ONDE ESTÁ WALY SALOMÃO
Da “Folha”:
O poeta Waly Salomão aparece diante da câmera enquanto atravessa a Amazônia rumo à fronteira norte do país.
Embalado pelas crateras de uma estrada de terra que jogam a Kombi precária como um barco numa tempestade, ele explica para uma desconhecida companheira de viagem que o Brasil poderia abarcar o mundo inteiro, poderia incluir todos os atuais países com que faz fronteira, a América do Norte e até a Oceania, “se Deus não tivesse levado aqui da Terra o barão do Rio Branco”.
A referência bem-humorada ao diplomata que negociou a expansão dos limites territoriais brasileiros, embora pareça delirante e despropositada, é coerente com o tema crucial da poesia e da vida de Waly (1944-2003): a necessária imprecisão de fronteiras.
É como uma espécie de antibarão do Rio Branco do delírio e da razão, da vida e do sonho, da realidade e do cinema, da verdade e da representação que Waly aparece retratado no filme de Carlos Nader “Pan-Cinema Permanente”, eleito o melhor documentário de 2008 no festival É Tudo Verdade.
O filme entra em cartaz no Rio e em SP na próxima sexta-feira, mas tem pré-estréia hoje, no Cine Bombril, dentro da série Folha Documenta. A sessão é gratuita, seguida de debate com o diretor e com o poeta Antonio Cicero [mais detalhes em texto nesta página].
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