Aílton Medeiros
"Não consigo tomar partido por um sujeito, por um partido, por uma classe, por um país, por um filósofo, ou mesmo por uma filosofia, por um poeta, por uma escola literária, por um regime político. Tenho horror ao um..." (Alceu Amoroso Lima)

OMBROS DE GIGANTES II

Um leitor quer saber de onde tirei o título do artigo sobre os gigantes da literatura. Uau, do livro “Sobre os ombros de gigantes”, organizado pelo cientista inglês Stephen Hawking, um catatau de 1.037 páginas, lançado aqui pela Editora Campus/Elsevier.
Hawking foi buscar o título na famosa frase de Isaac Newton, “Se enxerguei mais longe, foi porque estava sobre os ombros de gigantes.” Newton é um dos três gigantes da ciência moderna. Hawking considera seu “Principia Mathematica” o mais importante trabalho da história da ciência, “o fundamento científico da moderna visão do mundo”.
Newton, claro, fez muito mais do que isso, desvendou os segredos da luz e da cor, criou o cálculo diferencial (simultaneamente com o alemão Wilhelm Leibniz, com quem se envolveu numa acirrada disputa) e foi o autor de descobertas importantes em muitas outras áreas. O segundo gigante é Kepler, contemporâneo de Newton, os dois nasceram em 1571 e morreram em 1630.
Kepler fez sucesso e fortuna como astrólogo e imaginou uma polifonia no céu, a ” música das esferas”. Era a trágica época da Guerra dos Trinta Anos, o que o levou a deduzir que a melodia da terra, mi, fá, mi, representava misere, fami, misere (miséria, fome, miséria), uma lamento contínuo.
Quando Einstein, o terceiro gigante, morreu, o caricaturista Herbert Block publicou no “Washington Post” um cartum famoso. Mostrava a Terra, em meio a outros planetas, com um cartaz que dizia: “Albert Einstein morou aqui”.
Einstein, que Hawking considera o gênio supremo, provou que existiam átomos e moléculas (em 1905 ainda havia dúvidas a respeito), criou a base para a mecânica quântica, ao revelar que a luz podia comportar-se como se formada por partículas, e revolucionou os conceitos de tempo, de massa, de energia e, mais tarde, com a relatividade geral, de espaço, isso tudo sem fazer qualquer experiência, usando apenas o pensamento.
Um dia perguntaram a Einstein: e se ficasse provado que a teoria da relatividade geral estava errada?
Ele respondeu: “Eu teria sentido pena do nosso bom Deus. A teoria está correta”.

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