Aílton Medeiros
"Não consigo tomar partido por um sujeito, por um partido, por uma classe, por um país, por um filósofo, ou mesmo por uma filosofia, por um poeta, por uma escola literária, por um regime político. Tenho horror ao um..." (Alceu Amoroso Lima)

O XERIFE DO RIO

A desordem urbana é um problema que aflinge as cidades, principalmente as grandes. É preciso que se diga também que é um problema tipicamente brasileiro. Apesar da gravidade, quase ninguém faz nada para conter. As exceções são Jaime Lerner, em Curitiba, e Gilberto Kassab, em São Paulo. E agora o prefeito do Rio, Eduardo Paes que criou a Secretaria Especial da Ordem Pública e pôs lá um jovem de 36 anos, Rodrigo Bethlem.

A “Veja Rio” desta semana traz um perfil do “xerife” que está botando ordem na cidade maravilhosa. Bem Micarla de Sousa poderia copiar Eduardo Paes. Mas seu populismo não permitiria tamanha ousadia.

Confiram trechos:

Xerife do Rio, gestor das boas maneiras urbanas, guardião da civilidade, zelador do espaço comum, síndico do município. Tudo isso serve como descrição do cargo do economista carioca Rodrigo Bethlem, que desde o primeiro dia do ano comanda a recém-criada Secretaria Especial da Ordem Pública. Numa metrópole caótica, degradada ao longo de décadas com a proliferação de favelas, construções irregulares, transporte pirata, comércio ilegal, moradores de rua, ocupação desordenada do espaço público e poluição visual, para citar apenas algumas de suas chagas, ele está diante de um desafio – e que desafio! – que exige coragem, esforço e persistência. Por enquanto, está se saindo bem. Com a energia típica de início de missão, ele promete ser implacável. “Se alguém para o carro na calçada, sinaliza que ela pode ser ocupada irregularmente. Daqui a pouco vai ter um ambulante do lado e logo um sujeito vai pegar um colchão e se aboletar embaixo da marquise”, diz. “Ou a gente ataca todos os problemas, ou não ataca nenhum.”

Estas duas primeiras semanas foram estrategicamente de confrontos ruidosos. Logo no primeiro dia de ação, segunda-feira 5, ocorreram oito operações, entre elas a demolição de um prédio de quatro andares e 6 000 metros quadrados de área construída no Recreio. A ideia é mesmo causar o maior estardalhaço possível para mandar um recado à população. “São ações fortes e emblemáticas, mostrando que não praticaremos a política do avestruz.” O balanço preliminar desse tratamento de choque dá a dimensão de como a capital ficou ao deus-dará. Em dez dias de trabalho, foram apreendidas 260 toneladas de variados materiais – produtos de camelôs, carrocinhas, cadeiras de praia, carrinhos de mercado, armações de outdoors, caixas de isopor, todo tipo de comida e bebida, além de lixo. Sua equipe rebocou 477 veículos (carros-depósito na orla, vans e táxis irregulares), aplicou 3 457 multas, acolheu 436 moradores de rua e encaminhou 25 pessoas às delegacias.

Nos giros do secretário pelos bairros, ele se obriga a fiscalizar cada quarteirão do trajeto. Na última segunda-feira, quando retornava do almoço, viu um grupo de moradores de rua sob um viaduto em Laranjeiras. Imediatamente avisou, via BlackBerry, seus subordinados imediatos. A determinação é abordar as pessoas nessa situação e, se houver concordância, recolhê-las a um abrigo público. “O cara não é obrigado a ir, mas parado na rua ele não vai ficar. Tem de sair andando.” Na véspera, ele havia detido um flanelinha em Ipanema que orientava os motoristas a estacionar em local proibido. São atos automáticos para quem se habituou a fiscalizar a cidade desde o início da trajetória pública. Ele e o prefeito Eduardo Paes vieram da fornalha política de Cesar Maia. Foram subprefeitos em sua primeira gestão, iniciada em 1993. Bethlem repetiu a função no mandato seguinte, de Luiz Paulo Conde, e em 2000 se elegeu vereador. Antes de assumir a pasta atual, foi subsecretário do governo estadual, à frente das iniciativas de reordenação batizadas como Ipabacana, Copabacana e Barrabacana.

A lista de moléstias urbanas é tão extensa que se torna difícil hierarquizá-las. Mas um problema em especial perturba o secretário da Ordem Pública: crianças em sinais de trânsito. “Elas fazem a função dos pais, que é prover a família, ou até trabalham para terceiros”, aponta. Quando era subprefeito da Barra, ele deteve um homem em Santa Cruz por alugar crianças para esmolar nas calçadas. “No fundo, no fundo, quem dá dinheiro contribui para a pessoa permanecer na rua. Quer dizer: acaba por prejudicá-la.” Nessa vida dupla entre o gabinete e as ações no asfalto, Bethlem tem sempre à mão um colete da secretaria, que substitui o terno nas operações. “O que se ouviu durante muito tempo foi o seguinte: vamos tolerar os ambulantes porque é melhor o cara estar vendendo que roubando”, afirma. “Não podemos viver da comparação com o pior.”

As medidas disciplinadoras resultaram em popularidade imediata e em enorme assédio ao secretário. Tem sempre alguém se aproximando com pedidos de intervenção em seu bairro. Não escapou nem da própria mãe, a atriz Maria Zilda. Há alguns dias ela mandou um e-mail reclamando da dificuldade para chegar em casa com tantos táxis parados em fila dupla na Gávea. “Respondi que estávamos tomando providências”, conta, com entonação monocórdia. Filho da artista e do engenheiro César Fernandes, que morreu num acidente de carro em 2004, ele tem dois irmãos mais novos: Rafael, por parte de mãe, e Gabriela. No ano passado se casou de papel passado com a ex-deputada federal Vanessa Felippe, com quem tem dois filhos: Jorge, de 17 anos, e Vitoria, 7. Quando se conheceram, não parecia que dali nasceria uma relação duradoura. Era aniversário dele, e cada qual estava acompanhado de sua cara-metade. Ao tentar iniciar uma conversa, Vanessa recebeu uma resposta atravessada do anfitrião. Tempos depois, ela soube o motivo da grosseria naquele primeiro encontro: as ameaças da ciumenta namorada dele. O casal se aproximou para valer no início da década de 90, quando se reencontrou em um camarote no Sambódromo. Estão juntos desde então, salvo breves interrupções. “Ainda bem que não foi a primeira impressão que ficou. Rodrigo é um gentleman”, elogia a mulher, de 36 anos, vice-presidente da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj). Ela trancou o curso de direito no 3° período e pensa em retomá-lo neste semestre.

Para o ler o texto na íntegra clique aqui.

2 respostas para 'O XERIFE DO RIO'

  1. manoel toscano Diz:

    Não sei se o xerife de micarla se enquadra nas suas colocações, mais ela criou e esperamos que aconteça. Natal com a criação da secretaria de Defesa Social sera a mais segura de todo brasil. para isso basta o indicado por micarla delegado Sergio Leocardio dedicar-se ao municipio como se dedica a sua empresa que faz a segurança do carnatal, páu mandado do vice paulinho freire. E fazer aquilo que nunca fez como delegado remunerado da secretaria de segurança do governo do estado, onde sempre foi uma figura decorativa e nunca deu expediente a exemplo de outros como Magnus Barreto.

  2. Junior Diz:

    Caro Ailton,

    Cadê o jornal de hoje? a filha de Carlos Alberto deu uma moratória e ninguém fala sobre a gravidade e injustiça sobre inúmeras empresas, muitas delas micros.

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