Essa é a capa da “Newsweek” que chegou aos leitores este fim de semana. Uma jogada de marketing da revista, sem dúvida.
Segue reportagem de “O Globo”:
A jogada acontece logo após a Time, concorrente da Newsweek, dar destaque a uma mãe amamentando uma criança de três anos em sua última edição. A foto levantou o debate sobre a atitude, que não costuma ser feita em público nos Estados Unidos, e sobre o limite de idade para amamentação das crianças.
Obama declarou oficialmente ser a favor do casamento gay na última quarta-feira, tornando-se o primeiro presidente americano a assumir essa posição. A ação foi interpretada por muitos como uma jogada política para conquistar mais votos para a eleição de novembro.
Seu provável adversário, o republicano Mitt Romney, é declaradamente contra a união entre pessoas do mesmo sexo.
A matéria da Newsweek foi escrita pelo jornalista gay Andrew Sullivan, que em seu blog antecipou alguns dos pontos da reportagem e porque acredita que o apoio ao casamento gay não foi apenas uma jogada política.
“Quando você volta um pouco e avalia o histórico de Obama sobre os direitos gays, você vê, de fato, que isso não foi uma aberração. Foi um inevitável auge de três anos de trabalho”, afirma Sullivan.
O jornalista também compara a origem mestiça de Obama com a experiência que os gays têm de se assumir em meios heterossexuais.
“Ele teve que descobrir sua identidade negra para se reconciliar com sua família negra, assim como os gays descobrem sua identidade homossexual e têm que se reconciliar com sua família heterossexual”, argumenta Sullivan.
Tina Brown, editora-chefe da revista, escreveu em seu Twitter: “Obama mereceu cada cor desta auréola de arco-íris”.
Além da importância que o assunto ganhou na pauta eleitoral, o empurrãozinho para a capa pode mesmo ter vindo da concorrente Time. Um porta-voz da publicação disse ao “New York Post” que Tina Brown encarou a foto da amamentação como um desafio.
— Quando Tina viu a capa da Time, ela riu e disse ‘Que comece a disputa’ — disse o porta-voz.


Como sabido, metade ou mais da população americana é conservadora, racista, colonialista, imperialista e homofóbica, embora São Francisco na Califórnia, governada até ano passado pelo “parrudo” Schwarzenegger, tenha uma das maiores e mais famosas paradas do orgulho gay do mundo. Os recentes ataques dessa parcela da população as declarações de Obama a favor de mudanças no sistema de saúde, que beneficiaria mais os pobres, negros e imigrantes; e de apoio ao casamento gay, além do empate na intenção de votos com Mitt Romney, candidato representante dessa ala conservadora, confirmam que o preconceito ainda tumultua a cabeça de muitos americanos, após perceberem que a volta do “sonho americano”, almejada com a eleição de Obama, ainda está longe de se concretizar. Segundo opinião de alguns americanos na reportagem “que América é essa”, caso os republicanos retornem ao poder, os EUA voltarão ao tempo da escravidão. Será?