento de Fiscalização Teresa Grossi.

Na capa da “Veja”, contava-se uma história rocambolesca, de que Lopes recebia centenas de milhares de dólares por mês dos bancos que quebraram, para lhes passar informações privilegiadas. Como explicar que os supostos bancos beneficiários tinham sido os únicos a quebrar? Para fechar o raciocínio, a explicação era ilógica: no dia fatal, segundo a matéria, Lopes teria se atrapalhado com as mudanças e “esquecido” de avisa-los.

Meses depois,a revista foi procurada por Luiz César Fernandes, criador e ex-sócio do Banco Pactual. Afastado do banco, magoado com os sócios, Fernandes contou a “Veja” que o “insider”, na verdade, era feito com o Pactual. Era uma possibilidade. Só que, para montar a reportagem, a revista dispunha das seguintes informações:

1. O número de uma suposta conta do Banco Pactual em Nova York, através da qual pagaria pelas informações.

2, Os números de três telefones celulares de propriedade de um dos irmãos Bragança.

3. Todos os boatos espalhados por diversos órgãos da imprensa, logo após a quebra dos bancos, e abandonados por serem considerados inverossímeis.

Como esses jogos em que se tenta ligar os pontos espalhados por uma folha, a revista produziu o seguinte clássico:

1. O Pactual era o verdadeiro financiador do “insider”. E a prova era o número da conta através da qual supostamente os pagamentos eram efetuados.

2, Para se comunicarem reservadamente, Bragança tinha comprado os três celulares. Um era para Chico Lopes, outro para ele, outro para o Banco Pactual. A notícia era tão precisava que até mencionava os números dos três celulares.

3. Cacciola soube do esquema e passou a grampear o telefone do Bragança.

4. No dia aziago, houve muita confusão e o “grampo” do Cacciola não captou a instrução final. Louco da vida com essa falta de consideração do telefone, Cacciola foi atrás de Lopes e ameaçou contar sobre os celulares. E Lopes cedeu.

A capa apontava o economista Rubens Novaes como elo dos Bragança. Qual a evidência? O fato de Novaes, sem nenhuma formação ou especialização, ter conseguido um alto emprego no banco.

Andei escrevendo sobre aquela maluquice, mostrando que não tinha pé nem cabeça. Tempos depois recebi um email de Novaes – enviado para vários jornalistas -, com cópia da carta que enviara a “Veja” e que ela não publicara. A carta contava o seguinte:

1. O tal número da conta, pela qual supostamente eram feitos os pagamentos a Lopes, na verdade era o número de registro do Banco Pactual no mercado de Nova York. Correspondia ao 001 que aparece nos cheques do Banco do Brasil, referentes ao seu número de registro.

2. Os três celulares secretos, através dos quais as informações supostamente circulavam eram números que constavam na declaração de renda de Bragança.

3. Ele, Rubens Novaes, era economista formado na prestigiada Universidade de Chicago, com um amplíssimo currículo.

A capa morreu por si só, sem que saísse a carta do Novaes. Mas serviu de semente para futuros clássicos, como os “dólares de Cuba” e as contas secretas de autoridades no exterior.

3 respostas para 'O OUTRO LADO DA CAPA'

  1. Carlos Veras Jr. Diz:

    Ailton,

    Um CANALHA como este Luiz Nassif, que foi demitido da FOLHA de SÃO PAULO após ser desmascarado pelo Otavio Frias de Oliveira Filho, quando tentava EXTORQUIR dinheiro de um Secretário do Estado de São Paulo, exigindo grana para um evento de uma empresa sua, chamada DINHEIRO VIVO, e vc tem coragem de defendê-lo?
    Home, faça isso não. Pega mal.

  2. Ailton Medeiros Diz:

    Tenho sim, muito pior é vc, covarde e baba-ovo de político ladrão. Nassif é um profissional sério, honesto. Não meta sua colher no que vc não conhece, falta-lhe competência e sua ignorância não permite diferenciar uma colher de um garfo.

  3. George D. Diz:

    Carlos, tenha pelo menos a hombridade de ler a resposta do Nassif a essas críticas levianas e rasteiras ao invés de ficar apenas repetindo um texto batido cuja origem suja é consabida.

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